Você moraria em um apartamento de apenas 10 metros?

O corre-corre das grandes cidades faz com que muita gente perca muitas horas de seu dia no deslocamento do trabalho pra casa. Pensando em evitar esse transtorno, muitos jovens acabam optando por buscar uma moradia mais próxima ao seu local de trabalho. O problema é que pagar um aluguel, ainda mais em países cujos salários médios não são muito altos, não é uma tarefa fácil.

Pensando em atender essa demanda, o setor imobiliário latino – americano vem investindo cada vez mais na construção de microapartamentos.

Eles são tão pequenos quanto o espaço de uma vaga de estacionamento.

“São os menores da América Latina, diz Alexandre Frankel, diretor-executivo da Vitacon, empresa que está construindo microapartamentos  de 10 m² em São Paulo. Logo que o projeto VN Higienópolis chegou ao mercado, as unidades foram vendidas por aproximadamente R$ 70 mil. O prédio ainda está em construção e o lançamento está previsto para o fim deste ano.

Como nas grandes cidades os engarrafamentos se tornaram um pesadelo e os preços das moradias estão nas alturas, as construtoras estão erguendo apartamentos minúsculos em áreas centrais para jovens profissionais, estudantes e investidores, que enxergam neles uma oportunidade rentável.

Em cidades como São Paulo, Buenos Aires, Bogotá ou Cidade do México, as pessoas podem passar facilmente três horas por dia se deslocando de casa para o trabalho. E como o salário médio não permite comprar imóveis maiores, quem mora sozinho prefere perder espaço e ganhar tempo.

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Este apartamento de 10 m² em São Paulo foi vendido por R$ 70 mil

Embora alguns arquitetos digam que é como trancar alguém em uma cela na prisão, outros veem os microapartamentos como uma solução com alta rentabilidade para um problema urbano que vai continuar piorando.

Os defensores da nova tendência afirmam que o fenômeno é uma resposta à dinâmica da chamada gig economy, ou economia compartilhada, em que os jovens trabalham de forma independente, têm filhos mais tarde e usam espaços de trabalho compartilhados (coworking).

Assim, os arquitetos estão projetando edifícios com microapartamentos e grandes espaços compartilhados, onde as pessoas que querem socializar podem passar boa parte do tempo. “As pessoas dormem em seu apartamento, mas o prédio é parte da sua casa”, explica à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, Alexandre Frankel.

A empresa dele construiu vários edifícios com microapartamentos em São Paulo, mas nenhum, até então, havia batido o recorde de 10 m². E, de fato, no futuro, ele não será capaz de voltar a construir espaços tão pequenos, porque a regulamentação não permite mais – o limite mínimo permitido hoje para as unidades é de 11 m². “Se eu pudesse fazer menor, eu construiria”, diz Frankel.

E esse é justamente um ponto-chave: na maioria dos grandes centros urbanos, as leis não permitem a construção em uma escala tão pequena. Embora em cidades como Tóquio, onde a densidade populacional é uma das mais altas do mundo e os preços são proibitivos, existam microapartamentos de até 8 m².

As cidades expulsam as pessoas

Em outras cidades latino-americanas, os microapartamentos também estão se proliferando, mas com tamanhos um pouco maiores, que beiram os 20 m². Embora a alta densidade populacional e o tráfego excessivo de veículos não sejam um problema novo na região, a verdade é que pioraram em muitas cidades.

E se, acrescentarmos a isso o aumento dos preços e a ascensão da classe média, temos o cenário perfeito para que o fenômeno dos microapartamentos comece a se expandir, pelo menos enquanto houver demanda para colocar lenha na fogueira. Em Buenos Aires, também estão sendo desenvolvidos projetos imobiliários desse tipo. Alguns em bairros nobres e outros em áreas de classe média.

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A tendência de viver em microapartamentos teve uma forte alta em cidades como Tóquio, Londres e Nova York

“Fazemos produtos para pessoas de classe média que não conseguem comprar (um imóvel), que não têm acesso à moradia”, explica à BBC News Mundo Pablo Brodsky, diretor comercial da Predial, empresa que vende microapartamentos de 18 m² a 30 m², com preços a partir de US$ 40 mil (R$ 153 mil) e US$ 50 mil (R$ 192 mil), respectivamente.

“As cidades expulsam as pessoas. É por isso que os microapartamentos são uma tendência que veio para ficar.” Brodsky acredita, no entanto, que tudo tem um limite, ou seja, você não pode construir moradias tão pequenas quanto as de São Paulo. “Eu não moraria em 10 m²”, diz ele.

Aluguel para turistas

Outras empresas desenvolveram projetos em áreas mais nobres, como Belgrano ou Palermo, que não têm menos de 20 m² e custam pelo menos US$ 55 mil (R$ 211 mil).

Muitos imóveis são comprados por investidores que, em alguns casos, alugam as propriedades em plataformas como o Airbnb ou até mesmo como escritórios. “Devido à desvalorização do peso, é muito rentável alugar (os apartamentos) para turistas que pagam em dólar, em vez de alugá-los por um ano inteiro”, afirma Manuel Mel, gerente de vendas da Mel Propriedades.

Os imóveis também são comprados por pais de estudantes do interior do país que vão estudar na capital ou por jovens profissionais. “Eles têm uma localização muito boa, estão conectados ao metrô e podem ser comprados por pessoas que teriam que esperar mais cinco anos.”

E como as regras que permitem construir microapartamentos em Buenos Aires foram modificadas há poucos meses, é possível que nos próximos anos sejam desenvolvidos mais projetos desse tipo.

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Muitos investidores compram os microapartamentos e alugam em plataformas como Airbnb

As pessoas ainda buscam espaços maiores

“Esse fenômeno ainda não é tangível para o caso do México”, diz à BBC News Mundo José Luis Madrigal, gerente-geral da empresa CADU Residencial.  “Há um aumento nos preços de imóveis, especialmente na Cidade do México, e uma demanda alta que a oferta não consegue assimilar.”Mas as pessoas ainda estão à procura de empreendimentos maiores, com pelo menos 65 m².

De qualquer forma, ele argumenta, a tendência é que os espaços sejam reduzidos – não só devido ao aumento dos preços, mas também à redução do crescimento populacional e às condições de vida e trabalho atreladas à economia compartilhada.

Em alguns sites de imobiliárias, é possível encontrar apartamentos de 20 m², principalmente para alugar. Se trata, em muitos casos, de moradias antigas reformadas, diz Leonardo González, analista do site Propiedades.com.

E há uma demanda por espaços pequenos entre membros da geração millennial, uma vez que não é fácil para eles comprar um apartamento. “Muitos não têm uma renda garantida, tampouco condições para comprar uma propriedade”, explica.

A mesma situação se repete em todo o mundo, especialmente nas grandes cidades, onde a casa própria se tornou um sonho cada vez mais distante. Não é à tôa que muitos profissionais recém-formados tentam ficar na casa dos pais o maior tempo possível com a ideia de economizar.

E outros, cansados ​​de passar horas presos no trânsito, acabam preferindo os microapartamentos. Uma ideia que deixa muitos urbanistas indignados, se perguntando por que não foram feitas políticas de planejamento urbano a tempo. Seja como for, o fato é que as megacidades continuarão crescendo e a demanda por moradia dificilmente vai desacelerar.

E você o que acha desses microespaços? São uma boa opção? Ou concorda com alguns arquitetos que os consideram uma pequena prisão? 🤔

Fonte:  BBC Brasil

 

 

Um pedaço da Alemanha em pleno Caribe

O Brasil recebeu um número alto de  imigrantes alemães durante parte do século XIX e século XX. A região onde a presença germânica é mais forte é a do Sul do país, conhecido por resguardar as tradições e a cultura da nação de origem com muito orgulho e apreço. A imigração alemã é algo bem notório e conhecido por aqui, mas o que pouca gente sabe é que a nossa vizinha Venezuela, também foi “colonizada” em parte por esse povos europeus.

Situada no alto de uma montanha bem próxima à capital Caracas, há poucos mais de 30 quilômetros do mar caribenho, a cidade de Colonia Tovar, é um pedacinho da Alemanha em plena Venezuela.

” Viver aqui é uma benção” –  proclama José Rivera com o mais largo de seus sorrisos, em uma fresca manhã de sábado na sua bem sortida barraca de frutas na praça central do povoado.  Framboesas, pêssegos, abacates, amoras… José tem de tudo.

Seu posto apresenta mais cores que a paleta de um pintor expressionista. Por isso atrai  a cada fim de semana aos turistas que visitam a Colonia Tovar.  Este agricultor de 50 anos se diz um privilegiado na Venezuela da crise.  Ele herdou  uma  propriedade que explora junto ao restante de sua família: ” Passamos toda a vida bem”, afirma. Um relato como esse é raro na Venezuela atual.

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O vendedor de frutas José Rivera diz que a vida na Colônia é uma benção.

Passeando por suas ruas repletas de cervejarias de estilo bávaro e restaurantes que servem uma ampla variedade de salchichas com chucrut ou contemplando sua igreja  principal, dedicada a um santo católico que morreu muito antes de que os europeus tivessem  notícia da existência da América, nos custa imaginar que o Caribe está tão perto dali. Também  o casarão branco,  com grossas vigas de madeira que salpica sua verde e montanhosa paisagem lembra mais a Floresta Negra alemã do que a tropical Venezuela.

Como surgiu essa “Alemanha do Caribe”?

O velho  Ciro Enrique Breidenbach é o cronista  oficial da localidade e conhece sua história melhor que ninguém. “Até 1840, durante o  governo de José Antonio Páez, havía uma grande emigração do campo para a cidade e a produção  agrícola da Venezuela estava caindo. Devido a essa situação, o militar e geógrafo italiano Agostino Codazzi criou um plano para atrair colonos alemães para trabalharem nos campos”, conta, enquanto mostra com delicadeza de entomólogo o original do primeiro contrato de assentamento firmado com um  destes  colonos.

Martín Tovar Ponte, um dos notáveis da independência, chegou às terras que ficam a uns 2.000 metros de altura sobre o nível do mar nas que hoje se assenta a Colonia, agraciada por um clima ameno  e um solo fértil que são uma das razões pelas quais não se sente a escassez de alimentos que enfrenta outros lugares do país.

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Este documento possui o nome dos primeiros colonos da região.

Dois anos depois um  grupo de 60 famílias da  aldeia de Endingen, no atual estado alemão de Baden-Wurtemberg, em apuros depois de uma época de más colheitas, aceitaram a oferta de Codazzi e iniciaram uma travessia pelo Atlântico que os levaria às terras de Tovar. Nascia assim este lugar tão peculiar.

Codazzi queria manter os alemães afastados da população local, porque temia que o contato com os venezuelanos arruinaría seu caráter trabalhador.  Ele mesmo, que é descendente de alemães, é um exemplo vivo de que Codazzi não alcançou este propósito. Com o tempo, colonos e nativos  foram formando casais, dando lugar a uma  excepcional mestiçagem  germano-venezuelana que perdura na atualidade.

Alemães na Venezuela

Mariel Rivero, garçonete em um dos estabelecimentos típicos da localidade, é casada com um cidadão alemão e suas duas filhas tem o passaporte do país europeu.  “É muito agradável viver aqui, a Colônia me deu tudo, conta. Cabelos loiros e olhos azuis  como os seus, pouco frequentes no Caribe, abundam aqui.

São parte de um legado que os mais conscientes dos colonos, como se conhecem aos  habitantes da colônia tratam de conservar. É o caso de Carlos e Tulio Misle, pai e filho e envolvidos ambos em projetos vinculados à origem alemã da comunidade.

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As duas filhas de Mariel Rivero tem nacionalidade alemã

Tulio viajou à Alemanha para se formar e regressou para montar uma empresa de produção de vinhos e cerveja artesanal que agora tenta expandir, apesar do contexto econômico adverso do país.

“Produzir aquí uma bebida tradicional da Colônia é um orgulho”, afirma, enquanto atende aos clientes de seu negócio. Carlos, seu pai, está empenhado em salvar o “alemão colonial ” a linguagem  local que é  resultado da fusão entre o alemão e o espanhol.

“Um grupo de pessoas comprometidas com o resgate do nosso acervo cultural levou dois anos dedicando-se a escrever a gramática do alemão colonial”, conta.  Alarmados por um estudo em que se comprovam que há  cada vez menos falantes, eles decidiram unificar o dialeto para que não se perda, e produziram um manual para ofertar um curso para que os mais pequenos começem a estudá-lo em algumas escolas do município.

Um dos fatores que vem  “isolando” o munícipio é o  turismo.  Mas esta é também  uma das fontes de riqueza da Colônia. Ankeith Bracamonte sabe bem disso. Há uns anos decidiu deixar seu posto de servidor público para fundar uma agência de viagens junto a dois sócios.

“O principal atrativo é a gastronomia, que a cada fim de semana, traz  visitantes, sobre tudo de Caracas, mas também de Maracay e Valencia“, indica, referindo – se às principais  cidades da Venezuela.

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A gastronomia alemã é um dos principais atrativos turísticos de Tovar

A imagem  habitual  em qualquer fim de semana aqui é bem diferente das filas, protestos ou mercados desabastecidos que são comuns se projetarem nos informativos internacionais quando mostram a  Venezuela.

Uma zona segura

O turismo é  também uma das chaves que explicam  as razões pelas quais, segundo seus habitantes, a Colonia segue sendo um lugar relativamente seguro apesar de localizar-se no Estado Aragua, considerado um dos mais violentos e perigosos da Venezuela.

Reinaldo, um motorista que trabalha guiando turistas , explica porquê: “O assunto da insegurança está controlado aqui: os que trabalham com o turismo fazem patrulhas civis e quando  percebemos algo suspeito reagimos, porque  não é interessante pra  gente que  a Colonia Tovar perda sua boa fama”.

E quanto aos apagões?

A Colônia também tem sorte quanto a isso.  Ao localizar-se na mesma linha de serviço de Caracas, que tem prioridade junto ao governo, os cortes de eletricidade são muito raros na localidade.

Ficou com vontade de conhecer a “Alemanha do Caribe”?  Veja no vídeo abaixo belas imagens desse lugar tão singular:

Fonte: Site BBC Mundo

 

 

 

 

 

Clássico do Pacífico

Na próxima quarta-feira Chile e Peru  disputam uma vaga na grande final da Copa América, disputada no Brasil. O Clássico do Pacífico, como é tradicionalmente conhecido,  promete ser marcado por uma grande rivalidade que vai muito além das 04 linhas.  Quando entrarem em campo na Arena do Grêmio, as duas seleções carregarão uma contenda nascida há mais de um século – mais precisamente entre 1879 e 1883, quando, durante quatro anos, Chile e Peru protagonizaram a ‘Guerra do Pacífico’ – que, até hoje, permanece viva no imaginário de chilenos e peruanos.

No dia primeiro de março de 1879, a Bolívia, que gozava de uma aliança secreta com o Peru – o Tratado de Defesa, assinado seis anos antes – declarou guerra ao Chile, após a tensão causada pela atuação de empresas chilenas em regiões ricas em recursos naturais na fronteira entre os países atingir patamares insustentáveis.

Sabedor do poderio do exército chileno, em um primeiro momento, o Peru buscou uma saída diplomática para o conflito, mas, sem sucesso, acabou-se vendo sem  outra alternativa senão cumprir seu acordo com a Bolívia e entrar na guerra, dando asas a uma disputa que segue viva até os dias atuais entre os três vizinhos.

Com a Bolívia despreparada para o conflito e sem contar com uma marinha de guerra, o Peru foi um alvo marítimo fácil para o Chile. Em terra, os chilenos também triunfaram e, marchando ao norte, conseguiram tomar a atual capital peruana, Lima. Por pouco, todo território do Peru não foi dominado.

Sem alternativas, no dia 21 de outubro de 1883, o Peru assinou o Tratado de Ancón e pôs um ponto final ao combate entre os três países. Vitorioso, o Chile herdou a província de Tarapacá do Peru e tirou a província de Antofagasta da Bolívia, a deixando sem saída soberana para o mar – até hoje,  o impasse é considerado uma ‘questão nacional’ para os bolivianos.

Apesar da assinatura que findou a guerra, o Peru nunca aceitou a perda de parte de seu território. Os peruanos reivindicam uma faixa que lhes acrescentaria aproximadamente 40 mil quilômetros às suas águas territoriais. Enquanto o Chile rejeita a discussão, com base em tratados assinados na década de 50, segundo o país.

No final de 2012, o Peru reacendeu o debate sobre sua fronteira marítima com o Chile ao entrar com processo no Tribunal Internacional de Haia, o principal órgão judicial das Nações Unidas, para revisão do caso. Após mais de uma semana de debates entre seus representantes, os países ainda aguardam uma decisão oficial.

Disputa por patente

Quem já teve oportunidade de visitar um desses países, com certeza deve ter provado uma das bebidas mais populares em ambos: o pisco,  destilado feito à base de uvas. Como não bastasse toda a questão da Guerra do Pacífico o produto também é motivo de disputa entre os países: ambos defendem com unhas e dentes a paternidade da bebida.

O debate ganhou novos contornos quando alguns investigadores, liderados por Pablo Lacoste, descobriram no Arquivo Nacional de Santiago um documento feito pelo escrivão do Império Espanhol em 1773 registrando a existência de três vasilhas com a bebida na fazenda La Torre, no Valle del Elqui, no norte chileno. “A evidência documental estabelece que o pisco é um tipo de aguardente de uva que começou a ser feita no Chile no século XVIII”, afirmou Lacoste.

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O pisco sour é um delicioso coquetel alcoólico típico da gastronomia sul-americana e que pode ser comparado à nossa caipirinha. Foto Reprodução – Internet

Historiadores peruanos refutaram esta versão, assegurando que no Peru existem registros da elaboração do pisco mais de um século antes, em 1613. “A notícia mais antiga é a de Pedro Manuel ‘O Grego’, considerado o primeiro produtor de pisco do Peru.  “O porto de Pisco está no Peru”, de onde a bebida ganhou essa denominação, assegura à AFP José Moquillaza, especialista peruano em pisco.

Pelo jeito essa “guerra” pela patente do pisco não vai acabar tão cedo… Rs

Uma coisa é certa: a origem não faz muita diferença para aquele bom turista que como a gente quer aproveitar o que de há de melhor em cada lugar. Seja peruano ou chileno vale muito apena experimentar essa deliciosa iguaria andina.

¡Salud! E vida longa ao pisco! 🥂

Fontes:  ESPN Brasil e G1.

 

Bons dias

Você que estuda, ou já teve contato com a língua espanhola, com certeza já deve ter reparado que as expressões usadas para cumprimentar  as pessoas nas diversas horas do dia, no idioma de Cervantes, são ditas em plural: Buenos días, Buenas Tardes e Buenas Noches. E, por acaso, você já se perguntou porque somente o espanhol, entre as demais línguas vindas do latim é a única que tem essa orientação?

A BBC disponibilizou um vídeo didático com algumas teorias que explicariam esse fenômeno da língua castelhana.  Veja quais são elas:

  • A primeira, e mais apoiada entre todas, sustenta que nas suas origens, a saudação original era uma frase maior: “Buenos días os dé Díos”, que foi se reduzindo ao longo do tempo. A expressão fazia referência aos dias de forma sucessiva, e não somente ao dia presente. Essa é, inclusive, a versão oficial da Real Academia Espanhola.
  • A segunda teoria aponta que as saudações em espanhol se construíram por analogia às horas canônicas (maitines, laudes o víspiras) que eram  expressões usadas em plural. Na idade Média, a divisão do tempo seguia o ritmo das rezas nos monastérios.
  • A terceira tese sustenta que essas formas em plural não são usadas para indicar quantidade, mas sim, intensidade, e que outras expressões da língua seguem a mesma linha como: gracias, saludos e felicidades.

Apesar das formas em plural serem mais usadas, a Real Academia Espanhola também reconhece como corretas as expressões em singular: Buen día, Buena tarde y Buena Noche.

O que você achou das três teorias? Todas me pareceram bem interessantes e plausíveis.

  ¡Muy buenos días hoy y siempre!  ☀️ Hasta la semana que viene 😎

Fontes: BBC Mundo e 20Minutos.es

As 10 marcas mais famosas da América Latina

A América Latina está longe de figurar entre as regiões mais ricas do mundo. Mas nem por isso deixamos de ter marcas importantes e conhecidas no planeta inteiro.  A empresa britânica de marketing e comunicação WPP lançou recentemente, no já tradicional relatório Brandz, o ranking com as 50 empresas mais importantes da América Latina. Confira abaixo a lista com as 10 primeiras colocadas:

10. Bodega Aurrera

Esta rede de supermercados mexicana concentra sua oferta em produtos acessíveis para consumidores de baixa renda. Pertence ao Walmart do México, uma subsidiária local da multinacional de origem norte-americana.

De acordo com o relatório Brandz, parte de seu sucesso reside na sua capacidade de criar formatos de lojas mais flexíveis, que operam em cidades menores ou em locais onde as lojas de departamentos não têm a capacidade de competir. Tem um valor de US$ 3,757 bilhões.

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9. Águila

Com mais de um século de existência, Águila é uma das quatro marcas de cerveja incluídas na lista das dez mais valiosas da América Latina e a única de origem colombiana. Ela é conhecida por ter sido patrocinadora de muitas atividades populares e da seleção colombiana de futebol.

A marca teve o seu início em uma fábrica criada em Barranquilha em 1913 que mais tarde se tornou parte do grupo da cerveja Bavaria. Desde 2016, pertence à multinacional AB InBev, a maior cervejaria do mundo. O relatório Brandz  atribui  a ela um valor de US$ 3,924 bilhões.

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8. TV Globo

Avaliado em US$ 4,3 bilhões, esse gigante da comunicação no Brasil é o único canal de televisão incluído entre as dez maiores marcas do ranking. Além disso, é uma das 8 que entraram pela primeira vez neste ano na lista das 50 marcas mais valiosas da América Latina.

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7. Cerveja Brahma

Embora tenha aumentado seu valor em 2% entre o relatório de 2017 e o de 2018, a cervejaria brasileira caiu do 2º para o 7º lugar, o que se deve basicamente ao fato de haver outras marcas que tiveram melhor desempenho.

Fundada em 1888 no Brasil, ela acabou se integrando mais de um século depois à AB InBev. Atualmente é a segunda cerveja com maior participação de mercado no Brasil. Seu valor é estimado em US$ 4,478 bilhões.

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6. Falabella

Se no relatório de 2017 a Falabella foi considerada a marca mais valiosa do Chile, no ano de 2018 ela registra um aumento de 26% em seu valor, que chegou a US$ 5,4 bilhões.

Essa rede de lojas de departamento foi criada em 1958 e possui dezenas de unidades espalhadas pelo país. A partir dos anos 90, se estabeleceu também no Peru, na Argentina e na Colômbia. Em 2017, foi incluída pela revista Forbes entre as 100 empresas mais inovadoras do mundo.

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5. Telcel

Com mais de 72 milhões de assinantes, esta é uma das três empresas mexicanas incluídas na lista das 10 marcas mais valiosas e a única pertencente ao setor de telecomunicações.

Atualmente, ela tem 65% de participação de mercado no México. Foi uma das empresas que teve o maior aumento em seu valor entre 2017 e 2018: 32% – que elevou seu valor a US$ 6,048 bilhões.

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4. Itaú

É o maior banco privado do Brasil e tem presença em de 21 países e mais de 5 mil agências na América Latina. Fundado há quase um século, atende cerca de 60 milhões de clientes.

Parte de seu grande porte se deve à sua fusão em 2008 com o Unibanco.

O relatório Brandz 2018 indica que seu valor como marca aumentou em 42% durante o ano passado, chegando a US$ 6,198 bilhões.

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3. Bradesco

De todas as marcas incluídas entre as dez mais valiosas da América Latina em 2018, o Bradesco foi a que mais aumentou seu valor em termos percentuais no último ano: 58%. Criado em 1943 como um banco que prestava serviços para pequenas empresas, cresceu em ritmo acelerado e em menos de uma década se tornou uma das maiores instituições financeiras privadas do Brasil.

Segundo o relatório Brandz, seu valor atualmente é de US$ 7,018 bilhões.

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2. Skol

Em 2016 e 2017, a cerveja Skol, que pertence à AB InBev, foi a marca mais valiosa da América Latina. No relatório da Brandz de 2018 caiu para a segunda posição depois de registrar um crescimento em seu valor de apenas 1%, o que a deixa com valor de US$ 8,263 bilhões. Desde 1988, é uma das cervejas mais populares no Brasil.

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1. Corona

Comercializada em cerca de 120 países em todo o mundo, esta cerveja mexicana, criada em 1925 pelo Grupo Modelo, é a marca mais valiosa da América Latina. Não só é a mais vendida no México, mas também a cerveja importada mais consumida em 50 dos países em que é comercializada.

Seu valor, de acordo com o relatório de Brandz, aumentou 8% no ano passado, chegando a US$ 8,292 bilhões.

 

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E você se surpreendeu com essa lista?  Eu esperava ver a cerveja Quilmes da Argentina entre as melhores colocadas.  Você sentiu falta de alguma marca também?

Fonte: Site BBC Brasil News

Imagens: Reprodução – Internet

Protestos à moda latina

Nunca se debateu tanto sobre política no Brasil. No sábado dia 29 de setembro, faltando muito pouco tempo para o primeiro turno das eleições, milhares de pessoas saíram pelas ruas do país protestando contra o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro. Foi o famoso protesto do #ELENÃO.  No dia seguinte, outro grande número de pessoas saiu em marcha pelas ruas, dessa vez para demostrar apoio ao presidenciável. Desde as grandes manifestações de 2013, o brasileiro está se acostumando a cada vez mais  se manifestar com o intuito de demostrar seu descontentamento com o cenário político. Foi assim também em 2016 quando milhares de pessoas saíram às ruas pedindo o afastamento da presidente Dilma Rousseff, enquanto por outro lado, milhares pediam sua permanência. Desde a época dos caras pintadas, que exigiram a saída do presidente Collor em 1992, nunca mais havia existido tanta mobilização pelo país.

Pelo clima de incertezas que tomou conta do Brasil, imagino que daqui pra frente as manifestações vão ser uma constante cada vez maior. Mas nosso país não é um caso isolado na América Latina, pelo contrário, já faz tempo que nossos vizinhos demostram seu descontentamento em relação a diversos temas das mais variadas maneiras. O jornalista Ariel Palácios fez uma lista, em sua coluna na Revista ÉPOCA, de 11 curiosidades sobre as manifestações produzidas pelos latinos, confira abaixo:

1 – Frigideira-Power, o panelaço, invento chileno que os argentinos tornaram mundialmente famoso

Os primeiros ” cacerolazos” (“panelaços” em espanhol, derivado de “cacerola”, que significa “panela”) surgiram no Chile para protestar contra o presidente socialista Salvador Allende em 1971. No entanto, em 1982, 1983, 1986 e 1989 os panelaços chilenos foram direcionados contra o ditador de extrema direita, o general Augusto Pinochet, demonstrando que os panelaços não possuem exclusividade ideológica, e que podem ser uma modalidade de protesto por parte de críticos da esquerda, direita ou centro.

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Protesto no Chile contra a ditadura de Augusto Pinochet

Em 1996, a modalidade dos panelaços atravessou a Cordilheira dos Andes, sendo adotada pelos argentinos. Naquele ano, em Buenos Aires e nas principais cidades da Argentina vastos setores das população recorreram a panelaços  para protestar contra a política neoliberal do presidente peronista Carlos Menem. Em 2001 e 2002, essa modalidade de protesto teve seu apogeu de forma quase diária contra o presidente Fernando De La Rúa, da União Cívica Radical, e os peronistas Adolfo Rodríguez Sáa e Eduardo Duhalde. Na época, na imprensa internacional, a imagem de ruas e avenidas entupidas de pessoas batendo panelas associou o “panelaço” à Argentina.

Em 2008, 2009, 2010 e 2013, houve panelaços contra o governo da presidente peronista Cristina Kirchner. O último panelaço significativo, em 2013, reuniu 700 mil pessoas em Buenos Aires. A cidade (o distrito federal) tinha 2,7 milhões de habitantes naquele ano. Isto é, 25% da cidade bateu panelas. Na capital argentina, se um panelaço não atinge a faixa de 20% da população, não é levado em conta como relevante.

Um panelaço é uma modalidade de protesto que consiste em bater utensílios de cozinha metálicos para gerar um barulho que pretende ser interpretado como o som da “irritação popular”. No entanto, o mundo do panelaço no Cone Sul é flexível: não é condição sine qua non o uso das panelas e frigideiras. Nos últimos panelaços portenhos, foi utilizada de forma intensa a garrafa de plástico, que produz um som seco também adequado para expressar irritação. Os “panelaceiros” heterodoxos portenhos argumentam que a vantagem das garrafas é que não estraga as panelas de casa, além de serem mais leves. Na contra-mão, os “panelaceiros” ortodoxos sustentam que nada substitui a sonoridade metálica das frigideiras.

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Na Argentina um panelaço com menos de 20% de participação popular é considerado irrelevante

Historiadores franceses argumentam que os primeiros “casserolades” (panelaços) surgiram em Paris em 1830 para protestar contra o rei Louis-Phillipe.

2 – Piquetes, a modalidade favorita dos argentinos

Em 1996, milhares de desempregados no empobrecido interior da Argentina começaram a protestar bloqueando estradas com escombros e pneus em chamas. Chamados inicialmente de “fogoneros”, estes manifestantes foram imediatamente rebatizados como “piqueteiros”, por causa dos piquetes que realizavam nas estradas das províncias de Salta e Jujuy – no norte da Argentina – e em Neuquén, no sul. Os piqueteiros pediam comida e trabalho. Eles eram ex-integrantes da classe média das pequenas cidades do interior que dependiam das grandes estatais como a petrolífera YPF ou as Ferrovias Argentinas. Mas as privatizações da primeira metade dos anos 90 deixaram grande parte dessas pessoas sem trabalho. Com a fome assolando essas arruinadas cidades, começaram a surgir protestos espontâneos de desempregados, que, como modus operandi para pressionar o governo, decidiram bloquear estradas.

Durante o governo De la Rúa o fenômeno cresceu e chegou às grandes cidades. Nos anos seguintes, a modalidade do piquete deixou de ser exclusiva dos desempregados e foi absorvida por sindicalistas, integrantes da classe média e ruralistas (e até por fanáticos religiosos).

modus operandi mudou com o passar dos anos. No início, quando eram poucos, os piqueteiros bloqueavam estradas com pneus em chamas. Atualmente os bloqueios são feitos com “barreiras humanas” de diversas magnitudes.

Para o caso de piquetes feitos por “piqueteiros-habitués”, pertencentes a grupos sociais, os bloqueios podem contar com um acompanhamento musical de bumbos (instrumento clássico das mobilizações do peronismo e que nos últimos anos também foram usados por outros grupos políticos). O verso preferido (em caso de necessidade de cânticos de estímulo), prolongando as vogais “i” e o “e”, gritam em coro “Piiiii-queeee-teros, carajo!”

Os argentinos reservam os panelaços para grandes ocasiões. Mas, para protestar no cotidiano preferem os “piquetes”, isto é, o bloqueio de estradas ou ruas.

3 – Apagões e buzinaços, modalidades limitadas

Uma modalidade que volta e meia retorna na América Latina são os “apagões”, isto é, o ato de apagar as luzes para demonstrar que uma significativa porção da população está indignada com alguma coisa. Esta talvez seja uma das mais ilustrativas formas de protesto, já que durante um apagão é possível ver quais bairros de uma cidade apagaram suas luzes. Em 1996, os argentinos realizaram vários apagões em protesto contra a corrupção e o crescente desemprego no governo Menem. No entanto, esta modalidade possui uma limitação temporária, já que só tem efeito se realizada durante a noite.

Os buzinaços são outra modalidade para expressar a fúria contra um governo ou uma situação. Mas, requerem que as pessoas estejam sentadas em seus veículos. É eficaz, mas difícil de coordenar e os decibéis acabam sendo incômodos para os próprios manifestantes. Bater panelas está ao alcance de todos. Tocar uma buzina exclui os setores mais pobres, que não possuem automóveis.

4 – “Panelas populares”

As “ollas populares” (panelas populares) não têm a ver com os “panelaços”, mas sim com a distribuição – em uma data específica – de pratos de comida para pessoas pobres como forma de manifestação solidária, para indicar que um determinado governo federal, estadual ou municipal nada faz para combater a fome da população. Devido à possibilidade de comer nestas manifestações, o fluxo de pessoas é sempre significativo. Além disso, esta modalidade cria um vínculo entre o manifestante que alimenta e o alimentado. Este fenômeno cresceu na Argentina a partir do final dos anos 80, quando a hiperinflação assolava o país.

5 – Escraches, a manifestação personalizada

Nos anos 90 os argentinos desenvolveram a modalidade do “escrache” (escracho), que consiste em um protesto personalizado, realizada na frente das residências das pessoas-alvo. A modalidade foi usada com frequência por grupos de defesa dos direitos humanos que protestavam na frente da casa de ex-integrantes da ditadura militar (1976-83) que haviam conseguido escapar da Justiça graças às anistias. O objetivo era que a identidade da pessoa que havia cometido torturas, sequestros e assassinatos fosse conhecida por seus vizinhos. Nos “escrachos” entoam-se cânticos alusivos às mães dos supracitados, alguns epítetos, e eventualmente, o arremesso de objetos contundentes, tinta ou lama contra as janelas e paredes da residência. Os chilenos aplicam uma modalidade similar, denominada “funas”, que pretendem obter uma sanção social quando a punição jurídica foi esquivada.

6 – Sentados, contra Maduro

Desde 2014, os críticos do regime de Nicolás Maduro realizaram os mais variados tipos de protesto. Um deles é uma modalidade clássica mundial, as “marchas”. Isto é, caminhar por um trajeto pré-determinado até um ponto de concentração para realizar uma reclamação ou reivindicação. Completar o trajeto – ou não – dependerá do surgimento da polícia no meio do caminho, com intenções de descontinuar a marcha.

Outra modalidade é a dos “Plantones”, que consiste em sentar em algum lugar durante horas, em grupo, em sinal de protesto. Esta modalidade conta com a vantagem de não irritar a polícia, já que os manifestantes podem ser facilmente removidos, caso as forças de segurança assim desejarem. A modalidade – que tem um tom pacífico – também facilita a participação de crianças e idosos. Mas tampouco gera o mesmo impacto midiático de uma marcha.

7 — Guarimbas, símbolo da resistência venezuelana

Enquanto os “plantones” são pacíficos e podem ser rapidamente removidos (ou auto-removidos), uma modalidade que indica uma determinação maior de resistir são as “guarimbas”, denominação das barricadas realizadas em ruas ou avenidas. São o símbolo da resistência anti-Maduro. As “guarimbas” superam os “piquetes” argentinos, já que o formato venezuelano assemelha-se mais às barricadas realizadas na França durante a revolução de 1848, já que são altas e levam tempo para serem destruídas. O intuito é impedir a passagem de veículos das forças de segurança e de policiais (e não somente o de dificultar seu trânsito).

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Na Venezuela as manifestações contrárias a Maduro são reprimidas com violência

8 — Os tranques da Nicarágua

Enquanto os venezuelanos preferem realizar bloqueios de poucas horas nas ruas e avenidas, isto é, nos centros urbanos, os nicaraguenses optam pelos “tranques” (bloqueios) de vários dias de duração em estradas. A densidade dessas barricadas é de tal magnitude que, entre abril e julho, no apogeu dos protestos populares contra o presidente Daniel Ortega, as forças de segurança tiveram que usar escavadeiras para arrasar os “trancazos”.

Os “tranques” na Nicarágua possuem grande repercussão em toda a América Central, já que o fechamento das vias de transporte terrestre nicaraguense colapsa toda a região.

9 – Protesto gráfico

Os venezuelanos também contam com o “Pancartazo”, algo equivalente ao “faixaço”, já que “pancarta” é faixa ou cartaz com dizeres. O dia de um “pancartazo” é a jornada de colocar cartazes e faixas de protesto em todas as paredes possíveis. Uma espécie de overdose gráfica para expor uma situação ou indignação aos transeuntes (os pancartazos começaram também a serem usados gradualmente em cidades do interior da Argentina). Os venezuelanos também contam com a modalidade das “Vigílias nortunas”, manifestações feitas em silêncio à noite, concentrando-se em pontos específicos.

10 — Repressão, mas “informal”

A miríade de modalidades de protesto na América Latina também conta, na contra-mão, com vários formatos de repressão. Além da saraivada de cassetetes, balas de borracha e tiros de balas de chumbo disparados pelas forças de segurança formais, alguns governos que reprimem recorrem também às forças “informais” (quase sempre mais violentas, fortemente armadas). Esta repressão, na Venezuela, é exercida pelos “colectivos” chavistas, denominação dos paramilitares divididos em centenas de grupos dos mais diversos tamanhos (de dezenas a centenas de integrantes). Na Nicarágua, são as “turbas” sandinistas, militantes armados do partido governista, a Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN).

11 — Em tempos de pindaíba, molotovs reconfigurados

Em 2017, durante as intensas manifestações populares contra o regime de Nicolás Maduro, os civis venezuelanos encontraram uma forma de tonificar suas marchas de protesto (e simultaneamente tentar conter a repressão policial) com os “Puputovs”, mistura de “Pupû” (forma infantil de se referir aos excrementos humanos) com “Molotov”, do coquetel Molotov, a famosa bomba incendiária caseira que se tornou popular em manifestações e guerras civis em todo o planeta, criada em 1940 pelos finlandeses para resistir à invasão da URSS. O nome, ironicamente, era uma referência ao ministro das relações exteriores soviético, Viacheslav Mólotov.

A “puputov” consiste em uma sacola de plástico cheia de excrementos que se arremessa sobre os policiais de Maduro para se defender da repressão. Outra alternativa é usar potes de maionese de 400 gramas que são arremessados contra os veículos da Polícia, como as “baleias” (veículos blindados que lançam jatos d’água e os “rinocerontes” (blindado que lança gás lacrimogênio).

A fedorenta “puputov” fazia os policiais vomitarem pelo cheiro que ficava em seus uniformes. A ironia é que a ideia dos puputov surgiu na Venezuela, onde a escassez de papel-higiênico assola os venezuelanos desde 2013. A vantagem econômica dos “puputovs”: o insumo é gratuito. Outro ponto, para rechaçar críticas sobre “imperialismo” e “influência estrangeira”: o insumo é 100% Made in Venezuela.

Por aqui no Brasil  o protesto que deixa todos em pânico, tanto governo quanto população é o dos caminhoneiros.  A maneira que eles agem pode até ser contestável, mas é sem dúvida umas das poucas classes que realmente podem ver atendidas as suas reivindicações de forma rápida em nosso país.

Seja qual for o  motivo, o mais importante é ter liberdade para soltar a voz,  apagar a luz, ou bater a panela, se você preferir…

Fonte: Site Revista Época (Globo.com)

Imagens: Reprodução Internet

Por que o Brasil não se dividiu em vários, como aconteceu com a América Espanhola?

O Brasil é o maior país da América Latina em território e população. Mesmo sendo tão gigante nosso país mantém uma certa homogeneidade uma prova disso é que o português é compreendido e falado do Oiapoque ao Chui. Ao contrário da maioria dos nossos vizinhos, o idioma adotado por aqui não foi o espanhol, o que de certa forma nos afasta dos demais países do continente.

Mas você já se perguntou  por que a América portuguesa se tornou um único país, enquanto a América espanhola se fragmentou em outros tantos?

A BBC Brasil News fez uma matéria muito interessante explicando as variadas razões para esse fato.  Resolvi compartilhar aqui no blog porque é um tema que  interessa a nós latinos como um todo.  😉 Segundo a BBC News Brasil, não há apenas uma única razão e tampouco consenso nas conclusões, confira no texto abaixo:

Maiores distâncias, diferentes estilos de administração

Uma das causas tem a ver com a distância geográfica entre as cidades das antigas colônias e a forma como as duas possessões eram administradas por suas respectivas metrópoles.

Ainda que a colônia portuguesa tivesse dimensões continentais, a maior parte da população se concentrava em cidades costeiras, enquanto o interior permanecia praticamente inexplorado, lembra à BBC News Brasil o historiador mexicano Alfredo Ávila Rueda, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

“É verdade que, hoje, o Brasil é um país enorme, com mais de 8 milhões de km². Mas, na prática, na época da independência, as principais cidades se concentravam no litoral. As distâncias entre as cidades eram, assim, menores do que na América Espanhola. O interior era praticamente território que não era controlado pela Coroa portuguesa”, diz.

Já a América Espanhola era formada por quatro grandes vice-reinados: Nova Espanha, Peru, Rio da Prata e Nova Granada, com poucos vínculos – senão comerciais – entre si. Cada um deles respondia à Coroa e tinha vida própria.

Ou seja, eram administrados localmente. Além disso, foram criadas capitanias que tinham governos independentes desses vice-reinados, como as da Venezuela, Guatemala, Chile e Quito, acrescenta Ávila Rueda.

“A administração espanhola se deu em torno de duas ‘sub-metrópoles’: México e Peru. Isso não aconteceu no Brasil, onde a administração era muito mais centralizada”, explica o historiador mexicano.

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Outra causa está relacionada à formação e à representatividade das elites nas duas colônias, na opinião do historiador brasileiro José Murilo de Carvalho.

No Brasil, a elite era muito mais homogênea ideologicamente do que a espanhola, diz ele.

Carvalho argumenta que isso se deveu à tradição burocrática portuguesa. Portugal nunca permitiu a criação de universidades em sua colônia. Escolas superiores só foram criadas após a chegada da corte, em 1808. Assim, os brasileiros que quisessem e pudessem ter formação universitária tinham que viajar a Portugal, sobretudo à cidade de Coimbra.

“Diante de um pedido para se criar uma escola de Medicina em Minas Gerais, no século 18, a resposta da Corte foi: agora pedem uma faculdade de Medicina, daqui a pouco vão pedir uma faculdade de Direito e, em seguida, vão querer a independência”, exemplifica o historiador brasileiro.

Quando se formavam, esses ex-alunos voltavam ao Brasil e acabavam ocupando cargos importantes na administração da colônia. Ou seja, um desembargador em Pernambuco formado em Coimbra tinha grandes chances de conhecer um desembargador do Rio de Janeiro também diplomado na mesma universidade, ou de ter conhecidos em comum, o que, na opinião de Carvalho, favoreceu um sentimento de unidade na colônia.

“Esses estudantes luso-brasileiros em Coimbra tinham organização própria. Envolveram-se no mesmo ensino que os portugueses e foram absorvidos pela burocracia da Corte, sendo enviados a todos os pontos do império português – do Brasil à África. Portugal tinha uma população muito pequena à época e não havia gente suficiente para administrar seu império. Acabou dependendo dos brasileiros treinados lá”, diz.

“Eles formaram grande parte da elite política brasileira até cerca de 1850, como ministros, conselheiros de Estado, deputados e senadores”, acrescenta.

Segundo Murilo de Carvalho, essa formação da elite brasileira em Portugal acabou por favorecer a obediência à figura real e a crença nas virtudes do poder centralizado.

Entre 1772 e 1872, passaram pela Universidade de Coimbra 1.242 estudantes brasileiros.

Por outro lado, na América Espanhola, durante esse mesmo período, 150 mil estudantes se formaram em universidades locais, diz Carvalho. Havia pelo menos 23 universidades na colônia, três delas apenas no México. Só a Universidade do México formou quase 40 mil estudantes.

Dessa forma, argumenta o historiador, quando os movimentos de independência na América Espanhola começaram a ganhar força, no século 19, eles surgiram coincidentemente nos locais onde havia universidades. E praticamente todos esses locais com centros universitários  acabaram dando origem a um país diferente.

Ávila Rueda contesta, contudo, essa última hipótese. “Essas universidades eram, em sua maioria, reacionárias, aliadas à Coroa espanhola”, diz.

“A Universidade do México, por exemplo, era muito reacionária, a tal ponto que, em 1830 (após a independência do México), o governo mexicano decidiu fechá-la porque acreditava que não seria possível reformá-la”, acrescenta.

Neste sentido, o historiador mexicano diz acreditar que a livre circulação de impressos (jornais, livros e panfletos) na América espanhola, que não era permitida na América portuguesa (a proibição só foi revertida em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil), teve papel muito mais importante na construção de identidades regionais do que propriamente as universidades.

“Já na América portuguesa, tudo o que era consumido vinha de Portugal, o que gerava esse vínculo muito forte com a metrópole”, lembra.

Mas fato incontestável era que, na América espanhola, os nascidos na colônia, os chamados criollos, a elite local (grandes proprietários de terras, arrendatários de minas, comerciantes e pecuaristas) eram desprezados em relação aos nascidos na Espanha, os Peninsulares.

Até 1700, quando a Espanha era governada pela dinastia dos Habsburgo, as colônias tinham bastante autonomia.

Mas tudo mudou com as reformas borbônicas feitas pelo rei espanhol Carlos 3º. Naquele momento, a Espanha precisava aumentar a extração de riqueza de suas colônias para financiar a manutenção de seu império e guerras nas quais estava envolvido.

Com isso, a Coroa decidiu expandir os privilégios dos peninsulares – colonos nascidos na Espanha -, que passaram a ocupar os cargos administrativos anteriormente destinados aos criollos.

Ao mesmo tempo, as reformas realizadas pela Igreja Católica reduziram os papéis e os privilégios do baixo clero, que também era formado em sua maioria por criollos.

Napoleão invade Portugal…e a família real portuguesa foge para o Brasil

Outro motivo que explica a manutenção da unidade do Brasil, senão o mais importante, foi a fuga da família real portuguesa para sua então maior colônia, de acordo com os historiadores.

Em 1808, com a invasão de Portugal por Napoleão Bonaparte, o príncipe regente D. João fugiu para o Rio de Janeiro, transferindo não somente a corte, mas toda a burocracia do governo: arquivos, biblioteca real, tesouro público e cerca de 15 mil pessoas. O Rio de Janeiro virou, então, a sede político-administrativa do império. A presença do rei em território brasileiro serviu como fonte de legitimidade para que a colônia se mantivesse unida.

“O rei era um herdeiro legítimo do poder. Temos dificuldade de entender a importância disso hoje, mas naquela época a figura de Dom João VI  como monarca tinha muita força”, diz à BBC News Brasil o historiador americano Richard Graham, professor emérito da Universidade do Texas e considerado um dos maiores especialistas em história da América Latina nos Estados Unidos.

Dom João
D. João VI chegou ao Brasil em 1808 – Imagem – Museu Nacional Brasileiro.

Carvalho explica que a “transferência trouxe para o Brasil toda a burocracia portuguesa. Portugal passou a ser uma dependência. Desenvolveu-se, portanto, um foco de legitimidade política no país”.

“Se Dom João não tivesse vindo para o Brasil, o país teria se dividido em cinco ou seis países. Os lugares de maior desenvolvimento econômico, como Pernambuco e Rio de Janeiro, teriam conseguido sua independência”, assinala.

Enquanto isso, o rei espanhol é forçado a abdicar do trono…

Na Espanha, contudo, essa fonte de legitimidade foi questionada após a invasão de Napoleão. Ele forçou o rei espanhol, Carlos IV e seu filho, Fernando VII, a abdicar do trono a favor de seu irmão, José Bonaparte (mais tarde José I da Espanha).

Na colônia, a notícia caiu como uma bomba. Aqueles que viviam na América Espanhola já não sabiam mais a quem obedecer. Surgiram juntas administrativas, muitas das quais no começo governavam em nome de Fernando VII, recusando-se a receber ordens de juntas semelhantes formadas na Espanha (após a invasão de Napoleão, o governo espanhol foi dividido em inúmeras juntas administrativas).

Quando Napoleão foi derrotado, esses líderes locais já tinham experiência de autogoverno. Reconduzido ao trono em 1814, Fernando VII não garantiu a autonomia deles e tentou usar a força para restabelecer a submissão das colônias.

Esse fato aliado à política discriminatória por parte da Coroa Espanhola em relação aos nascidos nas Américas fez com que eles se rebelassem, inspirados pelos ideais iluministas espalhados pelas revoluções americana e francesa.

Com o apoio de outras castas, eles travaram lutas sangrentas contra a Espanha por independência, entre 1809 a 1826.

Por outro lado, quando Napoleão foi derrotado, Dom João VI elevou o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal. Também permaneceu no Rio de Janeiro até que as cortes exigissem seu retorno a Lisboa, em 1820, e aceitasse uma constituição liberal.

Dom João VI deixou seu filho, Pedro, como príncipe regente no Brasil, e em 1822, Pedro tornou o Brasil independente, coroando a si mesmo como Dom Pedro I. O Brasil ganhou então a independência como uma monarquia constitucional.

Temor social

Preocupações econômicas e sociais também contribuíram fortemente para assegurar a unidade do Brasil.

Segundo Graham, fazendeiros e homens ricos das cidades acabaram aceitando uma autoridade central por dois motivos: a ameaça de desordem social e o apelo de uma monarquia legítima.

Um possível desmembramento do Brasil em diferentes países poderia colocar em xeque o firme controle social desejado pelos proprietários de terras e escravocratas. Inicialmente, eles achavam que conseguiriam manter o respeito e a obediência, mas revoltas populares provaram o contrário, na prática. No Haiti, por exemplo, a independência significou o fim da escravidão.

Embora o Brasil tenha conseguido sua independência de Portugal sem recorrer à luta militar generalizada, os líderes regionais procuravam maior liberdade em relação à capital, o Rio de Janeiro, diz Graham.

Mas, com o tempo, eles perceberam que essa vontade de reivindicar um autogoverno regional ou a independência completa do governo centralizado poderia enfraquecer sua autoridade, não somente sobre os escravos, mas também sobre as classes inferiores em geral. Ou seja, temiam a desordem social.

“É importante lembrar que o Brasil era um país de escravos. Eles compunham grande parte da população. Era muito perigoso que as classes dominantes começassem a brigar entre si e colocassem em risco sua legitimidade”, destaca Graham.

Na América Espanhola, por outro lado, diz o historiador americano, “as elites (…) aprenderam que poderiam lidar muito bem com uma população irrequieta. Todos os países hispano-americanos tomaram medidas que objetivavam terminar com a escravidão, possivelmente para diminuir o perigo da revolta escrava. Mestiços (e alguns mulatos, como na Venezuela), tinham o comando de forças militares e eram frequentemente recompensados com posse de terras tomadas dos monarquistas”, diz.

Estatísticas sobre o comércio de escravos embasam tal hipótese.

escravos 1

Entre 1500 e 1866, a América Espanhola recebeu 1,3 milhão de escravos trazidos da África. No mesmo período, desembarcaram no Brasil 4,9 milhões, segundo dados da The Trans-Atlantic Slave Trade Database, um esforço internacional de catalogação de dados sobre o tráfico de escravos – que inclui, entre outros, a Universidade de Harvard.

O levantamento foi possível porque os escravos eram uma mercadoria, registrada na entrada e saída dos portos, sobre a qual incidia cobrança de impostos. Nenhum outro lugar do mundo recebeu tantos escravos.

Fragmentação em vários países

Mas por que as fronteiras dos países recém-independentes na América Espanhola não se mantiveram as mesmas das dos quatro vice-reinados? Ou seja, por que houve tanta fragmentação?

Explica Ávila Rueda: “Na época colonial, o conceito de fronteira era distinto do dos Estados modernos. O que havia era um sistema de jurisdição, não de fronteiras. E as diferentes jurisdições às vezes se sobrepunham umas às outras”.

Ele cita o caso do vice-reinado de Nova Espanha (território que compreende parte dos Estados Unidos, México e América Central).

“Em termos de governo, o vice-rei tinha controle sobre praticamente todo o território, salvo as regiões mais ao norte, que eram independentes neste sentido. Mas, a nível fiscal, o governo do México tinha controle sobre essas regiões. Já em relação a questões jurídicas, a gestão era totalmente diferente”.

“Assim, houve conflitos bélicos muito fortes para delimitar essas fronteiras no século 19, inclusive após a independência”, acrescenta.

Ávila Rueda lembra que, com a abdicação de Fernando VII ocorre um processo em que os territórios provinciais passam a lutar por “mais autonomia”.

“Julgamos o passado a partir do nosso ponto de vista atual. Achamos que o vice-reinado de Nova Espanha se manteve como um país unido, que é o México atual. Mas nos esquecemos que depois da independência, surgiu o império mexicano, que incluía a atual América Central. Posteriormente, com a dissolução do império mexicano, se estabeleceram a federação mexicana e a federação centro-americana, que mais tarde se desintegraria em outros países”, diz.

San Martín
Argentino José de San Martín é também conhecido libertador da Argentina, Chile e Peru.

“Houve um processo de fragmentação na América Espanhola. Eventualmente, algumas dessas províncias formam confederações para ter força militar e se defender de outros inimigos. Ou são unidas à força, como fez Simón Bolívar”, acrescenta.

Graham concorda. “Se você vai se tornar independente da Espanha, por que continuaria a se submeter aos mandos e desmandos de Buenos Aires, por exemplo? A divisão por vice-reinos era burocrática. E as fronteiras atuais dos países da América Latina demoraram para ser consolidadas. Não era possível prevê-las antes de 1810, pois resultaram de disputas internas após a independência”, explica.

Mas é importante lembrar que também houve na América Espanhola planos de unificação, que não avançaram.

Em 1822, Simón Bolívar e José de San Martín, duas das figuras mais importantes da descolonização da América Espanhola, reuniram-se na cidade de Guayaquil, no Equador, para discutir o futuro da América Espanhola.

Enquanto Bolívar era partidário da unidade das ex-colônias (ele forçou a unificação da Colômbia e da Venezuela) e a formação de uma federação de repúblicas, San Martín defendia a restauração da monarquia, sob a forma de governos liderados por príncipes europeus. A ideia de Bolívar voltou a ser discutida no Congresso do Panamá, em 1826, mas acabou rejeitada.

E se Fernando VII tivesse feito o mesmo que D. João 6º e transferido a corte às Américas, o mapa da América Latina seria diferente do que é hoje?

Em um artigo, o historiador americano William Spence Robertson, já falecido, cita a frase de um observador espanhol em 1821: “O México não aceitaria as leis que fossem sancionadas em Lima; nem Lima aceitaria as leis que fossem sancionadas no México”.

“A principal pergunta, portanto, é onde ele escolheria se estabelecer. Não acredito que o México permaneceria leal a um rei estabelecido em Lima e não em Madri”, diz Graham.

 

Mas certamente (se Fernando VII tivesse se transferido às Américas) haveria menos divisões do que, na verdade, ocorreu”, acrescenta.

Isso porque os reis oferecem legitimidade. Tanto é que, na Argentina, quando um congresso em 1816 declarou a independência das “Províncias Unidas”, Juan Martin de Pueryrredón, nomeado diretor dessa entidade, tentou, nos três anos seguintes, em vão buscar alguém na Europa com vínculo real para se tornar rei das Províncias Unidades do Rio da Prata.

“A própria mulher de Dom João, Dona Carlota Joaquina, tinha vontade de se tornar rainha do Prata”, lembra Murilo de Carvalho.

Já no México, quando as cortes espanholas se recusaram a reconhecer a independência mexicana e a permitir que um membro da realeza aceitasse o trono do império mexicano, Agustín Iturbide, um dos mentores da independência, forjou uma eleição ao fim da qual foi coroado imperador, como Agustín I.

No Peru, também foi aventada a possibilidade de um príncipe espanhol liderar uma monarquia independente.

Bolívar
Militar liberal e político venezuelano, Simón Bolívar foi um dos primeiros a lutar pela descolonização da América Espanhola – Coleção do Banco Central da Venezuela. 

Rebeliões no Brasil

Mas o processo de unificação territorial no Brasil tampouco foi totalmente pacífico. Houve movimentos de caráter emancipacionista em Minas Gerais (1789), na Bahia (1798), em Pernambuco (1817).

No entanto, essas revoltas foram mais fomentadas por um sentimento de autonomia do que propriamente por um desejo de ruptura entre a colônia e a metrópole.

Um exemplo emblemático disso foi a chamada Inconfidência Mineira, liderada por Tiradentes em Minas Gerais (1789). Não havia nessa conspiração antimetropolitana nenhum desejo de libertação de todo o território.

Quando Dom Pedro I declarou a Independência do Brasil, em 1822, por exemplo, a maior parte das províncias do norte foram contra e permaneceram leais a Portugal, até defrontarem-se com uma força vinda do Rio de Janeiro.

Ainda assim, como lembra Graham, “mesmos os grupos do sul que declaram sua aliança a D. Pedro I, em meados de 1822, não significavam o triunfo do nacionalismo. Ao contrário, eles simplesmente preferiam o domínio dele, com a promessa de autonomia local, ao domínio das cortes portuguesas, que ameaçava essa autonomia”.

Ávila Rueda acrescenta ainda que, “como na América portuguesa não houve uma guerra de independência e sim uma continuidade com a transferência da corte, o governo do Rio de Janeiro tinha mais força para suprimir essas rebeliões”.

“Em contrapartida, o governo do México não tinha força suficiente para evitar o desmembramento da América Central. Tampouco o governo de Buenos Aires em relação a Uruguai ou Paraguai”, acrescenta.

Acordo de interesses

Segundo a historiadora brasileira Lilia Schwarcz, “a independência do Brasil foi uma solução de compromisso entre as elites, no sentido de primeiro evitar uma mudança estrutural na então colônia que se tornaria um país e evitar grandes conturbações sociais”, diz.

“Houve um ajuste entre as várias elites locais no sentido de preservar a escravidão, evitar o formato de uma revolução, inclusive sabendo do que havia ocorrido na América Espanhola e conseguir manter o país unificado”, acrescenta.

Graham concorda. “O governo central não foi imposto às pessoas influentes ou até mesmo “vendido” a eles. Eles (a elite brasileira) o escolheram”, assinala.

“Eles procuravam legitimidade porque, sem ela, sua autoridade local permanecia relativamente fraca. Eles desejavam fortalecer a hierarquia porque ela validaria a sua própria posição local predominante. Para alcançar esses objetivos, eles construíram um estado central, simbolizado no imperador. A monarquia tinha sua utilidade”.

“A presença do imperador foi fundamental. As elites pretendiam que o imperador fosse uma espécie de símbolo a unificar as diferentes províncias e que, de alguma maneira, ele fizesse uma passagem não tão convulsionada como no restante da América Espanhola. Sabemos que a história não foi bem assim, mas foi o que aconteceu no momento da independência”, diz Schwarcz.

Por fim, a opção por um governo central, além de afastar o espectro de uma anarquia social, também favorecia estender o poder dessas elites, uma vez que cabia a elas as indicações aos cargos públicos, como oficiais da Guarda Nacional, delegados de polícia e juízes.

“Eles vieram a considerar o governo central como apropriado e útil para fins pessoais”, diz Graham.

Já no fim do século, com a unidade do Brasil já assegurada e a escravidão abolida, as elites já não precisavam mais “de um símbolo vivo do estado” para estabelecer sua legitimidade.

O império acabou destronado pelo Exército, que proclamou a república quase sem disparar um único tiro.

*Com ilustrações de Cecilia Tombesi e Kako Abraham

Fonte: Site BBC Brasil News

 

 

Mas com qual b?

Todo estrangeiro que começa a estudar espanhol se depara com uma situação um tanto inusitada logo ao conhecer o alfabeto: As letras B (bê)  e V (uve)  tem o mesmo som em muitos países.  Tanto que são chamadas também de b larga e b  corta (v). Esse fato costuma gerar algumas confusões até mesmo entre os falantes nativos na hora de escrever.

Em um episódio do nosso querido Chaves, eles brincam com o tema. A Chiquinha pergunta ao Chaves com qual “B” se  escreve “Valentin” e ele (como já podemos imaginar) faz uma grande bagunça pra tentar responder.

No vídeo abaixo, a professora Juliana Maester, do canal “Vamos a hablar español” explica sobre o tema comentando esse divertido episódio. Confira no link abaixo 😉

 

Buenos Aires, um país à parte

Nossa vizinha Argentina é famosa mundialmente por ser a terra do tango, de Maradona, do peronismo, dos alfajores, entre muitíssimas outras referências. O povo argentino também é conhecido por certas peculiaridades, entre elas a de serem um tanto arrogantes e soberbos. O que muita gente não sabe, porém, é que muitos desses estereótipos são mais condizentes com a população de Buenos Aires e não com a Argentina como um todo. Costuma-se dizer que existem duas Argentinas: a da região de Buenos Aires e a do interior. O jornalista Daniel Pardo, correspondente da BBC Mundo escreveu um artigo falando sobre as principais diferenças entre os portenhos (habitantes de Buenos Aires) e os demais argentinos. É bem interessante, confira a tradução abaixo:

Em que se diferenciam os portenhos de Buenos Aires do resto dos argentinos, e como isso influi nos famosos estereótipos do país?

Mais além da General Paz, a autopista que contorna a cidade de Buenos Aires, existe outro país, embora siga sendo o mesmo.  

Nem em toda Argentina, se dança tango. Nem todos os argentinos vão ao analista ou gesticulam como os italianos. A arquitetura neoclássica não impera em todo o país, não é em toda esquina que existem cafés e livrarias, nem há protestos  todos os dias.

E nem todos os argentinos se enquadram no famoso estereótipo que se tem deles na América Latina, segundo o qual são arrogantes, egocêntricos e enganadores: se alguém é assim —   você poder crer — são os portenhos, os habitantes da capital.

E tem outra coisa: Existem várias Buenos Aires: uma coisa é a cidade de 03 milhões de habitantes, outra é o subúrbio conhecido como  “el conurbano”  e outra a enorme província bonaerense, onde podem passar  400 quilômetros sem que alguém veja uma única alma.

Os matizes podem continuar porque portenhos  introvertidos, honestos, humildes ou generosos existem muitos, posso dizer que são a maioria.

Mas mesmo tendo em conta que todos os estereótipos são exagerados e perversos, é difícil negar que os portenhos e a gente do interior não parecem do mesmo país.

Dois países

Apesar de ser federal,  a Argentina  é uma das nações mais centralizadas da América Latina. Em Buenos Aires estão mais da metade dos times de futebol da primeira divisão, as disputas políticas locais são vistas como assuntos nacionais e o governador ou governadora da província é considerado o segundo político mais poderoso do país, depois do presidente.

A maioria dos trâmites precisa ser feito na capital e para sair do país precisa-se passar por lá. A mídia nacional reporta o clima, os roubos e os crimes de Buenos Aires, mas quase nunca os do resto do país. 

Partindo do exterior a tendência de assumir o portenho como argentino é ainda maior: o tango, a pizza com azeitonas e cebola, o cumprimento com beijos entre os homens, o teatro da rua Corrientes ou as largas avenidas são vistos como argentinos, quando na realidade são portenhos.

A diferença entre a capital e o  interior é uma marca de origem: a independência da Argentina, em 1810, na realidade foi a criação de um Estado chamado “Provincias Unidas del Río de la Plata”, no qual entravam Buenos Aires, a pampa e parte do Uruguai.

Até 1860, quando se emitiu um decreto presidencial em busca de uniformidade, a palavra “Argentina” e seu gentilício só se usavam para  se referir a Buenos Aires. As regiões próximas do Rio da Prata e Buenos Aires sempre foram um país em si mesmas, talvez mais parecidos com o Uruguai que com os extremos norte e sul do país. 

O interior, por sua vez, é vários países: um meio vazio na Patagônia, outro meio boliviano nas montanhas do norte, outro meio paraguaio na região próxima da fronteira e outro meio “cordobês”  em que alguns chamam brincando de República Independente de Córdoba.

Cada região tem sua própria dicotomia entre capital e interior, assim como seus sotaques, sua cultura, e seus injustos estereótipos: os  cordobeses tem fama de engraçados e grosseiros; os mendocinos de organizados, os patagônicos de empreendedores; os chaqueños de violentos e por vai…

Com o desenvolvimento do país em direção a Buenos Aires,  o “Interior”  machucado pelas diferenças, pode se unir ao redor de seu  — justificado — esporte favorito: zombar dos portenhos.

Não é que haja sentimentos separatistas como na Espanha, mas para muitos argentinos, o que passa em Buenos Aires é tão distante como o que passa no Brasil, digamos.

A postura frente a Buenos Aires é uma forma de protestar contra o poder que se concentra ali. E contra a indiferença dos portenhos em relação aos demais argentinos.

O que os une

Mais de 90% dos argentinos vivem em zonas urbanas, cidades médias ou grandes, longe da paisagem rural. Mas como parte dessa série de percepções exageradas, a capital se vê como desenvolvida, cosmopolita, desenvolvida,  poderosa, enquanto que o interior é visto como o rural, o selvagem, o latino americano.

Essa aparente divisão do país mostra,  para o antropólogo social Alejandro Grimson, “uma história de desigualdade e incompreensão  que se atualiza em momentos dramáticos. Mostra um país que vive olhando para o Primeiro Mundo e entende pouco das complexidades da própria terra e menos ainda dos interesses de seus diversos habitantes”.

Grimson, no seu livro  Mitomanías Argentinas, explica: “Existem argentinos que habitam uma ou outra Argentina, mas a maioria vive muito mais no meio, misturada, com alguma ilusão primeromundista e outras latinoamericanistas.

peronismo
O peronismo e o futebol são outros dois fenômenos que se expandiram por todo o país e geraram uma ideia de unidade  – Imagem – AFP 

A dicotomia entre Buenos Aires e o interior é histórica e estrutural, mas há fenômenos portenhos como o futebol e o peronismo que se reproduziram em todo o país. O interior deu a Buenos Aires o costume de tomar mate, mas Buenos Aires deu ao interior o fernet, uma bebida italiana que se tornou a marca distintiva de Córdoba.

“O regime militar (1976-1983), a guerra das Malvinas (1982), a hiperinflação de 89 e a crise de 2001 foram crises que vividas de maneira simultânea em todo o país por atores heterogêneos deram a ideia de que vivemos uma mesma história”, explica Grimson à BBC Mundo.

Desde 1976, a pobreza, a corrupção política e a delinquência se converteram  em problemas comuns para a maioria dos argentinos, que aliás, responderam a isso com a mesma moeda e de maneira quase homogênea:  com protestos sociais. 

Esta união também teve  efeitos na cultura: fenômenos como a cumbia das favelas e o culto à boliviana virgem de Copacabana se propagaram por todo o país até gerar relatos comuns.

Embora a autopista General Paz esteja em boas condições a divisão que ela propõe está cada vez mais difusa.

Fonte: BBC Mundo

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