Invasão latina no maior evento esportivo dos Estados Unidos

O futebol americano é um dos um esportes mais populares nos Estados Unidos. E a grande final da NFL, maior liga de futebol americano do mundo, é sempre um mega evento, que tem até nome próprio:  Super Bowl. Até quem não curte a modalidade, acaba parando pra acompanhar esse grande espetáculo que ocorre anualmente trazendo sempre grandes nomes da música mundial.

E no ano que vem o público latino estará muito bem representado: As musas Jennifer Lopez e Skakira confirmaram presença no show do intervalo da grande decisão.  A informação foi confirmada pelas duas estrelas em uma ação coordenada no Instagram. Esta será a primeira vez que as duas cantoras consagradas no mundo todo farão um show juntas.

“Desde que eu vi Diana Ross cantar, eu sonhei em estar no Super Bowl“, afirmou Lopez que tem ascendência porto – riquenha, em um comunicado divulgado pela NFL. “E agora isso será ainda mais especial, não só por ser o centenário da NFL, mas também por tocar ao lado de uma artista latina. Eu não posso esperar para mostrar o que as mulheres podem fazer no maior palco do mundo.”

Super Ball

A colombiana Skakira também comentou sobre a apresentação: “Eu estou muito honrada por me apresentar ao lado de uma artista mulher e que representa o público latino dos Estados Unidos.  Além disso, será meu aniversário”, comemorou Shakira, que nasceu no dia 2 de fevereiro de 1977 e celebrará a data no Super Bowl. Antes da confirmação oficial, muitos nomes foram especulados para o evento. Houve até quem apostasse no grupo de K-pop BTS como um dos favoritos.

O show do intervalo do Super Bowl é considerado um dos maiores eventos do mundo. Nomes como Michael Jackson, Madonna, Coldplay e Beyoncé já se apresentaram na final da NFL. Na última edição, a banda Maroon 5 foi a responsável por animar o público. A decisão da principal competição de futebol americano do mundo acontece no dia 2 de fevereiro de 2020, no Hard Rock Stadium, em Miami.

Mal podemos esperar pra ver 😜🎤🎸🏈

Fonte:   Entretenimento – UOL

Setenta anos de Almodóvar

O cineasta espanhol mais conhecido na atualidade, Pedro Almodóvar, completou 70 anos no último dia 24 de setembro. Para celebrar o nascimento desse diretor tão marcante, o Museu de Imagem de Som de São Paulo (MIS) preparou uma programação especial, com todos os filmes do diretor.

O objetivo do evento é dar ao público uma dimensão da rica contribuição do espanhol à indústria cinematográfica e cultural.

mostraA mostra “Almodóvar 70 anos” foi organizada em parceria com a Pandora Filmes – distribuidora conhecida por promover acesso aos clássicos do cinema  mundial. O evento possui sessões que variam entre exibições em películas de 35 mm ou digital. Clique aqui para ter acesso à programação completa.

Biografia

De origem humilde, Pedro Almodóvar não teve condições financeiras para estudar cinema, e de qualquer forma,  isso não seria possível,  em sua juventude, já que no início da década de 1970 as escolas cinematográficas estavam fechadas pela ditadura de Franco na Espanha. Então, nesse período, ele foi vendedor de rua, cantor de uma banda de rock e desenhista de quadrinhos. Quando finalmente arranjou algo fixo, em uma empresa de telefonia, economizou seu salário para comprar uma câmera Super 8, que usou para fazer curtas no final dos anos 1970. Populares, seus filmes foram destaque no movimento cultural La Movida, que surgiu em Madrid nessa época. Seus primeiros trabalhos foram lançados em 16mm, e as dificuldades de financiamento que encontrou o forçaram a abrir sua própria produtora, ao lado do irmão, Agustín Almodóvar.

A  produtora El Deseo, que produziu filmes de cineastas como  Guilhermo Del Toro, deu chance a Pedro para que se ele lançasse de vez no mercado na década de 1980.  Foi com  “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988) que o produtor alcançou algum status, arrecadando prêmios e indicações importantes. A partir de então, seria figura recorrente em premiações como o Goya, o David di Donatello e em festivais como o de Cannes, evento do qual foi presidente do júri em 1992.

Características marcantes

Almodóvar ficou famoso por quase sempre trazer em seus filmes o tema da diversidade sexual e da exploração sexual da mulher, além de ser amplamente conhecido por usar e abusar das cores fortes. Ele é conhecido também pelo hábito de trabalhar com os mesmos atores diversas vezes.  Entre as figuras que ficaram conhecidas como “atores de Almodóvar” estão:  Carmem Maura, Marisa Paredes, Chus Lampreave, Penélope Cruz e Antônio Bandeiras.  Pedro recusou inúmeras vezes a direção de filmes hollywoodianos, por preferir conduzir os seus próprios projetos, tornando-se assim um dos mais autênticos nomes do cenário do cinema contemporâneo.

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Penélope Cruz e Antônio Bandeira são uns dos “atores de Almodóvar”.

Dor e Glória

No quesito Óscar,  Almodóvar também não tem o que reclamar: já possui duas estatuetas  na bagagem — Melhor Filme Estrangeiro em “Tudo sobre minha mãe” (2000) e roteiro original em “Fale com ela” (2002). E no ano que vem, o diretor terá mais uma vez uma película na disputa pela maior premiação do cinema mundial.  É a sétima vez que a Academia seleciona uma obra de Almodóvar para concorrer ao Oscar. A escolhida da vez é “Dor e Glória”, que representará a Espanha na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. A 92ª edição dos prêmios será realizada em 9 de fevereiro em Los Angeles, Estados Unidos.

“No momento estou viajando para o Festival de Toronto, por isso não posso estar na Academia com todos vocês, mas quero agradecer o apoio e a oportunidade de poder competir, mais uma vez, na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar. É uma grande honra representar nossa indústria. Não será fácil estar entre os cinco indicados, porque há muita competição todos os anos, mas farei, com a [produtora] El Deseo e a Sony Pictures Classics, tudo o que puder para que isso aconteça. Quero compartilhar minha alegria com todos os atores e técnicos que participaram do filme. Obrigado a eles por seu talento e dedicação, e à Academia por nos dar esta oportunidade. Obrigado de coração”, disse o diretor em comunicado ao saber da escolha.

Em Cannes, onde a carreira internacional de “Dor e Glória” começou em maio,  Almodóvar conversou com  o jornal El País sobre esse drama estrelado por Salvador Maíllo, um alter ego do cineasta encarnado por Antonio Banderas, e assim resumiu seu amor pelo cinema: “Embora o personagem de Antonio esteja em uma situação mais crítica que a minha, sofri um medo semelhante por não poder filmar por doença,  fiquei com receio de não poder trabalhar em mais nenhum filme. Tenho uma grande dependência de fazer filmes, é total. Este é, para mim, o tema mais pessoal de “Dor e Glória”. Foi … terapêutico, apesar de eu odiar essa palavra, porque ninguém dirige como terapia” – afirma.

Seus fãs torcem pra que essa dependência continue por muitos e muitos anos e que venham muchissímas otras películas más! Vida longa ao mestre! 🎬

Fontes: El País, Adoro Cinema, Acervo “O Globo”.

 

 

 

Barbie Catrina

Os mexicanos tem uma forma bem peculiar de celebrar o dia dos mortos em cada mês de novembro: fazendo festa. E um dos principais símbolos dessa celebração nacional é La Catrina. A icônica moça-caveira é mais que uma expressão cultural mexicana. É um símbolo político, de comportamento e estilo de vida, além de um movimento artístico e social.

Conhecida por alguns como la flaca ou la muerte, sua primeira versão – la Calavera Garbancera – foi gravada em metal pelo cartunista José Guadalupe Posada. Mais tarde, o pintor Diego Rivera a vestiu e a incorporou em seus murais, rebatizando a caveira com o nome que pegou: La Catrina. A figura da personagem é mostrada sempre vestida de forma elegante e luxuosa, sendo assim, La Catrina surgiu como uma forma de crítica social à classe política durante os governos mexicanos de Benito Juárez, Sebastián Lerdo de Tejada e Porfirio Díaz. Seu criador condenava, através dessa representação,  a miséria, o horrores políticos e a hipocrisia da sociedade mexicana da época, lembrando a todos que, pelo menos na hora da morte, somos iguais.  

 

 

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A “Catrina” foi criada pelo cartunista José Guadalupe Posada com teor de crítica social.

Hoje, a popularidade da charmosa caveira está, literalmente, na pele das pessoas. Tatuagens de La Catrina são muito comuns entre os mexicanos,  já que eles tendem a ver a vida de forma mais leve e o humor negro brilha quando passam por situações difíceis como a morte.  Embora as caveiras sejam vistas como algo sinistro em muito países, no México as pessoas as colorem com muitas cores para representar a alegria e retorno místico à vida.

Barbie Catrina

Pensando em homenagear a cultura do país e essa celebração tão importante que é o dia dos Mortos, a Mattel apresentou ao mundo a Barbie Catrina. Uma nova edição da boneca, inspirada na popular festa, foi lançada no dia 12 de setembro reproduzindo o esqueleto da elegante dama da alta sociedade mexicana.

O brinquedo é “uma homenagem ao México, suas tradições e seu povo”, de acordo com a fabricante do produto. O exemplar, cujo preço chega a 1.750 pesos (cerca de R$ 360 na cotação atual), usa um vestido decorado com flores coloridas e, em seus longos cabelos pretos com mechas azuis, borboletas-monarca e flor cempasuchil.

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“A boneca foi desenhada com muito amor pela tradição, porque o designer, Javier Meabe, tem raízes mexicanas e conhece a importância deste feriado”, explicou Cristina Lorenzo, vice-presidente de marketing da Mattel México. O vestido da Catrina foi inventado por Diego Rivera em 1947 para o mural “Sonho de uma tarde de domingo na Alameda”.

A Barbie Dia dos Mortos é a terceira boneca inspirada em mulheres mexicanas, depois das edições dedicadas à famosa pintora Frida Kahlo  e à golfista Lorena Ochoa lançadas em março.

A festa do Dia dos Mortos, realizada em 1 e 2 de novembro, foi nomeada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2003. Saiba mais sobre como acontece essa grande festividade assistindo este vídeo do canal “Viagem ao Redor do Mundo” do brasileiro Rodrigo Ruas. 👇

Saludos e “¡Viva La Vida!” ou  “¡Viva la Muerte!”  como quieras… 😄🤔🤪💀🥂

Fontes:  Site Jornal Estadão e Blog ColaB55

O Sol do México

Você que é fã de música e de uma boa história não pode deixar de assistir “Luis Miguel La Serie”.  A produção da Netflix conta a história de um dos principais astros latinos de todos os tempos. A série autorizada por Luis Miguel e baseada no livro Luis mi rey, la apasionante vida de Luis Miguel (Luis, meu rei, a apaixonante vida de Luis Miguel), do jornalista e escritor espanhol Javier León Herrera, mostra detalhadamente a trajetória do cantor, que se tornou famoso ainda criança.

Luis Miguel e Diego
Luis Miguel e Diego Boneta que o interpreta na série – Reprodução Internet

A trama prende nossa atenção desde o primeiro episódio mostrando como o  protagonista tem que fazer inúmeros sacrifícios pessoais para alcançar o êxito profissional. Diego Boneta, que dá vida a Luis Miguel, além de ser muito parecido com o próprio, também é cantor, o que dá ainda mais realismo à história.

A biografia do Sol do México é realmente cinematográfica: muitos amores, tribulações,  mistérios, excesso de dinheiro e fama, além é claro de muito talento.  Se você ainda não conhece essa badalada história, não perca mais tempo e já vá se preparando para se emocionar bastante…

Fonte:  Portal G1

A usurpadora, la série

Uma das novelas mexicanas de maior êxito no Brasil,  “A Usurpadora” vai ganhar uma nova versão. O remake faz parte de um projeto da rede Televisa intitulado pela emissora como “Fábrica de Sonhos”. O objetivo da empresa é adaptar enredos de ao menos 12 novelas clássicas e transformá-las em séries de 25 episódios, com a mesma intensidade dramática, mas com a abordagem multiplataforma para exibi-las no formato streaming.

Na lista de novelas clássicas que devem ser repaginadas estão títulos como: “Rubi”, “A Madrasta”, “Os Ricos Também Choram”, “Rosa Selvagem”, “O Privilégio de Amar”, “Coração Selvagem”, entre outros.  Sucesso mundial,  “A Usurpadora”,  protagonizada por Gabriela Spanic e Fernando Colunga,  foi lançada pela rede Televisa em 1998, no México, e exibida pela primeira vez no Brasil no ano seguinte. O clássico mexicano foi  traduzido em 28 idiomas e exportado para 125 países.

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Gabriela Spanic e Fernando Colunga foram os protagonistas da primeira versão de 1998.

O remake protagonizado pelos atores Sandra Echevarría e Andrés Palacios terá um toque  político. “Todos capítulos da produção original foram recortados e isto foi incrível.  Em alguns capítulos  existem até 90 cenas que são como mini-filmes,  foi um trabalho muito intenso – , revelou  Sandra Echeverría.

“Fico muito satisfeita em saber que estão sendo produzidos projetos com mais qualidade, porque obviamente o que temos na televisão internacional tem um nível muito alto. As pessoas acompanham cada vez menos a televisão aberta, e pra que a gente possa competir de igual pra igual, temos que produzir produtos com mais qualidade e boas  histórias” – agregou  a protagonista.

 Diferenças em relação à  versão original

A nova versão será bem diferente da original, por se tratar de uma série, nesta nova história, as tramas serão resolvidas em um ritmo mais acelerado e adaptado aos dias atuais.

Nesta nova produção, a personagem da gêmea má,  Paola Montaner de Bracho, será a primeira dama do México, enquanto que na versão original a protagonista era uma mulher infiel que desfrutava dinheiro do marido, que era empresário . No remake, Paola e Paulina são irmãs que cresceram em países distintos.

Elas nascem na Colômbia, mas uma delas é doente e necessita tomar medicamentos muito caros que a mãe não tem como pagar e por isso a entrega em adoção para uma mulher no México e assim as irmãs se separam.  Uma cresce na Colômbia, com muito amor, mas pobre, e a outra cresce no México,  com uma mãe muito superficial, que não lhe dá o carinho que ela necessita, mas a cria em berço de ouro.

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Sandra Echeverría e Andrés Palacios formam o casal protagonista de “La Usurpadora” versão 2019.

Sinopse

‘Paola Miranda’ (Sandra Echeverría) a primeira dama do México, vive um inferno ao lado do homem mais importante do país: o presidente ‘Carlos Bernal’ (Andrés Palacios).

Quando Paola descobre que é adotada e que tem uma irmã gêmea (‘Paulina Doria’), se aproximará dela com armadilhas para que esta assuma seu papel de primeira dama.  Além disso, logo a vilã tratará de mandar matar a própria irmã para assim poder desaparecer do mapa e ficar livre pra refazer sua vida em outro país e com outra identidade.

Como assistir “A Usurpadora” 2019 online

Para assistir os episódios da nova versão da novela A Usurpadora online e de graça, é preciso acessar a página da série no site da Televisa. A rede de TV mexicana lançou gratuitamente os cinco primeiros capítulos da série:  “A Usurpadora (2019)” para assistir online e gratuitamente. Contudo, os episódios estão com áudio original e sem legendas ou dublagem em português.

Nas redes sociais circulam informações que a série  chegará ao Brasil oficialmente em outubro pelo serviço de streaming Amazon Prime Video. Entretanto, a plataforma ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

Fontes: ElComercio – Peru / Portal Uol e Portal OverTube

 

Inspiração brasileira

A música brasileira tem fãs espalhados ao redor do mundo e na nossa vizinha Argentina não é diferente. Muitos intérpretes tupiniquins são consagrados por lá, chegando inclusive a inspirar artistas locais como a banda “Ataque 77”. O conjunto de punk rock argentino, formado em 1987,  inicialmente se juntava para tocar algumas canções de composição própria e para fazer covers de outras bandas, principalmente dos Ramones. Sua canções tem também influências de outras bandas como Sex Pistols, The Clash e Bad Religion.  

Nos últimos anos, o grupo diversificou os estilos e alcançou maior reconhecimento  e expansão no número de fãs devido às bem-humoradas covers, principalmente de artistas de estilos totalmente diferentes, como da banda brasileira Legião Urbana e do Rei Roberto Carlos.

Confira abaixo a versão em espanhol desses grandes sucessos brasileiros:

Fonte: Letras.com.br

Sudacas sim, com muito orgulho

Quem já assistiu a terceira temporada de “La Casa de Papel” constatou que um novo personagem veio pra marcar. Palermo, interpretado por Rodrigo La Serna, é um espécie de discípulo do polêmico e amado Berlim.

Em umas das cenas mais tensas dessa nova fase da série Palermo o novo membro do grupo do Professor, confronta um segurança do Banco da Espanha que o xinga de sudaca. Mas, afinal, o que significa isso?

Trata-se de uma expressão xenófoba usada na Espanha para definir, de forma depreciativa, os sul-americanos. Na cena em questão, no quinto episódio, o segurança dispara o xingamento contra Palermo, que é argentino. Logo após ser ofendido, o assaltante usa um bastão para bater no segurança e rebate sua fala reutilizando  o termo  ofensivo. “Eu sou o sudaca que vai repatriar o ouro que vocês roubaram, hijo de p***”. Vale lembrar que o ator Rodrigo de La Serna, assim como seu personagem também é argentino  e já atuou em filmes como Diários de Motocicleta e Inseparáveis….

Abaixo segue o trecho em que Palermo defende suas origens e faz um desabafo de sudaca contra os espanhóis: “Sou o sudaca que veio repatriar o ouro que vocês roubaram”.

Fonte:  Uol Entretenimento

Os invisíveis

Eles não falam como mafiosos e nem se comportam como tal. Não vestem roupas de marcas de luxo europeias e nem dirigem carros importados. Podem ser vizinhos de um professor universitário ou de um membro do governo em um bairro de classe média alta.

Esta é a nova geração de narcotraficantes colombianos, que não tem nada a ver com o estereótipo encarnado por Pablo Escobar, morto há 25 anos e recorrente objeto de livros, filmes e séries de TV. Agora, eles são pessoas com maior nível educacional, capazes de se mover com fluidez entre as classes mais altas, sem chamar a atenção das forças internacionais antidrogas.

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De acordo com pesquisador colombiano, os “invisíveis” raramente tocam a cocaína e transitam por círculos sociais da elite – GETTY IMAGES 

O segredo? Pouca ou nenhuma ostentação, contas pagas em dia e, principalmente, a crença de que o dinheiro pode persuadir mais do que as balas. Por isso, eles têm sido chamados de “invisíveis”.

A cultura dos ‘traquetos’

Na Colômbia, narcotraficantes à moda antiga são chamados de “traquetos”. A “cultura traqueta” é composta por hábitos, termos e símbolos que foram criados nos primeiros anos dos cartéis de Medellín e de Cali.

Nesse sentido, Escobar era o “traqueto” por excelência. Ele saiu de uma família humilde com pouca formação acadêmica, mas sua ambição e sua iniciativa o levaram a ser considerado o traficante mais famoso da história em poucos anos (só o mexicano Joaquín “el Chapo” Guzmán poderia disputar o título nos dias de hoje).

Escobar chegou a ser deputado suplente no país, e espalhou sua fortuna de Las Vegas, nos Estados Unidos, até o Rio de Janeiro. Ele também teve um zoológico próprio com espécies importadas dos Estados Unidos e da África, uma coleção de carros clássicos e uma fazenda batizada com o nome da cidade em que nasceu o pai do mafioso americano Al Capone: Nápoles.

Seu gosto por excentricidades era acompanhado de um caráter sanguinário e implacável, que o levou a oferecer dinheiro a qualquer pessoa que matasse um policial em Medellín e a planejar um atentado a bomba em um voo.

O traficante colombiano chegou a ser o homem mais procurado do mundo entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990. Ele foi morto por forças de segurança em 1993, depois de ter declarado guerra ao Estado e, segundo alguns dos que participaram de sua captura, ter chegado perto de vencer. Sob sua sombra se formou uma geração de “traquetos” ansiosos para ser o novo “patrón”, como Escobar era chamado. Mas nenhum chegou a ter sua fama.

A mudança depois da caçada a Escobar

Depois da extinção dos poderosos cartéis de Medellín e de Cali houve uma mudança na dinâmica do narcotráfico, explica Hernando Zuleta, diretor do Centro de Estudos sobre Segurança e Drogas (Cesed) da Universidade de Los Andes de Bogotá.

A partir desse momento, na década de 90, o cultivo da folha de coca se multiplicou no território colombiano e grupos armados como guerrilheiros e paramilitares entraram de vez no negócio. Este também é o período em que os cartéis mexicanos tomam o controle do mercado americano de cocaína.

“Na Colômbia, começam a surgir novos atores na etapa de distribuição da droga. Eles haviam aprendido que, no passado, a visibilidade dos grandes cartéis foi o que os destruiu”, disse Zuleta à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

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 Atualmente  os traficantes preferem não encarnar   o arquétipo do “traqueto” colombiano como fazia Escobar – Imagem Reprodução Internet 

De acordo com o especialista, os novos narcotraficantes colombianos se caracterizam justamente por “não levantarem suspeitas à primeira vista”. “Eles conseguem se misturar facilmente com pessoas da alta sociedade. São urbanos, têm contato próximo com a máfia mexicana, mas podem passar despercebidos, como um vizinho de um bairro de classe média alta que dirige um carro normal.” Em geral, eles estão vinculados a redes empresariais sofisticadas, segundo as investigações das autoridades colombianas.

“Eles podem, por exemplo, pedir crédito em um banco e usar o dinheiro para financiar um carregamento para um mafioso mexicano. Disfarçam esses acordos com viagens de negócios ao México porque faz sentido que um colombiano vá ao país para exportar produtos”, explica.

Mais lucro para os ‘invisíveis’

Os “sucessos” da guerra ao narcotráfico alcançados na Colômbia na primeira década desse século – juntamente com o empoderamento das organizações mexicanas que se apropriaram do mercado americano – fizeram crer que o tráfico poderia ter finalmente sido derrotado no país.

No entanto, o relatório “A nova geração de narcotraficantes colombianos pós-FARC: ‘Os Invisíveis'”, escrito por Jeremy McDermott, do centro de pesquisa sobre crime organizado Insight Crime, o diagnóstico otimista foi apenas uma impressão.

“Os narcotraficantes colombianos aprenderam que a violência é contraproducente para o negócio. A nova geração de traficantes aprendeu que o anonimato é a melhor proteção e que o dinheiro é mais eficiente que o chumbo”, diz o estudo.

O relatório destaca que essa geração cedeu o mercado dos Estados Unidos – ainda o maior consumidor mundial de cocaína – aos mexicanos, mas não como um sinal de fraqueza, e, sim, como uma habilidosa manobra empresarial.

“O tráfico de drogas para o mercado americano não é um bom negócio. Os traficantes correm um grande risco de serem interceptados e extraditados. (…) Os preços mais altos ficam entre US$ 20 mil e US$ 25 mil por quilo (de cocaína)”, afirma o texto.

“Os colombianos preferem mirar na Europa, onde um quilo de cocaína vale mais que US$ 35 mil, na China (US$ 50 mil) ou na Austrália (US$ 100 mil). Os riscos lá são menores, e o lucro, maior.”

Hoje, ressalta McDermott, os novos narcotraficantes colombianos “não tocam nunca em um quilo de cocaína e muito menos em uma pistola 9 mm banhada a ouro”. “Suas armas são um telefone celular criptografado, uma cartela variada de negócios legais e um bom conhecimento das finanças mundiais.”

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Após a derrota dos cartéis de Medellín e de Cali, muitos acreditaram que o tráfico de drogas havia sido vencido na Colômbia – GETTY IMAGES 

O que as autoridades podem fazer?

A principal pergunta que surge é: como combater mafiosos que são especialistas em passar por debaixo de todos os radares? Para Hernando Zuleta, o trabalho das agências de inteligência se tornou mais importante do que nunca.

“Sabemos que isso está acontecendo justamente porque alguns já foram pegos. Isso se consegue com boas operações de inteligência e colaboração internacional. As forças de inteligência dos Estados Unidos, da Colômbia e do México precisam atuar juntas.”

Não é a primeira vez que o narcotráfico se modifica considerando que, segundo especialistas, é o setor com maior capacidade de adaptação e de iniciativa do mundo.

“Agora ninguém está livre de suspeitas e o esforço de inteligência terá um custo maior”, afirma o pesquisador. Segundo ele, esta é mais uma das razões pelas quais a luta contra as drogas, como está sendo realizada, estaria longe de ser eficiente.

Fonte: Site BBC Brasil

Forte, apesar dos escândalos

Se a economia brasileira segue em desacelaração há alguns anos, a do nosso vizinho Peru, segue numa crescente já há duas décadas. Apesar de também ter sido envolvido em recentes escândalos da corrupção na política, o país andindo conseguiu manter sua estabilidade econômica.

Em um cenário bem diferente do visto no Brasil, as acusações de corrupção oriundas da operação Lava Jato no Peru não parecem ter afetado de forma contundente a economia do país – uma das que mais crescem na América Latina.

Desdobramentos da investigação em território peruano tiveram um momento marcante com o suicídio do ex-presidente Alan García,  em abril deste ano, quando a polícia tentava prendê-lo. Ele era acusado de receber propina da empreiteira Odebrecht durante seu segundo mandato, entre 2006 e 2011 – o que García negava.

No entanto, mesmo com as complicações políticas trazidas pela Lava Jato desde o início de 2017, quando ela se expandiu para países vizinhos – e que levaram a acusações de corrupção contra quatro ex-presidentes – , no ano passado, a economia do país cresceu 4%, segundo o Banco Central local. Para 2019, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma expansão de 3,9%, ficando atrás – na América Latina – só da Bolívia, seu vizinho, com crescimento estimado de 4%.

Já a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) prevê um crescimento de 3,6% neste ano. De qualquer forma, o índice é muito acima do 1,3% previsto para a região e do tímido 1,8% estimado para o Brasil.

Os números mostram que a economia peruana não saiu dos trilhos, mesmo com ramificações locais dos escândalos envolvendo obras públicas, campanhas políticas e propinas que ocorreram no Brasil.

Além de Alan García (1949-2019), que governou o país duas vezes (1985-1990) e (2006-2011), os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) respondem judicialmente a processos decorrentes das investigações da Lava Jato. Uma das principais líderes da oposição, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, também foi acusada de receber irregularmente dinheiro da Odebrecht para suas campanhas políticas.

Nesse cenário conturbado, no ano passado a economia peruana completou vinte anos consecutivos de crescimento e estabilidade, como observaram analistas e fontes do governo ouvidos pela BBC News Brasil. Ou seja, a queda do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que foi substituído, no ano passado, pelo seu vice, Martín Vizcarra, também não teve impacto significativo sobre a saúde da economia.

Entrevistados apontaram como uma das razões para a trajetória de crescimento o fato de que Toledo, García, Humala e Kuczynski terem mantido os principais pilares econômicos do país: abertura do mercado, ambiente de previsibilidade para investimentos estrangeiros, livre comércio, inflação e gastos baixos.

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Outra chave para a estabilidade estaria no comércio exterior.

País com cerca de 32 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 211 bilhões, segundo dados oficiais, o Peru diversificou sua lista de exportações nos últimos anos.

Além do seu histórico setor da mineração, passou a exportar ouro, incrementado por empresas chinesas instaladas em seu território, e produtos do ramo agroindustrial – o Peru é hoje um dos maiores exportadores mundiais de abacate, aspargos e uvas.

“Há quem diga que o problema é que estamos dependentes demais do mercado asiático, para onde são enviadas 47% das exportações do país. Sendo que somente cerca de 30% deste total vão para a China. Mas também é verdade que nestes vinte anos, passamos a exportar para outros mercados como o europeu, por exemplo. A economia peruana ganhou diversidade nesses anos de estabilidade”, explicou o economista Carlos Aquino, da Universidade de San Marcos, de Lima.

Segundo ele, ao contrário da Venezuela, que depende do petróleo, e do México, que se apoia nos EUA para suas exportações, a economia peruana diversificou sua produção e mercados.

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Outro setor que cresceu bastante no país foi o do turismo. Imagem  Reprodução Internet

Infraestrutura

Mas Aquino acredita que houve impacto, sim, da Lava Jato sobre os rumos da economia do país.”Se não fosse a Lava Jato, poderíamos estar crescendo em torno de 6% e não 4%”, disse. Ele observou que o setor de obras públicas não está entre as principais atividades do país, mas que não deixa de ser um motor para o crescimento.

“O setor de obras públicas não chega sequer a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) peruano e este é um dos motivos para que a economia continue crescendo, mesmo que menos do que poderia alcançar se não fosse (a Lava Jato).”

Uma fonte do governo observou que as obras afetadas pela operação seriam fundamentais para melhorar a fraca infraestrutura do país. “Com mais estradas e portos, o país poderia ampliar suas exportações”, observou. O analista político Alfredo Torres, diretor do instituto IPSOS de Peru, no entanto, disse à BBC News Brasil acreditar que “foram feitas obras que não eram prioridade”.

“Foram gerados empregos, mas em estradas pouco usadas, por exemplo. Agora, com as investigações, algumas obras foram paralisadas e o processo de licitações ficou mais complexo, o que estancou o investimento público e as associações público-privadas na área de infraestrutura.”

Para ele, “naturalmente” este freio tem consequências econômica e social. Ele explica: “um ponto a menos no Produto Interno Bruto (PIB), como resultado deste freio nas obras públicas, significa menos emprego e menor arrecadação fiscal para programas sociais, por exemplo”.

Informalidade

Apesar do crescimento estável, o Peru enfrenta problemas profundos, que vão além da falta de infraestrutura, como altos índices de pobreza e de informalidade, mesmo num ambiente propício para investimentos e taxas baixas de inflação e de juros.

Em 2004, o índice de pobreza era de 58,7% no país, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI). No ano passado, 2018, este índice era de 21,7% – muito mais baixo que em 2004, porém acima dos 20,7% de 2016, o que gerou preocupação em setores públicos do país.

Outro desafio permanente para os peruanos é o mercado de trabalho informal. Em 2004, a informalidade chegava a 80%. No ano passado, estava em 65%, ainda de acordo com dados oficiais.

“A informalidade vinha caindo todos os anos desde 2004. A má notícia é que parou de cair em 2018”, disse ao jornal El Comercio, de Lima, o economista Elmer Cuba, da consultoria Macroconsult. A economia local conta com inflação baixa (cerca de 2% anual) e o câmbio tem histórico recente de pouca variação.

Obras da Odebrecht no Peru

Entre as obras da Odebrecht citadas em casos de corrupção no Peru está a rodovia Interoceânica Sul, que liga o país ao Brasil e foi concluída em 2010. O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, revelou ter pago propinas para conseguir os contratos do projeto durante o governo do ex-presidente Toledo, segundo a imprensa peruana. Toledo mora nos Estados Unidos e, em maio do ano passado, o Peru apresentou aos EUA um pedido de extradição do ex-presidente.

Além da Interoceânica e do metrô de Lima, cujas acusações envolviam o ex-presidente Alan García, a Odebrecht tem “em torno de vinte obras públicas em todo o país”, segundo fontes do governo peruano. A lista inclui o gasoduto de Casemira e o porto petroquímico, cujas obras ficaram congelados depois do início das investigações contra a empresa.

Procurada, a Odebrecht não respondeu aos contatos da reportagem para esclarecer que obras possui no país e quais estariam paralisadas ou foram modificadas após as investigações.

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A Odebrecht tem em torno de vinte obras públicas em todo o país, segundo fontes do governo peruano. Imagem Reprodução Internet

Fontes do governo disseram à BBC News Brasil que a empresa “vem colocando freio” nos seus investimentos no Peru desde que as autoridades passaram a investigar o chamado “Clube da Construção”, como ficou conhecido um cartel que envolveria a empreiteira brasileira e representantes locais do setor de obras públicas.

A Odebrecht admitiu ter pago US$ 29 milhões de propina no Peru, entre 2005 e 2014, em troca da obtenção de contratos. Em fevereiro deste ano, a empreiteira assinou um acordo de colaboração com os promotores da Lava Jato no país, no qual se comprometeu a fornecer informações e pagar uma indenização de cerca de US$ 230 milhões.

Para o analista político Alfredo Torres, “é uma novidade” o fato de a Justiça não ter recebido “interferência” dos setores políticos.

Já no Brasil, é díficil dizer o mesmo…

Fonte: Site BBC Brasil

 

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