Alguém tem que morrer

Se você quer compreender um pouco sobre como era a sociedade espanhola no período da ditadura franquista, não deixe de assistir a minissérie: “Alguém tem que morrer””, disponibilizada na Netflix. Ambientada nos anos 50, a trama apresenta a poderosa família Falcón, composta por Amparo (Carmen Maura), a matriarca da família, seu filho Gregorio (Ernesto Alterio), a esposa Mina (Cecilia Suárez) e pelo seu neto Gabino (Alejandro Speitzer). A reputação da família é posta à prova quando Gabino retorna do México acompanhado de um amigo bailarino, Lázaro (Isaac Hernández).

A série não perde tempo em estabelecer sua trama, a relação entre os personagens enquanto planta mistérios e intrigas suficientes para instigar o espectador a criar teorias sobre os segredos escondidos. Ao longo de seus três episódios, de aproximadamente 45 minutos, todo drama se desenrola. Quando a amizade de Gabino e Lázaro começa a ser questionada, o ponto central da história começa a se mostrar: O preconceito arraigado em uma sociedade extremamente conservadora e moralista. A família Falcón, que se destaca na alta sociedade, principalmente por seu favorecimento pelo governo e liderança conservadora da matriarca, não pode aceitar conviver com um filho homossexual.

Em uma época que a homossexualidade era tratada como pecado, doença e até mesmo crime, os “desviados” eram detidos e sofriam um “tratamento” a base de violência, sendo torturados em alguns casos até a morte. Alguém tem que morrer prova que certas coisas não mudam com o tempo. Infelizmente, muito do que é retratado na minissérie ainda, é visto nos tempos de hoje. Em um período que a religião era imposta através da cultura do medo, e a violência era exercida em nome da Igreja e do patriotismo. O conservadorismo e o poder militar ditavam as regras. Fica claro o discurso de “pátria limpa”, utilizando a religião para justificar o ódio, a violência e o preconceito no sentido amplo da palavra.

Através de seus temas, o enredo evidencia todos os problemas de uma sociedade conservadora e de um regime ditador. As tramas são movidas pela repressão e a violência. Algumas cenas são desconfortáveis e se tornam ainda mais dolorosas sabendo que ainda hoje acontece muito daquilo que é apresentado. A série chega a provocar uma certa revolta, ao refletirmos sobre como a imposição de padrões e regras comportamentais, podem causar inúmeros sofrimentos… Vale a pena conferir!

Fonte: mixdeseries.com.br

Saiba como será a primeira cidade-floresta inteligente do México

Comissionada pelo Grupo Karim´s e projetada por Stefano Boeri Architetti, a primeira cidade-floresta inteligente do México terá como foco a inovação e a qualidade ambiental. A cidade busca um equilíbrio entre áreas verdes e construídas e é completamente auto-suficiente em alimento e energia.

Smart Forest City – Cancun é a primeira cidade-floresta do novo milênio, com capacidade para 130.000 habitantes. A cidade será construída em um terreno de 557 hectares, com 400 hectares reservados para espaços verdes. As mais de 400 espécies vegetais usadas no projeto foram escolhidas pela botânica e arquiteta paisagista Laura Gatti, e vão compor um arranjo de mais de 7,5 milhões de plantas espalhadas por toda a cidade. Com uma proporção de 2,3 árvores por habitante, a cidade-floresta “absorverá 116 mil toneladas de dióxido de carbono por ano”. Parques públicos, jardins privados, coberturas vegetais e fachadas verdes ajudarão a estabelecer um equilíbrio com a área construída.

Visando a economia circular, a cidade é cercada por painéis solares e campos agrícolas, tornando-a completamente auto-suficiente em alimento e energia. A água é coletada na entrada da cidade, próxima à torre de dessalinização, e é distribuída “por um sistema de canais navegáveis que conectam a zona urbana aos campos agrícolas”. Dentro da cidade, as pessoas circulam com veículos elétricos e semi-automatizados, deixando seus carros nos limites da cidade. 

Por fim, a cidade conta com “um centro de pesquisa avançada que pode receber universidades, organizações internacionais e empresas que lidam com questões de sustentabilidade”. Esse centro receberá pesquisadores e estudantes de todo o mundo.

Fonte: archdaily.com.br

Entendendo a saída

Logo no início do ano, o Brasil foi surpreendido com uma notícia impactante: a saída da Ford do país, após 100 de atividades no território nacional. A retirada da empresa representa a perda de inúmeros empregos diretos e indiretos e é um grande baque para alguns municípios brasileiros. Muito se tem especulado sobre os motivos desse anúncio. O governo federal insinuou que a Ford queria uma maior “regalia” fiscal, mas será que isso explica tudo mesmo?

Na verdade, a empresa já dava sinais, há um tempo, de que não desejava permanecer no Brasil. Falta de anúncios de investimentos por aqui, fechamento da fábrica em São Bernardo do Campo (SP)  e a queda na venda de veículos nos últimos anos (mesmo com a alta das vendas do setor como um todo) eram alguns dos sinais.

Poderia ser algo global. Afinal, o setor automotivo não anda bem das pernas nos últimos anos e a companhia já havia anunciado a paralisação da produção de diversos carros de passeio ao redor do mundo, incluindo nos Estados Unidos. Mas a Argentina parecia diferente para a Ford. Mesmo com o país vizinho atravessando uma crise tão ruim, a montadora americana anunciou o investimento de R$ 3 bilhões por lá no mês passado. Cerca de 70% desse valor será investido na fábrica de General Pacheco, em Buenos Aires.

Foco em carros grandes

Na Argentina, a Ford investe em carros grandes, como picapes e SUVs. A Ranger vendida aqui no Brasil, por exemplo, vem de lá. O Brasil, historicamente, concentrou a produção dos carros de passeio, graças ao seu mercado interno robusto. Porém, os carros populares, aparentemente, não eram mais tão lucrativos para a Ford.

“Nosso dedicado time da América do Sul fez progressos significativos na transformação das nossas operações, incluindo a descontinuidade de produtos não lucrativos e a saída do segmento de caminhões”, disse Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, em nota.

“Esses esforços melhoraram os resultados nos últimos quatro trimestres, entretanto a continuidade do ambiente econômico desfavorável e a pressão adicional causada pela pandemia deixaram claro que era necessário muito mais para criar um futuro sustentável e lucrativo”, completou.

A montadora americana anunciou um investimento de R$ 3 bilhões de reais em suas fábricas na Argentina

Então, já que a Argentina era um país com expertise para a fabricação desses modelos de maior valor agregado, foi mais fácil ficar por lá. A questão, agora, não é tanto escala para a Ford, como disse a montadora em nota. O foco da empresa é a “oferta de veículos conectados de alto valor agregado e qualidade”. Há mais de uma década esse é o perfil da produção argentina. 

Custos fixos mais baixos

Segundo o consultor da ADK Paulo Garbossa, especializado no setor, o Brasil deveria ter focado em picapes e SUVs, que são os queridinhos dos consumidores há algum tempo, e, também, em resolver a bagunça tributária. De repente, assim, a Ford teria ficado por aqui. Mas o fato de os custos fixos no país vizinho serem mais baixos, como os gastos com a mão de obra, também pode ter pesado na decisão. 

Um estudo da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra que um carro no Brasil paga entre 48,2% e 54,8% de taxa, levando todos os impostos como ICMS, ISS, PIS e Cofins (e o efeito cascata embutido nele).

“Entendemos que a decisão está alinhada a uma estratégia de negócios da montadora. Mas, o ambiente de negócios é um dos fatores que pesam no momento de decisão sobre onde permanecer e onde fechar”, disse Carlos Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

Perda de espaço no mercado nacional

Mas a montadora americana também não pode falar que a crise brasileira e a pandemia foram os únicos responsáveis pelo momento ruim dela no país. A empresa, nos últimos anos, vinha perdendo espaço tanto em volume quanto em participação de mercado. Em 2015, a Ford era a quarta maior montadora no Brasil, com uma fatia de 10,24% do mercado. No ano passado, foi a quinta, com 7,14% de participação. Em 2019, havia sido pior ainda: ocupou a sétima posição.

Apesar da retomada do setor automotivo a partir de 2017, a empresa não conseguiu subir na mesma velocidade. Em 2019, a Ford viu suas vendas caírem mais de 10% em comparação com os resultados do ano anterior. Nesse ano, as vendas de veículos subiram quase 9%, segundo a Fenabrave. A sul-coreana Hyundai abocanhou a quarta posição no mercado nacional.

Um sinal de que havia algo estranho no ar também pode ser visto no calendário de lançamentos da empresa, apresentado em dezembro. Em entrevista coletiva, Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, confirmou o lançamento de quatro novos modelos para a região, todos produzidos fora do país: o utilitário Transit, uma nova versão da picape Ranger, a edição limitada do esportivo Mustang, o Mach 1, e o novo SUV global da marca, o Bronco. Nenhum sinal dos outros veículos.

Em 2019, para completar, a empresa havia anunciado o fechamento de sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP), onde montava caminhões e o Fiesta, que foi um dos seus modelos de maior sucesso no Brasil. 

Carros importados agora

Mas se engana quem pensa que não verá mais carros da Ford no Brasil. Só que agora serão carros mais robustos e, claro, importados. O Brasil e a Argentina assinaram, em 2019, um acordo comercial que prevê o livre comércio de bens automotivos até julho de 2029. Os acordos anteriores entre Brasil e Argentina para o setor automotivo vinham sendo renovados periodicamente. 

Outras empresas podem ir embora?

Outras empresas podem seguir esse caminho da Ford? Para Antonio Jorge Martins, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não. O caso da Ford, segundo ele, é muito específico.

“A estratégia da Ford é focar em sua produção de carros com tecnologia mais sofisticada. Outras fábricas e montadoras têm foco outros nichos”, diz Martins. “E em níveis de produção, há plena capacidade da indústria brasileira de ocupar esse espaço vazio pela Ford.”

A General Motors, provavelmente, vai querer um pedaço dessa fatia que a Ford vai deixar pra trás. Na semana passada, ela anunciou que irá retomar em 2021 o planejamento que previa investir R$ 10 bilhões em suas fábricas no país pelos próximos cinco anos, destinados à inovação e também à produção de modelos ainda inéditos no Brasil.

Fonte: CNN Brasil

Resistiré

A música tem um poder terapêutico e funciona, muitas vezes, como um calmante, para espantar os males da vida. Em época de pandemia, preservar a saúde mental tem sido um grande desafio e nos países hispânicos uma canção antiga, lá do final dos anos 80 voltou às paradas para animar as pessoas a enfrentarem os horrores provocados pelo novo coronavírus. “Resistiré” é o nome da canção que revigorou os ânimos desde a Espanha até vários países latino-americanos.

“Cuando me amenace la locura / cuando en mi moneda salga cruz / cuando el diablo pase factura / si alguna vez me faltas tu” este é um pedacinho da canção do dupla Duo Dinámico. Para acompanhar a melodia por inteiro e também fortalecer os ânimos, click no link abaixo e confira uma das versões da obra:

Fonte: elmundo.es

A “cidade perdida” na América Central descoberta por pesquisadores de animais que se imaginava estarem extintos

A selva de Mosquitia, que se estende do leste de Honduras ao extremo norte da Nicarágua, é uma das maiores florestas tropicais da América Central e — até recentemente — um dos lugares menos explorados do planeta.

Em 2013, arqueólogos descobriram as ruínas de uma antiga “cidade perdida” escondida em suas profundezas, a partir do uso da tecnologia de mapeamento a laser LIDAR (da sigla em inglês Light Detection and Ranging, ou seja, detecção e medição com luz).

Desde então, pesquisadores têm estudado esta floresta densa, não apenas à procura de mais vestígios da antiga cidade mesoamericana, mas em busca de vida selvagem em seu território intocado.

E o que descobriram recentemente foi melhor do que podiam imaginar: um rico ecossistema com centenas de espécies da fauna e da flora — algumas das quais acreditava-se estarem extintas.

Em 2017, uma equipe de biólogos — liderada pelo Programa de Avaliação Rápida da Conservação Internacional em parceria com o governo de Honduras — passou duas semanas na selva de Mosquitia.

A expedição era para pesquisar e catalogar as diversas espécies raras e ameaçadas de extinção que encontraram na bacia do Rio Plátano, que corre pela floresta.

Entre as descobertas feitas pela equipe, estão 22 espécies de plantas e animais nunca antes registradas em Honduras — e duas espécies da fauna que se pensava estarem extintas no país: o morcego Phylloderma stenops e a cobra Rhinobothryum bovallii, além do besouro-tigre, que tinha sido visto apenas na Nicarágua e era considerado extinto.

Acreditava-se que a cobra Rhinobothryum bovallii estava extinta em Honduras desde 1965

“O fato de termos encontrado o besouro-tigre na ‘cidade perdida’ sugere que este lugar é realmente ‘saudável'”, diz Trond Larsen, líder da expedição.

No total, os pesquisadores documentaram centenas de espécies de plantas, borboletas e mariposas, aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos — destaque para uma grande presença de felinos, como onças, pumas, jaguatiricas, jaguarundis e gatos-maracajá — vivendo na floresta tropical.

“Alguns mamíferos grandes tendem a fugir assim que ouvem ou sentem o cheiro de gente perto. Mas os macacos-aranha-de-Geoffroy, espécie ameaçada de extinção, não eram nada tímidos”, recorda Larsen.

“Havia grupos enormes deles nas árvores, balançando os galhos para a gente, curiosos em tentar descobrir o que estava acontecendo, por que todas aquelas pessoas estavam trabalhando ao redor deles.”

Macaco-aranha-de-Geoffroy também deu o ar da graça na floresta

Larsen lembra ainda o encontro que teve com um puma quando caminhava sozinho à noite pela floresta.

“Eu me virei e vi aqueles olhos grandes e brilhantes se movendo lentamente na minha direção, ele estava meio agachado e movia a cabeça para frente e para trás olhando para mim.”

“Nós meio que olhamos para baixo, e então o puma se virou e desapareceu em meio à mata. Estava escuro como breu, e eu não fazia ideia de onde ele estava. Foi quando comecei a ficar um pouco nervoso”, revela.

A equipe de pesquisadores passou duas semanas na mata catalogando as espécies

A principal explicação para tamanha diversidade é que a área permaneceu praticamente intocada pelo homem por séculos, depois que os ancestrais das comunidades indígenas que hoje vivem na região abandonaram inexplicavelmente a antiga cidade que um dia existiu ali.

“Podia haver atividades não muito longe de onde estávamos trabalhando, mas nas imediações de onde estávamos, era praticamente intocado pelo homem”, afirma o pesquisador.

Difícil acesso

A floresta de 350 mil hectares é coberta sobretudo por árvores densas de 25m a 35m de altura, com algumas chegando a atingir 50m — e, por isso, o acesso não é fácil.

Os pesquisadores tiveram que ser transportados de helicóptero até lá.

“A única forma de acesso aos locais que visitamos era de helicóptero, porque era longe de qualquer estrada ou qualquer tipo de acesso”, explica. Em solo, a folhagem da mata era tão densa que precisaram abrir caminho com facões. E, por questão de segurança, Larsen conta que a equipe foi escoltada o tempo todo por soldados armados.

Ruínas da ‘cidade perdida’ descoberta por arqueólogos na floresta

A área também compreende a Reserva da Biosfera do Rio Plátano, a maior área protegida de Honduras — e Patrimônio Mundial da Unesco.

Além de abrigar toda essa vida selvagem, a selva de Mosquitia é essencial para o processo de captura dos gases causadores do efeito estufa da atmosfera.

No entanto, a região tem sido ameaçada pelo tráfico de animais e pelo desmatamento — 90% dos danos à floresta tropical são causados ​​pela pecuária ilegal, que também é fortemente impulsionada pelo tráfico de drogas na área.

Em um esforço para preservar a região, a floresta tropical agora está sendo parcialmente vigiada e patrulhada por militares hondurenhos.

Em 2018, o governo lançou um programa para proteger tanto a floresta quanto as ruínas da cidade antiga, que permaneceram intocadas e sem ser saqueadas por gerações — algo incomum para qualquer sítio arqueológico na América Central.

Fonte: BBC Brasil

Um pedacinho dos Andes na Venezuela

A Cordilheira dos Andes é uma das cadeias montanhosas mais famosa do mundo. Quando pensamos nela, geralmente lembramos de países mais frios como Argentina e Chile, mas ela começa bem mais ao Norte: na nossa vizinha Venezuela. O país possui três estados andinos: Mérida, Táchira e Trujillo. Esses locais oferecem ao viajante sua hospitalidade e suas paisagens; as montanhas e seus páramos, as lagoas, os vales, os povoados e suas igrejas. Em cada recanto há algo para ser observado e desfrutado!

Outra característica dos andes venezuelanos são as lagoas, restos de antigos glaciais que oferecem aos olhos uma visão única e, também, interessantes passeios. Algumas, como a lagoa de Mucubají, têm fácil acesso por localizarem-se perto das rodovias. O acesso a outras requer longas caminhadas…

Mérida

A cidade de Mérida é um dos pontos mais importantes e bonitos dos Andes Venezuelanos. É uma excelente dica para quem deseja conhecer esse pedaço tão especial da nossa América Latina. A cidade é um lugar muito interessante por sua Catedral, por sua Praça Bolívar, sua Praça de touros, sua vida estudantil, seus parques e sua rica gastronomia.

Uma das maiores atrações turísticas de Mérida é, sem dúvida alguma, o teleférico  que vai da cidade até o Pico do Espelho, a uma altitude de mais de 4600m. Este teleférico é o mais longo e o mais alto da América do Sul!

Nesse vídeo do canal Tierra de Gracia, você poderá ver alguns dos principais pontos turísticos de Mérida, e ficar assim como eu, doido pra conhecer essa cidade tão espetacular ☃️

Não esqueça de ativar as legendas automáticas para não perder nenhum detalhe 😉

Fonte: venezuelatuya.com

E se a Europa tivesse sido conquistada pelos incas?

A última obra do escritor Laurent Binet, um romancista francês de 44 anos, responde uma pergunta que milhões de latino-americanos provavelmente já se fizeram muitas vezes. O que teria acontecido se a América tivesse “descoberto” e colonizado a Europa, e não vice-versa?

Em Civilizações, o escritor imagina um mundo onde um pequeno e bastante plausível acidente na história mudou o rumo do planeta: exploradores vikings, em vez de simplesmente passarem pela costa canadense, são forçados a se estabelecer no continente americano. Quinhentos anos depois, sua herança — na forma de armas de ferro, anticorpos e cavalos — transformou a resposta dos índios Taino, no Caribe, à chegada de Colombo.

No romance, em 1531, é o último rei do império inca, Atahualpa, quem invade a Europa e inicia a colonização do império de Carlos 5º, do sacro império romano-germânico. A BBC News Mundo (serviço da BBC em espanhol) conversou com o escritor francês sobre esse cenário imaginado.

BBC – O sr. é um escritor francês que responde a uma pergunta que os latino-americanos já se fizeram muitas vezes. De onde veio a ideia?

Laurent Binet – A ideia me ocorreu no outono de 2015, depois de ser convidado para a Feira do Livro de Lima. Esse foi o gatilho, porque naquela viagem descobri muitas coisas sobre os índios pré-colombianos, os incas e a conquista de (Francisco) Pizarro (europeu que invadiu e dominou o Peru) que achei muito interessantes.

Depois me deram um livro de Jarred Diamond chamado Guns, Germs and Steel (Armas, Germes e Aço), no qual há um capítulo inteiro sobre Atahualpa e Pizarro. Neste capítulo Diamond quem pergunta por que foi Pizarro quem veio ao Peru para capturar Atahualpa e não Atahualpa quem foi à Europa capturar Carlos 5º.

E foi isso que me deu a ideia. Isso me fez pensar: Por que não? Agora vejo em que condições seria possível que a coisa acontecesse ao contrário. E os elementos da resposta também me foram dados por Jarred Diamond, porque sua teoria é que os incas, os nativos americanos, precisavam de três coisas principais para poder resistir aos espanhóis: cavalos, aço e, acima de tudo, anticorpos.

Os vikings chegaram ao Canadá, mas não se estabeleceram por lá

BBC – Em seu livro,o sr. imagina que para isso bastaria uma pequena mudança na história.

Binet – Exatamente. Eu acredito nos acasos da história. Quer dizer, acho que existem grandes tendências e a história não muda quando você estala os dedos. Mas isso não significa que não haja grandes coincidências. Uma das questões é que os europeus tinham mais animais domésticos do que os nativos americanos. E em contato com esses animais eles ficavam mais expostos aos micróbios. Por que foram os europeus que conquistaram o mundo e não os asiáticos ou os africanos? E talvez a resposta seja por que eles tinham porcos e vacas. Acho que é uma ideia interessante.

Agora, também se sabe que os vikings chegaram ao Canadá por volta do ano mil. Eles chegaram, mas não ficaram. Se eles tivessem ficado, tudo poderia ter sido muito diferente. Portanto, este é o meu ponto de partida: o que aconteceria se Cristóvão Colombo chegasse em Cuba e encontrasse indígenas que tinham cavalos, armas de ferro e 400 anos para se preparar para a chegada de seus micróbios?

BBC – Quando começou a escrever simplesmente se deixou levar pela pergunta e pelo prazer de tentar respondê-la através de um romance, ou também tinha um propósito político?

Binet – Você é sempre político, queira ou não, um texto sempre acaba sendo político. Eu tinha certeza de que seria divertido, e também muito interessante, ter a perspectiva dos derrotados. Há, de fato, outro livro sobre os incas, The Vision of the Vanquished (A Visão dos Aniquilados), de Nathan Wachtel, que explica como os incas viram a chegada dos espanhóis. E esse exercício de inversão foi claramente algo que me interessou e eu queria olhar para externos à nossa própria sociedade. Achei isso tão divertido quanto interessante.

Mas o livro foi construído numa perspectiva um tanto erudita, pois gosto de fazer muita pesquisa. Pensei nisso como um jogo e é por isso que o livro tem o mesmo nome de um jogo de computador: Civilization. O título em francês também é escrito assim, com z, como em inglês, porque é uma referência ao jogo. Tudo que fiz foi colocar no plural. Não é civilização, mas civilizações.

BBC – O sr. descreve uma Europa com poucas liberdades e muitas desigualdades, fragmentada pelas guerras religiosas em 1500. E Atahualpa aproveita esse momento para conquistá-la. Mas o tipo de sociedade um pouco mais justa e igualitária que você oferece aos “levantinos” — como você chama os europeus — é um reflexo da sociedade inca?

Binet – Certamente havia diferenças (entre a sociedade inca e as sociedades europeias). Mas minha intenção não era estabelecer uma hierarquia e dizer que os indígenas eram melhores. Nem os incas, nem os astecas tinham democracias. Eram impérios imperialistas, que de fato estavam em processo de expansão.

É por isso que eu não queria que o modelo de Atahualpa fosse Erasmus (de Roterdã), mas Maquiavel. Porque Atahualpa não era escritor ou poeta, mas chefe de Estado. E como chefe de estado, ele precisava de Maquiavel mais do que de Erasmus. Portanto, suas decisões são pragmáticas.

Se ele ajuda os judeus, os muçulmanos ou os camponeses alemães, e se ele se alinha com a França, é por pragmatismo, o mesmo pragmatismo de Hernán Cortés (espanhol que destruiu o império asteca). No México, Cortés fez algo semelhante: aliou-se a todos os povos indígenas conquistados pelos astecas.

Então para mim é puro pragmatismo, como Cortés e Pizarro. E em um nível estratégico ao longo de meu livro Atahualpa se comporta e raciocina como Cortés e Pizarro. Onde posso encontrar aliados? Bem, entre as minorias oprimidas, foi o que Cortés fez.

E então ele arma uma armadilha para Carlos V, assim como Pizarro fez em Cajamarca para capturar Atahualpa. Sabemos pelos próprios conquistadores que Atahualpa era alguém inteligente, agradável. Mas usando esses elementos eu o torno mais astuto, um pouco como um espelho de Cortés. Na verdade, devo confessar que tenho uma queda por Cortés.

Binet resolveu escrever o livro após uma viagem ao Peru

BBC – Mas então por que os incas e não os astecas? Montezuma teria sido o protagonista se antes de ir à Feira do Livro de Lima você tivesse ido a Guadalajara?

Binet – Pode ser. E fui depois na Feira de Guadalajara. Então sim, a escolha foi um pouco fruto do acaso, mas ao mesmo tempo fico feliz por ter escolhido os incas, porque sua organização econômica e social me parece mais interessante. Então foi um acaso, mas um acaso feliz.

BBC – No livro, há muitos episódios em que o sr. parece inverter o que aconteceu durante a conquista.

Binet – Sim. Por exemplo, o massacre de Toledo (episódio do livro) equivale ao massacre de Cholula nas mãos de Cortés e seus homens, simplesmente transferido para a Espanha.

BBC – Quanto tempo gastou pesquisando e documentando para identificar e compreender todos esses episódios?

Binet – Foram quatro anos de trabalho. Na França, o livro saiu em 2019, então foram quatro anos de trabalho e muitas leituras de todos os tipos. Especificamente sobre os incas, existem muitos livros muito bons em francês, mas uma de minhas fontes mais importantes foi Garcilaso de la Vega, assim como as crônicas da conquista. Pedro Pizarro, primo de Francisco Pizarro, por exemplo, escreveu a história da conquista do Peru, e muitos conquistadores espanhóis forneceram testemunhos muito valiosos sobre os incas.

Na verdade, eles são os únicos, porque não há depoimentos escritos dos próprios incas. Mas Garcilaso de la Vega foi fundamental para me ajudar a entender a organização política, econômica e social dos incas, suas regras e seu sistema de distribuição de terras, que me interessou muito.

BBC – O livro também destaca seu papel de provedor dos mais vulneráveis, como uma versão do Estado de bem estar social primitivo.

Binet – Exatamente. Porque a pergunta que todos me fazem é o que seria diferente na Europa hoje se os Incas tivessem nos invadido? E minha resposta nesse caso foi: teríamos tido seguridade social muito antes.

Armas e cavalos foram uma grande vantagem dos espanhóis

BBC – E o sr. realmente acha que as coisas teriam acontecido assim? Realmente acha que nosso mundo seria muito diferente?

Binet – Acredito que pelo menos não teríamos um sistema capitalista, mas uma economia planejada. Acho que essa seria a principal diferença. E quando se trata de questões religiosas, acho que uma parte significativa da Europa poderia ter adotado o culto do Sol. Mas não tenho certeza se o catolicismo teria desaparecido completamente. Eu ainda gosto de imaginar um mundo no qual os incas invadem a Europa e então os astecas se juntam a eles e, finalmente, os incas e astecas se aliam contra os católicos e os muçulmanos turcos de Suleiman.

E acho que, geopoliticamente, isso também teria reconfigurado muitas coisas em uma época em que, como você bem sabe, a religião era muito instável na Europa. Houve Martinho Lutero, Henrique 8º que criou sua própria igreja na Inglaterra…

Certamente muitas coisas teriam mudado. Mas também não acho que teríamos paz na Terra e democracia depois do século 17, de forma alguma. Acho que as guerras teriam continuado. Só que em vez de igrejas, outros tipos de templos teriam sido construídos, então também teria havido muitas mudanças arquitetônicas, artísticas, etc. Muitas mudanças. Embora até que ponto é algo que não posso saber.

BBC – O sr., como escritor, parece estar brincando com a história. É o que mais te interessa?

Binet – Certamente estou interessado na relação entre história e ficção. Na verdade, todos os meus três romances falam sobre isso, apenas de ângulos diferentes. A questão é confrontar a realidade e a ficção e ver como se relacionam. Às vezes eles se fundem, às vezes eles se rejeitam, às vezes eles se casam, e todas essas possibilidades me interessam. História é certamente minha matéria favorita.

Fonte: BBC Brasil

Os mais ricos pagam mais

No final do ano passado, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou um projeto de lei que cria um imposto “extraordinário” para as pessoas que possuam um patrimônio superior a $ 200 milhões (aproximadamente R$ 13 milhões). O texto final, que foi aprovado por 133 a 115 votos, segue agora para discussão no Senado. A meta do governo argentino é arrecadar até US$ 3 bilhões com um imposto que varia de 2% a 3,5% de acordo com o valor do patrimônio. Ao todo, seriam afetadas entre nove mil e 12 mil pessoas.

Contrária ao projeto, a oposição considera que ele vai retirar investimentos da Argentina. Os governistas, por outro lado, afirmam que esse novo imposto atingirá 0,02% da população do país. O imposto também é defendido pelo atual presidente, Alberto Fernández.

O dinheiro arrecadado com a taxação será 20% destinado para a compra de materiais e instrumentos para a emergência sanitária de covid-19; 20% para investimentos nas pequenas e médias empresas; 15% em programas de desenvolvimento de áreas pobres da Argentina; 20% para bolsas de estudo do Programa de Ajuda aos Estudantes (Progresar); e 25% para programas de exploração e desenvolvimento de gás natural.

Uma ideia interessante para o Brasil copiar, vocês não acham? 🤔

Fonte: ISTOÉ Dinheiro

Paraíso dos livros completa 20 anos

A livraria El Ateneo Grand Splendid, considerada a livraria mais bonita do mundo, completou 20 anos neste último mês de dezembro. No ano 2000, já se insinuava o desaparecimento das grandes salas de cinema nas avenidas de Buenos Aires, pois os telespectadores começavam a mostrar preferência pelos complexos multiplex. Na Avenida Santa Fé, o cinema-teatro Grand Splendid fechou definitivamente as portas em março daquele ano. Mas reabriu alguns meses depois, no dia 4 de dezembro, transformado em livraria.

Um único requisito condicionou a transformação cultural do local fundado em 1919 por Max Glücksman com o intuito de ser a “catedral” do cinema e teatro de Buenos Aires: somente o espaço ocupado pelas 550 poltronas dos espectadores poderia ser modificado, nada mais.

Nada foi mudado. Nem o palco, nem os camarotes, nem os mármores, nem a cúpula pintada pelo italiano Nazareno Orlandi com alegorias pacifistas para o fim da Primeira Guerra Mundial, nem a marquise com figuras gregas que dá as boas-vindas na entrada do local. Ao longo de seis meses, com um investimento de US$ 3 milhões, a cúpula foi restaurada, foram instaladas escadas rolantes e elevadores, camarotes e escadas foram recuperados e a arquitetura e o design originais foram mantidos.

A arquitetura e o design originais foram mantidos.

Essa condição é a chave do sucesso da livraria atual. O Grupo Ilhsa, administrador das instalações localizadas na Avenida Santa Fe 1860, em Buenos Aires, soube aproveitar as particularidades que o espaço oferecia e transformá-lo em local atraente para os visitantes.

Desde então, El Ateneo é um dos passeios quase obrigatórios dos turistas que visitam Buenos Aires. Em tempos normais recebe em média 3.000 pessoas por dia, mais de 850.000 por ano.

Esse espaço arquitetônico único ocupa cerca de 2.000 metros quadrados e seus quatro andares estão divididos em: setor infantil e música (subsolo); livros, jogos, agendas, camarotes de leitura, confeitaria (térreo); livros técnicos e profissionais (primeiro andar); e música clássica e filmes, além de um setor dedicado a eventos e vistas panorâmicas (segundo andar).

Em 2008, a livraria El Ateneo foi eleita “a segunda livraria mais bonita do mundo” pelo jornal inglês The Guardian e em janeiro de 2019, a revista National Geographic a escolheu como “a mais linda do mundo”.

Você que estiver de passeio pela capital argentina, não pode deixar de conhecer esse paraíso dos amantes dos livros e da arquitetura 😉

Fonte: Site Clarín em Português

2020, o ano em que morre um ídolo e nasce uma lenda

No último post do blog em 2020, vamos fazer uma homenagem a uma das maiores personalidades latinas de todos os tempos, que nos deixou este ano: Diego Armando Maradona. O texto a seguir é do poeta gaúcho, Fabrício Carpinejar.

O velório de Maradona

Os argentinos sabem doer. Sabem fazer um morto se sentir importante. Sabem homenagear os seus heróis. Sabem se despedir com música e langor. Sabem expor a paixão de seu sofrimento. Sabem se desesperar. Sabem uivar aos céus, com os lobos de suas lágrimas.

Nunca se testemunhou uma comoção nacional tão grande desde o velório de Evita Perón. Maradona é capaz de superar as duas milhões de pessoas nas ruas de 1952. E isso no meio de uma pandemia. Ele morre e continua jogando futebol, ele morre e continua arrastando multidões para vê-lo. Não é um homem, mas um estádio.

Por mais frio e indiferente que qualquer um seja, não existe como não se arrepiar, mesmo quem não gosta do esporte ou quem cultivava ressalvas sobre o posicionamento político de esquerda do craque ou quem apontava os seus problemas pessoais, como as drogas e seus casamentos acidentados. É uma demonstração monstruosa de fé na eternidade que só é testada com a morte.

Como diz o escritor argentino Roberto Fontanarrosa, “não me importa o que Maradona fez com a vida dele. Eu me importo com o que ele fez com a minha”.

Ele transformou corações, garantiu ao seu povo sofrido e massacrado por golpes militares e sucessivas inflações a possibilidade de ser feliz por noventa minutos. Ele venceu uma Guerra das Malvinas paralela dentro do campo, deixando os adversários ingleses no chão e trazendo uma Copa do Mundo para casa. Ele saiu de um bairro pobre de Buenos Aires, privado de luz, com a eletricidade de suas próprias pernas. E pensar que ele não jogava futebol para se exibir, mas para sobreviver – na infância, disputava campeonatos para conseguir um refrigerante e um sanduíche.

Maradona superou a pobreza através do futebol.

A magia nos gramados começou cedo demais. Não teve tempo de ser adulto. Estreou profissionalmente aos 15 anos – El Pibe de Oro -, com uma inacreditável habilidade de girar e mudar a sua direção e a sua velocidade. Driblou a miséria, enganou sucessivos escândalos, recomeçou sempre. Foi um exemplo de sinceridade passional, com as suas glórias e pecados, não querendo nunca ser um modelo para ninguém. Mantinha a consciência de que custava muito sangue ser Maradona todo o dia.

Dom Diego é a maior celebridade da Argentina de todos os tempos. Nem a política, nem a religião produzirão um ídolo igual.

Na sua lápide, constará: Obrigado, bola!

E a bola responderá: Eu que agradeço, eu não sou a mesma desde que você me amou.

Fonte: Facebook

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