Artista venezuelano cria painel com 200 mil tampinhas

Algumas pessoas tem o dom de transformar materiais que a maioria vê apenas como lixo em verdadeiras obras de arte. É o caso de Oscar Olivares um artista venezuelano de 23 anos que está usando a arte como forma para trazer beleza e sustentabilidade ao mundo. “Mais do que estudar e usar diferentes técnicas, uso a arte para ser feliz e expressar meus sentimentos e ideias”, explica o jovem artista.

Em parceria com uma organização ambiental local, a OkoSpiri, e com o movimento Arquitectura para el Futuro, Oscar criou um gigantesco mural usando tampinhas de plástico de garrafa e de outros recipientes. Foram necessários 3 meses de trabalho e 200 mil tampinhas.

Oscar criou um impressionante painel com tampinhas de plástico de garrafa e outros recipientes.

O resultado é impressionante: um painel de 45 metros de largura e com uma altura que varia entre 3,5 e 7,25 metros em diferentes pontos. A obra de arte fica na cidade de El Hatillo, na Venezuela.

O processo foi trabalhoso e envolveu a colaboração de diferentes pessoas e empresas locais que doaram materiais e ajudaram com a mão de obra. “Sou muito feliz desenhando e criando. O que mais quero é que as pessoas sintam a mesma felicidade quando olhem para as minhas obras”, conta Oscar.

A alegria e felicidade sem dúvida estão estampadas na composição que mudou este pedaço da cidade – são araras em seu habitat natural, com todas as suas cores e belezas.

Além das araras, o mural traz flores como girassóis, as montanhas do Parque Nacional El Ávila, construções em uma paisagem verde e um céu estrelado, além de outros elementos criados pelo artista.

Um exemplo de como a arte pode transformar as cidades e de como é possível reaproveitar resíduos: ao invés de poluírem o meio ambiente, estas 200 mil tampinhas ajudaram a tornar o ambiente mais bonito para todos.

Fonte: Ciclo Vivo

Superando o medo do inimigo invisível

O coronavírus atingiu um dos cantores latinos mais queridos em todo o mundo: o uruguaio Jorge Drexler, que vive atualmente em Madrid. Mas, felizmente ele está recuperado e já pode fazer uma das suas atividades preferidas: tocar violão. A esposa do artista também testou positivo para a Covid-19 e se recuperou bem.

Em entrevista ao Jornal o Globo, o músico, de 55 anos, conta que a primeira a ser contaminada foi sua esposa, a atriz e cantora espanhola Leonor Watling.  Ela esteve em uma premiação de cinema de onde muita gente saiu doente. Dias depois, foi ele quem começou a sentir-se mal. Evitou ir ao hospital para não sobrecarregar o sistema de saúde, já que o exame clínico é recomendado apenas para os casos mais graves. Ligou para um médico e, ao narrar o que sentia, teve um diagnóstico positivo para o vírus.

Jorge Drexler e sua esposa contraíram a Covid-19.

O corpo todo dói muito, é uma tosse esquisita. Senti a fragilidade humana no meu corpo. O mais estranho foi perder olfato e paladar. Também senti um peso no peito e tive muito medo, um medo que eu não experimentava há muito tempo. Mas essa não deve ser nossa força motriz. O medo é um mau conselheiro, porque parte da população que deveria se cuidar em casa satura as emergências públicas — alerta o compositor, que também é médico (especializado em otorrinolaringologia) e trabalhou durante cinco anos em emergências hospitalares.

A experiência rendeu muitas amizades na área. E é por meio de um chat com esses amigos médicos que ele recebe, diariamente, notícias do front do combate ao coronavírus no Uruguai. No entanto, desde que se curou da doença, tem se dedicado mesmo aos assuntos escolares dos filhos pequenos, de 8 e 11 anos.

Mudança radical na rotina

A proximidade entre pais e filhos é um efeito positivo desse momento. Tem sido lindo. Mas é cansativo. Tem o homeschooling, e sou um pouco impaciente. É um aprendizado — conta ele, enquanto a filha aparece na tela para dar um oi. — É um momento de celebração da vida familiar e me sinto feliz estando em casa. O que é surpreendente porque sou muito social. Normalmente, quase toda noite, estou em botecos ou cozinhando para amigos.

Em seu Instagram o cantor alertou a seus seguidores, especialmente aos da América Latina,  sobre a importância da conscientização de todos nesse momento tão delicado: “Queridos amigos, vocês tem uma oportunidade única de não cometer os mesmos erros que cometemos na Espanha e na Itália. Deem um exemplo ao mundo: Fiquem em casa. Evitemos o pico de contágio massivo. É a única forma de não saturar os sistemas de saúde e permitir que os casos graves se salvem” – escreveu em postagem na rede social.

Antes de adoecer, Jorge havia composto a canção Codo a Codo (Cotovelo com Cotovelo)  que deixa uma mensagem de alento para que possamos superar essa fase tão difícil:  “Já voltarão os abraços os beijos, dados com calma. Caso encontre um amigo, cumprimente-o com a alma.  Sorria, mande um beijo. Desde longe, seja próximo, não se toca o coração somente com a mão”, diz um trecho da canção…

Fonte: Jornal O Globo e Portal Uol

Quédate en casa

Nesses tempos de pandemia a união faz a força para vencer a ameaça letal do coronavírus. Os profissionais de saúde, e todas as profissões dos chamados serviços essenciais, estão trabalhando como verdadeiros heróis tentando impedir que o caos se implemente em um momento tão difícil.

 Quem não se enquadra nesse grupo de trabalhadores indispensáveis está contribuindo de uma outra forma também muito importante: ficando em casa na maior parte do tempo possível. Parece pouco, mas essa atitude pode fazer toda diferença. Países que reduziram ao máximo a circulação de pessoas conseguiram manter o nível de contágio do novo coronavírus bem mais baixo do que outros que resistiram em fazer quarentena a princípio.

Pensando em conscientizar as pessoas pra esse fato, o cantor e compositor Ariel de Cuba lançou a música “Quédate en casa”, (Fique em casa) que rapidamente se tornou um hit entre os confinados em toda América Latina, Espanha e em várias outras  partes do mundo.

Ariel conta que todo o processo de criação ocorreu de maneira bem natural: “Fiz esta canção no primeiro dia de quarentena, as coisas do coração movem massas. No mesmo dia compus, cantei, produzi, masterizei  e fiz o vídeo para ajudar a campanha #Quedateencasa.”

“Foi a maneira que eu encontrei para levar às pessoas uma mensagem positiva e útil. Não importa qual seja sua ideologia, raça ou religião é o momento de todos nos unirmos” – ressalta o artista.

 Além da letra, que tem uma mensagem pra lá de importante, o ritmo da música também é excelente para dançar. Ótima opção pra se exercitar em casa nessa quarentena. 👇

*Fonte Youtube

Jornais unidos contra o coronavírus

A pandemia do novo coronavírus está promovendo imagens que vão durar por muito tempo em nossa memória. Uma delas veio da nossa vizinha Argentina. No dia 19 de março os principais jornais do país tiveram a mesma capa, mostrando a união contra o poderoso inimigo invisível.

A decisão de unificar as capas dos jornais impressos de circulação nacional faz parte da campanha #SomosResponsables, que visa conscientizar a população acerca das medidas de prevenção e combate à pandemia.

Na capa dos jornais, a mensagem: “Paremos o vírus juntos. Vamos viralizar a responsabilidade”. Entre as medidas estimuladas pela campanha está o isolamento social. A iniciativa foi promovida pela Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa).

No dia 23 de março foi a vez da imprensa brasileira aderir à campanha de unificação das capas, com o lema “Juntos vamos derrotar o vírus: Unidos pela informação e pela responsabilidade”. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) publicou nota que explica a iniciativa: “Em uma ação inédita no país, dezenas de jornais brasileiros unificam suas capas hoje na segunda fase da campanha da Associação Nacional de Jornais (ANJ) de apoio ao combate ao coronavírus e à desinformação, que agrava as consequências da doença Covid-19. (…)

“Em situações dramáticas como a que vivemos, informação precisa e contextualizada é um bem ainda mais essencial”, enfatiza o jornalista Marcelo Rech, presidente da ANJ. “A ação demonstra a unidade dos jornais brasileiros em torno de uma causa comum: servir a população com jornalismo de qualidade para, com a responsabilidade que o momento exige, enfrentarmos e vencermos a pandemia”, completa.

Fonte: Uol Notícias e Jornal Correio do Povo

Economia da América Latina é uma das mais afetadas pela epidemia do coronavírus

Toda cautela é pouca na hora de tentar antecipar o inegável impacto econômico do coronavírus: grande parte do que está ocorrendo hoje só será plenamente visível e quantificável no decorrer das semanas ou meses. Os sinais, entretanto, chegam em peso e falam por si só: há algo de grave acontecendo no sempre frágil jogo de equilíbrio em que se move a economia.

A Bolsa de Nova York perdeu quase um quinto do seu valor em menos de um mês; a migração da renda variável para a renda fixa – a prova mais evidente do temor que paira sobre o mercado – é evidente; o consumo global de petróleo afunda a um ritmo inclusive maior que na Grande Recessão; a saída de capitais dos emergentes se multiplica; e cada vez mais organismos internacionais reconhecem que ainda não dispõem dos elementos de julgamento suficientes para se aventurarem com uma cifra concreta de impacto.

Pouco a pouco, as certezas do impacto econômico começam a emergir. Entre elas, que ser uma das regiões do mundo com menos casos de contágios não a exime de sofrer o dano financeiro associado a qualquer epidemia: a América Latina não tem de forma alguma garantida a sua imunidade, e foi pega no contrapé, mergulhada num já longo período de baixo crescimento e com pouca margem de ação para reverter a esperada redução da demanda.

As consequências já começaram a ser sentidas em várias frentes: sacudida nas Bolsas, acompanhando os grandes mercados mundiais; moedas indo à lona; redução nas previsões nas previsões de crescimento e uma clara mudança de padrão nas exportações de matérias primas. “A região está perante sua possível segunda década perdida… das últimas três. O coronavírus chega num péssimo momento, de baixo crescimento”, observa Lourdes Casanova, diretora do Instituto de Mercados Emergentes, ligado à Universidade Cornell (EUA).

No aspecto sanitário, a epidemia chegou à América Latina através do Brasil, com um homem que voltou infectado de uma viagem à Itália. Desde então, o vírus avançou em ritmo mais lento que em outras latitudes: o verão austral talvez tenha ajudado, como também a distância geográfica e as poucas conexões aéreas com as zonas mais afetadas.

Primeiro paciente infectado da América Latina chegou ao Brasil depois de uma viagem à Itália.

O número de contágios é oito vezes maior nos EUA e 160 vezes maior na Europa. Mas o dinheiro corre por vias bem distintas: na mente dos economistas, está gravada a fogo a relação direta entre menor atividade global, menor consumo de matérias primas e golpe na linha de flutuação de muitas economias da região. A eterna dependência dos produtos básicos, sem valor agregado, agrava a exposição latino-americana a um choque desta espécie.

As primeiras a sofrerem o golpe foram as divisas regionais, algumas das quais já estavam nos ossos: o real brasileiro e o peso chileno flertavam com seu mínimo histórico bem antes do coronavírus monopolizar tudo. Só o peso mexicano sustentava a cotação.

Mas além dos sempre voláteis mercados financeiros – Bolsas, câmbio, renda fixa –, que já antecipam uma guinada radical no caminho de crescimento global e regional, “há um impacto claro sobre as exportações e, portanto, sobre o crescimento. Ainda não vemos contágio para o setor de serviços, com impacto doméstico, mas o risco está aí, e as autoridades de política econômica deveriam estar observando-o”, afirma Martín Castellano, chefe de análise para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

A estreita relação com a China nas últimas décadas se transforma em uma faca de duplo fio na balança comercial de muitos países latino-americanos. Pouco mais de uma década atrás, quando o bloco ocidental sucumbia à crise financeira, esse gancho permitiu à região se isolar das consequências da queda dos EUA e Europa. Hoje, por outro lado, é motivo de alarme: embora a China vá pouco a pouco voltando à normalidade, “a atividade econômica ficou muito reduzida, com um impacto significativo”, observa por email Otaviano Canudo, ex-diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental e hoje fellow da Brookings Institution. Segundo os cálculos da OCDE, um ponto a menos de crescimento na China implica uma queda em idêntica proporção no crescimento da região. E a migração da volatilidade para os spreads da dívida pública, como recorda Sebastián Neto, chefe de unidade do organismo para a região, também é muito maior.

Três das grandes economias regionais – Brasil, Chile e Peru – têm no gigante asiático o principal destino de seus produtos, e o fantasma de 2015, quando as matérias primas desabaram e as principais economias latino-americanas se ressentiram, está na memória. Se nos primeiros dias os temores se centravam nos minérios de uso industrial – ferro e cobre, sobretudo –, o que situava as nações andinas como maiores prejudicados, o recente desabamento do petróleo por uma combinação de menor demanda (maior baixa trimestral em décadas, superior inclusive à registrada no auge da Grande Recessão) e descoordenação entre a OPEP e a Rússia, pôs o foco sobre Venezuela, Equador, Colômbia, Brasil e México, grandes produtores regionais. Em questão de dias, o México, segunda maior economia latino-americana – e um dos países menos afetados pela epidemia, por sua escassa exposição à China, onde tudo começou –, passou ao olho do furacão financeiro. Primeiro porque o desmoronamento do petróleo representa um duro baque para sua já abaladíssima petroleira estatal Pemex. Segundo porque, à medida que o vírus se globaliza – ou, melhor dizendo, se ocidentaliza –, suas consequências econômicas também o fazem.

Estamos começando a mudar o enfoque, vendo-o não só como um golpe para a economia chinesa, mas como algo que vai muito além”, aponta, pedindo anonimato, o estrategista para a América Latina de uma importante gestora de recursos. “Nos EUA, por exemplo, vão comprar os mesmos carros nestas circunstâncias? Temos dúvidas, e isso afeta o México e também o Brasil, onde dois terços de suas exportações são matérias primas. São “tempos difíceis” para a região, afirma por telefone. “Estamos vendendo com as duas mãos e esperando que os números se estabilizem para comprar com três mãos.” E quando os investidores apertam o botão de pânico, a história diz claramente que a peça latino-americana do dominó global costuma ser uma das primeiras a cair: sua exposição à volatilidade é inclusive maior que a do resto dos emergentes.

Na sopa de letras que os economistas identificam ao lerem as curvas dos gráficos – ou seja: L, uma queda da atividade sem recuperação à vista; V, rápido desabamento, rápida recuperação; U, descida busca, descenso, recuperação demorada –, Neto aposta na última opção. “Não há dúvidas de que haverá efeito sobre o crescimento. O período de recuperação já não será de um trimestre nem um semestre, e sim mais”. O resultado desse coquetel é um quadro cinza, muito mais sombrio que o desenhado no final de 2019 – que, verdade seja dita, era mais prudente que pessimista. O Goldman Sachs foi o último a revisar seu quadro macro para os principais países da região: Brasil e Equador crescerão 0,7 ponto percentual a menos (1,5% em vez de 2,2% no primeiro caso; e de -0,3% a um lúgubre -1% no segundo); Peru, 0,5 a menos (2,8% em lugar de 3,3%); e Colômbia, 0,4 (3% em vez de 3,4%).

Economia de países emergentes como o Brasil é uma das mais afetadas em momentos de crise mundial – Reprodução Internet.

Ao contexto adverso se soma uma menor margem de manobra para políticas contracíclicas que em crises anteriores. A depreciação generalizada das moedas latino-americanas delimita o campo de ação da política monetária – juros mais baixos contribuem para a retomada da atividade, mas também estimulam a saída de recursos. Esse é, justamente, o maior desafio regional neste ponto, segundo Neto: a “limitadíssima capacidade de aplicar estímulos num momento em que é preciso ter muito cuidado com o potencial impacto sobre a saída de capitais”. No plano fiscal, a margem é igualmente curta, com volumes de dívida pública que, como recorda Castellano, do IIF, duplicaram em grande parte da região desde 2009. Naquela época, estes países puderam fazer frente. “Só os países com espaço fiscal ou monetário e com reservas de divisas estrangeiras poderão responder ao choque”, conclui Canudo. Tempos bicudos, sem poções mágicas.

Texto de Ignacio Fariza – Retirado do caderno de Economia – Jornal El País.

La parte 04

Hoje, dia 03 de abril, estreia a quarta parte do maior sucesso da Netflix dos últimos tempos: “La Casa de Papel”. Pra você que está em casa de quarentena, na luta contra a propagação do novo coronavírus, melhor programação não há.

No encerramento da última temporada, o professor declarou guerra ao sistema, após o planejamento do assalto mais arriscado de todos os tempos, ter ido por água a baixo. Todos queremos saber qual o desfecho do bando, especialmente o da querida Nairóbi, que terminou a terceira temporada com a situação mais complicada, correndo risco de morrer.

E pra você que é fã da série, quais são suas apostas? Quem sobrevive e quem deve dar adeus nessa próxima temporada? E será que o plano tão sonhado por Berlim no fim dará certo, apesar de todos os percalços? Muito em breve, para nosso alívio, já teremos essas respostas….

Febre, muito antes do sertanejo universitário

No último post, vimos sobre como a Bachata, tomou conta das paradas brasileiras, nos últimos anos, através do boom do sertanejo universitário. Mas o ritmo latino já fazia sucesso no Brasil há bastante tempo atrás. Quem nunca cantarolou “Borbulhas de amor” de Raimundo Fagner”? A canção, extremamente popular nos anos 90, é uma versão de “Burbujas de amor” de um dos principais nomes da Bachata no mundo, o dominicano Juan Luis Guerra.

E você sabia que a letra original dessa música era em espanhol? 😱 Yo tampoco… Rs

Você sabe de onde veio a bachata, ritmo que conquistou o Brasil?

Você que é fã de Gusttavo Lima, Marília Mendonça, Zé Neto e Cristiano, entre outros artistas da nova geração do sertanejo, já deve ter reparado que esses cantores tem um grande número de visualizações e centenas de comentários em seus vídeos. O que você talvez ainda não tenha percebido, é que entre esses inúmeros comentários, existe uma grande quantidade escrita em espanhol. Na maioria dessas postagens, os fãs latinos elogiam a forma como esses artistas brasileiros utilizam a bachata em suas canções. Mas, afinal de contas, o que é essa tal de bachata?

Bachata é um gênero de música popular que nasceu na República Dominicana e depois se expandiu para muitos países. Combina merengue, bolero e outros estilos. Graças ao seu ritmo, considera-se que bachata é um gênero dançante.

A origem etimológica da palavra bachata é encontrada na África. No início do século XX, a expressão foi usada em alguns países da América Central e do Caribe para nomear uma festa  ou uma farra. Ao longo dos anos, na República Dominicana começaram a usar o termo para nomear um gênero musical que surgiu em áreas pobres urbanas a partir da combinação de estilos diferentes.

Por suas gravações de 1962, José Manuel Calderón é considerado o primeiro músico a gravar músicas de bachata em um disco. Outros pioneiros do gênero foram Tommy Figueroa e Rafael Encarnación. Entre os intérpretes de bachata, mais populares dos últimos anos, podem ser mencionados Juan Luis Guerra, Romeo Santos e Prince Royce, que venderam milhares de álbuns e fizeram turnês internacionais de muito sucesso. A dança bachata consiste em passos simples que levam a dançarina de um lado para o outro ou da frente para trás. Quanto às letras da bachata, elas se destacam pela nostalgia e melancolia.

“Milu”, de Gusttavo Lima, uma das músicas mais tocadas no Brasil, em 2020, tem a batida da bachata.

Para reconhecer a batida da bachata, é preciso prestar atenção na percussão marcada. Ela vem do bongô, instrumento com dois pequenos tambores unidos, e da güira, cilindro de metal que produz um som mais sutil.

Bongô e guira, instrumentos tradicionais do ritmo latino.

“A bachata é um ritmo dançante, mas não é rápido. Ela passa certa sensualidade, uma malícia. O sertanejo também tem isso, por isso encaixa tão bem. Com a combinação certa, fica perfeita para dançar. E também pode ser triste, a depender da letra.”

A explicação acima é de Eduardo Pepato, produtor que trabalha com Marília Mendonça. “Todo o projeto dela é em cima dessa percussão”, diz. É possível identificar influência clara de bachata em músicas como “Infiel”, “Amante não tem lar”, “Eu sei de cor” e “Ciumeira”.

O estilo surgiu na década de 1950, marginalizado em cabarés da República Dominicana. No Brasil, seus primeiros registros no sertanejo são de meados de 2010, ano em que Zezé di Camargo e Luciano lançaram “Eres todos los extremos”, cantada em espanhol. A faixa foi produzida pelo uruguaio Augusto Cabrera, um dos mais procurados por artistas brasileiros interessados em referências latinas.

“Naquela época, pouca gente aceitava [esse tipo de referência] porque era muito diferente do que se fazia no Brasil. Os artistas curtiam muito, mas as rádios e gravadoras não estavam na vibe”, lembra.

O produtor, que também trabalhou o gênero com Eduardo Costa, Zé Felipe e Gusttavo Lima, explica que o movimento é anterior ao da música urbana latina – gênero que inclui o reggaeton. A partir dos anos 80, porém, a bachata acabou “engolida” por esses ritmos derivados do Panamá, Porto Rico e Caribe. 

Mesmo assim, ela tem mais chances de durar, ao menos no Brasil, na opinião de Pepato. A influência de bachata é mais perene que é a do regaetton, ela ainda deve continuar na música por muito tempo”, avalia.

Um dos pontos que contam a favor é o bom relacionamento entre o gênero dominicano e sons que correm no “sangue do povo” brasileiro, aponta Cabrera. “A essência é muito parecida com a do sertanejo sofrência”, diz. E continua:

“Ela fala muito sobre sofrimento, sobre beber para esquecer. E o jeito de cantar é bem ligado ao povo, não é chique. Para vários países, a bachata é como se fosse o ritmo da sofrência.”

“Me pedem bastante músicas com um pouquinho de bachata e um pouquinho de arrocha”, acrescenta o produtor. Ele lembra que, no Brasil, misturado a outros estilos, o gênero chega bem diluído. “O que fazem aqui é colocar uns 5% das coisas de lá [da República Dominicana].”

Ao que tudo indica, a Bachata regressou ao Brasil pra ficar… 🎼

Confira o dueto de Juan Luis Guerra e Romeo Santos e Romeo dois grandes representantes da bachata pelo mundo.

Fonte: Portal G1 e Site Conceito.De

Qual país pode ser considerado o rei do mate?

O mate é a bebida mais popular dos nossos vizinhos Argentina, Uruguai Paraguai e também nos estados do sul do Brasil, onde é popularmente conhecido como chimarrão. Confesso que, quando experimentei, achei a bebida um tanto desagradável, porque me pareceu muito amarga, mas pra quem nasceu nas regiões onde ela é popular, o sabor amargo parece passar desapercebido e o ritual “matero” fala mais forte.

Na Argentina, no Paraguai, Uruguai e no sul do Brasil o mate é a companhia do solitário e um hábito coletivo que jocosamente se cataloga como a primeira rede social. O antropólogo uruguaio Daniel Vidart inclusive chegou a afirmar que “em todos os tempos foi o mate que fez a roda e não a roda que trouxe o mate”.

Devido a este nacionalismo “matero” é comum haver muitas discussões a respeito da infusão entre argentinos, paraguaios e uruguaios a respeito do melhor modo de preparo, por exemplo. Uns defendem que deve ser doce, outros acham melhor amargo; em determinadas regiões se toma quente e em outras, frio. Entre esses impasses, surge também a questão sobre quem seria o rei do mate…

Gravura do final do século XVIII retrata indígenas paraguaios no trato da erva mate.

Paraguai, o rei histórico
“O ritual do mate tem se conservado quase sem nenhuma modificação desde uns 300 anos”, escreve o antropólogo uruguaio Gustavo Laborde. A planta com a qual se elabora a erva mate ilex paraguariensis, é nativa das regiões subtropicais da América do Sul. Acredita-se que as populações da região já consumiam esta planta de distintas formas e com fins variados, mas foram os espanhóis que fizeram os primeiros registros escritos do seu consumo em um lugar em particular: o local em que hoje está localizado o Paraguai.

“Com seu epicentro histórico no que hoje seria a região oriental do Paraguai, os guaranis foram os grandes responsáveis pela propagação da erva mate ao sul do continente americano” – revela à BBC Mundo o uruguaio Javier Ricca, autor do livro “El Mate”, ganhador do prestigioso Goumard Awards em 2010. De fato, vários textos espanholes do século XVI afirmam que o produto era conhecido como “erva do Paraguai”, por viajar desde essa província.

Por exemplo, na “História da província do Paraguai da Companhia de Jesus”, o sacerdote Nicolás del Techo escreve: Muitas são as virtudes que se atribuem à dita erva, ela reconcilia o sono, acalma a fome, estimula a digestão, repara as forças, espalha e cura várias enfermidades.

Proibição
Mas foi a origem divina e poderes sobrenaturais que alguns índios guaranis atribuíam ao mate que acabou por convencer aos espanhóis e, em particular, aos sacerdotes jesuítas de proibir seu consumo. Assim, em 1610 a Inquisição de Lima proibiu esta “sugestão clara do demônio”, e em Assunção se impuseram penas de 100 chibatadas para os indígenas e 100 pesos e multa para os espanhóis que consumissem ou traficassem a erva, conta o argentino Jeronimo Lagier no livro “A aventura da erva mate”.
Somente 20 anos depois, a erva não só voltaria a ser legal, mas também seria utilizada pelos jesuítas como a base econômica de sua expansão territorial, “desenvolvendo um quase monopólio da comercialização da erva mate, relata Lagier à BBC Mundo.
Nos séculos seguintes, diversas guerras por motivos geopolíticos e comerciais que golpearam a exportação e distribuição da planta, fariam que o Paraguai perdesse seu trono histórico para ceder o recorde de produção a um de seus vizinhos: a Argentina.

Argentina, o rei da produção e do marketing
A Argentina é o país que mais produz, diz Lagier, atual diretor do Instituto Nacional de la Yerba Mate (YNYM) de Argentina. Nos últimos 05 anos, o país produziu 777 mil toneladas da erva verde, segundo um informe do Instituto Nacional, divulgado recentemente.
A nação também lidera em exportação do mate com um promédio anual de 35 mil toneladas, sendo seus principais destinos Síria (72%), Chile (14%), Líbano e Estados Unidos (2%). Além disso, é o país com maior superfície de cultivo da erva mate mate, totalizando 165 mil hectares. De longe, a seguem Brasil (85 mil) e Paraguai (35 mil) hectares.

O Papa Francisco é um dos mais célebres argentinos propagadores do mate pelo mundo.

Mas só estes números não conseguem explicar porquê, apesar de o mate ser próprio de outros países e de estados do sul do Brasil, a bebida está mais internacionalmente associada à Argentina. “A Argentina está se caracterizando por ter ótimos departamentos de marketing e venda de seus produtos no mundo inteiro. Prova disso é a sua carne, que é reconhecida e valorizada nos mercados mais importantes, afirma Ricca à BBC Mundo.
“Seguindo este camino, o YNYM tem desenvolvido ações de promoção em distintas feiras internacionais de alimentação em países como Alemanha e Estados Unidos, ao mesmo tempo que projeta ampliar seu mercado na Índia”, agrega.
Embora o mate seja mais produzido na Argentina, quando se trata de consumo per capita, o país mais “matero” é o Uruguai.

Uruguai, o rei do consumo
O pequeno país de apenas 03 milhões de habitantes é onde se registra o maior consumo da erva mate por pessoa, com 08 quilos anuais. Pra se ter uma referência, na Argentina que está em segundo lugar se consome 6,4 quilos por ano, por pessoa.
O diretor do YNYM sustenta, que embora os costumes que rodeam a infusão se estendam entre os países “materos”, sem conhecer fronteiras, no Uruguai existe uma particularidade: Tomam mate deslocando-se com vasilha e mate debaixo do braço.
Inclusive aos argentinos, com todas suas estatísticas de liderança em erva mate, lhes impressiona ver os uruguaios andando de bicicleta e servindo mate ao mesmo tempo.

Fenômeno histórico
“A evolução do mate em nossa sociedade, desde a intimidade do lar ao espaço público é um fenômeno historicamente recente, diz Ricca. Segundo o antropólogo Vidart, um setor político da população uruguaia mantinha o rito como um indicador de rebeldia durante o governo militar de 1973 a 1985.
O costume de tomar mate também está relacionado às ondas migratórias até Montevidéu, pois, trabalhadores e estudantes que se alojavam em pensões costumavam sair às ruas tomando mate.

O costume de tomar mate estar relacionado à resistência contra a ditadura e às ondas imigratórias em Montevideo.

Jerônimo Lagier autor do livro “Aventura da erva mate” reconhece a complexidade do rito: “Seria difícil descrever o que tudo o que o rito do mate abarca, porque vai bem mais além de verter água quente em um recipiente com erva e beber essa mistura com a bombilha”, está muito relacionada a uma espécie de camaradagem, a uma forma de levar a vida…

Traduzido do Site BBC News Mundo

Aves, ameaçadas de extinção, nascem na Amazônia, em meio às queimadas

Um grande feito da mãe natureza aconteceu na Amazônia: O nascimento de araras azuis na área castigada pelas queimadas. A lente da câmera fotográfica captou o aparecimento dos ovos da espécie e nascimento de quatro ararinhas. A espécie vive apenas na Bolívia, Brasil e Paraguai.

As imagens são parte de um estudo feito ente os dias 4 e 15 de setembro na Área Natural de Manejo Integrado, ANMI, em San Matias, Bolívia. Esse feito foi realizado por conta da parceria entre a Fundação para a Conservação do Papagaio da Bolívia e a ANMI San Matias, que há três anos promove a conservação da arara azul.

A ação conjunta da ANMI, San Matias e da Conservação da Parrot Foundation Bolívia foram responsáveis por inspecionar 807 quilômetros de reserva natural, bem próximas de propriedades pecuárias e diversas comunidades.

“Já localizamos as árvores onde as araras azuis haviam se reproduzido”- conta Jhonny Salguero, encarregado pelo ação de conservação do pássaro. O plano de conservação da espécie, foi iniciado em 2014.

Em setembro, realizaram o primeiro monitoramento, que alcançou 807 quilômetros, onde se localizavam cerca de 18 propriedades pecuárias. A revisão da área, encontrou em árvores 34 cavidades e 10 ninhos com ovos.

É praticamente um milagre ver a vida ressurgir assim em um local tão danificado pelas queimadas, contudo, a natureza tem a sua resiliência, age de maneira silenciosa. Segundo os pesquisadores, o acompanhamento continuará até o final de 2020.

Fonte: Site Sensivel – Mente

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