Entenda o contexto histórico e social envolvido na polêmica frase do presidente argentino Alberto Fernández

Um dos assuntos que ganhou a mídia e as conversas pela América Latina, na última semana, foi a polêmica envolvendo o presidente da Argentina. A declaração de Alberto Fernández, de que, os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos (…) que vinham da Europa” expôs a resiliência de um mito sobre a formação do povo argentino que remonta ao século 19, e foi condenada por setores da sociedade local empenhados em reconhecer as suas raízes indígenas e africanas.

Fernández fez o raciocínio na última quarta-feira (09), durante um encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Buenos Aires. A fala imediatamente provocou reação dentro e fora da Argentina. Mais tarde, ele escreveu no Twitter que se orgulhava da “diversidade” do país, que não quis ofender ninguém e pediu desculpas “a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado”.

Frase do presidente repercutiu mal na Argentina e também internacionalmente – Reprodução Internet

Composição étnica da Argentina

Assim como em outros países latino-americanos, a população da Argentina tem três raízes fundamentais: os povos originários que já ocupavam o território há milhares de anos, os europeus que invadiram o continente e os escravos africanos levados para lá à força. Nos séculos 16 a 19, estimativas apontam que mais de 200 mil escravos africanos chegaram a Buenos Aires e a Montevidéu, capital do Uruguai. Um censo realizado em 1778 apontou que cerca de um terço da população da Argentina era formado por afrodescendentes e africanos.

O maior fluxo migratório para o país ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões de europeus, principalmente da Espanha e da Itália, mudaram-se para a Argentina. Junto a isso, iniciou-se um esforço deliberado do Estado para reduzir a presença dos negros e povos originários nos registros oficiais.

Em 2010, pela primeira vez desde o final do século 19, o censo da Argentina perguntou se as pessoas eram afrodescendentes, mas muitos ativistas consideram que faltou o governo promover, antes, um processo de sensibilização para que essa parcela da população se reconhecesse como tal.

Naquele ano, apenas 0,4% da população local se declarou afrodescendente. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em 2008 a partir da coleta de material genético, no entanto, estimou que 9% dos argentinos têm origem africana, e que 31% descendem dos povos originários.

Origens da autoimagem europeia

Gisele Kleidermacher, professora da Universidade de Buenos Aires e especialista em sociologia das migrações, afirma à DW Brasil que a declaração de Fernández causou espanto por ele ser o presidente do país, mas coincide com o que pensam muitos argentinos.

Esse imaginário começou a ser construído por um grupo de políticos e intelectuais no século 19, que assumiram a condução do país após a independência da Espanha e se dedicaram à construção da nação argentina. Faziam parte desse grupo o escritor e ativista Esteban Echeverría (1805-1851) e o intelectual e sétimo presidente da Argentina Domingo Sarmiento (1811-1888).

“Eles começaram com a ideia de povoar o país com pessoas que viessem de outras partes da Europa, e não somente da Espanha e da Itália, mas principalmente da Inglaterra, da Alemanha, e da França, porque consideravam que esses países estavam mais desenvolvidos, e que isso não tinha a ver apenas com sua economia, mas também com seu perfil populacional”, afirma Kleidermacher.

Nessa época, estavam em voga conceitos do racismo científico, segundo o qual haveria raças superiores e inferiores entre os homens – tese hoje rechaçada pela ciência.

“Eles consideravam que as populações presentes na América Latina e na Argentina, majoritariamente de povos originários e afrodescendentes trazidos ao país pela escravidão, não teriam um perfil populacional que servisse para criar uma nação desenvolvida”, diz a professora da Universidade de Buenos Aires.

Mercedes Sosa, uma das mais famosas artistas argentinas de todos os tempos, tem origem indígena – Reprodução Internet.

Processo intencional de invisibilização

A partir dessa concepção, houve um esforço do Estado para esconder as raízes ligadas aos povos originários e aos escravos. “No nosso país [Argentina], tratou-se de apagar esses componentes por meio de diversos mecanismos. Em alguns casos, com um genocídio direto no qual tentou-se exterminar parte da população originária [como na Campanha do Deserto]. Em outros casos, com a segregação residencial, os separando em áreas desfavorecidas e menos visíveis, ou com uma invisibilização censitária”, diz Kleidermacher.

Essa estratégia se somava à narrativa de que a Argentina “descendia dos barcos” que chegaram da Europa. Navios esses que aportaram principalmente em Buenos Aires, que não é representativa do perfil populacional das outras áreas do país.

O antropólogo Norberto Pablo Cirio, diretor da Cátedra Livre de Estudos Afro-argentinos e Afro-americanos da Universidade Nacional de La Plata, afirma que quatro instituições foram essenciais para implementar essa estratégia: o censo, os museus, o mapa e a escola.

“Desde a segunda metade do século 19, o Estado prega uma memória exclusiva, de matriz europeia, uma história parcial do surgimento da Argentina que nega que sua riqueza material e cultural se deve a genocídios contra os povos originários, à apropriação de suas terras e ao benefício de 350 anos do comércio de escravos”, diz.

Ele menciona que a população afrodescendente deixou de ser mencionada em textos de história e exposições em museus, de ser considerada nos censos e de ser indicada no mapa do país. “A escola foi, e é, parte vital na reprodução geracional dessa memória branca”, afirma. “Diferentemente do resto da América Latina, este país tem sérios problemas mentais para se assumir americano, isso é, mestiço.”

Mudanças à vista?

A forte reação da mídia argentina e de outros países à fala de Fernández é um sinal de mudanças em setores da sociedade que buscam reconhecer a diversidade étnica do país e reagir a tentativas de esconder os segmentos de origem não europeia, diz Kleidermacher.

Isso está relacionado a uma narrativa mundial “multiculturalista”, mas também a movimentos locais na Argentina, como os indígenas que se identificam como “marrones”, que apontam as fontes de sua discriminação e reivindicam a sua história. “Mas são processos lentos. A narrativa sobre a nação argentina branca e europeia tem dois séculos, e os processos para romper com isso também são lentos”, afirma…

  • Com informações do Portal G1

Marielle presente!

Em cada mês de março o Brasil e o mundo voltam os olhos para o Rio de Janeiro, onde Marielle e seu motorista Anderson foram brutalmente assassinados. Seus algozes tentaram silencia-la, mas sua voz segue ecoando em todo o planeta cada vez que uma menina ou mulher decide exercer seu direito à fala.

Todos os anos, desde a sua partida, a vereadora recebe inúmeras homenagens, além de pedidos de justiça. No último dia 14, quando o crime completou 03 anos, ainda sem elucidação, Marielle recebeu um importante tributo, em uma das principais cidades latinas, Buenos Aires. A estação “Rio de Janeiro” do metrô da capital Argentina inaugurou uma placa em homenagem à vereadora brasileira.

Placa em homenagem à parlamentar brasileira, na capital Argentina – Divulgação

A placa será permanente e foi homologada pelo governo por iniciativa da deputada Maria Bielli, do Frente de Todos (partido do presidente Alberto Fernández). Marielle terá um espaço permanente na estação, que deve incluir um código QR onde os visitantes poderão conhecer um pouco mais da história da vereadora brasileira.

Homenagem no Brasil

No mesmo dia, autoridades e parentes de Marielle  também inauguraram uma placa em homenagem à vereadora em frente à Câmara Municipal, no Centro do Rio de Janeiro. A placa é idêntica à utilizada na identificação de vias e praças da capital fluminense.

Na placa, há as seguintes frases: “Mulher negra, favelada, LGBT e defensora dos direitos humanos. Brutalmente assassinada em 14 de março de 2018 por lutar por uma sociedade mais justa”.

Fonte: G1

Os mais ricos pagam mais

No final do ano passado, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou um projeto de lei que cria um imposto “extraordinário” para as pessoas que possuam um patrimônio superior a $ 200 milhões (aproximadamente R$ 13 milhões). O texto final, que foi aprovado por 133 a 115 votos, segue agora para discussão no Senado. A meta do governo argentino é arrecadar até US$ 3 bilhões com um imposto que varia de 2% a 3,5% de acordo com o valor do patrimônio. Ao todo, seriam afetadas entre nove mil e 12 mil pessoas.

Contrária ao projeto, a oposição considera que ele vai retirar investimentos da Argentina. Os governistas, por outro lado, afirmam que esse novo imposto atingirá 0,02% da população do país. O imposto também é defendido pelo atual presidente, Alberto Fernández.

O dinheiro arrecadado com a taxação será 20% destinado para a compra de materiais e instrumentos para a emergência sanitária de covid-19; 20% para investimentos nas pequenas e médias empresas; 15% em programas de desenvolvimento de áreas pobres da Argentina; 20% para bolsas de estudo do Programa de Ajuda aos Estudantes (Progresar); e 25% para programas de exploração e desenvolvimento de gás natural.

Uma ideia interessante para o Brasil copiar, vocês não acham? 🤔

Fonte: ISTOÉ Dinheiro

Paraíso dos livros completa 20 anos

A livraria El Ateneo Grand Splendid, considerada a livraria mais bonita do mundo, completou 20 anos neste último mês de dezembro. No ano 2000, já se insinuava o desaparecimento das grandes salas de cinema nas avenidas de Buenos Aires, pois os telespectadores começavam a mostrar preferência pelos complexos multiplex. Na Avenida Santa Fé, o cinema-teatro Grand Splendid fechou definitivamente as portas em março daquele ano. Mas reabriu alguns meses depois, no dia 4 de dezembro, transformado em livraria.

Um único requisito condicionou a transformação cultural do local fundado em 1919 por Max Glücksman com o intuito de ser a “catedral” do cinema e teatro de Buenos Aires: somente o espaço ocupado pelas 550 poltronas dos espectadores poderia ser modificado, nada mais.

Nada foi mudado. Nem o palco, nem os camarotes, nem os mármores, nem a cúpula pintada pelo italiano Nazareno Orlandi com alegorias pacifistas para o fim da Primeira Guerra Mundial, nem a marquise com figuras gregas que dá as boas-vindas na entrada do local. Ao longo de seis meses, com um investimento de US$ 3 milhões, a cúpula foi restaurada, foram instaladas escadas rolantes e elevadores, camarotes e escadas foram recuperados e a arquitetura e o design originais foram mantidos.

A arquitetura e o design originais foram mantidos.

Essa condição é a chave do sucesso da livraria atual. O Grupo Ilhsa, administrador das instalações localizadas na Avenida Santa Fe 1860, em Buenos Aires, soube aproveitar as particularidades que o espaço oferecia e transformá-lo em local atraente para os visitantes.

Desde então, El Ateneo é um dos passeios quase obrigatórios dos turistas que visitam Buenos Aires. Em tempos normais recebe em média 3.000 pessoas por dia, mais de 850.000 por ano.

Esse espaço arquitetônico único ocupa cerca de 2.000 metros quadrados e seus quatro andares estão divididos em: setor infantil e música (subsolo); livros, jogos, agendas, camarotes de leitura, confeitaria (térreo); livros técnicos e profissionais (primeiro andar); e música clássica e filmes, além de um setor dedicado a eventos e vistas panorâmicas (segundo andar).

Em 2008, a livraria El Ateneo foi eleita “a segunda livraria mais bonita do mundo” pelo jornal inglês The Guardian e em janeiro de 2019, a revista National Geographic a escolheu como “a mais linda do mundo”.

Você que estiver de passeio pela capital argentina, não pode deixar de conhecer esse paraíso dos amantes dos livros e da arquitetura 😉

Fonte: Site Clarín em Português

2020, o ano em que morre um ídolo e nasce uma lenda

No último post do blog em 2020, vamos fazer uma homenagem a uma das maiores personalidades latinas de todos os tempos, que nos deixou este ano: Diego Armando Maradona. O texto a seguir é do poeta gaúcho, Fabrício Carpinejar.

O velório de Maradona

Os argentinos sabem doer. Sabem fazer um morto se sentir importante. Sabem homenagear os seus heróis. Sabem se despedir com música e langor. Sabem expor a paixão de seu sofrimento. Sabem se desesperar. Sabem uivar aos céus, com os lobos de suas lágrimas.

Nunca se testemunhou uma comoção nacional tão grande desde o velório de Evita Perón. Maradona é capaz de superar as duas milhões de pessoas nas ruas de 1952. E isso no meio de uma pandemia. Ele morre e continua jogando futebol, ele morre e continua arrastando multidões para vê-lo. Não é um homem, mas um estádio.

Por mais frio e indiferente que qualquer um seja, não existe como não se arrepiar, mesmo quem não gosta do esporte ou quem cultivava ressalvas sobre o posicionamento político de esquerda do craque ou quem apontava os seus problemas pessoais, como as drogas e seus casamentos acidentados. É uma demonstração monstruosa de fé na eternidade que só é testada com a morte.

Como diz o escritor argentino Roberto Fontanarrosa, “não me importa o que Maradona fez com a vida dele. Eu me importo com o que ele fez com a minha”.

Ele transformou corações, garantiu ao seu povo sofrido e massacrado por golpes militares e sucessivas inflações a possibilidade de ser feliz por noventa minutos. Ele venceu uma Guerra das Malvinas paralela dentro do campo, deixando os adversários ingleses no chão e trazendo uma Copa do Mundo para casa. Ele saiu de um bairro pobre de Buenos Aires, privado de luz, com a eletricidade de suas próprias pernas. E pensar que ele não jogava futebol para se exibir, mas para sobreviver – na infância, disputava campeonatos para conseguir um refrigerante e um sanduíche.

Maradona superou a pobreza através do futebol.

A magia nos gramados começou cedo demais. Não teve tempo de ser adulto. Estreou profissionalmente aos 15 anos – El Pibe de Oro -, com uma inacreditável habilidade de girar e mudar a sua direção e a sua velocidade. Driblou a miséria, enganou sucessivos escândalos, recomeçou sempre. Foi um exemplo de sinceridade passional, com as suas glórias e pecados, não querendo nunca ser um modelo para ninguém. Mantinha a consciência de que custava muito sangue ser Maradona todo o dia.

Dom Diego é a maior celebridade da Argentina de todos os tempos. Nem a política, nem a religião produzirão um ídolo igual.

Na sua lápide, constará: Obrigado, bola!

E a bola responderá: Eu que agradeço, eu não sou a mesma desde que você me amou.

Fonte: Facebook

Maradona, by Kusturica

No último dia 30 de outubro, o maior craque de futebol da Argentina, e um dos maiores do mundo em todos os tempos, completou 60 anos. Para homenagear este gênio indomável, o blog indica hoje um dos melhores materiais já feito sobre ele, o documentário: Maradona by Kusturica.

O filme dirigido pelo sérvio Emir Kusturica mergulha na intimidade do astro e nos faz conhecer melhor Diego. O diretor estabelece uma amizade com o Pibe de Oro, e dessa forma, as entrevistas selecionadas para o filme, são muito espontâneas. O astro comenta sobre as dificuldades que viveu na infância, seu senso de justiça social, sua predestinação a ser uma estrela do futebol, além de relatar suas maiores culpas e arrependimentos.

Kusturica nos mostra todo o carisma de Maradona e sua genialidade em campo, além de ressaltar seu lado humano, naturalmente fragilizado. Você vai se divertir ouvindo as histórias sobre o famoso gol com “La Mano de Dios” e com os rituais da Igreja Maradoniana.

A trilha sonora também é uma delícia, 🎼 click abaixo para conferir o filme e não deixe de ativar as legendas 😉

A maquiagem de dados nos anos Kirchner que abalou a credibilidade da Argentina no mundo

Um “pesadelo” para a credibilidade do país. É assim que autoridades do setor de estatísticas da Argentina se lembram do período em que os governos de Néstor e Cristina Kirchner maquiaram números para cumprir sua obstinação em manter a inflação anual em até 10% ao ano.

“Não adianta querer ocultar ou manipular nada, incluindo números. Todo mundo acaba sabendo a verdade. E foi o que aconteceu. Foi um péssimo período para o país”, recorda um ex-diretor do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec, equivalente ao IBGE).

Durante nove anos, entre 2007 e 2016, os argentinos conviveram com a falta de credibilidade nos dados oficiais de inflação e de pobreza no país.

O apagão dos índices básicos das áreas econômica e social tinha começado em janeiro de 2007, quando técnicos do Indec renunciaram denunciando “intervenção política” na formulação dos números.

“Nós mandávamos relatórios semanais para a Presidência com o índice de inflação, antes do fechamento mensal do dado. Em janeiro de 2007, a inflação caminhava para ser mais alta que nos meses anteriores. Foi aí que começaram a nos pressionar com telefonemas insistentes para mudarmos o número oficial”, recorda um ex-diretor, que falou sob a condição do anonimato. Ele diz que desde então “desistiu” de trabalhar em organismos públicos.

Poucos dias antes da divulgação do dado oficial, governantes ligaram para os diretores do instituto e avisaram o índice de janeiro de 2007 que queriam que fosse informado aos argentinos. “Primeiro, disseram que a inflação deveria ser 0,9%. E depois acabaram divulgando 1,1%. Não era muito diferente da que tínhamos calculado, de 1,5%. Mas ali já começava uma ginástica para que a inflação não terminasse o ano em 10%”, lembra.

O economista Orlando Ferreres, da consultoria OJF&Associados, de Buenos Aires, disse que a preocupação do governo com os 10% era justificada porque a Argentina tinha que pagar credores da dívida do país que tinham investido em títulos públicos atrelados aos índices econômicos.

“Os credores queriam que fosse respeitada a inflação real, não uma maquiada para baixo”, disse Ferreres. Segundo economistas, com os títulos públicos atrelados ao crescimento econômico e à inflação, os credores ganhariam mais com os dados reais e não com os maquiados.

‘Sem bússola’

Naquele ano de 2007, a inflação terminou em 8,7%, segundo o Indec. A mais baixa em quatro anos, de acordo com o instituto. Mas começaram a surgir os levantamentos alternativos.

Ex-técnicos do instituto divulgaram em janeiro de 2008 que os preços teriam subido, em 2007, entre 22,3% e 26,2% – cerca do triplo do que foi divulgado oficialmente.

Começava ali uma novela desgastante para a credibilidade nos índices argentinos, que incluiu disputas internas e internacionais.

Multas e ameaças de prisões, além de um leque de índices paralelos feitos por consultorias econômicas, universidades e pelos ex-técnicos do Indec, que protestavam na porta do organismo.

Cristina e o falecido marido Nestór Kirchner que também foi presidente do país.

A percepção, disse na época um executivo de uma empresa brasileira em seu escritório no centro de Buenos Aires, é que o país “não tem bússola”. “Levei um susto quando me ligaram aos gritos para dizer que teríamos problemas se aumentássemos nossos preços, que estão ligados ao mercado internacional”, disse, na época, sob a condição do anonimato.

‘Maquiagem grosseira’

Numa entrevista à rádio Continental, de Buenos Aires, o ex-ministro da Economia do governo do ex-presidente Néstor Kirchner, Roberto Lavagna, que liderou a pasta entre 2002 e 2005, disse que a maquiagem de dados da inflação era evidente. E comparou a falsificação dos índices aos tempos da ditadura militar no país.

Kirchner, que morreu em 2010, governou a Argentina entre 2003 e 2007 e passou a faixa presidencial para a esposa, a ex-presidente Cristina, que é vice do atual presidente, Alberto Fernández.

“O que o senhor achou da inflação oficial de 1,1% de janeiro (de 2007)?”, perguntou a radialista Magdalena Ruiz Guiñazu. Lavagna respondeu: “É uma maquiagem grosseira do índice. Quando as estatísticas de custo de vida perdem credibilidade, as de pobreza, de indigência e de distribuição de renda também perdem valor. O país fica novamente sem estatísticas que são básicas. Isso ocorreu durante o governo militar. É como se um médico estivesse falsificando os problemas de seu paciente. A maquiagem de dados é grave, afeta as instituições e a inflação em si”, disse, em fevereiro de 2007, logo depois da divulgação da inflação oficial de janeiro.

O ex-ministro disse ainda que a Argentina iria demorar para recuperar a credibilidade nos dados do país. O que de fato acabou ocorrendo.

Em maio de 2013, quando ainda faltavam cerca de três anos para que as estatísticas do Indec recuperassem credibilidade, o jornal El Cronista, de Buenos Aires, publicou um artigo intitulado “Inflación: las patas de la mentira” (“Inflação: as pernas da mentira”).

No texto, afirmava-se que a “intervenção” do Indec foi um “ponto de inflexão na guerra dos preços” na Argentina. Em dez anos, informou-se, a inflação oficial foi de 95,5% e a dos levantamentos do setor privado, de 170%.

Pobreza atinge cerca de 40% da população argentina

Durante muito tempo, ficou complicado definir o índice de aumento dos salários dos trabalhadores, com sindicatos de diferentes categorias defendendo o reajuste seguindo dados paralelos, e não o oficial.

Algumas vezes, era tirada uma média entre um e outro para se chegar a um patamar que agradasse empregadores e empregados. Como a questão envolvia ramificações internacionais, o Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu que o país devolvesse a credibilidade às suas estatísticas, informou a imprensa local na ocasião.

A falsificação dos dados, denunciada em 2007, continuou até 2016, quando o Indec refez sua metodologia seguindo normas internacionais.

A maquiagem denunciada gerou processos na Justiça argentina que a pedido, por exemplo, da Associação pelos Direitos Civis (ADC), determinou que o Indec explicasse como confeccionava seus indicadores oficiais. A situação provocou dúvidas sobre o total de pobreza no país – que também era alvo de dados paralelos.

A disputa levou o então secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, acusado de liderar, como informou a imprensa local, a ação contra o Indec, a determinar que as consultorias econômicas que divulgavam índices paralelos pagassem multas milionárias.

“Eu estava de férias em Punta del Este, no Uruguai, quando Moreno me ligou para reprovar a inflação que tínhamos divulgado. Expliquei que não estava na Argentina e ele me disse para telefonar aos meus assessores em Buenos Aires. Era complicado”, disse o economista Ferreres, que esteve entre os multados. A multa, contam agora consultores, também virou caso na Justiça e acabou arquivada.

O índice das consultorias econômicas tinha passado a ser chamado de “índice Congresso” porque parlamentares opositores podiam divulgá-lo sem os mesmos riscos que correriam os economistas, lembram.

Tempos depois, a pedido de opositores, Moreno foi acusado pela Justiça de “fraudar” dados básicos da economia, segundo informou a imprensa local. A Justiça entendeu que ele não tinha cometido delito e que o governo teria direito a implementar sua própria metodologia.

“A decisão confirma que o governo de Cristina Kirchner saiu com 6% de pobres. Chegaram a dizer que tínhamos deixado 30% de pobres, mas não foi verdade e acabam de nos dar razão”, afirmou Moreno, após a decisão judicial.

Naquele ano do fim do mandato kirchnerista, 2015, o índice de pobreza foi de cerca de 28%, segundo outro levantamento paralelo, o do Observatório da Dívida Social Argentina da Universidade Católica (UCA).

Definido há quase quatro anos como “confiável”, pela situação e pela oposição, o Indec informou, antes da pandemia do novo coronavírus, que a inflação de 2019 foi de 53,8%, a pobreza 35,5% e que o PIB encolheu 2,2%. Nos quatro primeiros meses deste ano, a inflação oficial foi de 9,4%. Os dados de pobreza estão em fase de coleta.

Em março de 2020, a imprensa local informou que credores que investiram nos títulos públicos argentinos voltaram a apelar à Justiça contra aquela maquiagem dos dados oficiais. A alegação foi a suposta perda de dinheiro com a “manipulação dos dados do crescimento”, o que teria afetado o valor dos papéis ligados ao PIB argentino.

Muito tempo depois, o período da maquiagem de dados ainda cobra seu preço.

Fonte: BBC Brasil

Pequena cidade na Argentina é totalmente isolada após churrasco “fatal”

Em 19 de março, o presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou em sua residência oficial em Buenos Aires que no final do dia a Argentina se tornaria um dos primeiros países da região a entrar em quarentena obrigatória.

No entanto, a centenas de quilômetros de distância, em uma pequena cidade da Patagônia, um grupo de vizinhos decidiu que o decreto presidencial não iria atrapalhar seus planos de desfrutar de um churrasco de domingo.

Não era apenas um churrasco: era também uma festa de aniversário; então, depois de comer, o grupo de familiares e amigos seguiu comemorando.

Comeram churrasco e compartilharam cerveja e vinho da mesma garrafa”, disse o prefeito da Loncopué, no oeste da Argentina, onde o evento foi realizado.

A violação das regras acabou provando-se mortal. Alguns dias depois, o aniversariante, um homem de 64 anos, morreu. As autoridades de saúde confirmaram seu diagnóstico positivo por covid-19.

Outro homem de 68 anos, que nem participou das celebrações, morreu após ter sido infectado por um dos filhos do aniversariante.

E pelo menos 29 moradores de Loncopué testaram positivo para o vírus, um deles uma mulher de 61 anos que teve que ser hospitalizada em um hospital próximo.

O tamanho do surto levou as autoridades regionais a declarar o isolamento total desta cidade de cerca de 6.000 habitantes, bloqueando as vias de acesso. Todas as lojas também foram fechadas.

O promotor que ordenou o isolamento disse que tomou a decisão “para a proteção da saúde pública de todos os cidadãos da cidade, locais próximos e da província em geral”.

O presidente Alberto Fernández foi um dos primeiros líderes nacionais a decretar o isolamento social na América Latina.

Lição

Por sua parte, o prefeito de Loncopué, Walter Fonseca, alertou que “às vezes, quando a quarentena não é realizada adequadamente, essas coisas acontecem”.

“Tem que ser uma lição para pessoas de outros locais entenderem que isso (isolamento social) não é uma piada”, disse ele ao canal de notícias A24.

“Quarentena significa quarentena: você tem que ficar em casa, não pode receber visitas nem nada do tipo.”

“Lamentamos profundamente o que aconteceu conosco, a perda de nossos vizinhos”, disse ele.

Paciente zero

Os pesquisadores ainda não foram capazes de determinar quem foi o “paciente zero” que levou o coronavírus para Loncopué.

Provavelmente, acreditam eles, um vizinho contraiu o vírus durante uma visita a uma cidade vizinha, onde outras infecções foram registradas.

Eles estão convencidos de que o fatídico churrasco teria sido uma das principais fontes de propagação. Vários dos participantes estão entre os casos que deram positivo para a covid-19.

Mas os primeiros que morreram como resultado desse contágio nem participaram da celebração.

O filho da vítima, Claudio, disse que seu pai provavelmente contraiu o vírus de um vizinho, um jovem gasista, que o ajudou a limpar seu aquecedor.

O jovem era um dos filhos do aniversariante, o homem de 64 anos que acabaria morrendo um dia depois do pai de Claudio.

A partir desses dados, as autoridades concluíram que o provável foco inicial de contágio havia sido o churrasco em 22 de março.

Eles imediatamente rastrearam e isolaram os outros participantes daquele evento, vários dos quais foram diagnosticados positivo para a covid-19 (embora muitos sem sintomas).

Falta de consciência

Apesar do drama que está gerando, o coronavírus não conseguiu dividir esta cidade, principalmente dedicada à pecuária, mineração e comércio.

Um símbolo disso foram as palavras de Cláudio, que apesar de ter perdido o pai, garantiu que não guarda rancor contra as pessoas que participaram do churrasco.

“O que aconteceu foi resultado da falta de consciência, mas não havia intenção maliciosa”, disse ele ao canal de notícias da TN.

Ele também enfatizou que seu pai, que estava em uma cadeira de rodas, tinha um relacionamento “muito agradável” com seu vizinho gasista e que ele e sua família eram muito gratos ao jovem por todas as vezes que ele o ajudara.

As duas famílias até falaram ao telefone e lhe ofereceram suas condolências pelas perdas.

Autoridades fecharam os acessos a Loncopué para tentar conter a disseminação do vírus.

Muito longe

O Ministério Público informou que abriu uma investigação para determinar as responsabilidades criminais dos moradores que participaram do churrasco.

No entanto, a imprensa local garante que eles não foram os únicos que violaram a quarentena obrigatória em Loncopué.

Nas últimas semanas também houve outros eventos, como churrascos e casamentos, dizem eles.

Daniel, outro filho do aniversariante que morreu, admitiu no jornal “La Nación” que uma certa “mentalidade de cidade pequena” estava jogando contra eles.

“Foi algo que havia acontecido muito longe dali”, disse ele. “Pensamos que (o vírus) nunca chegaria aqui.”

“Agora o temos entre nós, na cidade”, lamentou…

Fonte: BBC Brasil

Buenos Aires adota operação de choque para evitar propagação do coronavírus em favelas

Uma tropa de cerca de 300 pessoas, vestidas com macacões, máscaras e óculos de acrílicos, entra nas ruas de terra para conter o novo coronavírus nas casas simples do bairro José Luis Cabezas, na província de Buenos Aires. O lugar é cercado por policiais. Os soldados, com apoio de sanitaristas e voluntários, controlam as entradas e saídas do local. Cada morador abre os braços em cruz e é borrifado para que seja eliminado o vírus das suas roupas. Dentro do bairro, eles têm as mãos higienizadas, por algum integrante da tropa, com um spray de álcool em gel.

Cinquenta casas, muitas de chapa, com cerca de 250 moradores, próximas à linha férrea, foram bloqueadas. Os moradores devem ficar isolados durante, pelo menos, 15 dias. Aqueles com qualquer um dos sintomas da covid-19, que pelos tamanhos de suas casas não possam realizar o isolamento, são levados para um hotel, universidade ou hospital de campanha preparados para recebê-los. Aqueles que testam positivo para a doença causada pelo novo coronavírus são encaminhados para tratamento hospitalar, contaram à BBC News Brasil assessores da Secretaria de Saúde da província de Buenos Aires.

“Os moradores que estão isolados recebem alimentos, atenção psicológica, e contam com apoio para o que precisem”, disseram. A bateria de iniciativas, anunciou o governador da província, Axel Kicillof, inclui assistência social para que sejam evitados registros de violência de gênero durante o confinamento.

Os demais moradores, do bairro de cerca de 1.200 habitantes, são parados nos controles policiais e sanitários cada vez que precisam entrar e sair do local. A localidade de José Luis Cabezas, a cerca de uma hora do centro de Buenos Aires, é a segunda da província de Buenos Aires, que é a maior da Argentina, a ser alvo da operação de choque contra o coronavírus.

Vila blindada

No dia 24 de maio, outra tropa de médicos, infectologistas e voluntários, vestidos de macacões e tocas brancas e óculos de acrílicos, isolou a Villa Azul, na mesma província. O lugar com cerca de 5.000 habitantes também foi cercado por policiais. La Villa (na Argentina, sinônimo de comunidade carente, de favela) foi blindada depois que o mapa de coronavírus mostrou a curva ascendente de casos e que “sete de cada dez pessoas testadas tinham tido resultado positivo para a doença”, de acordo com informação oficial.

Como o bairro José Luis Cabezas, que está próximo de grandes conglomerados habitacionais, como Villa Catella, com 15 mil habitantes, a Villa Azul está a poucos metros de uma Villa muito maior, chamada de Villa Itatí, que também tem pelo menos 15 mil habitantes, segundo os últimos dados oficiais disponíveis. Foi temendo que o vírus alcançasse os lugares com maior densidade demográfica que os governos locais decidiram cercá-los com o que foi batizado de “cordão sanitário”.

Assim que Villa Azul, com casas de alvenaria grudadas umas nas outras e ruelas sem asfalto, com áreas com esgoto a céu aberto, foi bloqueada, alguns moradores disseram à imprensa local que se sentiam eles mesmos bloqueados, já que não podem sair à rua do próprio bairro. Entre os moradores, como ocorre em outras villas de Buenos Aires, muitos são, além de argentinos, imigrantes paraguaios, peruanos, bolivianos e chilenos que chegaram ao país ao longo das últimas décadas.

Doze dias depois do início da operação, uma moradora disse ao canal de televisão Telefe, de Buenos Aires, que estava preocupada. “Muitos de nós aqui temos trabalhos (considerados essenciais e autorizados a serem realizados pessoalmente). E agora estamos com medo de perder o trabalho. São muitos dias isolados”, disse a moradora que se identificou como Valeria. Para o governo, são reclamações isoladas, já que a maioria entendeu a importância da estratégia de evitar mortes pela doença no local. “Eu apoio o isolamento porque se o vírus se expandir aqui, aí sim será pior”, disse a moradora Gloria Teresa Guevara à imprensa local. O Coronavírus já fez vítimas fatais na comunidade: Dois moradores de Villa Azul, que já tinham problemas de saúde, faleceram no hospital, acometidos pela Covid-19.

A estratégia de apartar uma comunidade inteira é a mesma aplicada nos asilos com casos de coronavírus, disseram assessores do vice-ministro da Saúde, o médico e sanitarista Nicolas Kreplak, que esteve na operação inicial de choque contra o vírus no local. “Temos que reduzir a circulação do vírus, não podemos relaxar”, disse Kreplak. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, usou uma metáfora para justificar a medida. “É como apagar um foco de incêndio. Um foco que temos que evitar que se esparrame”, disse.

Depredador

O infectologista Pedro Cahn, que integra o comitê de especialistas que assessoram o presidente Alberto Fernández, reconheceu que existe um “conflito de direitos”, quando um lugar é isolado, mas que existe algo “muito maior” em jogo neste momento. A decisão do isolamento da Villa Azul foi tomada em consonância entre prefeitos, o governador da província de Buenos Aires e Fernández.

“Esse direito (de ir e vir) poderá ser recuperado em 15 ou 20 dias, quando a situação ali estiver controlada. Mas enquanto isso, estaremos fazendo algo muito maior, que é salvar vidas”, disse Cahn à emissora de televisão TN, de Buenos Aires.

Profissionais de saúde visitam residências em comunidades carentes para prevenir e diagnosticar casos de coronavírus na Argentina

Para os infectologistas que assessoram Fernández, o vírus está sendo “depredador” entre os excluídos nas Américas, como afirmou Luis Camera, que também faz parte do comitê especial de combate ao coronavírus. “O vírus foi um depredador dos afro-americanos, em vários lugares dos Estados Unidos, atingiu brutalmente Guayquil, no Equador, e Manaus, no Brasil. Na Argentina, felizmente, a mortalidade é baixa. Mas já sabemos que ele ataca aos mais pobres na América Latina”, disse Camera. Segundo estudiosos argentinos, no caso específico das comunidades carentes do país, os baixos índices de mortes estariam ligados a idade dos seus habitantes, onde muitos são jovens. Para Camera, o isolamento é uma das poucas ferramentas disponíveis contra a virulência do coronavírus.

Mas a iniciativa de blindagem gerou críticas de setores opositores. “É uma medida que estigmatiza”, disse o ex-ministro da Saúde do governo Macri, Adolfo Rubinstein. Setores ligados ao ex-governo de Mauricio Macri, anterior e opositor do atual de Fernández, como o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, têm atuado, porém, em sintonia com as medidas do governo central e da província de Buenos Aires, da mesma linha política do atual presidente argentino.

Um dos líderes do movimento político e social Barrios de Pie, que trabalha no Ministério do Desenvolvimento Social, Daniel Menéndez, disse que a Villa Azul tinha virado “um gueto”. Em meio às críticas, o governador Kicillof disse que nenhum lugar estava livre de ser blindado. “Essa medida não é exclusiva dos bairros populares. Elas também podem incluir condomínios ou edifícios. O principal é colocar um freio no vírus”, disse.

Condições difíceis

A província de Buenos Aires tem cerca de 1,7 mil comunidades carentes reunidas, principalmente, no que é definido como “conurbano bonaerense”, que reúne a periferia urbana da cidade de Buenos Aires e parte do território provincial. Nos mapas epidemiológicos, elas representam menos de 20% do total de casos de coronavírus, mas viraram o foco das medidas dos governos pelas condições difíceis em que muitos vivem, sendo impossível o cumprimento do distanciamento social ou até da higienização necessária por falta de água corrente e potável.

Com cerca de 16 milhões de habitantes, a província, que também reúne condomínios de classes média e alta, além de fábricas e produção agrícola, representa em torno de um terço da população de 44 milhões de habitantes do país.

Fonte: BBC Brasil

Jornais unidos contra o coronavírus

A pandemia do novo coronavírus está promovendo imagens que vão durar por muito tempo em nossa memória. Uma delas veio da nossa vizinha Argentina. No dia 19 de março os principais jornais do país tiveram a mesma capa, mostrando a união contra o poderoso inimigo invisível.

A decisão de unificar as capas dos jornais impressos de circulação nacional faz parte da campanha #SomosResponsables, que visa conscientizar a população acerca das medidas de prevenção e combate à pandemia.

Na capa dos jornais, a mensagem: “Paremos o vírus juntos. Vamos viralizar a responsabilidade”. Entre as medidas estimuladas pela campanha está o isolamento social. A iniciativa foi promovida pela Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa).

No dia 23 de março foi a vez da imprensa brasileira aderir à campanha de unificação das capas, com o lema “Juntos vamos derrotar o vírus: Unidos pela informação e pela responsabilidade”. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) publicou nota que explica a iniciativa: “Em uma ação inédita no país, dezenas de jornais brasileiros unificam suas capas hoje na segunda fase da campanha da Associação Nacional de Jornais (ANJ) de apoio ao combate ao coronavírus e à desinformação, que agrava as consequências da doença Covid-19. (…)

“Em situações dramáticas como a que vivemos, informação precisa e contextualizada é um bem ainda mais essencial”, enfatiza o jornalista Marcelo Rech, presidente da ANJ. “A ação demonstra a unidade dos jornais brasileiros em torno de uma causa comum: servir a população com jornalismo de qualidade para, com a responsabilidade que o momento exige, enfrentarmos e vencermos a pandemia”, completa.

Fonte: Uol Notícias e Jornal Correio do Povo

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