Homenagem a la reina

Ela que desde os 12 anos compunha canções que nos ensinavam a superar as perdas e seguir em frente, nos deixou, na última semana, sem saber como nos acostumar com sua ausência. O blog não poderia deixar de homenagear a rainha da sofrência, Marília Mendonça, que cruzou as fronteiras do Brasil levando seu carisma e talento por onde passou. No link abaixo, você poderá curtir um vídeo curto dela cantando em espanhol a música “Yo no sé mañana”, do nicaraguense Luis Henrique.

Repare como sua voz é linda em qualquer idioma 🌹

Fonte: Youtube

Campeã das dancinhas

Se você usa as redes sociais, já percebeu que os vídeos curtos e as dancinhas são os que mais bombam no momento. Plataformas como o TikTok e o Reels do Instagram, fazem cada vez mais sucesso, especialmente entre os jovens.

O mercado da música está sendo diretamente impactado por este fenômeno: Atualmente, os grandes sucessos nas paradas e rankings do Spotify e YouTube tem ligação direta com o que está em alta no TikTok.

Antenada nas novas tendências, a dupla brasileira Simone e Simaria, fez um trabalho específico de divulgação nessas mídias ao lançar seu mais novo hit: “No llores más” em parceria com o colombiano Sebastián Yatra.  As cantoras investiram pesado nas redes sociais e o projeto gerou resultados. São milhares de vídeos circulando na internet com fãs fazendo a coreografia da música que já tem mais de 57 milhões de visualizações do clipe.

No Instagram da dupla, elas sempre postam a coreografia curta da música, ao lado dos mais variados artistas e de quebra desafiam os fãs a bailar com a hashtag: #naochoremaischallenge

As coleguinhas estão muito satisfeitas com essa nova empreitada. Esse é primeiro passo delas rumo à carreira internacional. “É muita benção na nossa vida. Além de termos batido um recorde com mais de dez milhões de views em apenas cinco dias, estamos alcançando destaque em vários outros países como México, Argentina, Chile e Espanha. Em Portugal, inclusive, chegamos ao primeiro lugar no Youtube. Estamos em êxtase”, completa Simone.

E você já aprendeu a coreografia de “No llores más? É simples e divertida, ideal para bailar e postar.

*Com informações de: Correio Braziliense e Metrópoles.

Madame latina

Uma das notícias que mais bombaram na internet nas últimas semanas está relacionada com a musa brasileira Anitta. A girl from Rio é a mais nova celebridade a entrar no hall do famoso museu de cera Madame Tussauds de Nova York, nos Estados Unidos. A cantora compartilhou imagens da sessão de fotos para fazer o molde digital da estátua na sexta-feira dia 13 de Agosto. Cerca de 20 profissionais irão trabalhar na confecção da peça que deve ficar pronta em seis meses.

A estátua de cera será feita em Londres, e levada para Nova York para ser exposta. A artista não escondeu a sua empolgação. “Estou tão honrada! Mal posso esperar para ter minha estátua de cera no Madame Tussauds de Nova York”, escreveu Anitta.

Para a criação da peça, a cantora precisou ser fotografada em vários ângulos, tirar medidas do corpo e até usar uma máquina que fazia seu reconhecimento facial em 3D. O look escolhido para a representação foi: uma calça jeans rasgada, uma calcinha cheia de glitter à mostra e uma camiseta com a frase ‘Garota do Rio’, nome em português de seu novo disco.

Imagem: Reprodução

O Madame Tussauds é um museu com estátuas de cera de pessoas famosas, com sede em Londres e filiais em várias partes do mundo.  Outros brasileiros possuem estátuas no museu, como Neymar, em Orlando e Alessandra Ambrósio, na filial de Nova York.

Estrela Internacional

O reconhecimento do museu Madame Tussauds é mais um capítulo da trajetória brilhante da artista brasileira em sua carreira internacional. Anitta começou a cruzar as fronteiras do Brasil cantando em espanhol, e hoje em dia se arrisca também no inglês, italiano e até em francês.

Com seu novo sucesso: Girl From Rio, Anitta entrou para o TOP 40 das rádios pop dos Estados Unidos, #27 posição. O remix da faixa,  com o rapper DaBaby ocupou a #28 colocação na Rhythmic Songs, tabela publicada semanalmente pela Billboard. Já em Portugal, a brasileira ficou em #17, no Airplay Charts. A cantora de Honório Gurgel também soma 1 milhão de ouvintes mensais na Pandora, plataforma de streaming norte-americana.

Mon Soleil, a colaboração de Anitta com o francês Dadju, chegou à #21 posição no ranking do iTunes, em Belize. Na França, a faixa ficou em #23 na Apple Music, e #38 no Spotify. A música ainda estampou a colocação #44, no TOP 50 da Bélgica. O clipe do feat também soma mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.

Un Altro Ballo, a segunda parceria de Anitta com o rapper italiano Fred de Palma, também colocou a brasileira entre os 50 artistas mais ouvidos nos streamings da Itália. A canção ficou em #7, na Apple Music, em #19, no iTunes, e #31 no Spotify. Lançada no último dia 30 de junho, o clipe do hit está próximo dos 5 milhões de views.

Lançada em maio, Todo o Nada, do cantor de reggaeton porto-riquenho Lunay com Anitta, figurou no TOP 50 do Spotify de cinco países: Chile (#32), Uruguai (#35), Paraguai (#37), Bolívia (#43) e Equador (#47). A canção ainda não tem clipe, mas o lyric vídeo divulgado por Lunay conta com mais de 8 milhões de acessos no Youtube.

A moça nasceu pra voar alto não é mesmo? 🎤

*Com informações de Metrópoles

Negro amor

Ao navegar, sem muitas pretensões pelo mar aleatório do Youtube vejo um dueto que me chama instantaneamente a atenção: a diva da MPB brasileira Gal Costa e o ganhador do Oscar, Jorge Drexler. Nesse clipe, os dois fazem uma nova versão de “Negro Amor”, cada um de sua casa, devido a esse momento ainda pandêmico.

♪ Em 1977, ao gravar o então inédito folk Negro amor, Gal Costa uniu os traços modernistas das obras de Caetano Veloso e Bob Dylan em registro agudo, pautado pela intensidade. Uma das melhores faixas de Caras & bocas, álbum de ambiência roqueira lançado pela cantora naquele ano de 1977, Negro amor é versão em português It’s all over now, baby blue, música da inicial fase folk do cancioneiro de Dylan.

Gravada em janeiro de 1965 e lançada em março daquele ano no quinto álbum de estúdio do cantor e compositor norte-americano, Bring it all back homeIt’s all over now, baby blue flagra o bardo contestador ainda em ambiência acústica, mas já à beira da transição da obra para o universo eletrificado do rock.

Na versão brasileira intitulada Negro amor, escrita por Caetano Veloso com Péricles Cavalcanti em português que mantém a alta carga poética da letra original de Dylan, a música incorpora referências brasileiras, aludindo à química da música de Jorge Ben Jor ao anunciar que “os alquimistas estão no corredor”.

Decorridos 43 anos do emblemático registro original de Negro amor, Gal (ar)risca “outra vida, outra luz, outra cor” para a versão brasileira do folk de Dylan em gravação feita com a voz e o violão de Jorge Drexler, cantor, compositor e músico uruguaio residente em Madrid, na Espanha.

A gravação faz parte do álbum “Nenhuma Dor” em que, sob a direção artística de Marcus Preto, Gal comemora seus 75 anos de vida revisitando músicas do próprio repertório ao lado de elenco masculino que, além de Drexler e Rubel, inclui António Zambujo, Criolo, Rodrigo Amarante (em Avarandado), Seu Jorge (em Juventude transviada), Silva, Tim Bernardes, Zé Ibarra (em Meu bem, meu mal) e Zeca Veloso (em Nenhuma dor).

Em tese, qualquer nova abordagem de Negro amor por Gal é arriscada pela improbabilidade da cantora reeditar o tom visceral da gravação original de 1977. Surpreendendo, a artista dribla bem o risco. A voz de Gal soa com viço  – e se harmoniza com o fluente canto em português de Drexler.

A disposição dos violinos, violas e violoncelos – produzem uma espécie de fricção que potencializa o significado dos versos cantados de forma alternada por Gal e Drexler em gravação que culmina com o verso em espanhol “Y no queda más nada, negro amor”.

*Com informações do Portal G1

O meteoro “La Bamba”

Existem músicas que parecem ser feitas para serem eternas. “La Bamba“ seguramente é uma delas. A melodia do folclore mexicano conquistou o mundo através da performance de vários artistas.

Sem uma gravação específica, a canção já era extremamente popular em seu país natal, mais especificamente no estado de Veracruz. As versões originais combinavam elementos da música espanhola, indígena e africana e sequer tinham uma letra definida.

Com o passar do tempo, a divertida faixa passou a ser gravada por diversos artistas que ajudaram a impulsionar seu reconhecimento. As diferentes versões incluem os toques pessoais de nomes como Trini Lopez, Harry Belafonte, Los Lobos, entre outros…

A versão que vou destacar neste post é a de um jovem roqueiro californiano, de ascendência latina. O ano é 1958 e o rock, com grande base em elementos do blues, ganhava popularidade enquanto um gênero de música juvenil. Um dos pioneiros neste movimento foi o cantor norte-americano Ritchie Valens.

Valens, orgulhoso de suas raízes mexicanas, adaptou “La Bamba” para a estética dançante do rock n’ roll. Esta foi a primeira versão a sair do folclore mexicano para conquistar o mundo comercialmente. Não à toa, a canção permanece viva no imaginário musical não apenas do México, mas como de todo o mundo.

Se você tem acesso à Netflix, ou ao Youtube, pode conferir a cinebiografia desse grande astro da música. O emocionante e trágico enredo do filme “La Bamba” (1987) narra a história de vida do garoto Ritchie, que embora muito jovem, chamou atenção pelo enorme talento musical e pela voz marcante.

Com somente 16 anos, ele começou sua primeira banda, a The Silhouettes. O grupo fazia pequenas apresentações locais em algumas cidades próximas na Califórnia. Uma delas chamou a atenção do produtor Bob Keane, que presidia uma gravadora na época. Com sua ajuda, Ritchie acabou se tornando um sucesso com suas composições que misturavam rock e música latina. Em 1958, seu primeiro single “Come On, Let’s Go” se tornou um pequeno sucesso. Entretanto, foram as músicas seguintes que renderam grande fama ao cantor: a dançante “La Bamba” e a belíssima “Donna”, uma homenagem a sua namorada do colégio, Donna Ludwig.

O cantor morreu com apenas 17 anos, cerca de 8 meses após ter alcançado a fama, em um acidente de avião que também vitimou os músicos Buddy Holly  e J.P. Richardson. Posteriormente, a tragédia ficou conhecida como “o dia em que a música morreu” na canção “American Pie”, do cantor Don McLean.

Richard Steven Valenzuela nasceu em maio de 1941 em Pacoima, uma pequena cidade da Califórnia, próxima a Los Angeles. Filho de operários mexicanos, ele desenvolveu o gosto pela música desde pequeno, aprendendo a tocar uma série de instrumentos.

Após a fatalidade que tirou a vida jovem astro, a música “La Bamba” continuou sua trajetória e até hoje se mantém como essencial para a cultura da América Latina. “La Bamba” é descrita, por representantes da Biblioteca do Congresso dos E.U.A., como “culturalmente, historicamente e esteticamente relevante”.

Em 2004, a revista Rolling Stone  lançou uma edição especial em que elenca as 500 Melhores Músicas de Todos os Tempos. A lista conta com a versão de “La Bamba” de Ritchie Valens, que, por sinal, é a única música cantada em um idioma sem ser o inglês. A canção ocupa a 354ª colocação na lista, à frente de sucessos de artistas como Elton John, 2Pac e de nomes da época como Elvis Presley e Muddy Waters.

Ritchie Valens teve uma carreira meteórica que deixa marcas até hoje. Se você é fã de música boa, não deixe de conferir essa comovente e incrível trajetória 🎼

* Com informações dos sites: “Tenho mais discos que amigos” e “Globo.com”

Clandestino

Aconteceu num dos momentos culminantes da sua carreira, depois de concluir a etapa do Mano Negra e logo antes de publicar seu primeiro disco solo, Clandestino. Era julho de 1998 e Manu Chao havia embarcado num projeto chamado La Feria de las Mentiras, um festival que reunia malabaristas, DJs, shows, teatro… Um projeto ambicioso que precisou de meses de preparação e uma zelosa tarefa de contabilidade para que não fosse deficitário. Optou-se por desenvolvê-lo em Santiago de Compostela no Mercado de Gado de Salgueiriños. Milhares de pessoas tinham comprado o ingresso por 5.000 pesetas (30 euros, 172 reais pelo câmbio atual). O recinto estava cercado, e uma empresa de segurança foi contratada para controlar os acessos. Mas alguns encontraram um lugar pouco vigiado. Alguns minutos depois do começo do show, Manu Chao estava lá, ajudando um grupo de penetras. O chefe boicotando a si mesmo. Empurrava uma das cercas e estimulava fãs a entrarem mesmo sem terem passado pela bilheteria. “Venham, venham, rápido, passem.” Os espectadores furtivos nem reconheceram o cantor, com a cabeça encapuzada. Passaram-se mais de duas décadas daquilo, e desde então Manu Chao só acentuou este espírito indômito, temerário e contraditório.

Nos últimos tempos, fez algo que andava evitando neste século: equiparar-se a astros como Alejandro Sanz ou Bon Jovi. Como: publicando um vídeo com canções para aliviar o confinamento das pessoas. Com esta ação generosa, o cantor recordou ao público maciço que continua aí, que não está desaparecido. Embora, na verdade, sempre tenha estado ativo, mas esquivando o sistema.

Manu Chao não tem gravadora; não faz turnês como as dos artistas de sua categoria; tem ofertas para tocar nos melhores festivais do mundo, mas não quer; não se interessa por entrevistas; não lança discos; não aparece para receber prêmios; não usa celular.

Tudo isso não o impede de estar fazendo coisas o tempo todo. Você pode encontrá-lo atuando num bar de bairro, sem avisar, ou camuflado com outro nome. Ou escutar suas novas canções em seu site. O artista foi apanhado pela mano negra do coronavírus  enquanto fazia uma turnê pela Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Filipinas… Salas pequenas e em formato acústico de trio. Quando a coisa ficou feia, conseguiu chegar ao seu apartamento de Barcelona, de onde está gravando canções que publica em suas redes sociais com o nome de Coronarictus Smily Killer Sessions. Algumas são versões de canções dele (Otro Mundo), de outros, como Kiko Veneno (Echo de Menos), ou temas que aparentemente são novos (Mi Libertad).

Certamente não existe um músico nos últimos anos como ele, capaz de dar as costas ao sistema quando poderia tirar tantas coisas dele. Chao foi um campeão de vendas em nível mundial no final dos anos noventa, com discos como Clandestino (1998) e Próxima EstaciónEsperanza (2001), que juntos despacharam quatro milhões de cópias. Chao lapidou aquela música bastarda de seu ex-grupo Mano Negra, acelerada e desordeira, e propôs algo mais pausado, melancólico. Reggae, rumba, ritmos latinos… para um disco, Clandestino, canônico no que se chamou de mestiçagem. Crucial a parte da mensagem, resumida em duas ideias que repetiu naqueles anos: “Tudo é mentira” e “Vivemos a ditadura da economia”.

“São canções simples, mas há muita verdade e sinceridade. Manu utiliza as palavras adequadas. Tudo parece fácil, mas tem uma grande complexidade”, observa a cantora Amparo Sánchez, cujo projeto musical mais conhecido é o Amparanoia. Sánchez colabora com Chao há mais de 25 anos. “É um artista crucial para entender o devir do rock na América Latina durante os anos oitenta e noventa. Também é um entroncamento entre a música europeia e africana. Sua marca é crucial e indiscutível”, afirma o jornalista Bruno Galindo, que compartilhou com Chao uma longa viagem pelo Brasil.

Mas Manu Chao viu as longas garras da fama chegarem perto demais e fugiu. As encontrou, olhou-as de frente e lhes disse: “Não me quero sentir como um boneco numa tempestade”. A troco de quê? “Em um sentido mais amplo, a troco de liberdade”, afirma Kike Babas, autor, com Kike Turrón, do recente Manu Chao. Ilegal. Perseguiendo el Clandestino (Bao Bilbao Ediciones). “A missão de Manu é viver a vida, viajar, não cair na rotina. Um de seus exemplos é Bob Marley. Acredito que Mano vive e sente a vida como Marley”, afirma Turrón.

Amparo Sánchez recorda como começou sua relação com Chao. “Era 1995 e eu acabava de chegar a Madri. Tinha 25 anos. Costumava ir pela rua Madera [no centro] para ensaiar carregando meu violão e o tripé do microfone. E sempre cruzava com um sujeito pequeno que me cumprimentava. Eu era fã do Mano Negra, mas não reconhecia Manu quando me dizia ‘olá’. Um dia decidimos tomar uma cerveja em um bar da praça Dos de Mayo. Falamos por três horas. Contou-me suas viagens pela América Latina, as causas sociais que lhe pareciam interessantes… Mas eu continuava sem localizá-lo e ele não disse nada. Ao ir embora me comentou que tinha um grupo e que ensaiavam num porão próximo, que passasse por lá um dia. E passei. Abriu ele mesmo a porta e percebi que era o Mano Negra.”

Nascido em Paris de pai galego (Ramón) e mãe basca (Felisa), Manu Chao não se interessava muito pelos livros que enchiam a sala da sua casa de classe média. Preferia a rua. Ramón Chao (Lugo, 1935 – Barcelona, 2018), seu pai, era um jornalista e escritor que trabalhava para veículos como o Le Monde e recebia prêmios literários. Os dois filhos do casal, Antonie (nascido em 1964) e José Manuel, o Manu (em 1961), começam de adolescentes a tocar rock. Manu forma bandas como Hot Pants e Los Carayos… e o Mano Negra, junto com seu irmão, que começou em 1987 com sua mistura de punk, ska e ritmos latinos e se manteve num caminho ascendente em popularidade até sua dissolução em 1997.

A ruptura do Mano Negra, que acabou em julgamento, destroçou Chao. “Foi uma etapa de grande desânimo. Inclusive ele cogita deixar a música. O final do grupo lhe causou muito desgaste e a isto se uniu uma separação sentimental. Deprime-se. Pensa em virar trabalhador social na África ou em seguir os passos do seu pai e virar jornalista”, afirma o escritor Kike Babas.

Chao opta por uma viagem terapêutica pela América Latina que lhe salvaria tanto emocional como criativamente. Conhece sua namorada no Brasil e se nutre dos ritmos latinos. Toda esta melancolia latina será o arcabouço de Clandestino, que grava ao regressar à Espanha. “O sucesso de Clandestino nos pegou de surpresa. Não o esperávamos na gravadora, e acho que Manu tampouco. Ele sempre foi muito honesto, um músico que se nutre do bairro, que prefere tocar com músicos desconhecidos que conhece num bar a tocar com grandes nomes”, conta Javier Liñán, a pessoa de confiança do franco-espanhol em sua etapa na multinacional Virgin. O disco vendeu milhões de cópias. Música em espanhol acotovelando-se com os que triunfavam naquela época: Britney Spears, NSYNC, Eminem, Limp Bizkit…

Sagrario Luna conhece Manu Chao desde que formou o Hot Pants, no final dos anos oitenta. “Lembro que naquela época só falava de Chuck Berry e Camarón e usava um pequeno topete”, comenta. Depois trabalhou com ele em turnês e na Virgin. “Era trabalhar com um colega”, observa. “Durante muito tempo, ser Manu Chao pesou muito para Manu Chao. Depois do sucesso de Clandestino, todo mundo lhe pedia opinião sobre tudo, e acho que isso lhe gerou muita frustração”, diz Luna. E acrescenta: “Sempre me pareceu um sujeito de verdade. Tem nuances, como todos, mas nunca foi falso. Por outro lado, o achava bastante solitário, com poucos amigos, dos quais, isso sim, cuidava muito”. O discurso de Chao naquela época tem tintas de visionário. Alerta sobre o populismo xenófobo, o integralismo religioso, a morte do formato físico na música. E cria um movimento ao redor dele. Assim o definiu Fermín Muguruza, músico que também colaborou com o artista: “Formou-se uma rede internacional do rock em que estavam todos remando para conseguir um mundo melhor”.

Apesar de ter conquistado fama mundial, Mano é avesso aos holofotes

Para entender a posição fora de foco atual do músico, é preciso revisar dois episódios de sua vida, decepções que tiraram a pouca fé que ele tinha no establishment. Uma delas é com Iggy Pop, um músico a quem Chao admirava… até que o Mano Negra abriu um show do líder dos Stooges. Assim contou ele certa vez à revista Tentaciones, do EL PAÍS: “Com Iggy Pop aprendemos a dura lei de show-business. Boicotaram o nosso som, proibiram o pessoal do catering de nos dar de comer, às vezes até nos proibiram de tocar. E, no final, o numerozinho. Quando alguém da segurança – às vezes o próprio filho do Iggy, que trabalhava na turnê – empurrava alguém que tentava subir ao palco, Iggy dizia: Ei, você, seu filho de puta, não toque no meu público!’. E toda a plateia pensando: Que cara mais maneiro é o Iggy”.

E o segundo episódio tem a ver com seu compromisso social. Em julho de 2001 o cantor vai a Gênova (Itália) para protestar, com muitos milhares mais, durante a reunião dos países mais poderosos, o G-8. O anfitrião é Silvio Berlusconi, à época primeiro-ministro italiano. Chao atua e no dia seguinte participa, esmurrando um tambor, de uma grande manifestação contra a política do G-8. E vai embora para a França. No dia seguinte, o caos. Um grupo de manifestantes violentos entra em ação, e a polícia italiana revida com força. As imagens corem o mundo, com manifestantes pacifistas envoltos num furacão de violência. Chao vê tudo pela televisão da sua casa, em Paris, e fica horrorizado.

Muitos o reclamam como o líder antiglobalização que as ruas necessitam. Ele primeiro fala. “Esse movimento não necessita de líderes, se houver líderes é nefasto para o movimento. Essa etiqueta do líder do movimento eu rejeito”, afirma numa entrevista coletiva em Valência, antes de um show, em setembro de 2001. E, nos anos seguintes, reluta a todo custo em aparecer no noticiário. Procura batalhas antimidiáticas, lutas de pequenas comunidades. Como as reivindicações salariais das trabalhadoras do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) de Barcelona; em Mendoza (Argentina), para apoiar que não se permita o fracking e a mineração em grande escala; incentivando as chamadas kellys (camareiras de hotéis); em defesa do povo mapuche; ao lado dos migrantes; contra a multinacional Monsanto… Aparece sempre com seu violãozinho, vestido com suas eternas calças corsário e com seu perene sorriso desenhado no rosto. Chao escuta, canta e apoia economicamente. Não sai na imprensa, poucos ficam sabendo.

“Manu se dói pelo mundo. E se acalma indo aos lugares e apoiando causas pequenas que considere justas. Em seus shows grandes, sempre deixa um lugar para que estes coletivos se expressem. Em um momento dado do show, para e sobem ao palco para se expressarem, como ocorreu em 2016 na Plaza Mayor de Madri”, diz Kike Babas, que foi o contato entre o artista e a equipe de Manuela Carmena, então prefeita da capital, para celebrar o recital. “Quis estar em Madri porque depois de muitos anos na capital se respiravam outros ares. Mas deixou muito claro que não queria que o vinculassem nem com algum partido político nem com o [movimento de indignação popular] do 15-M”, diz Babas.

Quem compartilha vivências com ele salienta seu caráter austero: “Quando você se senta para comer com ele, não há dois pratos e sobremesa. Você só belisca”; “o lugar mais incômodo onde já dormi na minha vida foi com o Manu: em um povoado do Brasil, numa espécie de armário; “compra roupas em lojas de segunda mão”… Amparo Sánchez conta uma história curiosa a respeito: “Manu já era uma estrela, mas recordo que quando marcávamos de nos encontrar ficávamos sentados na porta de um prédio, com cigarros e uma cerveja, e ali passávamos as horas falando”. O artista pode se permitir esta vida errante e livre de grilhões (familiares, profissionais…) porque sua conta corrente é generosa. “As vendas de seus dois primeiros discos solo e os direitos autorais são suficientes para que ele e sua descendência vivam de forma bastante folgada”, diz uma fonte. A julgar pelas canções que publica em seu site, não se vislumbra uma evolução musical. “Não acredito que precise nem que a busque. Interessa-se pela cultura popular, pelo bairro, pelo músico que trabalha na rua”, aponta Liñán.

Sua casa em Barcelona tem 80 metros quadrados e é uma espécie de oficina de trabalho, com um computador, lembranças dos lugares por onde viaja e, num canto, um catre “que não parece muito cômodo”. Passa ao menos uma vez ao ano pelo Brasil, onde vive, no Ceará, seu único filho, Kira, que já tem mais de 20 anos.

Neste ano, Manu Chao completa 60 anos. Manteve-se sempre afastado das drogas duras: preferiu fumar maconha e beber licores depois da refeição, mas de forma comedida. Conserva-se juvenil. É pequeno, magro e fibroso. Corre, joga futebol e se mexe, sempre se mexe. Sua última canção confinada se chama Mi Libertad. Diz assim: “Minha liberdade, minha companheira, minha liberdade, minha solidão”.

Fonte: El PAÍS

Resistiré

A música tem um poder terapêutico e funciona, muitas vezes, como um calmante, para espantar os males da vida. Em época de pandemia, preservar a saúde mental tem sido um grande desafio e nos países hispânicos uma canção antiga, lá do final dos anos 80 voltou às paradas para animar as pessoas a enfrentarem os horrores provocados pelo novo coronavírus. “Resistiré” é o nome da canção que revigorou os ânimos desde a Espanha até vários países latino-americanos.

“Cuando me amenace la locura / cuando en mi moneda salga cruz / cuando el diablo pase factura / si alguna vez me faltas tu” este é um pedacinho da canção do dupla Duo Dinámico. Para acompanhar a melodia por inteiro e também fortalecer os ânimos, click no link abaixo e confira uma das versões da obra:

Fonte: elmundo.es

Resgatando as origens

Beleza, charme, gingado, talento e carisma são atributos que nunca faltaram pra musa Jennifer Lopez. A diva latina não se destaca apenas por ser um ícone da música, do cinema e da moda, mas por ter superado todos os tipos de obstáculos como defensora das próprias raízes e dos direitos das mulheres.

Em 2015, a ONU nomeou Jennifer Lopez como a primeira mulher porta-voz e defensora das meninas e das mulheres, com a meta de lutar contra a violência sexual e ajudar as grávidas e mães jovens com necessidades econômicas, entre outras atribuições.

Nascida em 24 de julho de 1969, em uma família de origem porto-riquenha no bairro do Bronx, em Nova York, Jennifer sempre sonhou em ser artista, tanto que começou a fazer aulas de dança e canto aos cinco anos. Ferrenha defensora das raízes latinas, J-Lo sempre expôs suas origens nos projetos sociais nos quais está envolvida, tendo também se posicionado contra a política de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump.

Em 2016 Jennifer se aventurou cantando em português, com ninguém menos que o rei Roberto Carlos.

Os maiores hits de sua carreira como “On the floor”, “If you had my love” “Love don´t cost a thing”, entre outros, são em inglês, mas J-Lo frequentemente retoma suas origens latinas cantando em espanhol. Em 2007 ela lançou “Como ama una mujer” um álbum inteiro em castelhano.

Essa canção faz parte do álbum “Como ama una mujer” lançado em 2007.

“O espanhol é uma língua mais descritiva e soa melhor, é uma língua romântica”, disse em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo. Embora seja filha de porto-riquenhos, a estrela aprendeu espanhol há pouco tempo; E a atriz e cantora continua a receber aulas particulares do idioma. A própria artista comentou que é importante para ela aprender a língua para se conectar com seus milhões de fãs, e por isso considera que os filhos, Max e Emme, também devem saber falar fluentemente o espanhol.

O single “El anillo”, lançado em 2018, tem a batida do funk carioca.

Fontes: Portais – Terra e Uol.

Nos embalos da zumba

Neste ano de 2020, tivemos que mudar radicalmente nossos hábitos devido à pandemia do coronavírus. Ficar dentro de casa, em tempo integral, não é uma tarefa fácil e pode causar danos à saúde física e mental. Especialistas recomendam tentar manter uma rotina durante o isolamento, pra que não haja tantos efeitos colaterais. Uma das recomendações é tentar se exercitar dentro das nossas residências, e nesse quesito a zumba pode ser uma importante aliada.

A zumba é um exercício dançante criado na Colômbia há alguns anos, que rapidamente conquistou o público a partir de 2001, tornando-se uma das atividades favoritas do público europeu.

No modelo padrão, uma aula de zumba dura de 45 minutos a 1 hora. Um professor ultra-dinâmico lhe oferece sequências curtas de dança, acompanhadas de músicas inspiradas nas danças latinas como salsa, merengue, samba, mambo e por aí vai. O rebolado é a base da dança latina, e, portanto, da zumba. Os outros movimentos principais são saltos e giros. Para encerrar, as aulas sempre terminam com alguns minutos de alongamento.

Benefícios da zumba

  • Queima de 500 a 1000 calorias em uma aula, dependendo da intensidade do treino.
  • Por ser uma prática bem alegre, divertida, beneficia a autoestima dos seus praticantes e ainda interação com os outros alunos, tornando-se uma aula bem social.
  • Beneficia a coordenação motora, deixando os reflexos mais rápidos e melhora o equilíbrio. Isso tudo devido aos movimentos da zumba que mistura movimentos rápidos e lentos, variando a velocidade.
  • Melhora também o sistema cardiovascular, devido aos movimentos de respiração que ocorrem durante os exercícios e ajudam a saúde do coração.
  • A zumba trabalha muito os músculos inferiores (músculo da coxa, glúteo e músculo posterior da coxa e panturrilha). O que faz com que haja o fortalecimento dos mesmos, deixando sua perna e bumbum durinhos. Os músculos do CORE (abdômen, cintura e quadril) também são muito usados.
  • A atividade é ótima para a memória, pois os passos ensinados pelo professor devem ser lembrados para as próximas vezes.
  • A modalidade faz com que você se sinta em uma festa. A coreografia é fácil de aprender, uma vantagem para que o aluno não se sinta intimidado por não saber dançar.

São muitos benefícios não é verdade? Se você se interessou pela zumba recomendo que siga o canal no Youtube do professor cubano Lessier Herrera. Ele sempre posta novos vídeos com ótimas coreografias e o melhor: a maioria das músicas selecionadas está em espanhol. 😀

Fonte: Site Guia da semana

Superando o medo do inimigo invisível

O coronavírus atingiu um dos cantores latinos mais queridos em todo o mundo: o uruguaio Jorge Drexler, que vive atualmente em Madrid. Mas, felizmente ele está recuperado e já pode fazer uma das suas atividades preferidas: tocar violão. A esposa do artista também testou positivo para a Covid-19 e se recuperou bem.

Em entrevista ao Jornal o Globo, o músico, de 55 anos, conta que a primeira a ser contaminada foi sua esposa, a atriz e cantora espanhola Leonor Watling.  Ela esteve em uma premiação de cinema de onde muita gente saiu doente. Dias depois, foi ele quem começou a sentir-se mal. Evitou ir ao hospital para não sobrecarregar o sistema de saúde, já que o exame clínico é recomendado apenas para os casos mais graves. Ligou para um médico e, ao narrar o que sentia, teve um diagnóstico positivo para o vírus.

Jorge Drexler e sua esposa contraíram a Covid-19.

O corpo todo dói muito, é uma tosse esquisita. Senti a fragilidade humana no meu corpo. O mais estranho foi perder olfato e paladar. Também senti um peso no peito e tive muito medo, um medo que eu não experimentava há muito tempo. Mas essa não deve ser nossa força motriz. O medo é um mau conselheiro, porque parte da população que deveria se cuidar em casa satura as emergências públicas — alerta o compositor, que também é médico (especializado em otorrinolaringologia) e trabalhou durante cinco anos em emergências hospitalares.

A experiência rendeu muitas amizades na área. E é por meio de um chat com esses amigos médicos que ele recebe, diariamente, notícias do front do combate ao coronavírus no Uruguai. No entanto, desde que se curou da doença, tem se dedicado mesmo aos assuntos escolares dos filhos pequenos, de 8 e 11 anos.

Mudança radical na rotina

A proximidade entre pais e filhos é um efeito positivo desse momento. Tem sido lindo. Mas é cansativo. Tem o homeschooling, e sou um pouco impaciente. É um aprendizado — conta ele, enquanto a filha aparece na tela para dar um oi. — É um momento de celebração da vida familiar e me sinto feliz estando em casa. O que é surpreendente porque sou muito social. Normalmente, quase toda noite, estou em botecos ou cozinhando para amigos.

Em seu Instagram o cantor alertou a seus seguidores, especialmente aos da América Latina,  sobre a importância da conscientização de todos nesse momento tão delicado: “Queridos amigos, vocês tem uma oportunidade única de não cometer os mesmos erros que cometemos na Espanha e na Itália. Deem um exemplo ao mundo: Fiquem em casa. Evitemos o pico de contágio massivo. É a única forma de não saturar os sistemas de saúde e permitir que os casos graves se salvem” – escreveu em postagem na rede social.

Antes de adoecer, Jorge havia composto a canção Codo a Codo (Cotovelo com Cotovelo)  que deixa uma mensagem de alento para que possamos superar essa fase tão difícil:  “Já voltarão os abraços os beijos, dados com calma. Caso encontre um amigo, cumprimente-o com a alma.  Sorria, mande um beijo. Desde longe, seja próximo, não se toca o coração somente com a mão”, diz um trecho da canção…

Fonte: Jornal O Globo e Portal Uol

Blog no WordPress.com.

Acima ↑