A maquiagem de dados nos anos Kirchner que abalou a credibilidade da Argentina no mundo

Um “pesadelo” para a credibilidade do país. É assim que autoridades do setor de estatísticas da Argentina se lembram do período em que os governos de Néstor e Cristina Kirchner maquiaram números para cumprir sua obstinação em manter a inflação anual em até 10% ao ano.

“Não adianta querer ocultar ou manipular nada, incluindo números. Todo mundo acaba sabendo a verdade. E foi o que aconteceu. Foi um péssimo período para o país”, recorda um ex-diretor do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec, equivalente ao IBGE).

Durante nove anos, entre 2007 e 2016, os argentinos conviveram com a falta de credibilidade nos dados oficiais de inflação e de pobreza no país.

O apagão dos índices básicos das áreas econômica e social tinha começado em janeiro de 2007, quando técnicos do Indec renunciaram denunciando “intervenção política” na formulação dos números.

“Nós mandávamos relatórios semanais para a Presidência com o índice de inflação, antes do fechamento mensal do dado. Em janeiro de 2007, a inflação caminhava para ser mais alta que nos meses anteriores. Foi aí que começaram a nos pressionar com telefonemas insistentes para mudarmos o número oficial”, recorda um ex-diretor, que falou sob a condição do anonimato. Ele diz que desde então “desistiu” de trabalhar em organismos públicos.

Poucos dias antes da divulgação do dado oficial, governantes ligaram para os diretores do instituto e avisaram o índice de janeiro de 2007 que queriam que fosse informado aos argentinos. “Primeiro, disseram que a inflação deveria ser 0,9%. E depois acabaram divulgando 1,1%. Não era muito diferente da que tínhamos calculado, de 1,5%. Mas ali já começava uma ginástica para que a inflação não terminasse o ano em 10%”, lembra.

O economista Orlando Ferreres, da consultoria OJF&Associados, de Buenos Aires, disse que a preocupação do governo com os 10% era justificada porque a Argentina tinha que pagar credores da dívida do país que tinham investido em títulos públicos atrelados aos índices econômicos.

“Os credores queriam que fosse respeitada a inflação real, não uma maquiada para baixo”, disse Ferreres. Segundo economistas, com os títulos públicos atrelados ao crescimento econômico e à inflação, os credores ganhariam mais com os dados reais e não com os maquiados.

‘Sem bússola’

Naquele ano de 2007, a inflação terminou em 8,7%, segundo o Indec. A mais baixa em quatro anos, de acordo com o instituto. Mas começaram a surgir os levantamentos alternativos.

Ex-técnicos do instituto divulgaram em janeiro de 2008 que os preços teriam subido, em 2007, entre 22,3% e 26,2% – cerca do triplo do que foi divulgado oficialmente.

Começava ali uma novela desgastante para a credibilidade nos índices argentinos, que incluiu disputas internas e internacionais.

Multas e ameaças de prisões, além de um leque de índices paralelos feitos por consultorias econômicas, universidades e pelos ex-técnicos do Indec, que protestavam na porta do organismo.

Cristina e o falecido marido Nestór Kirchner que também foi presidente do país.

A percepção, disse na época um executivo de uma empresa brasileira em seu escritório no centro de Buenos Aires, é que o país “não tem bússola”. “Levei um susto quando me ligaram aos gritos para dizer que teríamos problemas se aumentássemos nossos preços, que estão ligados ao mercado internacional”, disse, na época, sob a condição do anonimato.

‘Maquiagem grosseira’

Numa entrevista à rádio Continental, de Buenos Aires, o ex-ministro da Economia do governo do ex-presidente Néstor Kirchner, Roberto Lavagna, que liderou a pasta entre 2002 e 2005, disse que a maquiagem de dados da inflação era evidente. E comparou a falsificação dos índices aos tempos da ditadura militar no país.

Kirchner, que morreu em 2010, governou a Argentina entre 2003 e 2007 e passou a faixa presidencial para a esposa, a ex-presidente Cristina, que é vice do atual presidente, Alberto Fernández.

“O que o senhor achou da inflação oficial de 1,1% de janeiro (de 2007)?”, perguntou a radialista Magdalena Ruiz Guiñazu. Lavagna respondeu: “É uma maquiagem grosseira do índice. Quando as estatísticas de custo de vida perdem credibilidade, as de pobreza, de indigência e de distribuição de renda também perdem valor. O país fica novamente sem estatísticas que são básicas. Isso ocorreu durante o governo militar. É como se um médico estivesse falsificando os problemas de seu paciente. A maquiagem de dados é grave, afeta as instituições e a inflação em si”, disse, em fevereiro de 2007, logo depois da divulgação da inflação oficial de janeiro.

O ex-ministro disse ainda que a Argentina iria demorar para recuperar a credibilidade nos dados do país. O que de fato acabou ocorrendo.

Em maio de 2013, quando ainda faltavam cerca de três anos para que as estatísticas do Indec recuperassem credibilidade, o jornal El Cronista, de Buenos Aires, publicou um artigo intitulado “Inflación: las patas de la mentira” (“Inflação: as pernas da mentira”).

No texto, afirmava-se que a “intervenção” do Indec foi um “ponto de inflexão na guerra dos preços” na Argentina. Em dez anos, informou-se, a inflação oficial foi de 95,5% e a dos levantamentos do setor privado, de 170%.

Pobreza atinge cerca de 40% da população argentina

Durante muito tempo, ficou complicado definir o índice de aumento dos salários dos trabalhadores, com sindicatos de diferentes categorias defendendo o reajuste seguindo dados paralelos, e não o oficial.

Algumas vezes, era tirada uma média entre um e outro para se chegar a um patamar que agradasse empregadores e empregados. Como a questão envolvia ramificações internacionais, o Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu que o país devolvesse a credibilidade às suas estatísticas, informou a imprensa local na ocasião.

A falsificação dos dados, denunciada em 2007, continuou até 2016, quando o Indec refez sua metodologia seguindo normas internacionais.

A maquiagem denunciada gerou processos na Justiça argentina que a pedido, por exemplo, da Associação pelos Direitos Civis (ADC), determinou que o Indec explicasse como confeccionava seus indicadores oficiais. A situação provocou dúvidas sobre o total de pobreza no país – que também era alvo de dados paralelos.

A disputa levou o então secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, acusado de liderar, como informou a imprensa local, a ação contra o Indec, a determinar que as consultorias econômicas que divulgavam índices paralelos pagassem multas milionárias.

“Eu estava de férias em Punta del Este, no Uruguai, quando Moreno me ligou para reprovar a inflação que tínhamos divulgado. Expliquei que não estava na Argentina e ele me disse para telefonar aos meus assessores em Buenos Aires. Era complicado”, disse o economista Ferreres, que esteve entre os multados. A multa, contam agora consultores, também virou caso na Justiça e acabou arquivada.

O índice das consultorias econômicas tinha passado a ser chamado de “índice Congresso” porque parlamentares opositores podiam divulgá-lo sem os mesmos riscos que correriam os economistas, lembram.

Tempos depois, a pedido de opositores, Moreno foi acusado pela Justiça de “fraudar” dados básicos da economia, segundo informou a imprensa local. A Justiça entendeu que ele não tinha cometido delito e que o governo teria direito a implementar sua própria metodologia.

“A decisão confirma que o governo de Cristina Kirchner saiu com 6% de pobres. Chegaram a dizer que tínhamos deixado 30% de pobres, mas não foi verdade e acabam de nos dar razão”, afirmou Moreno, após a decisão judicial.

Naquele ano do fim do mandato kirchnerista, 2015, o índice de pobreza foi de cerca de 28%, segundo outro levantamento paralelo, o do Observatório da Dívida Social Argentina da Universidade Católica (UCA).

Definido há quase quatro anos como “confiável”, pela situação e pela oposição, o Indec informou, antes da pandemia do novo coronavírus, que a inflação de 2019 foi de 53,8%, a pobreza 35,5% e que o PIB encolheu 2,2%. Nos quatro primeiros meses deste ano, a inflação oficial foi de 9,4%. Os dados de pobreza estão em fase de coleta.

Em março de 2020, a imprensa local informou que credores que investiram nos títulos públicos argentinos voltaram a apelar à Justiça contra aquela maquiagem dos dados oficiais. A alegação foi a suposta perda de dinheiro com a “manipulação dos dados do crescimento”, o que teria afetado o valor dos papéis ligados ao PIB argentino.

Muito tempo depois, o período da maquiagem de dados ainda cobra seu preço.

Fonte: BBC Brasil

Países latino-americanos usam dinheiro apreendido do narcotráfico e da corrupção para combater covid-19

Com o mundo todo lutando para conter a disseminação do coronavírus, muitos países enfrentam com dificuldade o desafio de comprar o equipamento sanitário e hospitalar necessário para conter a pandemia.

Dois países latino-americanos, no entanto, adotaram uma maneira original de obter parte dos recursos extras. Argentina e Colômbia usam ativos apreendidos do narcotráfico e oriundos de outras atividades criminosas para fortalecer seus sistemas de saúde diante do avanço do vírus.

De carros a imóveis que pertenciam a criminosos suspeitos, esses bens são usados ​​para transportar ou abrigar pacientes com coronavírus ou isolar pessoas em risco devido à pandemia.

Isso é possível graças a uma figura jurídica chamada “extinção de domínio”, que se aplica a ativos supostamente adquiridos ilegalmente.

Basicamente, permite que os pertences ilícitos de pessoas acusadas de crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, tráfico humano, terrorismo ou corrupção sejam colocados à disposição do Estado.

Como funciona

As pessoas investigadas por esses crimes geralmente enfrentam processos criminais, e suas propriedades, em países que não possuem um regime de extinção de domínio, só podem ser confiscadas se a pessoa for condenada (algo que pode levar anos). Com o mecanismo de extinção de domínio, o procedimento é muito mais rápido.

A justiça pode apreender fortunas de origem suspeita mesmo antes de processar criminalmente o acusado.

Nesses países, quando um juiz criminal decreta medidas cautelares sobre bens suspeitos de origem criminosa, esses bens imediatamente vão para a jurisdição civil, onde é decidido o possível confisco. Ou seja, mesmo antes de um suspeito ser processado e condenado pela Justiça, tudo o que se presume ter sido adquirido por meio de atividades ilegais passa para as mãos da Justiça civil.

Com a aplicação da extinção de domínio sobre esses bens, o suspeito perde seus direitos de propriedade sobre eles. Aí esses ativos passam para as mãos do Estado e são administrados por entidades criadas especialmente para esse fim.

Na Colômbia, onde a extinção de domínio foi aprovada por lei em 2014, esse órgão é a Sociedad de Activos Especiales (SAE). Na Argentina, que aprovou o regime no início de 2019 por meio de um decreto do então presidente Mauricio Macri é a Agência de Administração de Ativos do Estado (AABE).

Contra a covid-19

Esses dois países não são os únicos na região que adotam sistemas desse tipo. Peru, México, El Salvador, Honduras, Guatemala e Bolívia também têm figuras legais semelhantes em sua legislação, assim como vários outros países do mundo.

No entanto, Argentina e Colômbia são os dois primeiros que atribuíram a esse recurso um uso específico na luta contra o coronavírus.

No Brasil, o pacote das dez medidas contra a corrupção previa, originalmente, a criação da chamada ação de extinção de domínio, para permitir “dar perdimento a bens sem origem lícita, independentemente da responsabilização do autor dos fatos ilícitos, que pode não ser punido por não ser descoberto, por falecer ou em decorrência de prescrição”.

A Câmara chegou a tirar este ponto durante a votação, mas ele foi resgatado pelos senadores. O projeto, no entanto, ainda não foi votado novamente pela Câmara.

Na Argentina e na Colômbia, até agora, os bens apreendidos relativos a atividades ilegais foram usados ​​ou leiloados para financiar organizações que combatem o crime organizado ou para ajudar pessoas com menos recursos.

Com a pandemia, no entanto, esses bens passaram a ser usados como parte da estratégia para conter o avanço do vírus. O primeiro exemplo disso ocorreu no norte da Argentina, em 21 de março, três semanas após o país registrar seu primeiro caso de coronavírus e um dia após a decretação da quarentena obrigatória nacional.

A AABE cedeu ao governo da província de Salta, um popular destino turístico, dois hotéis para acomodar viajantes estrangeiros procedentes de áreas de risco.

Os hotéis foram duas das dezenas de propriedades que pertenciam ao clã Loza, organização de narcotráfico internacional que foi destruída em 2018 e cujos ativos foram os primeiros recuperados pelo regime de extinção do domínio argentino.

Edifícios, carros e dinheiro

Alguns dias depois, a AABE aceitou um pedido de Pilar, um município do norte da província de Buenos Aires, para dispor de um “megaempreendimento” supostamente financiado por um cartel de drogas colombiano.

Trata-se de um imenso projeto imobiliário chamado Pilar Bicentenário, que segundo a Justiça Argentina, fazia parte de uma operação de lavagem de dinheiro do cartel liderado por José Bayron Piedrahita Ceballos, atualmente detido nos Estados Unidos.

Por meio de uma resolução, a AABE aprovou a transformação do prédio em construção em um “centro de diagnóstico covid-19”.

O megaprojeto Pilar Bicentenário, que será usado como um centro de diagnóstico para a covid-19.

A Justiça da Argentina também liberou carros e dinheiro para ajudar no combate à pandemia. Em 4 de abril, um juiz da cidade de Mar del Plata, o mais famoso balneário de Buenos Aires, aceitou o pedido do prefeito local e ordenou que 26 veículos apreendidos de uma suposta quadrilha de traficantes de drogas fossem usados ​​para prestar serviços no âmbito da resposta ao coronavírus.

Os carros serão usados ​​para transportar pacientes e outras tarefas de segurança durante a quarentena obrigatória.

Dinheiro da corrupção

Fortunas apreendidas em dois dos casos de corrupção de maior destaque nos últimos anos também tiveram esse fim.

O tribunal que julgou o ex-secretário de Obras Públicas do governo Kirchner, José López, condenado por enriquecimento ilícito depois de ter sido filmado escondendo sacos com milhões de dólares em um convento, determinou que US$ 2 milhões (R$ 10,6 milhões) desse dinheiro sejam doados ao hospital pediátrico Garrahan, em Buenos Aires.

Esse verba, além de outros US$ 12 mil (R$ 63 mil), serão destinados à compra de respiradores, máscaras e óculos de proteção.

Enquanto isso, o tribunal que julga o empresário Lázaro Báez, acusado de lavar dinheiro para o governo Kirchner, entregou ao Exército “como um depósito judicial” bens que incluem 17 contêineres vazios, 300 equipamentos de proteção e 21 macas.

Colômbia

A Sociedade Colombiana de Ativos Especiais (SAE) também permitiu que alguns bens apreendidos fossem utilizados provisoriamente para ajudar a combater o coronavírus.

“Para apoiar o governo e entidades territoriais no tratamento dessa contingência, a SAE ajustou os procedimentos internos”, explicou Virginia Torres, presidente da SAE, ao jornal El Tiempo. “Isso garante que os ativos gerenciados possam ser usados ​​e adequados como instalações para tratamento, isolamento e atendimento, sem atender a outros requisitos comuns”.

Propriedades apreendidas pela SAE que podem ser usadas como abrigos para mulheres que correm risco de sofrer violência doméstica.

Entre as propriedades que a entidade ofereceu estão o Hotel Benjamin, na cidade de Santa Marta, no norte do país, que pertencia ao israelense Assi Mosh, expulso da Colômbia em 2017 por supostos vínculos com redes de prostituição. E um ex-prostíbulo conhecido como “El Castillo”, no centro de Bogotá, oferecido ao Instituto Nacional Penitenciário e Prisional (Inpec) para abrigar prisioneiros infectados com a covid-19, para que estes não infectem o resto da população carcerária.

A SAE também disponibilizou às autoridades regionais 65 prédios a serem utilizados durante a pandemia como abrigos para mulheres que correm o risco de sofrer violência doméstica durante o isolamento obrigatório .

Fonte: BBC Brasil

Argentina e Uruguai cortam despesas políticas para financiar sistema de saúde

Enquanto a pandemia avança e  o número de contagiados e de vítimas fatais cresce, alguns governos da América do Sul estão adotando medidas de ajuste e realocação orçamentária para enfrentar as necessidades financeiras de seus sistemas de saúde. O Uruguai reduzirá em 20% o salário de altos funcionários e aposentadorias mais privilegiadas. Na Argentina,  o presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Massa, anunciou que vai transferir fundos destinados ao funcionamento da Casa e os chamados “recursos especiais reservados” dos deputados ao Ministério da Saúde e a organismos que estão atuando no combate ao coronavírus.

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, empossado em 1 de março, comunicou a criação do chamado “Fundo Coronavírus”, com recursos de salários de servidores e pessoas com cargos políticos.

— Não vamos reduzir o salário de funcionários públicos e políticos para economizar, e sim para gastar. Isso é solidariedade pura para as pessoas. Precisamos gastar — declarou Lacalle Pou. Seu salário também será reduzido em 20% para contribuir com o novo fundo. — Este é o momento de todos fazermos um esforço — frisou o chefe de Estado uruguaio.

A medida está prevista num projeto de lei que será enviado ao Parlamento do país. A aliança de governo, formada por cinco partidos, tem votos suficientes para aprová-la. De qualquer forma, o respaldo obtido por Lacalle Pou foi expressivo e deve facilitar o rápido tratamento do projeto.

Paralelamente, a Câmara do Uruguai já aprovou a eliminação dos chamados “fundos de imprensa”, em torno de US$ 800 (R$ 4.131) por deputado, previsto para a compra de jornais e revistas no Parlamento. O Uruguai confirmou na semana passada a primeira morte no país por Covid-19.

Na Argentina, país que tem sido elogiado por especialistas pela rapidez em adotar medidas drásticas de combate à pandemia, a Câmara, que está funcionando com reuniões e debates virtuais há mais de duas semanas, redistribuiu despesas.

As medidas de isolamento social adotados na Argentina estão sendo elogiados pelas entidades de saúde. Foto Reprodução Argentina

— Retiramos dos deputados as chamadas “despesas especiais” e usamos os recursos destinados ao funcionamento da Câmara, as despesas logísticas, e tomamos a decisão de que todos esses recursos sejam enviados ao sistema de saúde — explicou ao Jornal “O GLOBO” o presidente da Câmara argentina, muito próximo de seu colega brasileiro, Rodrigo Maia, com quem tem se comunicado nos últimos dias.

Para Massa, “numa emergência não podem existir despesas especiais da política”.

Fonte: Jornal “O Globo”

Jornais unidos contra o coronavírus

A pandemia do novo coronavírus está promovendo imagens que vão durar por muito tempo em nossa memória. Uma delas veio da nossa vizinha Argentina. No dia 19 de março os principais jornais do país tiveram a mesma capa, mostrando a união contra o poderoso inimigo invisível.

A decisão de unificar as capas dos jornais impressos de circulação nacional faz parte da campanha #SomosResponsables, que visa conscientizar a população acerca das medidas de prevenção e combate à pandemia.

Na capa dos jornais, a mensagem: “Paremos o vírus juntos. Vamos viralizar a responsabilidade”. Entre as medidas estimuladas pela campanha está o isolamento social. A iniciativa foi promovida pela Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa).

No dia 23 de março foi a vez da imprensa brasileira aderir à campanha de unificação das capas, com o lema “Juntos vamos derrotar o vírus: Unidos pela informação e pela responsabilidade”. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) publicou nota que explica a iniciativa: “Em uma ação inédita no país, dezenas de jornais brasileiros unificam suas capas hoje na segunda fase da campanha da Associação Nacional de Jornais (ANJ) de apoio ao combate ao coronavírus e à desinformação, que agrava as consequências da doença Covid-19. (…)

“Em situações dramáticas como a que vivemos, informação precisa e contextualizada é um bem ainda mais essencial”, enfatiza o jornalista Marcelo Rech, presidente da ANJ. “A ação demonstra a unidade dos jornais brasileiros em torno de uma causa comum: servir a população com jornalismo de qualidade para, com a responsabilidade que o momento exige, enfrentarmos e vencermos a pandemia”, completa.

Fonte: Uol Notícias e Jornal Correio do Povo

Qual país pode ser considerado o rei do mate?

O mate é a bebida mais popular dos nossos vizinhos Argentina, Uruguai Paraguai e também nos estados do sul do Brasil, onde é popularmente conhecido como chimarrão. Confesso que, quando experimentei, achei a bebida um tanto desagradável, porque me pareceu muito amarga, mas pra quem nasceu nas regiões onde ela é popular, o sabor amargo parece passar desapercebido e o ritual “matero” fala mais forte.

Na Argentina, no Paraguai, Uruguai e no sul do Brasil o mate é a companhia do solitário e um hábito coletivo que jocosamente se cataloga como a primeira rede social. O antropólogo uruguaio Daniel Vidart inclusive chegou a afirmar que “em todos os tempos foi o mate que fez a roda e não a roda que trouxe o mate”.

Devido a este nacionalismo “matero” é comum haver muitas discussões a respeito da infusão entre argentinos, paraguaios e uruguaios a respeito do melhor modo de preparo, por exemplo. Uns defendem que deve ser doce, outros acham melhor amargo; em determinadas regiões se toma quente e em outras, frio. Entre esses impasses, surge também a questão sobre quem seria o rei do mate…

Gravura do final do século XVIII retrata indígenas paraguaios no trato da erva mate.

Paraguai, o rei histórico
“O ritual do mate tem se conservado quase sem nenhuma modificação desde uns 300 anos”, escreve o antropólogo uruguaio Gustavo Laborde. A planta com a qual se elabora a erva mate ilex paraguariensis, é nativa das regiões subtropicais da América do Sul. Acredita-se que as populações da região já consumiam esta planta de distintas formas e com fins variados, mas foram os espanhóis que fizeram os primeiros registros escritos do seu consumo em um lugar em particular: o local em que hoje está localizado o Paraguai.

“Com seu epicentro histórico no que hoje seria a região oriental do Paraguai, os guaranis foram os grandes responsáveis pela propagação da erva mate ao sul do continente americano” – revela à BBC Mundo o uruguaio Javier Ricca, autor do livro “El Mate”, ganhador do prestigioso Goumard Awards em 2010. De fato, vários textos espanholes do século XVI afirmam que o produto era conhecido como “erva do Paraguai”, por viajar desde essa província.

Por exemplo, na “História da província do Paraguai da Companhia de Jesus”, o sacerdote Nicolás del Techo escreve: Muitas são as virtudes que se atribuem à dita erva, ela reconcilia o sono, acalma a fome, estimula a digestão, repara as forças, espalha e cura várias enfermidades.

Proibição
Mas foi a origem divina e poderes sobrenaturais que alguns índios guaranis atribuíam ao mate que acabou por convencer aos espanhóis e, em particular, aos sacerdotes jesuítas de proibir seu consumo. Assim, em 1610 a Inquisição de Lima proibiu esta “sugestão clara do demônio”, e em Assunção se impuseram penas de 100 chibatadas para os indígenas e 100 pesos e multa para os espanhóis que consumissem ou traficassem a erva, conta o argentino Jeronimo Lagier no livro “A aventura da erva mate”.
Somente 20 anos depois, a erva não só voltaria a ser legal, mas também seria utilizada pelos jesuítas como a base econômica de sua expansão territorial, “desenvolvendo um quase monopólio da comercialização da erva mate, relata Lagier à BBC Mundo.
Nos séculos seguintes, diversas guerras por motivos geopolíticos e comerciais que golpearam a exportação e distribuição da planta, fariam que o Paraguai perdesse seu trono histórico para ceder o recorde de produção a um de seus vizinhos: a Argentina.

Argentina, o rei da produção e do marketing
A Argentina é o país que mais produz, diz Lagier, atual diretor do Instituto Nacional de la Yerba Mate (YNYM) de Argentina. Nos últimos 05 anos, o país produziu 777 mil toneladas da erva verde, segundo um informe do Instituto Nacional, divulgado recentemente.
A nação também lidera em exportação do mate com um promédio anual de 35 mil toneladas, sendo seus principais destinos Síria (72%), Chile (14%), Líbano e Estados Unidos (2%). Além disso, é o país com maior superfície de cultivo da erva mate mate, totalizando 165 mil hectares. De longe, a seguem Brasil (85 mil) e Paraguai (35 mil) hectares.

O Papa Francisco é um dos mais célebres argentinos propagadores do mate pelo mundo.

Mas só estes números não conseguem explicar porquê, apesar de o mate ser próprio de outros países e de estados do sul do Brasil, a bebida está mais internacionalmente associada à Argentina. “A Argentina está se caracterizando por ter ótimos departamentos de marketing e venda de seus produtos no mundo inteiro. Prova disso é a sua carne, que é reconhecida e valorizada nos mercados mais importantes, afirma Ricca à BBC Mundo.
“Seguindo este camino, o YNYM tem desenvolvido ações de promoção em distintas feiras internacionais de alimentação em países como Alemanha e Estados Unidos, ao mesmo tempo que projeta ampliar seu mercado na Índia”, agrega.
Embora o mate seja mais produzido na Argentina, quando se trata de consumo per capita, o país mais “matero” é o Uruguai.

Uruguai, o rei do consumo
O pequeno país de apenas 03 milhões de habitantes é onde se registra o maior consumo da erva mate por pessoa, com 08 quilos anuais. Pra se ter uma referência, na Argentina que está em segundo lugar se consome 6,4 quilos por ano, por pessoa.
O diretor do YNYM sustenta, que embora os costumes que rodeam a infusão se estendam entre os países “materos”, sem conhecer fronteiras, no Uruguai existe uma particularidade: Tomam mate deslocando-se com vasilha e mate debaixo do braço.
Inclusive aos argentinos, com todas suas estatísticas de liderança em erva mate, lhes impressiona ver os uruguaios andando de bicicleta e servindo mate ao mesmo tempo.

Fenômeno histórico
“A evolução do mate em nossa sociedade, desde a intimidade do lar ao espaço público é um fenômeno historicamente recente, diz Ricca. Segundo o antropólogo Vidart, um setor político da população uruguaia mantinha o rito como um indicador de rebeldia durante o governo militar de 1973 a 1985.
O costume de tomar mate também está relacionado às ondas migratórias até Montevidéu, pois, trabalhadores e estudantes que se alojavam em pensões costumavam sair às ruas tomando mate.

O costume de tomar mate estar relacionado à resistência contra a ditadura e às ondas imigratórias em Montevideo.

Jerônimo Lagier autor do livro “Aventura da erva mate” reconhece a complexidade do rito: “Seria difícil descrever o que tudo o que o rito do mate abarca, porque vai bem mais além de verter água quente em um recipiente com erva e beber essa mistura com a bombilha”, está muito relacionada a uma espécie de camaradagem, a uma forma de levar a vida…

Traduzido do Site BBC News Mundo

Medicina na Argentina, uma excelente opção para estudantes brasileiros

O curso de Medicina sempre foi um dos mais disputados no Brasil. Para conseguir entrar em uma universidade pública, o estudante precisa alcançar uma nota extremamente alta no ENEM e para custear um curso em uma  faculdade privada, é necessário ter um poder aquisitivo bem elevado.  Por razões como essa, para conseguir realizar o sonho de seguir a carreira de medicina, muitos estudantes brasileiros estão optando por estudar na vizinha Argentina.

Sem vestibular nas universidades públicas

Diferentemente das universidades brasileiras, as universidades públicas argentinas não têm limites de vagas para vários cursos, incluindo os de Medicina, de acordo com a assessoria de imprensa das instituições acadêmicas. Essa facilidade de ingresso tem sido um chamariz para estudantes brasileiros. O sistema universitário argentino exige dos brasileiros apenas o diploma do ensino médio, reconhecido nos ministérios da Educação do Brasil e da Argentina, e um documento de identidade (o DNI, emitido pelas autoridades migratórias). O desempenho do aluno no ensino médio não é avaliado. No caso do DNI, o processo foi simplificado nos últimos anos, mas o agendamento para o início da emissão do documento pode demorar alguns meses.

Outro fator de peso, segundo acadêmicos ouvidos pela BBC Brasil, é a crise econômica brasileira.  “Nos perguntamos aqui por que tantos alunos brasileiros vieram nos últimos dois ou três anos e entendemos que o período coincide com a crise no Brasil”, disse um assessor acadêmico, pedindo para não ser identificado. “Sem dúvida, o que vem ocorrendo nos últimos tempos chama a atenção”, disse outro. A reitoria da Faculdade de Medicina da  Universidade Nacional de La Plata (UNLP) diz que, nesse caso específico, o aumento é explicado pelo fim recente da exigência da prova de admissão nas universidades públicas, colocando em prática uma lei nacional de 2015. “As provas (de admissão) deixaram de ser exigência para todas as universidades desde o retorno da democracia, nos anos 1980. Mas, por serem autônomas, algumas universidades públicas  ainda aplicavam provas”, explica o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Hector Floriani, à BBC Brasil. Ali, dos cerca de 4 mil alunos de Medicina, 1,5 mil são brasileiros. A UNR, assim como a Universidade de Buenos Aires (UBA), já não exigia há anos o exame de admissão, nem mesmo para o curso de Medicina.

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Fatores como facilidade de ingresso e preço mais acessível tem levado muitos brasileiros a optar por estudar medicina na Argentina –  Foto Arquivo Pessoal.

Universidade Adventista Del Plata

Uma das instituições que ainda exige o exame de admissão é a Universidade Adventista del Plata (UAP),  localizada na cidade Libertador San Martín na província Entre Rios, a 06 horas de Buenos Aires. É nessa universidade privada que a mineira Shara Anterina Barbosa está cursando medicina desde 2016. Um dos motivos que levaram a jovem a optar por estudar na Argentina foi justamente a maior facilidade de acesso. “Aqui existe uma espécie de vestibular em algumas faculdades privadas, chamado de exame  de ingresso.  A pessoa se inscreve e faz. Existe um material específico para estudar para fazer a prova que  não é tão concorrida como no Brasil, quando são muitas pessoas só para uma vaga. Aqui temos 03 ou 04 pessoas para uma vaga — explica Shara. 

Além da questão da facilidade de acesso, a questão econômica também pesou na decisão de Shara. “No Brasil as particulares são muito caras e as federais são muito difíceis de ingressar. Então comecei a pensar em possibilidades e vi a opção da Argentina.  Optei por estudar em uma instituição cristã, da mesma denominação que eu frequento desde criança, a Adventista. Esse enfoque missionário da Universidade me interessa bastante porque mantêm o aluno conectado globalmente. Posso fazer estágio em várias partes do mundo porque eles têm convênios com instituições em muitos países  e a possibilidade de aprovação no Revalida é muito grande, maior que 90%. Pensei em tudo isso e me pareceu uma boa ideia estudar aqui — afirma a brasileira. 

Adaptação

Sharinha, como é chamada por familiares e amigos, conta que não teve muitas dificuldades para se adaptar, especialmente porque há um grande números de compatriotas  na UAP. “Tenho muitos colegas brasileiros. No meu curso, somos metade”. “As pessoas por aqui são muito amáveis, acredito que por se tratar de uma cidade pequena facilita esse acolhimento dos moradores. Todas as cidades que conheci tem menos de 50 mil habitantes e são muito bonitas: floridas e bem limpas.

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A beleza das cidades do interior da Argentina chamou a atenção da estudante brasileira – Foto Arquivo Pessoal.

No começo o idioma foi um desafio “Em princípio tive dificuldades com o idioma, porque falavam muito rápido, mas com o tempo e com a quantidade de leitura que temos, isso vai ficando mais fácil, não demorei mais de um mês para me adaptar. Como eu já tinha uma amiga  brasileira estudando aqui foi mais tranquilo”, conta. Em relação à comida Sharinha também não teve muita dificuldade em se adaptar: “Gosto muito dos alfajores, son buenísmos, 😋 — brinca. Eu não gostava tanto, quando cheguei,  mas depois comecei a experimentar variados e realmente são muito gostosos. Eles comem muito doce de leite, pizza e macarrão. Se você gosta de macarrão vai passar bem, porque em todos os lugares você encontra”… 

Brasil

A futura médica conta que apesar de estudar fora, pretende exercer carreira no Brasil. “Eu quero ser médica no Brasil, é uma ideia que tenho, mas posso ir a outro lugar também, na verdade não tenho isso bem definido ainda. Quero ir ao Brasil, fazer o Revalida, quero ter essa segurança, mas gostaria de ir a outros lugares antes, aproveitando que aqui posso ter essa oportunidade. Adoraria voltar um dia, porque amo meu país” — afirma. 

Para quem deseja estudar fora, Shara deixa um recado: “Eu diria a um estudante brasileiro que vale muito a pena vir. Às vezes uma pessoa pensa que é muito longe, é  um outro idioma, mas o bonito que tem aqui, pelo menos na minha experiência, é que você conhece várias culturas. Eu tenho amigos, que são de todos lugares do mundo: Estados Unidos, Chile, Colômbia, Europa, tem pessoas de vários lugares.  Convivendo com elas, você começa a abrir a mente, a ver a realidade de uma outra pessoa e percebe que na realidade, o mundo é pequeno.  Essa experiência faz você expandir sua visão e começar a sonhar mais grande e acreditar que pode ir a qualquer lugar do mundo”… 🇦🇷 🇧🇷

Fonte: Portal G1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maior “gol” da carreira

Lionel Messi, maior jogador argentino da atualidade, é conhecido por sua incrível habilidade dentro de campo. Alguns comentaristas e narradores o chamam às vezes de “alienígena” devido ao fato de seu talento parecer vir de outro mundo. A habilidade técnica do camisa 10 do Barcelona não é novidade pra ninguém, mas uma notícia sobre o craque despertou a admiração de milhares de pessoas pelo mundo.

O jogador é dono da Fundación Leo Messi, “uma organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de ações de solidariedade e compromisso social, tanto na República Argentina como no mundo.”

A fundação surgiu no ano de 2007, quando Messi e sua família colocaram em prática o objetivo de proporcionar mais oportunidades de crescimento para crianças sem condições financeiras ao redor do mundo.

Uma declaração de Messi no ano de 2010 diz sobre o que motivou o jogador a criar sua própria instituição:

“Um dia, depois de uma visita a um hospital, entendi a dimensão especial de uma figura pública. Eu entendi que para aquelas crianças doentes a presença de um jogador de futebol conhecido pode ser muito útil. Você está lá e recebe o seu sorriso e para eles é uma alegria especial, porque eles têm mais vontade de continuar lutando, porque eles realmente acreditam que vão superar a doença e que vão perseguir seus sonhos.Eu alcancei meu sonho de me tornar um jogador de futebol e quero que saibam que eu lutei muito para chegar lá e tenho que lutar ainda mais para me manter. Quero aproveitar esse esforço e sucesso para ajudar as crianças que mais necessitam, porque eu fui escolhido, porque fico emocionado todos os dias que consigo fazer uma criança sorrir, quando acredita que há esperança, quando a vejo feliz. Por isso decidimos criar a Fundação Leo Messi. E continuarei a lutar para fazer as crianças felizes com a mesma força e dedicação que preciso para continuar sendo um futebolista.”

A instituição de Messi realiza ações de esporte, educação  e saúde, e ao longo dos anos está ajudando muitas crianças a terem mais qualidade de vida. No entanto, um dos novos projetos está chamando a atenção do mundo inteiro. Através da Fundação Leo Messi, e em parceria com outras empresas, como a Fundação Barça, o jogador será um dos responsáveis pela construção do maior centro de câncer infantil na Europa, que receberá o nome SJD Pediatric Cancer Center de Barcelona.

Foram arrecadados 30 milhões de euros por Messi para a construção do centro que atenderá a milhares de crianças que todos os dias enfrentam uma grande batalha para vencer o câncer e criar um futuro melhor para si mesmas.

Confira mais sobre esse belíssimo trabalho no vídeo abaixo:

É possível perceber que os participantes do vídeo fazem uma torre que simboliza o Centro Pediátrico de Barcelona, e a criança que está no topo fazendo um sinal com os dedos indicador e médio em sua bochecha, está representando um gesto com o qual Messi comemorou vários gols. O símbolo representará a luta contra o câncer infantil.

Que atitude mais linda do jogador e de todos os colaboradores, realmente pra aplaudir de pé! 👏

Fonte: Site “O Segredo”.

Saiba quais são as 20 melhores universidades da América Latina

Quem deseja estudar em uma Universidade de qualidade na América Latina, deve começar a buscar por esses cinco destinos:  Chile, Brasil, Colômbia, Argentina e México.

Esses países concentram as 18 melhores universidades latino-americanas de 2018, segundo a pontuação da classificação anual QS Latin America Rankings.  Os QS World University Rankings são classificações universitárias anuais publicadas pela Quacquarelli Symonds (QS), do Reino Unido. Trata-se de uma das três classificações internacionais de universidades mais influentes e amplamente observadas no mundo inteiro.

Quatro centros universitários, incluindo o número 01 da região, estão no Chile, enquanto o Brasil se destaca por ter sete instituições de educação superior entre as melhores avaliadas. 

Quatro instituições da Colômbia também disputam os primeiros lugares, mas a Universidade Nacional Autónoma de México (UNAM),  a maior da região está melhor posicionada que as colombianas.

Da Argentina também se destaca sua maior universidade pública, a Universidade de Buenos Aires, que alcança uma melhor pontuação na classificação global do que na regional.

Além desses países, entre os primeiros 20 lugares também está a principal universidade da Costa Rica e de Cuba.

As 20  primeiras colocadas são as seguintes:

QS Latin America Rankings 2019
1. Pontificia Universidad Católica Chile
2. Universidade de São Paulo Brasil
3. Universidad Estadual de Campinas Brasil
4. Universidad Nacional Autónoma de México México
5. Universidad de los Andes Colombia
6. Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores Monterrey México
7. Universidad de Chile Chile
8. Universidad de Buenos Aires Argentina
9. Universidade Federal do Rio de Janeiro Brasil
10. Universidad Nacional de Colombia Colombia
11. Universidad Estatal Paulista Brasil
12. Pontificia Universidad Católica de Río de Janeiro Brasil
13. Universidad de Santiago de Chile Chile
14. Universidad de Concepción Chile
15. Universidad de Antioquia Colombia
16. Universidade Federal de Minas Gerais Brasil
17. Pontificia Universidad Javeriana Colombia
18. Universidad Federal de Río Grande del Sur Brasil
19. Universidad de Costa Rica Costa Rica
20. Universidad de La Habana Cuba

Como é são avaliadas?

O grupo QS, que publica os rankings universitários mundiais a cada ano, avalia, no caso da América Latina, uma pontuação através de oito indicadores.

Os dos principais são a reputação acadêmica (30%), baseada em entrevistas com acadêmicos, assim como a qualificação que é dada por empregadores a ex-alunos dessas universidades (20%).

Também se evaluam outros aspectos sobre produção de ciência: como quantos estudos produz cada universidade e o quanto esses estudos são citados nas investigações de outras instituições.

PUC Santiago
Pontifícia Universidad Católica em Santiago – Chile – Reprodução Internet

A Pontificia Universidad Católica de Chile aparece pelo segundo ano consecutivo na primeira posição da América Latina. Embora a Universidad de Buenos Aires ocupe um lugar melhor na classificação mundial do que na regional, pois, se encontra no  lugar 73, enquanto que a universidade  chilena está na posição 132.

Isso acontece porque o ranking QS global dá um valor diferente aos indicadores:

A nível mundial a reputação acadêmica abrange 40% da calificación, enquanto que  a qualificação dos empregadores  representa uma porcentagem de 10%.

Muito bacana ver o Brasil bem representado né?

Fonte: Site BBC Mundo

Buenos Aires, um país à parte

Nossa vizinha Argentina é famosa mundialmente por ser a terra do tango, de Maradona, do peronismo, dos alfajores, entre muitíssimas outras referências. O povo argentino também é conhecido por certas peculiaridades, entre elas a de serem um tanto arrogantes e soberbos. O que muita gente não sabe, porém, é que muitos desses estereótipos são mais condizentes com a população de Buenos Aires e não com a Argentina como um todo. Costuma-se dizer que existem duas Argentinas: a da região de Buenos Aires e a do interior. O jornalista Daniel Pardo, correspondente da BBC Mundo escreveu um artigo falando sobre as principais diferenças entre os portenhos (habitantes de Buenos Aires) e os demais argentinos. É bem interessante, confira a tradução abaixo:

Em que se diferenciam os portenhos de Buenos Aires do resto dos argentinos, e como isso influi nos famosos estereótipos do país?

Mais além da General Paz, a autopista que contorna a cidade de Buenos Aires, existe outro país, embora siga sendo o mesmo.  

Nem em toda Argentina, se dança tango. Nem todos os argentinos vão ao analista ou gesticulam como os italianos. A arquitetura neoclássica não impera em todo o país, não é em toda esquina que existem cafés e livrarias, nem há protestos  todos os dias.

E nem todos os argentinos se enquadram no famoso estereótipo que se tem deles na América Latina, segundo o qual são arrogantes, egocêntricos e enganadores: se alguém é assim —   você poder crer — são os portenhos, os habitantes da capital.

E tem outra coisa: Existem várias Buenos Aires: uma coisa é a cidade de 03 milhões de habitantes, outra é o subúrbio conhecido como  “el conurbano”  e outra a enorme província bonaerense, onde podem passar  400 quilômetros sem que alguém veja uma única alma.

Os matizes podem continuar porque portenhos  introvertidos, honestos, humildes ou generosos existem muitos, posso dizer que são a maioria.

Mas mesmo tendo em conta que todos os estereótipos são exagerados e perversos, é difícil negar que os portenhos e a gente do interior não parecem do mesmo país.

Dois países

Apesar de ser federal,  a Argentina  é uma das nações mais centralizadas da América Latina. Em Buenos Aires estão mais da metade dos times de futebol da primeira divisão, as disputas políticas locais são vistas como assuntos nacionais e o governador ou governadora da província é considerado o segundo político mais poderoso do país, depois do presidente.

A maioria dos trâmites precisa ser feito na capital e para sair do país precisa-se passar por lá. A mídia nacional reporta o clima, os roubos e os crimes de Buenos Aires, mas quase nunca os do resto do país. 

Partindo do exterior a tendência de assumir o portenho como argentino é ainda maior: o tango, a pizza com azeitonas e cebola, o cumprimento com beijos entre os homens, o teatro da rua Corrientes ou as largas avenidas são vistos como argentinos, quando na realidade são portenhos.

A diferença entre a capital e o  interior é uma marca de origem: a independência da Argentina, em 1810, na realidade foi a criação de um Estado chamado “Provincias Unidas del Río de la Plata”, no qual entravam Buenos Aires, a pampa e parte do Uruguai.

Até 1860, quando se emitiu um decreto presidencial em busca de uniformidade, a palavra “Argentina” e seu gentilício só se usavam para  se referir a Buenos Aires. As regiões próximas do Rio da Prata e Buenos Aires sempre foram um país em si mesmas, talvez mais parecidos com o Uruguai que com os extremos norte e sul do país. 

O interior, por sua vez, é vários países: um meio vazio na Patagônia, outro meio boliviano nas montanhas do norte, outro meio paraguaio na região próxima da fronteira e outro meio “cordobês”  em que alguns chamam brincando de República Independente de Córdoba.

Cada região tem sua própria dicotomia entre capital e interior, assim como seus sotaques, sua cultura, e seus injustos estereótipos: os  cordobeses tem fama de engraçados e grosseiros; os mendocinos de organizados, os patagônicos de empreendedores; os chaqueños de violentos e por vai…

Com o desenvolvimento do país em direção a Buenos Aires,  o “Interior”  machucado pelas diferenças, pode se unir ao redor de seu  — justificado — esporte favorito: zombar dos portenhos.

Não é que haja sentimentos separatistas como na Espanha, mas para muitos argentinos, o que passa em Buenos Aires é tão distante como o que passa no Brasil, digamos.

A postura frente a Buenos Aires é uma forma de protestar contra o poder que se concentra ali. E contra a indiferença dos portenhos em relação aos demais argentinos.

O que os une

Mais de 90% dos argentinos vivem em zonas urbanas, cidades médias ou grandes, longe da paisagem rural. Mas como parte dessa série de percepções exageradas, a capital se vê como desenvolvida, cosmopolita, desenvolvida,  poderosa, enquanto que o interior é visto como o rural, o selvagem, o latino americano.

Essa aparente divisão do país mostra,  para o antropólogo social Alejandro Grimson, “uma história de desigualdade e incompreensão  que se atualiza em momentos dramáticos. Mostra um país que vive olhando para o Primeiro Mundo e entende pouco das complexidades da própria terra e menos ainda dos interesses de seus diversos habitantes”.

Grimson, no seu livro  Mitomanías Argentinas, explica: “Existem argentinos que habitam uma ou outra Argentina, mas a maioria vive muito mais no meio, misturada, com alguma ilusão primeromundista e outras latinoamericanistas.

peronismo
O peronismo e o futebol são outros dois fenômenos que se expandiram por todo o país e geraram uma ideia de unidade  – Imagem – AFP 

A dicotomia entre Buenos Aires e o interior é histórica e estrutural, mas há fenômenos portenhos como o futebol e o peronismo que se reproduziram em todo o país. O interior deu a Buenos Aires o costume de tomar mate, mas Buenos Aires deu ao interior o fernet, uma bebida italiana que se tornou a marca distintiva de Córdoba.

“O regime militar (1976-1983), a guerra das Malvinas (1982), a hiperinflação de 89 e a crise de 2001 foram crises que vividas de maneira simultânea em todo o país por atores heterogêneos deram a ideia de que vivemos uma mesma história”, explica Grimson à BBC Mundo.

Desde 1976, a pobreza, a corrupção política e a delinquência se converteram  em problemas comuns para a maioria dos argentinos, que aliás, responderam a isso com a mesma moeda e de maneira quase homogênea:  com protestos sociais. 

Esta união também teve  efeitos na cultura: fenômenos como a cumbia das favelas e o culto à boliviana virgem de Copacabana se propagaram por todo o país até gerar relatos comuns.

Embora a autopista General Paz esteja em boas condições a divisão que ela propõe está cada vez mais difusa.

Fonte: BBC Mundo

Um anjo chamado Justina

Há pessoas que nascem para iluminar e deixar um legado para o mundo. A garotinha argentina Justina Lo Cane com certeza é um desses seres especiais. Mesmo tendo partido muito cedo, aos 12 anos, a jovem marcará a vida de seu país pra sempre, graças ao seu exemplo de luta e solidariedade. Com um ano e meio ela foi diagnosticada com miocardiopatia dilatada, uma doença grave que pode levar ao óbito. Depois do diagnóstico, medicamentos conseguiram estabilizar o coração de Justina, e ela foi crescendo e levando uma vida normal. Mas, no ano passado, o estado do coração se agravou e ela precisaria passar por uma cirurgia.

Desde então Justina começou a angustiante espera para encontrar um coração compatível, mas infelizmente veio a falecer no dia 22 de novembro de 2017. Ainda viva, quando soube que estava na lista de espera dos transplantes na Argentina, ela fez um pedido: “Papai, ajudemos a todos que nós pudermos”. Seus pais e ela resolveram então criar a campanha “Multiplicate por Siete” que viralizou  na internet com a hastag “LaCampañadeJustina”. A intenção por trás do nome era transmitir a ideia de que se uma pessoa é doadora está multiplicando sua vida por sete.

Justina 04
História de Justina comoveu Argentina e alterou legislação sobre doação de órgãos no país – Imagem – Reprodução Internet

A campanha foi crescendo nas redes sociais e conseguiu aumentar o número de doadores pelo país. Os pais de Justina resolveram então transformar a dor pela perda da filha em luta e propuseram sugestões para que a Lei de Doação de órgãos fosse alterada. A principal mudança é esta: Todo cidadão argentino passa a ser doador, a menos que manifeste o desejo de não doar.  As sugestões viraram projeto de lei, e a chamada “Lei Justina” foi aprovada por unanimidade no Congresso argentino, seguindo agora para a aprovação do presidente Maurício Macri.

Emocionante a história não é? Bem que podia servir de inspiração para a lei brasileira. Atualmente no Brasil existem mais de 33 mil pessoas na espera por um transplante. Segundo a legislação brasileira  é preciso que o doador deixe registrado a vontade de doar e a família autorize depois para que o procedimento seja realizado. Dessa forma, muitas vidas deixam de ser multiplicadas, muitas vezes, pela burocracia…. 😦

 

Fonte: Portal G1 e Jornal La Nación – Argentina

 

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