Forte, apesar dos escândalos

Se a economia brasileira segue em desacelaração há alguns anos, a do nosso vizinho Peru, segue numa crescente já há duas décadas. Apesar de também ter sido envolvido em recentes escândalos da corrupção na política, o país andindo conseguiu manter sua estabilidade econômica.

Em um cenário bem diferente do visto no Brasil, as acusações de corrupção oriundas da operação Lava Jato no Peru não parecem ter afetado de forma contundente a economia do país – uma das que mais crescem na América Latina.

Desdobramentos da investigação em território peruano tiveram um momento marcante com o suicídio do ex-presidente Alan García,  em abril deste ano, quando a polícia tentava prendê-lo. Ele era acusado de receber propina da empreiteira Odebrecht durante seu segundo mandato, entre 2006 e 2011 – o que García negava.

No entanto, mesmo com as complicações políticas trazidas pela Lava Jato desde o início de 2017, quando ela se expandiu para países vizinhos – e que levaram a acusações de corrupção contra quatro ex-presidentes – , no ano passado, a economia do país cresceu 4%, segundo o Banco Central local. Para 2019, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma expansão de 3,9%, ficando atrás – na América Latina – só da Bolívia, seu vizinho, com crescimento estimado de 4%.

Já a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) prevê um crescimento de 3,6% neste ano. De qualquer forma, o índice é muito acima do 1,3% previsto para a região e do tímido 1,8% estimado para o Brasil.

Os números mostram que a economia peruana não saiu dos trilhos, mesmo com ramificações locais dos escândalos envolvendo obras públicas, campanhas políticas e propinas que ocorreram no Brasil.

Além de Alan García (1949-2019), que governou o país duas vezes (1985-1990) e (2006-2011), os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) respondem judicialmente a processos decorrentes das investigações da Lava Jato. Uma das principais líderes da oposição, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, também foi acusada de receber irregularmente dinheiro da Odebrecht para suas campanhas políticas.

Nesse cenário conturbado, no ano passado a economia peruana completou vinte anos consecutivos de crescimento e estabilidade, como observaram analistas e fontes do governo ouvidos pela BBC News Brasil. Ou seja, a queda do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que foi substituído, no ano passado, pelo seu vice, Martín Vizcarra, também não teve impacto significativo sobre a saúde da economia.

Entrevistados apontaram como uma das razões para a trajetória de crescimento o fato de que Toledo, García, Humala e Kuczynski terem mantido os principais pilares econômicos do país: abertura do mercado, ambiente de previsibilidade para investimentos estrangeiros, livre comércio, inflação e gastos baixos.

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Outra chave para a estabilidade estaria no comércio exterior.

País com cerca de 32 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 211 bilhões, segundo dados oficiais, o Peru diversificou sua lista de exportações nos últimos anos.

Além do seu histórico setor da mineração, passou a exportar ouro, incrementado por empresas chinesas instaladas em seu território, e produtos do ramo agroindustrial – o Peru é hoje um dos maiores exportadores mundiais de abacate, aspargos e uvas.

“Há quem diga que o problema é que estamos dependentes demais do mercado asiático, para onde são enviadas 47% das exportações do país. Sendo que somente cerca de 30% deste total vão para a China. Mas também é verdade que nestes vinte anos, passamos a exportar para outros mercados como o europeu, por exemplo. A economia peruana ganhou diversidade nesses anos de estabilidade”, explicou o economista Carlos Aquino, da Universidade de San Marcos, de Lima.

Segundo ele, ao contrário da Venezuela, que depende do petróleo, e do México, que se apoia nos EUA para suas exportações, a economia peruana diversificou sua produção e mercados.

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Outro setor que cresceu bastante no país foi o do turismo. Imagem  Reprodução Internet

Infraestrutura

Mas Aquino acredita que houve impacto, sim, da Lava Jato sobre os rumos da economia do país.”Se não fosse a Lava Jato, poderíamos estar crescendo em torno de 6% e não 4%”, disse. Ele observou que o setor de obras públicas não está entre as principais atividades do país, mas que não deixa de ser um motor para o crescimento.

“O setor de obras públicas não chega sequer a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) peruano e este é um dos motivos para que a economia continue crescendo, mesmo que menos do que poderia alcançar se não fosse (a Lava Jato).”

Uma fonte do governo observou que as obras afetadas pela operação seriam fundamentais para melhorar a fraca infraestrutura do país. “Com mais estradas e portos, o país poderia ampliar suas exportações”, observou. O analista político Alfredo Torres, diretor do instituto IPSOS de Peru, no entanto, disse à BBC News Brasil acreditar que “foram feitas obras que não eram prioridade”.

“Foram gerados empregos, mas em estradas pouco usadas, por exemplo. Agora, com as investigações, algumas obras foram paralisadas e o processo de licitações ficou mais complexo, o que estancou o investimento público e as associações público-privadas na área de infraestrutura.”

Para ele, “naturalmente” este freio tem consequências econômica e social. Ele explica: “um ponto a menos no Produto Interno Bruto (PIB), como resultado deste freio nas obras públicas, significa menos emprego e menor arrecadação fiscal para programas sociais, por exemplo”.

Informalidade

Apesar do crescimento estável, o Peru enfrenta problemas profundos, que vão além da falta de infraestrutura, como altos índices de pobreza e de informalidade, mesmo num ambiente propício para investimentos e taxas baixas de inflação e de juros.

Em 2004, o índice de pobreza era de 58,7% no país, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI). No ano passado, 2018, este índice era de 21,7% – muito mais baixo que em 2004, porém acima dos 20,7% de 2016, o que gerou preocupação em setores públicos do país.

Outro desafio permanente para os peruanos é o mercado de trabalho informal. Em 2004, a informalidade chegava a 80%. No ano passado, estava em 65%, ainda de acordo com dados oficiais.

“A informalidade vinha caindo todos os anos desde 2004. A má notícia é que parou de cair em 2018”, disse ao jornal El Comercio, de Lima, o economista Elmer Cuba, da consultoria Macroconsult. A economia local conta com inflação baixa (cerca de 2% anual) e o câmbio tem histórico recente de pouca variação.

Obras da Odebrecht no Peru

Entre as obras da Odebrecht citadas em casos de corrupção no Peru está a rodovia Interoceânica Sul, que liga o país ao Brasil e foi concluída em 2010. O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, revelou ter pago propinas para conseguir os contratos do projeto durante o governo do ex-presidente Toledo, segundo a imprensa peruana. Toledo mora nos Estados Unidos e, em maio do ano passado, o Peru apresentou aos EUA um pedido de extradição do ex-presidente.

Além da Interoceânica e do metrô de Lima, cujas acusações envolviam o ex-presidente Alan García, a Odebrecht tem “em torno de vinte obras públicas em todo o país”, segundo fontes do governo peruano. A lista inclui o gasoduto de Casemira e o porto petroquímico, cujas obras ficaram congelados depois do início das investigações contra a empresa.

Procurada, a Odebrecht não respondeu aos contatos da reportagem para esclarecer que obras possui no país e quais estariam paralisadas ou foram modificadas após as investigações.

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A Odebrecht tem em torno de vinte obras públicas em todo o país, segundo fontes do governo peruano. Imagem Reprodução Internet

Fontes do governo disseram à BBC News Brasil que a empresa “vem colocando freio” nos seus investimentos no Peru desde que as autoridades passaram a investigar o chamado “Clube da Construção”, como ficou conhecido um cartel que envolveria a empreiteira brasileira e representantes locais do setor de obras públicas.

A Odebrecht admitiu ter pago US$ 29 milhões de propina no Peru, entre 2005 e 2014, em troca da obtenção de contratos. Em fevereiro deste ano, a empreiteira assinou um acordo de colaboração com os promotores da Lava Jato no país, no qual se comprometeu a fornecer informações e pagar uma indenização de cerca de US$ 230 milhões.

Para o analista político Alfredo Torres, “é uma novidade” o fato de a Justiça não ter recebido “interferência” dos setores políticos.

Já no Brasil, é díficil dizer o mesmo…

Fonte: Site BBC Brasil

 

Nunca Más

No último domingo dia 24, Boca e River deixaram a rivalidade de lado, assim como os demais clubes da Argentina, para se unir em uma causa única: relembrar e protestar contra a ditadura que assolou o país há algumas décadas atrás. No dia 24 de Março de 1976, o general Jorge Rafael Videla derrubou a presidente Isabelita Perón em um golpe de estado e iniciou o brutal regime que fez um número muito alto de vítimas, entre mortos e desaparecidos. Desde 2003, o dia foi instituído pelo parlamento argentino como Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça.

As manifestações dos clubes de futebol ocorreram por todo o país e também pela internet: a hastag #NuncaMás se tornou uma das mais comentadas do dia.

Boca

Embora o tempo de vigência da Ditadura na Argentina (1976 – 1983) não tenha sido muito longo, comparado a de outros países como a do Brasil, por exemplo, que durou 21 anos, os efeitos para o país foram desastrosos, devido às inúmeras atrocidades cometidas pelos governantes autoritários. O mundo vivia o período conhecido como Guerra Fria, devido a essa conjuntura, inúmeros governos da extrema direita assumiram o comando de seus países,  prometendo combater o fantasma do comunismo.

Os promovedores da Ditadura na Argentina, em semelhança ao Brasil, a denominavam como “Revolução Argentina”. Logo após a tomada de poder, entrou em vigor no país o Estatuto da “Revolução” que legalizou as atividades dos militares. O intuito dos golpistas era de permanecerem no poder por tempo indeterminado, enquanto fosse necessário para sanar todos os problemas argentinos. A nova “constituição” proibia a atividade dos partidos políticos e cancelava quase todos os direitos civis, sociais e políticos por conta de um quase constante Estado de Sítio. Era a derrocada da cidadania.

O período da Ditadura Militar na Argentina foi cruel e sangrento, a estimativa é de que aproximadamente 30 mil argentinos foram seqüestrados pelos militares. Os opositores, que conseguiam se salvar, fugiam do país, o que representa aproximadamente 2,5 milhões de argentinos. Os militares alegam que mataram “apenas” oito mil civis, sendo que métodos tenebrosos de torturas e assassinatos foram utilizados pelos representantes do poder. O governo autoritário deixou marcas na Argentina mesmo após a ditadura,  com o restabelecimento da democracia, poucos presidentes conseguiram concluir seus mandatos por causa da grande instabilidade econômica e social.

Parabéns aos clubes e ao povo argentino, Ditadura Nunca Mais!

San Lorenzo

Fontes: Sites InfoEscola, Uol Esporte e Goal.com

Revolución Netflix

Cem anos de solidão é a obra mais importante, escrita em língua espanhola, depois de Dom Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes.  O livro, de autoria do ganhador do prêmio Nobel de Literatura, o colombiano Gabriel Garcia Marquez é um sucesso absoluto há várias décadas, contando com mais de 50 milhões de exemplares vendidos  — um verdadadeiro clássico da Literatura mundial.

 E pra quem é fã de Gabo e deseja ver suas obras divulgadas nas mais variadas plataformas, lá vem uma notícia boa: a Netflix comprou os direitos de Cem Anos de Solidão. Os filhos do autor, Rodrigo e Gonzalo García, permitiram que a Netflix transforme o clássico de seu pai em uma série.  O idioma adotado será o espanhol, devido a uma exigência deixada pelo escritor — mas também refletindo o interesse da plataforma por esse idioma, depois do sucesso de  Narcos, Roma, La Casa de Papel, entre outros.

A Netflix contratará apenas talentos latino-americanos para a produção, que será rodada na Colômbia. “Sabemos que será mágica e importante para a Colômbia e a América Latina, mas o romance é universal”, disse Francisco Ramos, vice-presidente de produções em espanhol da empresa, ao The New York Times.

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“Cem anos de solidão”  é um clássico da Literatura mundial – Reprodução Internet

Rodrigo e Gonzalo García serão produtores-executivos, uma área familiar para o primeiro.  Ele foi diretor de quase uma dúzia de filmes, entre elas Coisas Que Você Pode Dizer Só de Olhar Para Ela (1999), o drama bíblico Últimos Dias no Deserto (2015) e Albert Nobbs (2012), adaptando a obra de John Banville. Cem Anos de Solidão será seu décimo projeto televisivo, depois de dirigir capítulos de Os SopranosSix Feet UnderThe AffairCarnivàle e Blue, uma websérie que também produziu entre 2012 e 2014.

Esta compra por si só já prolonga a enorme trajetória da obra.  Publicado em 1967 Cem Anos de Solidão é um desses títulos cujo legado —50 milhões de exemplares vendidos, traduções em 46 idiomas— dificilmente pode ser questionado. Seu sucesso, fundamental no reconhecimento internacional de García Márquez e um fator crucial para a concessão do Nobel de Literatura a ele, em 1982, foi um dos pilares do boom literário latino-americano dos anos sessenta e setenta. Hoje, considera-se um dos trabalhos mais conhecidos do século XX. A história que conta, a da família Buendía, descendentes do fundador do povoado de Macondo, é até hoje uma saga imortal, vigente como leitura obrigatória no mundo inteiro, seja no mais remoto colégio do Meio-Oeste norte-americano ou em altos círculos acadêmicos europeus.

Rodrigo herdou do pai não só o interesse pelo cinema como também a convicção de deixar suas obras em paz. “Não dirigirei um romance do meu pai porque seria um fenômeno de imprensa, não seria visto com objetividade”, refletia ao EL PAÍS em 2008 (não informou se dirigirá Cem Anos de Solidão). Naquela entrevista, comentava que Hollywood começava a agrupá-lo entre Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro como os artífices da revolução hispânica de Hollywood. Agora, em tempos de RomaNarcos e do Pinóquio que Del Toro está prestes a lançar pela plataforma, a revolução hispânica segue em frente. Mas será preciso mudar o seu nome. Já não é de Hollywood, e sim da Netflix.

Fontes: Sites El País Brasil e Revista Bula

Encontro de mestres

Em um desses passeios pelo Youtube eis que me deparo com uma preciosidade: O encontro entre Jorge Drexler e Milton Nascimento no Programa “Conversa com Bial” transmitido pela TV Globo. O cantor uruguaio esteve no Brasil com a turnê de seu mais novo álbum Salvavidas de hielo e para nossa alegria, apesar da correria dos shows, ainda teve um tempinho para participar do programa. Para minha surpresa, Jorge concedeu a entrevista toda em português, mostrando ser um grande conhecedor da nossa língua. Durante a conversa ele explica essa ligação com o Brasil e também com o grande Milton Nascimento a quem chama de mestre.

Pedro Bial com seu jeito impecável de entrevistar (ainda bem que saiu do BBB Rs) consegue conduzir o programa de uma maneira  leve e descontraída deixando os convidados bem à vontade para responderem as perguntas, o que torna a entrevista uma conversa mesmo, como o nome do programa sugere.

Pra quem é fã de música de alta qualidade o vídeo é imperdível 😉

Rainha dos vices quer dar a volta por cima

Nossos hermanos argentinos são conhecidos pela habilidade em campo e pela irreverência de seus torcedores nas arquibancadas. Apesar de sempre figurar como uma das favoritas em todos os torneios que disputa,  a seleção vem frustando seus aficionados já há bastante tempo. O jejum da albiceleste já dura 23 anos. Neste período, foram 07 vice-campeonatos.  Messi, o maior astro do time, já acumula 04 segundos lugares, 03 na Copa América: ( 2007, 2015 e 2016) e um na Copa do Mundo em 2014, quando perderam a final para a Alemanha na prorrogação.

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Torcedores argentinos são conhecidos pela irreverência – Imagem –  Reprodução Internet

O peso da falta de títulos é tão grande, que Messi chegou a declarar, após a perda do título da Copa América Centenário para o Chile em 2016, que não jogaria mais representando seu país: “É incrível, mas não dá. Não passamos outra vez nos pênaltis! É a terceira final seguida. Nós buscamos, tentamos. É difícil, o momento é duro para qualquer análise. No vestiário pensei que acabou. Que a seleção não é pra mim. É o que sinto agora, é uma tristeza grande que volto a sentir – disse à época em entrevista ao canal “TyC Sports”.

A atitude do camisa 10 causou comoção na Argentina e houve uma mobilização geral pela volta do jogador. O prefeito de Buenos Aires inaugurou uma  estátua e fez pedido para que o atleta revisse sua decisão e até o presidente Maurício Macri chegou a ligar para o jogador. Maradona também aderiu à campanha, e houve um ato nas ruas de Buenos Aires reunindo cerca de 500 pessoas para demostrar apoio ao jogador do Barcelona.

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Anúncio de saída de Messi da seleção causou mobilização na Argentina –  Imagem – Reprodução Internet

Os apelos deram certo e para alegria dos fãs argentinos, o camisa 10 voltou atrás da sua decisão 01 mês e meio depois de fazer o anúncio. “Não quero causar nenhum dano,  muito pelo contrário, sempre pretendi ajudar no que eu puder”. É necessário arrumar muitas coisas no futebol argentino, mas prefiro fazer isso de dentro e não criticando de fora” – disse em comunicado à imprensa.

O craque refletiu também sobre a influência que exerce sobre os jovens: “Não quero passar a mensagem que devemos desistir de nossos sonhos”.

Ainda que tenham chegado de forma discreta à Rússia, negando qualquer protagonismo,  após uma campanha sofrida nas Eliminatórias, é evidente que o desejo de Messi e de seus companheiros é deixar a fama de amarelões para trás e ao fim fazer história e levantar uma taça pela sua seleção. Apesar da falta de sorte anterior, eu não deixo a Argentina de fora da lista dos favoritos, afinal, não se encontra um Messi em qualquer time por aí e com sede de vitória então,  quem arriscaria duvidar que tudo é possível? 😉

 

Arriba Peru

Com certeza uma das torcidas mais empolgadas desse Mundial da Rússia será a peruana, e não é pra menos: Nossos vizinhos andinos estavam há 36 anos sem participar do torneio, e sobre o comando do argentino Ricardo Gareca,  conseguiram a tão sonhada vaga, ao bater a Nova Zelândia na repescagem. A empolgação se tornou ainda maior com a liberação do craque Paolo Guerrero, que estava suspenso da competição por ter sido pego no antidoping, mas acabou sendo liberado exclusivamente para disputar a Copa.

O bom momento da equipe reflete também um sentimento de otimismo em relação ao país de forma geral, já que o governo conseguiu reduzir drasticamente a pobreza local nos últimos 10 anos.

O vídeo motivacional, elaborado para empolgar os torcedores, reflete bem esse clima de otimismo e esperança que vive o país vive. Confira no link  abaixo e sinta  la buena onda dos peruanos 😀

Uruguai e sua estranha neurose futebolística

Já entrando no clima da Copa da Rússia que começa nesta  quinta – feira, o post de hoje vai falar sobre a relação dos torcedores uruguaios com o maior evento do futebol mundial. Se por aqui no Brasil, estamos meio desanimados com o time canarinho, após o traumatizante 7 a 1 contra a Alemanha, no nosso vizinho Uruguai a situação é bem diferente. A empolgação com a equipe celeste é sempre forte, ainda mais neste ano, após uma ótima campanha nas Eliminatórias.  Outro dia li um artigo do psicólogo, jornalista e escritor uruguaio Agustín Acevedo Kanopa no New York Times em espanhol, e achei muito interessante a análise que ele fez sobre como o torneio afeta os ânimos de toda a população de quatro em quatro anos e sobre o conflito psicológico que a população e também os atletas travam em relação à sua amada seleção.  Resolvi fazer a tradução e compartilhar com vocês, confiram no texto abaixo 😉

Uruguay e su extraña neurosis futebolística

O Uruguai está às vesperas de jogar seu terceiro mundial consecutivo e nós psicólogos estamos preocupados. É uma conversa que temos a cada quatro anos: quando a seleção começa a ir bem, os pacientes se sentem melhor, conectam cabos soltos de seu desejo, são alcançados por pequenas epifanias ou adquirem a coragem para tomar uma decisão a um longo tempo adiada.

Mas, sobretudo, se sentem melhor: melhor com seu país, melhor com seu par, com seu chefe, consigo mesmos. À sombra dessa nova felicidade, nós psicólogos começamos a parecer desnecessários.

Duas empresas de eletrodomésticos de Montevidéu enfrentam uma situação similar. Campanhas publicitárias de ambas anunciam que em cada compra de uma televisão de plasma, se a seleção chega à semifinal, será reintegrado ao cliente a metade do dinheiro. Mas a expectativa é tanta que uma delas (Barraca Europa) estendeu a promoção para todos os produtos que tem a venda, enquanto a outra (Multi Ahorro Hogar) dobrou a aposta e promete cem porcento de reembolso se o Uruguai sai campeão. As vendas não param de crescer.

Pouca, pouquíssima gente acredita que podemos sair campeões. No entanto, quando se trata da seleção, a pessoa aposta por ela como quem joga na Mega Sena: não movido pela certeza ou pela esperança de que vai ganhar, mas pelo medo de descobrir que saíram os números que ela se esqueceu de jogar nessa semana.

Ainda se deixamos de lado a loteria do campeonato, algo mudou nesta última edição. Pela primeira vez, há adolescentes que praticamente não se lembram de ter tentado preencher um álbum Panini sem figuras da Celeste. Com sangue, suor e lágrimas, mas classificados ao fim.

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Imagem: Reprodução Internet

Para os nascidos nos anos 80, a história — ainda a atual — joga com a lembrança traumática dos anos 90, o canibalismo institucional da Associação Uruguaia de Futebol daqueles anos, com problemas contrastantes, dispensas de técnicos, insubordinação de jogadores e campanhas falhas. O gosto amargo de ver um Mundial tendo que torcer por outras equipes.

Há coisas mais estranhas.  Nos descobrimos, pela primeira vez em muitíssimo tempo, classificados com folga, sem termos que sentar naquele incômodo lugar chamado repescagem. Uruguai: praticamente classificado na penúltima data, segundo na tabela de posições durante quase todas as eliminatórias, quase invicto em seu próprio Estádio Centenário, salvo o penoso 4 a 1 contra o Brasil.

É difícil separar as neuroses individuais de uma uruguaice mais ampla  e colectiva, mas uma vez e outra, falando entre a gente —  os torcedores —  acostumava escapar algo: Durante as Eliminatórias estivemos esperando uma catástrofe que nunca chegou.

O começo das Eliminatórias não podia ser melhor: um histórico 2 a 0 frente a Bolívia na altura de La Paz, acompanhado de uma sucessão de surpreendentes goleadas no Centenário. Tudo isso sem Suárez (que cumpria sua longuíssima suspensão após a mordida em Giorgio Chiellini no Mundial passado. O Campeonato seguiu rodada a rodada, o Uruguai se alternava entre o primeiro e segundo lugar. Havia algo suspeito ali. Houve certos momentos de incerteza, como quando a Celeste perdeu três partidas em sequência, mas foi tão grande a colheita na primeira fase, que as reservas davam para três invernos nucleares.

De isso se trata, em definitivo, a neurose: um estranho culto individual que leva a estar o tempo todo encontrando sinais de uma possível desgraça. Porque, em que momento se gesta o gol contrário? O certo é que estas desgraças estão prescritas em jogadas muito mais insignificantes: uma bola mal passada, uma falta erroneamente cobrada na metade do gramado, uma série de segundas bolas perdidas. Inevitavelmente ficamos traçando no ar uma fórmula sinistra.

Agora o que acontece quando esse mesmo medo forma parte do sentir e do estilo de jogo de um país inteiro? Talvez seja uma benção e uma maldição nascida do Maracanaço: O Uruguai se sente mais cômodo sendo aquele país de quem não se espera nada, um boxeador que se encontra preso entre as cordas e os punhos do adversário. Se esta situação não chega, a Seleção dá um jeito de colocar-se em apertos e buscar como um estranho sistema de auto-regulação, a impossibilidade de vencer (e assim se levantar).

Prova de sobra foi o que aconteceu na última Copa: em um grupo dificílimo, formado por Costa Rica, Inglaterra e Itália, o Uruguai estreia com uma derrota de 3 a 1 com a Costa Rica, aparentemente —  o rival mais simples, para logo depois se ver obrigado a ganhar de 2 a 1 da Inglaterra e depois vencer a Itália por 2 a 0.

As confusões em que se mete a seleção são o mesmo combustível que a mantêm funcionando. Uma espécie de vício épico, citado e reinventado a cada passo, ainda quando não parece haver obstáculos à vista.

Por isso, a Celeste sempre leva sua autodestruição atada ao pé, fazendo de seus malabarismos um autêntico estilo. Em tempos regidos pelo paradigma do estilo de jogo espanhol, no qual a posse de  bola é tudo, a Celeste foi uma das pouquíssimas equipes medianamente exitosas que seguiu necessitando desprender-se da pelota,  deixando a outra equipe marcar o ritmo do jogo.

Na arena do trágico, o Uruguai sempre soube rebelar-se frente  a seu destino, mas nunca soube — nunca quis —  escrever-lo. A lista de rivais na primeira fase do Mundial, pela primeira vez, em muito tempo, parece acessível: uma Rússia organizada, mas bastante dizimada em seus partidos de preparação: uma Arábia Saudita volátil, um Egito que volta, depois de muitíssimos anos, liderado por Mohamed Salah.

Há uma frase poderosa no filme “Do crepúsculo ao amanhecer: Eres tão perdedor que nem sequer se das conta quando já tens ganhado”. 

O Uruguai, essa ilha melancólica e ateia em um mar de países cristãos, um dos poucos países com uma maior quantidade de psicólogos por cabeça, mas por outro lado historicamente associado aos primeiros postos de suicídios da região, protagonista de proezas futebolísticas como poucos, enfrenta a possibilidade de poder ganhar sem seu vício épico. De ganhar de forma natural, sem apertar os dentes, ou televisores como prêmio. Será questão de ver o quão prisioneiros somos de nossos próprios mitos,  e de como aprender a traçar nosso destino sem os pés dos outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

Famoso poema atribuído a Pablo Neruda é, na verdade, autoria de escritora brasileira

Sabe quando você tem certeza que um texto é de um determinado autor e, de repente, descobre que, na verdade, é de outro bem diferente daquele que você pensava? Tive essa experiência, essa semana, ao pesquisar um poema para ser apresentado na aula de Compreensão e Produção Oral em Espanhol.  Escolhi declamar o poema “Muere Lentamente” de Pablo Neruda, por considerá-lo uma verdadeira lição para a vida. Mas para minha grande surpresa, ao entrar no google descobri que a autoria é bem diferente, aliás, o texto original nem é em espanhol, mas sim, em português.

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Famoso poema “Muere Lentamente” foi atribuído erroneamente ao grande poeta chileno – Pablo Neruda

A autora é a jornalista e escritora gaúcha Martha Medeiros, brasileiríssima! Rs Não consegui identificar as causas do engano, mas o fato é que a maioria das pessoas, assim como eu, atribui “Muere Lentamente” ao grande poeta chileno e vão repassando o engano.

Achei a história bem curiosa e divertida, e logo tratei de desfazer o erro para meus colegas de classe Rs

Abaixo segue a versão do poema em espanhol com o devido crédito para Martha Medeiros.

Muere lentamente

Muere lentamente
quien se transforma en esclavo del hábito,
repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca.
No arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.

Muere lentamente
quien hace de la televisión su gurú.

Muere lentamente
quien evita una pasión,
quien prefiere el negro sobre blanco
y los puntos sobre las “íes” a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos,
corazones a los tropiezos y sentimientos.

Muere lentamente
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo,
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño,
quien no se permite por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente
quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra gracia en si mismo.

Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente,
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.

Muere lentamente,
quien abandona un proyecto antes de iniciarlo,
no preguntando de un asunto que desconoce
o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas,
recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos
una espléndida felicidad.

Martha Medeiros 

 

 

Um conto para a vida

 Sabe aqueles que filmes que você gosta tanto, e sempre fica com vontade de assistir de novo, além de recomendar para todos? “Um conto chinês” é um desses meus filmes favoritos. Assisti pela primeira vez em 2011 no cinema, e depois disso, já vi algumas vezes na internet e também na TV. A película argentina do diretor Sebastián Borensztein é uma comédia deliciosa, com uma trama totalmente inesperada e surpreendente. A genialidade do mestre Ricardo Darín, que interpreta  Roberto, um rabugento e solitário convicto,  é um dos pontos altos do filme.

A monótona vida de Roberto muda de repente com a chegada de Jun (Ignacio Huang) um chinês que chega à Buenos Aires, sem saber uma só palavra em espanhol e sem nenhum dinheiro. O destino parece querer pregar um peça em Roberto: Por que justo ele teria que ajudar esse desconhecido? E apesar de não ter nenhuma obrigação de ajudar, ele não consegue deixar o indesejável hóspede ir embora.

No decorrer do filme, vamos percebendo que Roberto não é tão insensível como parece, e vamos nos divertindo com sua aventura diária de sobreviver sem pirar no meio dessa  confusão toda e de quebra ainda achar um espaço para o amor.

Apesar de já ter visto o filme várias vezes sempre me comovo com a história, principalmente no final quando muitas revelações são feitas e descobrimos que não se trata apenas de um conto chinês, mas sim, de um conto para a vida.

Assista,  se emocione e se divirta também!

Observação importante: Está disponível também no Netflix! 😀

 

 

 

 

 

 

 

 

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