Gabo: A criação de Gabriel García Márquez

Se você ainda não leu nenhuma obra de Gabriel García Márquez, já vai colocando algum livro desse mestre na sua lista de livros a serem lidos antes de morrer. Gabo, como era chamado pelos mais íntimos, é um daqueles autores indispensáveis. Ele tinha a incrível habilidade de contar histórias, já conhecidas pelo público, de uma maneira totalmente espetacular. No documentário sobre sua vida, disponibilizado pela Netflix, entendemos melhor como o colombiano conseguiu elevar a literatura em língua espanhola a um outro patamar, através de seu realismo mágico.

No filme conhecemos a história de Gabo, desde a sua infância, na pequena cidade de Aracataca, na costa do Caribe colombiano. Aliás, o Caribe vai fazer parte de sua personalidade e também de sua obra durante toda vida, assim também como a criação por parte dos avós vai marcar profundamente sua existência.

O dom de escrever é algo natural para Márquez desde muito jovem, tanto que ele ganha a vida como jornalista, antes de si firmar como um grande escritor. O jornalismo é uma paixão que dura até a velhice de Gabo. O documentário mostra também como suas obras refletem a dor de uma Colômbia marcada por uma enorme violência, desde sua juventude e nos últimos tempos, especialmente relacionada aos conflitos do narcotráfico.

Gabo: a criação de Gabriel García Márquez traz depoimentos de familiares, amigos, colegas e admiradores do célebre autor de “Cem anos de solidão”. Um desses fãs é ninguém menos que o ex-presidente americano Bill Clinton, que se mostra um grande conhecedor da obra do colombiano.

Além dos depoimentos, o filme traz também entrevistas com o próprio autor, onde podemos ver características que sempre o marcaram: a doçura e a afetividade.

Se você também é fã de Gabo, não deixe de assistir ao filme, que é também uma linda homenagem… ❤

A Burocracia

Eduardo Galeano é um dos escritores mais conhecidos e amados em Língua Espanhola. Com um jeito bem peculiar de escrever, o uruguaio conquistou admiradores pelo mundo inteiro. Galeano tinha, como ninguém, a habilidade de fazer críticas à sociedade de uma maneira perspicaz, bastante inteligente e irônica, como nessa crônica, chamada “Burocracia”, publicada em seu “Livro dos Abraços”.

Confira abaixo:

Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha.

No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.

E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.

Os ninguéns

Um dos meus escritores favoritos em língua espanhola  é o uruguaio Eduardo Galeano. O autor sempre teve uma opinião muito crítica em relação às injustiças fomentadas pelo sistema capitalista, tendo escrito inúmeros textos e até livros sobre o tema.galeano 01  Nessa semana, após acompanhar com tristeza a notícia do desabamento do prédio que abrigava pessoas carentes no Centro de São Paulo,  me lembrei de um dos seus poemas: Los Nadies – “Os ninguéns” – em português. Realmente é lamentável que no Brasil e pelo mundo afora ainda existam tantos ninguéns. 😦

Confira abaixo toda a sensibilidade e perspicácia de Galeano para abordar a questão da pobreza.

Os ninguéns – Eduardo Galeano 

As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

Los Nadies – Eduardo Galeano

Sueñan las pulgas con comprarse un perro y sueñan los nadies con salir de
pobres, que algún mágico día llueva de pronto la buena suerte, que llueva a
cántaros la buena suerte; pero la buena suerte no llueve ayer, ni hoy, ni
mañana, ni nunca, ni en lloviznita cae del cielo la buena suerte, por mucho
que los nadies la llamen y aunque les pique la mano izquierda, o se
levanten con el pie derecho, o empiecen el año cambiando de escoba.
Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.
Los nadies: los ningunos, los ninguneados, corriendo la liebre, muriendo la
vida, jodidos, rejodidos.
Que no son, aunque sean.
Que no hablan idiomas, sino dialectos.
Que no profesan religiones, sino supersticiones.
Que no hacen arte, sino artesanía.
Que no practican cultura, sino folklore.
Que no son seres humanos, sino recursos humanos.
Que no tienen cara, sino brazos.
Que no tienen nombre, sino número.
Que no figuran en la historia universal, sino en la crónica roja de la
prensa local.

Los nadies, que cuestan menos que la bala que los mata.

Universidade americana disponibiliza arquivo de Gabriel Garcia Márquez

A Universidade do Texas divulgou uma ótima notícia para os fãs de Gabriel Garcia Márquez. O Instituto de Ensino Americano, que adquiriu o arquivo do escritor em 2015, colocou à disposição do público, através da internet, mais de 27 mil páginas com conteúdo referente ao autor.

O material é resultado da digitalização de uma grande parte do acervo, incluindo partes de todas as obras de ficção escritas por Garcia Márquez, roteiros, fotografias, cadernos,  etc, segundo informou um comunicado da universidade texana.

Qualquer pessoa com acesso à internet pode consultar de maneira profunda o arquivo de García Márquez, afirmou em nota a bibliotecária Jullianne Ballou, responsável pelo projeto.

Ballou explicou que o material disponível  reflete a  energia  e  disciplina do escritor  e revela uma ótica “íntima do seu  trabalho,  família, amizades e  visão política”.

Rodrigo García,  um dos filhos do autor, declarou que o maior interesse de sua mãe e dos outros filhos de Gabo, “sempre foi que o arquivo alcançasse a maior audiência possível”.

“Este projeto permite  um acesso ainda maior ao trabalho do meu pai, incluindo uma comunidade de  global de estudantes e investigadores”,  ressaltou García.

O acervo, que inclui materiais em inglês e espanhol  foi preparado durante 18 meses, graças ao trabalho de bibliotecários, arquivistas, estudantes, profissionais de informática e restauradores.

Para ter acesso ao arquivo click aqui:

Fonte:  Site Jornal El Colombiano.

 

 

 

 

Crônica de uma morte anunciada

    Geralmente não gostamos de ver um filme, uma série, ou ler um livro, cujo final já é conhecido, porque é  meio sem graça né?  Os famosos “spoillers” são temidos por todos. Mas e quando a história é tão boa, que mesmo já sabendo seu desfecho desde o começo, ela não deixa de prender nossa atenção?

    Alguns filmes e livros tem uma trajetória assim não linear. Penso que não deve ser fácil escrever histórias desse tipo, é uma tarefa pra gênios mesmo. E por falar em gênio, o livro que recomendo a vocês hoje é de um desses autores que merecem o título de magistral. Se trata de Gabriel Garcia Márquez, um dos colombianos mais conhecidos em todo o mundo. El Gabo, como também era chamado,  tinha como poucos, o dom de escrever narrativas de uma maneira incrivelmente envolvente. É o que podemos constatar em “Crônicas de uma morte anunciada” publicado em 1981.

    Como o próprio título da obra sugere, desde o início, já sabemos que o personagem principal, Santiago Nassar,  vai morrer. E apesar, desse principal acontecimento do livro, ser conhecido já nas primeiras páginas, vamos sendo surpreendidos e fisgados pela trama traçada pelo autor em sua maneira singular de escrever. Imperdível a leitura!

 

    Abaixo segue o link do Canal  literário “Prosas e Algo Mais” que também recomenda a  obra:

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