Argentina e Uruguai cortam despesas políticas para financiar sistema de saúde

Enquanto a pandemia avança e  o número de contagiados e de vítimas fatais cresce, alguns governos da América do Sul estão adotando medidas de ajuste e realocação orçamentária para enfrentar as necessidades financeiras de seus sistemas de saúde. O Uruguai reduzirá em 20% o salário de altos funcionários e aposentadorias mais privilegiadas. Na Argentina,  o presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Massa, anunciou que vai transferir fundos destinados ao funcionamento da Casa e os chamados “recursos especiais reservados” dos deputados ao Ministério da Saúde e a organismos que estão atuando no combate ao coronavírus.

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, empossado em 1 de março, comunicou a criação do chamado “Fundo Coronavírus”, com recursos de salários de servidores e pessoas com cargos políticos.

— Não vamos reduzir o salário de funcionários públicos e políticos para economizar, e sim para gastar. Isso é solidariedade pura para as pessoas. Precisamos gastar — declarou Lacalle Pou. Seu salário também será reduzido em 20% para contribuir com o novo fundo. — Este é o momento de todos fazermos um esforço — frisou o chefe de Estado uruguaio.

A medida está prevista num projeto de lei que será enviado ao Parlamento do país. A aliança de governo, formada por cinco partidos, tem votos suficientes para aprová-la. De qualquer forma, o respaldo obtido por Lacalle Pou foi expressivo e deve facilitar o rápido tratamento do projeto.

Paralelamente, a Câmara do Uruguai já aprovou a eliminação dos chamados “fundos de imprensa”, em torno de US$ 800 (R$ 4.131) por deputado, previsto para a compra de jornais e revistas no Parlamento. O Uruguai confirmou na semana passada a primeira morte no país por Covid-19.

Na Argentina, país que tem sido elogiado por especialistas pela rapidez em adotar medidas drásticas de combate à pandemia, a Câmara, que está funcionando com reuniões e debates virtuais há mais de duas semanas, redistribuiu despesas.

As medidas de isolamento social adotados na Argentina estão sendo elogiados pelas entidades de saúde. Foto Reprodução Argentina

— Retiramos dos deputados as chamadas “despesas especiais” e usamos os recursos destinados ao funcionamento da Câmara, as despesas logísticas, e tomamos a decisão de que todos esses recursos sejam enviados ao sistema de saúde — explicou ao Jornal “O GLOBO” o presidente da Câmara argentina, muito próximo de seu colega brasileiro, Rodrigo Maia, com quem tem se comunicado nos últimos dias.

Para Massa, “numa emergência não podem existir despesas especiais da política”.

Fonte: Jornal “O Globo”

Nunca Más

No último domingo dia 24, Boca e River deixaram a rivalidade de lado, assim como os demais clubes da Argentina, para se unir em uma causa única: relembrar e protestar contra a ditadura que assolou o país há algumas décadas atrás. No dia 24 de Março de 1976, o general Jorge Rafael Videla derrubou a presidente Isabelita Perón em um golpe de estado e iniciou o brutal regime que fez um número muito alto de vítimas, entre mortos e desaparecidos. Desde 2003, o dia foi instituído pelo parlamento argentino como Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça.

As manifestações dos clubes de futebol ocorreram por todo o país e também pela internet: a hastag #NuncaMás se tornou uma das mais comentadas do dia.

Boca

Embora o tempo de vigência da Ditadura na Argentina (1976 – 1983) não tenha sido muito longo, comparado a de outros países como a do Brasil, por exemplo, que durou 21 anos, os efeitos para o país foram desastrosos, devido às inúmeras atrocidades cometidas pelos governantes autoritários. O mundo vivia o período conhecido como Guerra Fria, devido a essa conjuntura, inúmeros governos da extrema direita assumiram o comando de seus países,  prometendo combater o fantasma do comunismo.

Os promovedores da Ditadura na Argentina, em semelhança ao Brasil, a denominavam como “Revolução Argentina”. Logo após a tomada de poder, entrou em vigor no país o Estatuto da “Revolução” que legalizou as atividades dos militares. O intuito dos golpistas era de permanecerem no poder por tempo indeterminado, enquanto fosse necessário para sanar todos os problemas argentinos. A nova “constituição” proibia a atividade dos partidos políticos e cancelava quase todos os direitos civis, sociais e políticos por conta de um quase constante Estado de Sítio. Era a derrocada da cidadania.

O período da Ditadura Militar na Argentina foi cruel e sangrento, a estimativa é de que aproximadamente 30 mil argentinos foram seqüestrados pelos militares. Os opositores, que conseguiam se salvar, fugiam do país, o que representa aproximadamente 2,5 milhões de argentinos. Os militares alegam que mataram “apenas” oito mil civis, sendo que métodos tenebrosos de torturas e assassinatos foram utilizados pelos representantes do poder. O governo autoritário deixou marcas na Argentina mesmo após a ditadura,  com o restabelecimento da democracia, poucos presidentes conseguiram concluir seus mandatos por causa da grande instabilidade econômica e social.

Parabéns aos clubes e ao povo argentino, Ditadura Nunca Mais!

San Lorenzo

Fontes: Sites InfoEscola, Uol Esporte e Goal.com

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