Senador chileno propõe lei para combater notícias falsas nas eleições

Num mundo cada vez mais conectado pela internet a propagação de notícias falsas, as já famosas “Fake News” é algo cada vez mais difícil de controlar. Além da facilidadade de se espalharem, afinal, hoje em dia, é difícil ver alguém sem o celular na mão, elas também são muito fáceis de serem produzidas: basta ter um bom programa de edição de imagens e vídeos à disposição e uma ideia mal intencionada na cabeça, que o estrago já está feito.

Esse fenômeno pode causar muito prejuìzo à reputação de pessoas e empresas, e é ainda mais perigoso quando o assunto é eleição. Muitas pessoas podem decidir o voto baseadas em mentiras propagadas pelas redes sociais, o que configura uma grave ameaça à democracia. Pensado nesse perigo, o senador chileno Alejandro Navarro, fundador do partido Pais, está com um projeto de reforma constitucional para punir candidatos a cargos políticos no Chile que utilizarem notícias falsas nas eleições.

A proposta, que Navarro nomeou de “Lei Bolsonaro”, tem o objetivo de punir aqueles que se beneficiarem das fakes news para se eleger. 

“O projeto visa cancelar uma candidatura política presidencial, parlamentar, municipal ou de governador, quando algum político for responsabilizado pela difusão de notícias falsas, durante sua campanha”, afirma texto publicado em seu site oficial.

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Segundo o parlamentar, essa é “uma reforma necessária para resguardar a democracia”, que protegerá “a nova forma de fazer política que tomou a extrema-direita na América Latina” e que “espalha mentiras e destrói a reputação de candidaturas opositoras”.

O senador também fez um alerta de que a notícia falsa é uma manobra eleitoral efetiva e que candidatos que as usam ganham eleições. “Não podemos deixar que essa prática conquiste a política chilena. É uma bola de neve que não podemos deixá-la crescer”, afirma.

“Lei Bolsonaro”

De acordo com Navarro, o nome “Lei Bolsonaro” foi escolhido “por causa da maneira questionável de fazer política do candidato presidencial no Brasil, Jair Bolsonaro, candidato eleito à presidência do Brasil.

Para justificar a proposta, o senador cita a reportagem do jornal Folha de S.Paulo, de que empresários teriam pagado pela divulgação de notícias falsas contra a candidatura de seu adversário no segundo turno, o professor universitário e ex-ministro da educação Fernando Haddad.

Como exemplos de fake news, Navarro cita o “kit gay”, a já negada tese de que Haddad defendia incesto em um de seus livros e de que o petista iria elaborar um projeto de lei para legalizar a pedofilia.

Além disso, ele diz reconhecer que “as notícias falsas são difíceis de combater, porque os eleitores ficam com a primeira impressão”.

México e EUA

Além de Bolsonaro, o senador cita mais dois exemplos de candidaturas impactadas por notícias falsas.

No México, ele relembra a situação do candidato e ex-jogador de futebol, Cuauhtémoc Blanco, “que foi difamado por uma empresa paga por seu concorrente eleitoral, que o culpou pelo maciço corte de água no município de Cuernavaca”, diz Navarro. “Eles inventaram até que o bispo local protestou contra Blanco, mas até mesmo o bispo se ofereceu para processar os mentirosos.”

Navarro compara o episódio do México com a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. “Algo semelhante aconteceu com Donald Trump, quando ele foi acusado de usar o sistema Analytica Cambridge, estudando perfis de usuários do Facebook para enviar informações falsas favoráveis a sua candidatura”, disse o parlamentar.

Me pareceu muito válida a medida porque daqui pra frente essa tem que ser um preocupação não só dos países latinos, mas de qualquer país democrático no mundo inteiro.

Fonte: Site Revista Exame – Grupo Abril

Imagens: Reprodução Internet

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