Países latino-americanos usam dinheiro apreendido do narcotráfico e da corrupção para combater covid-19

Com o mundo todo lutando para conter a disseminação do coronavírus, muitos países enfrentam com dificuldade o desafio de comprar o equipamento sanitário e hospitalar necessário para conter a pandemia.

Dois países latino-americanos, no entanto, adotaram uma maneira original de obter parte dos recursos extras. Argentina e Colômbia usam ativos apreendidos do narcotráfico e oriundos de outras atividades criminosas para fortalecer seus sistemas de saúde diante do avanço do vírus.

De carros a imóveis que pertenciam a criminosos suspeitos, esses bens são usados ​​para transportar ou abrigar pacientes com coronavírus ou isolar pessoas em risco devido à pandemia.

Isso é possível graças a uma figura jurídica chamada “extinção de domínio”, que se aplica a ativos supostamente adquiridos ilegalmente.

Basicamente, permite que os pertences ilícitos de pessoas acusadas de crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, tráfico humano, terrorismo ou corrupção sejam colocados à disposição do Estado.

Como funciona

As pessoas investigadas por esses crimes geralmente enfrentam processos criminais, e suas propriedades, em países que não possuem um regime de extinção de domínio, só podem ser confiscadas se a pessoa for condenada (algo que pode levar anos). Com o mecanismo de extinção de domínio, o procedimento é muito mais rápido.

A justiça pode apreender fortunas de origem suspeita mesmo antes de processar criminalmente o acusado.

Nesses países, quando um juiz criminal decreta medidas cautelares sobre bens suspeitos de origem criminosa, esses bens imediatamente vão para a jurisdição civil, onde é decidido o possível confisco. Ou seja, mesmo antes de um suspeito ser processado e condenado pela Justiça, tudo o que se presume ter sido adquirido por meio de atividades ilegais passa para as mãos da Justiça civil.

Com a aplicação da extinção de domínio sobre esses bens, o suspeito perde seus direitos de propriedade sobre eles. Aí esses ativos passam para as mãos do Estado e são administrados por entidades criadas especialmente para esse fim.

Na Colômbia, onde a extinção de domínio foi aprovada por lei em 2014, esse órgão é a Sociedad de Activos Especiales (SAE). Na Argentina, que aprovou o regime no início de 2019 por meio de um decreto do então presidente Mauricio Macri é a Agência de Administração de Ativos do Estado (AABE).

Contra a covid-19

Esses dois países não são os únicos na região que adotam sistemas desse tipo. Peru, México, El Salvador, Honduras, Guatemala e Bolívia também têm figuras legais semelhantes em sua legislação, assim como vários outros países do mundo.

No entanto, Argentina e Colômbia são os dois primeiros que atribuíram a esse recurso um uso específico na luta contra o coronavírus.

No Brasil, o pacote das dez medidas contra a corrupção previa, originalmente, a criação da chamada ação de extinção de domínio, para permitir “dar perdimento a bens sem origem lícita, independentemente da responsabilização do autor dos fatos ilícitos, que pode não ser punido por não ser descoberto, por falecer ou em decorrência de prescrição”.

A Câmara chegou a tirar este ponto durante a votação, mas ele foi resgatado pelos senadores. O projeto, no entanto, ainda não foi votado novamente pela Câmara.

Na Argentina e na Colômbia, até agora, os bens apreendidos relativos a atividades ilegais foram usados ​​ou leiloados para financiar organizações que combatem o crime organizado ou para ajudar pessoas com menos recursos.

Com a pandemia, no entanto, esses bens passaram a ser usados como parte da estratégia para conter o avanço do vírus. O primeiro exemplo disso ocorreu no norte da Argentina, em 21 de março, três semanas após o país registrar seu primeiro caso de coronavírus e um dia após a decretação da quarentena obrigatória nacional.

A AABE cedeu ao governo da província de Salta, um popular destino turístico, dois hotéis para acomodar viajantes estrangeiros procedentes de áreas de risco.

Os hotéis foram duas das dezenas de propriedades que pertenciam ao clã Loza, organização de narcotráfico internacional que foi destruída em 2018 e cujos ativos foram os primeiros recuperados pelo regime de extinção do domínio argentino.

Edifícios, carros e dinheiro

Alguns dias depois, a AABE aceitou um pedido de Pilar, um município do norte da província de Buenos Aires, para dispor de um “megaempreendimento” supostamente financiado por um cartel de drogas colombiano.

Trata-se de um imenso projeto imobiliário chamado Pilar Bicentenário, que segundo a Justiça Argentina, fazia parte de uma operação de lavagem de dinheiro do cartel liderado por José Bayron Piedrahita Ceballos, atualmente detido nos Estados Unidos.

Por meio de uma resolução, a AABE aprovou a transformação do prédio em construção em um “centro de diagnóstico covid-19”.

O megaprojeto Pilar Bicentenário, que será usado como um centro de diagnóstico para a covid-19.

A Justiça da Argentina também liberou carros e dinheiro para ajudar no combate à pandemia. Em 4 de abril, um juiz da cidade de Mar del Plata, o mais famoso balneário de Buenos Aires, aceitou o pedido do prefeito local e ordenou que 26 veículos apreendidos de uma suposta quadrilha de traficantes de drogas fossem usados ​​para prestar serviços no âmbito da resposta ao coronavírus.

Os carros serão usados ​​para transportar pacientes e outras tarefas de segurança durante a quarentena obrigatória.

Dinheiro da corrupção

Fortunas apreendidas em dois dos casos de corrupção de maior destaque nos últimos anos também tiveram esse fim.

O tribunal que julgou o ex-secretário de Obras Públicas do governo Kirchner, José López, condenado por enriquecimento ilícito depois de ter sido filmado escondendo sacos com milhões de dólares em um convento, determinou que US$ 2 milhões (R$ 10,6 milhões) desse dinheiro sejam doados ao hospital pediátrico Garrahan, em Buenos Aires.

Esse verba, além de outros US$ 12 mil (R$ 63 mil), serão destinados à compra de respiradores, máscaras e óculos de proteção.

Enquanto isso, o tribunal que julga o empresário Lázaro Báez, acusado de lavar dinheiro para o governo Kirchner, entregou ao Exército “como um depósito judicial” bens que incluem 17 contêineres vazios, 300 equipamentos de proteção e 21 macas.

Colômbia

A Sociedade Colombiana de Ativos Especiais (SAE) também permitiu que alguns bens apreendidos fossem utilizados provisoriamente para ajudar a combater o coronavírus.

“Para apoiar o governo e entidades territoriais no tratamento dessa contingência, a SAE ajustou os procedimentos internos”, explicou Virginia Torres, presidente da SAE, ao jornal El Tiempo. “Isso garante que os ativos gerenciados possam ser usados ​​e adequados como instalações para tratamento, isolamento e atendimento, sem atender a outros requisitos comuns”.

Propriedades apreendidas pela SAE que podem ser usadas como abrigos para mulheres que correm risco de sofrer violência doméstica.

Entre as propriedades que a entidade ofereceu estão o Hotel Benjamin, na cidade de Santa Marta, no norte do país, que pertencia ao israelense Assi Mosh, expulso da Colômbia em 2017 por supostos vínculos com redes de prostituição. E um ex-prostíbulo conhecido como “El Castillo”, no centro de Bogotá, oferecido ao Instituto Nacional Penitenciário e Prisional (Inpec) para abrigar prisioneiros infectados com a covid-19, para que estes não infectem o resto da população carcerária.

A SAE também disponibilizou às autoridades regionais 65 prédios a serem utilizados durante a pandemia como abrigos para mulheres que correm o risco de sofrer violência doméstica durante o isolamento obrigatório .

Fonte: BBC Brasil

Qual a fórmula da Costa Rica para ter o menor número de mortes pelo coronavírus na América Latina?

Depois de enfrentar uma noite com febre, fortes dores de cabeça e nos ombros, Henry* não hesitou em ir ao centro de saúde na manhã seguinte em San José, Costa Rica.

Foi em 9 de março, três dias após o primeiro caso do novo coronavírus Sars-CoV-2 ter sido detectado no país, que até maio registrava pouco mais de 700 infecções e apenas 6 mortes.

No centro de saúde pública, ele e sua mãe, que também apresentava sintomas, foram submetidos a alguns testes básicos e enviados de volta para casa.

“Eles me disseram que eu tinha uma infecção na garganta”, ele conta à BBC News Mundo, o serviço espanhol da BBC, por telefone.

O venezuelano de 50 anos, residente na Costa Rica, suspeitava ter pego a covid-19 em seu escritório, pois outro funcionário teve resultado positivo alguns dias antes, depois de voltar de uma viagem à Europa.

Em 17 de março, Henry voltou ao centro de saúde para novos exames. Quatro dias depois, recebeu um e-mail: ele e sua mãe deram positivo para covid-19.

Apesar de ter outras doenças, e de sua mãe pertencer a um grupo de risco por ter 70 anos, seu tratamento teve que ser realizado em casa. Sua esposa e filha também foram infectadas.

Henry garante que eles nunca se sentiram abandonados com sua doença, pelo contrário.

“De 21 de março e até finalizar o tratamento os médicos vieram aqui pelo menos um dia sim e um dia não para acompanhar de perto a progressão da doença”, explica Henry.

Eles foram visitados por profissionais de saúde das Equipes Básicas de Assistência Integral à Saúde (Ebais), e o médico ficou em contato com a família por meio de mensagens do WhatsApp.

As Ebais têm sido a primeira linha de resposta à pandemia na Costa Rica e é um dos fatores que permitiram ao país ter a menor taxa de mortalidade por covid-19 na América Latina, dizem especialistas.

Profissionais da saúde vão até as casas dos pacientes para acompanhar tratamento.

“Nossa melhor vacina contra a covid-19 é ter uma população disciplinada e educada e um sistema de saúde bastante consolidado”, disse à BBC Mundo o Dr. Luis Villalobos, especialista em saúde pública da Costa Rica.

“Não investimos no Exército (o país não tem Exército), mas gastamos muito em saúde, previdência e educação, e isso tem sido muito importante”, acrescenta o também ex-reitor da Faculdade de Medicina da Universidade de Costa Rica.

Um sistema de saúde sólido

Villalobos explica que o sistema de saúde do país já foi muito fragmentado, mas as reformas nos anos 90 e 2000 criaram um esquema sólido que lhe permitiu responder a essa pandemia.

As Ebais têm mais de mil centros de saúde espalhadas pelo país, com médicos, enfermeiros, assistentes técnicos e farmacêuticos. A ênfase foi na fase de detecção, crucial para conter infecções.

Como no caso de Henry, quando uma possível infecção é identificada, o monitoramento ativo dos sintomas é mantido até a confirmação. Ele só é hospitalizado se há um agravamento.

O órgão que cuida da saúde e do bem-estar dos costa-riquenhos, a Caixa Costa-Riquenha de Seguro Social, possui uma dúzia de hospitais nas sete províncias do país, disse o Ministério da Saúde do país à BBC News Mundo.

Os momentos mais complicados nos últimos meses ocorreram entre 19 de março e 3 de abril, quando foram confirmadas 325 novas infecções. O pior dia foi 24 de março, com 60 casos.

A Costa Rica é um dos países com a menor taxa de letalidade por coronavírus na América Latina e no mundo. A taxa de letalidade, que indica o número de mortos entre pacientes infectados, é de 0,86%, segundo cálculos da BBC News Mundo com dados da Johns Hopkins University, localizada nos EUA. No Brasil, a média nacional é de 6,8%, segundo o Ministério da Saúde.

Tudo isso se deve em grande parte ao fato de a Costa Rica ser um dos poucos países das Américas (junto com EUA, Canadá, Cuba e Uruguai) que investe mais de 6% do Produto Interno Bruto em saúde.

Ter sistemas de saúde “menos fragmentados, abrangentes, organizados, que manejam bem as informações das pessoas sob seus cuidados”, como na Costa Rica, é o que outros países devem procurar, aconselha Villalobos.

De que outra forma o país foi protegido?

Quando a contagem de casos na Costa Rica atingiu sua primeira dezena, o governo tomou decisões semelhantes a outros países.

Aglomerações, escolas, turismo e atividades sociais foram suspensas e a fronteira foi fechada.

Além disso, foram lançadas campanhas para promover o trabalho em casa, lavagem das mãos e distanciamento social.

Especialistas e autoridades destacam que os costarriquenhos seguiram as instruções notavelmente, diferentemente de outros países.

Um relatório do Google baseado na localização de telefones celulares mostrou que as visitas a lojas e espaços públicos foram reduzidas em 84% e a praias ou centros de recreação, 82%.

“Muitos reagiram. Eles entenderam o momento histórico que estamos vivendo, é um momento muito delicado”, disse o ministro da Saúde, Daniel Salas, na semana passada.

A prática de distanciamento social vem sendo cumprida pela população.

Villalobos concorda com isso, e acrescenta que a transmissão de informações por telefones celulares e o acesso universal à água potável fazem parte da fórmula de sucesso do país no combate ao coronavírus.

“O fato de praticamente 100% da população ter água em casa nos permite tornar a comunicação de lavagem das mãos muito eficaz entre a população”, ressalta.

Pisando em ovos

A Costa Rica tem uma população de 5 milhões, dois terços vivendo na região metropolitana de San José, a capital do país.

Isso permitiu que as autoridades concentrassem recursos nas fontes mais importantes de infecção.

A Costa Rica, no entanto, não está isenta de riscos.

A proporção de testes, de 250 por 100 mil habitantes, está na média da de outros países latino-americanos; políticos da oposição disseram que é pouco.

Além disso, o movimento constante dos nicaraguenses — 8% da população da Costa Rica — levantou questões sobre como controlar o fluxo de pessoas do país vizinho, que não tomou medidas preventivas e registra a mais alta taxa de letalidade por coronavírus da América Latina.

O ministro Salas é cauteloso em relação ao futuro próximo, pois alerta os costa-riquenhos de que o retorno à normalidade não pode ser acelerado, nem ocorrerá no médio prazo.

“A maioria da população, devido ao pouco tempo de presença do vírus em nosso país, não foi exposta, não foi infectada pelo vírus. Podemos ter um aumento de casos, cadeias de transmissão, em pouco tempo”, diz ele.

O país está andando sobre “cascas de ovos muito frágeis”, alerta.

Fonte: BBC Brasil

Qual país pode ser considerado o rei do mate?

O mate é a bebida mais popular dos nossos vizinhos Argentina, Uruguai Paraguai e também nos estados do sul do Brasil, onde é popularmente conhecido como chimarrão. Confesso que, quando experimentei, achei a bebida um tanto desagradável, porque me pareceu muito amarga, mas pra quem nasceu nas regiões onde ela é popular, o sabor amargo parece passar desapercebido e o ritual “matero” fala mais forte.

Na Argentina, no Paraguai, Uruguai e no sul do Brasil o mate é a companhia do solitário e um hábito coletivo que jocosamente se cataloga como a primeira rede social. O antropólogo uruguaio Daniel Vidart inclusive chegou a afirmar que “em todos os tempos foi o mate que fez a roda e não a roda que trouxe o mate”.

Devido a este nacionalismo “matero” é comum haver muitas discussões a respeito da infusão entre argentinos, paraguaios e uruguaios a respeito do melhor modo de preparo, por exemplo. Uns defendem que deve ser doce, outros acham melhor amargo; em determinadas regiões se toma quente e em outras, frio. Entre esses impasses, surge também a questão sobre quem seria o rei do mate…

Gravura do final do século XVIII retrata indígenas paraguaios no trato da erva mate.

Paraguai, o rei histórico
“O ritual do mate tem se conservado quase sem nenhuma modificação desde uns 300 anos”, escreve o antropólogo uruguaio Gustavo Laborde. A planta com a qual se elabora a erva mate ilex paraguariensis, é nativa das regiões subtropicais da América do Sul. Acredita-se que as populações da região já consumiam esta planta de distintas formas e com fins variados, mas foram os espanhóis que fizeram os primeiros registros escritos do seu consumo em um lugar em particular: o local em que hoje está localizado o Paraguai.

“Com seu epicentro histórico no que hoje seria a região oriental do Paraguai, os guaranis foram os grandes responsáveis pela propagação da erva mate ao sul do continente americano” – revela à BBC Mundo o uruguaio Javier Ricca, autor do livro “El Mate”, ganhador do prestigioso Goumard Awards em 2010. De fato, vários textos espanholes do século XVI afirmam que o produto era conhecido como “erva do Paraguai”, por viajar desde essa província.

Por exemplo, na “História da província do Paraguai da Companhia de Jesus”, o sacerdote Nicolás del Techo escreve: Muitas são as virtudes que se atribuem à dita erva, ela reconcilia o sono, acalma a fome, estimula a digestão, repara as forças, espalha e cura várias enfermidades.

Proibição
Mas foi a origem divina e poderes sobrenaturais que alguns índios guaranis atribuíam ao mate que acabou por convencer aos espanhóis e, em particular, aos sacerdotes jesuítas de proibir seu consumo. Assim, em 1610 a Inquisição de Lima proibiu esta “sugestão clara do demônio”, e em Assunção se impuseram penas de 100 chibatadas para os indígenas e 100 pesos e multa para os espanhóis que consumissem ou traficassem a erva, conta o argentino Jeronimo Lagier no livro “A aventura da erva mate”.
Somente 20 anos depois, a erva não só voltaria a ser legal, mas também seria utilizada pelos jesuítas como a base econômica de sua expansão territorial, “desenvolvendo um quase monopólio da comercialização da erva mate, relata Lagier à BBC Mundo.
Nos séculos seguintes, diversas guerras por motivos geopolíticos e comerciais que golpearam a exportação e distribuição da planta, fariam que o Paraguai perdesse seu trono histórico para ceder o recorde de produção a um de seus vizinhos: a Argentina.

Argentina, o rei da produção e do marketing
A Argentina é o país que mais produz, diz Lagier, atual diretor do Instituto Nacional de la Yerba Mate (YNYM) de Argentina. Nos últimos 05 anos, o país produziu 777 mil toneladas da erva verde, segundo um informe do Instituto Nacional, divulgado recentemente.
A nação também lidera em exportação do mate com um promédio anual de 35 mil toneladas, sendo seus principais destinos Síria (72%), Chile (14%), Líbano e Estados Unidos (2%). Além disso, é o país com maior superfície de cultivo da erva mate mate, totalizando 165 mil hectares. De longe, a seguem Brasil (85 mil) e Paraguai (35 mil) hectares.

O Papa Francisco é um dos mais célebres argentinos propagadores do mate pelo mundo.

Mas só estes números não conseguem explicar porquê, apesar de o mate ser próprio de outros países e de estados do sul do Brasil, a bebida está mais internacionalmente associada à Argentina. “A Argentina está se caracterizando por ter ótimos departamentos de marketing e venda de seus produtos no mundo inteiro. Prova disso é a sua carne, que é reconhecida e valorizada nos mercados mais importantes, afirma Ricca à BBC Mundo.
“Seguindo este camino, o YNYM tem desenvolvido ações de promoção em distintas feiras internacionais de alimentação em países como Alemanha e Estados Unidos, ao mesmo tempo que projeta ampliar seu mercado na Índia”, agrega.
Embora o mate seja mais produzido na Argentina, quando se trata de consumo per capita, o país mais “matero” é o Uruguai.

Uruguai, o rei do consumo
O pequeno país de apenas 03 milhões de habitantes é onde se registra o maior consumo da erva mate por pessoa, com 08 quilos anuais. Pra se ter uma referência, na Argentina que está em segundo lugar se consome 6,4 quilos por ano, por pessoa.
O diretor do YNYM sustenta, que embora os costumes que rodeam a infusão se estendam entre os países “materos”, sem conhecer fronteiras, no Uruguai existe uma particularidade: Tomam mate deslocando-se com vasilha e mate debaixo do braço.
Inclusive aos argentinos, com todas suas estatísticas de liderança em erva mate, lhes impressiona ver os uruguaios andando de bicicleta e servindo mate ao mesmo tempo.

Fenômeno histórico
“A evolução do mate em nossa sociedade, desde a intimidade do lar ao espaço público é um fenômeno historicamente recente, diz Ricca. Segundo o antropólogo Vidart, um setor político da população uruguaia mantinha o rito como um indicador de rebeldia durante o governo militar de 1973 a 1985.
O costume de tomar mate também está relacionado às ondas migratórias até Montevidéu, pois, trabalhadores e estudantes que se alojavam em pensões costumavam sair às ruas tomando mate.

O costume de tomar mate estar relacionado à resistência contra a ditadura e às ondas imigratórias em Montevideo.

Jerônimo Lagier autor do livro “Aventura da erva mate” reconhece a complexidade do rito: “Seria difícil descrever o que tudo o que o rito do mate abarca, porque vai bem mais além de verter água quente em um recipiente com erva e beber essa mistura com a bombilha”, está muito relacionada a uma espécie de camaradagem, a uma forma de levar a vida…

Traduzido do Site BBC News Mundo

Por que não houve casos de Coronavírus na América Latina?

O novo coronavírus nomeado de covid-19 passou em poucas semanas de uma emergência local na China para uma epidemia que ameaça o planeta.

Em sua rápida propagação pelo mundo, o vírus que se originou na cidade chinesa de Wuhan – agora em quarentena – já havia atingido 24 países até a última sexta-feira (14 de fevereiro), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

E desde que os primeiros casos surgiram em dezembro de 2019, 1,368 pessoas morreram e mais de 60 mil foram infectadas.

No entanto, nos países que compõem a região da América Latina, nenhum caso positivo de coronavírus foi confirmado até o momento (embora haja casos sob investigação).

No México, 11 infecções potenciais foram avaliadas e descartadas; na Colômbia, houve um caso em análise e o Brasil colocou sob investigação 47 casos ─ dos quais já descartou 43. Só um cidadão argentino testou positivo para o coronavírus, mas ele estava fora do país e recebeu tratamento no Japão.

Mas por que nenhum caso foi detectado na América Latina até agora?

“No caso da América Latina e do Caribe, uma das principais razões é que há menos viajantes e voos diretos da China em comparação com outros países da Ásia, Europa e América do Norte”, diz Sylvain Aldighieri, coordenadora de casos de coronavírus da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

De fato, apenas em fevereiro de 2018 foi anunciado o primeiro voo direto entre a China e a América Latina. Operado pela companhia aérea Hainan Airlines, o voo liga a capital chinesa à Cidade do México. No entanto, essa não é a única razão pela qual nenhum caso de coronavírus não foi confirmado na região.

“Os países da região também implementaram medidas precoces de detecção e isolamento, além de fortalecer a vigilância”, relembra Aldighieri. Isso é evidente em certos pontos do continente.

Vários países latinos adotaram medidas de segurança nos aeroportos pra controlar a propagação do vírus.

Por exemplo, segundo o Ministério da Saúde do México, o país foi o primeiro que, devido à sua conexão aérea direta com a China, estabeleceu um protocolo de diagnóstico para confirmar a presença do vírus nos 32 centros que compõem a rede pública de laboratórios nacionais.

Outro país que assumiu a liderança foi o Chile. Segundo anunciou o ministro da Saúde do país, Jaime Mañalich, em janeiro, o governo decidiu fortalecer a Rede de Vigilância Epidemiológica, com objetivo de detectar com urgência qualquer condição ou doença respiratória nos hospitais.

Em 4 de fevereiro, a Colômbia se tornou o primeiro país da região a implementar um teste para diagnosticar o coronavírus em quem desembarca no país.

Outras nações também alocaram, de acordo com a OPAS, recursos extraordinários para impedir que a doença chegasse ao seu território.

No Brasil, o governo federal assinou medida provisória (MP) que destina crédito extraordinário de mais de R$ 11 milhões ao Ministério da Defesa para custear ações de enfrentamento de “emergência de saúde pública de importância internacional” provocada pelo coronavírus.

Dias antes, o presidente havia sancionado uma lei que trata das medidas de enfrentamento emergencial, no âmbito da saúde pública, da doença.

Vírus se originou na cidade chinesa de Wuham – Foto Getty Images

É possível que existam casos positivos que ainda não foram detectados na América Latina?

Na América Latina, essa possibilidade não pode ser descartada. Como na África, outra região que ainda não tem casos confirmados de coronavírus, é possível que haja pacientes infectados que não tenham sido detectados pelas autoridades, segundo a OMS.

“Como o covid-19 ainda não foi caracterizado, não há 100% de certeza de que ele não esteja mais circulando na América Latina”, diz a especialista. Aldighieri, no entanto, destacou o trabalho que está sendo realizado em nível regional, não apenas na detecção do vírus nos portos de entrada dos países, mas também nas fronteiras interiores.

“Desde a semana passada, especialistas em virologia da OPAS foram treinar e equipar laboratórios para responder a eventuais casos importados. Através desta iniciativa, antes do dia 21 de fevereiro, 29 laboratórios na América Latina estarão prontos para detectar o covid -19“, explica.

A Organização Pan-Americana da Saúde destacou o trabalho dos países da região para impedir a chegada do coronavírus à América Latina. Além disso, graças a outras pandemias que afetaram o continente no passado, a região conta hoje com uma estrutura capaz de combater o vírus.

“Todos os países do mundo correm o risco de importar a covid-19, incluindo a possibilidade de que a propagação dentro do país ocorra após a importação”, diz a porta-voz da OPAS.

Ela acrescenta: “No entanto, na América Latina, a estrutura para impedir a propagação de um vírus foi fortalecida após a pandemia do H1N1 (mais conhecido como gripe suína) que ocorreu em 2009 “.

Isso demostra que a região aprendeu com os erros do passado e está mais preparada para enfrentar novas ameaças globais…

Fonte: Portal Terra

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