Maradona, by Kusturica

No último dia 30 de outubro, o maior craque de futebol da Argentina, e um dos maiores do mundo em todos os tempos, completou 60 anos. Para homenagear este gênio indomável, o blog indica hoje um dos melhores materiais já feito sobre ele, o documentário: Maradona by Kusturica.

O filme dirigido pelo sérvio Emir Kusturica mergulha na intimidade do astro e nos faz conhecer melhor Diego. O diretor estabelece uma amizade com o Pibe de Oro, e dessa forma, as entrevistas selecionadas para o filme, são muito espontâneas. O astro comenta sobre as dificuldades que viveu na infância, seu senso de justiça social, sua predestinação a ser uma estrela do futebol, além de relatar suas maiores culpas e arrependimentos.

Kusturica nos mostra todo o carisma de Maradona e sua genialidade em campo, além de ressaltar seu lado humano, naturalmente fragilizado. Você vai se divertir ouvindo as histórias sobre o famoso gol com “La Mano de Dios” e com os rituais da Igreja Maradoniana.

A trilha sonora também é uma delícia, 🎼 click abaixo para conferir o filme e não deixe de ativar as legendas 😉

Para acreditar no amor

Luizito Suárez é um dos jogadores latinos mais famosos do futebol mundial. O uruguaio é conhecido pela extrema habilidade e por um comportamento um tanto temperamental em campo. Quando veste a camisa da Celeste então, costuma se tornar bem feroz. Rs

Para chegar ao topo do futebol, o atacante precisou trilhar um difícil caminho marcado por dificuldades financeiras, rebeldia adolescente e por um relacionamento  à distância que viria a transformar sua vida para sempre.

“A história de amor era um objetivo em si mesmo. Provavelmente, mais importante que ser bem sucedido no futebol porque era (uma paixão) muito intensa”. As palavras são de Martín Lasarte, ex-jogador e treinador uruguaio. 

Lasarte é o responsável pela estreia de Suárez como profissional no Nacional, quando ele tinha 18 anos. Foi também conselheiro do jogador, que lhe confiava os pesares.

“Começou a contar sobre a namorada e a distância que era a única coisa que os separava, porque estavam realmente apaixonados”, recorda o treinador. Lasarte diz que Suárez sempre mencionava quão longe estava da namorada, que morava na Espanha, como sentia falta dela e como sentiam falta um do outro. Não perdiam as poucas oportunidades que tinham de se ver.

Suárez conheceu a mulher que mudaria a vida dele em Montevidéu, capital uruguaia, quando ainda era adolescente. Mas logo Sofia Balbi se mudou para Barcelona, na Espanha. Depois que ela foi embora,  o atleta prometeu a si mesmo que, um dia, jogaria num dos principais times do futebol espanhol para ficar perto de Sofia.

Até a assinatura do contrato com o Barcelona, contudo, Suárez precisou superar muitas dificuldades dentro e fora do campo.

Nascido na cidade de Salto, em 1987, Suárez estreou no futebol aos 7 anos de idade, na equipe infantil do Urreta FC. Por isso, toda a família se mudou para a capital uruguaia.

Os pais de Suárez não tinham muitos recursos para manter os sete filhos, conta o amigo Pablo Parodi, antigo vizinho da família em Montevidéu.

“Era uma família muito unida. Em termos econômicos, eram muito pobres. Não tinham muito e era a mãe que trabalhava”, lembra Parodi.

Wilson Piris, o primeiro empresário, conta como Suárez tentava ajudar a família: “Às vezes não tinha chuteiras e jogava com chuteiras emprestadas. Ia a pé para os treinos, para economizar o dinheiro e voltar com ele para casa”. “Essas são coisas que nem todo mundo faria com 12 anos de idade”.

A habilidade com a bola fez com que ele fosse parar no Nacional, um dos maiores times do Uruguai, aos 14 anos. Mas segundo ele mesmo admitiu em 2013 à ESPN Brasil, “não teve muitas oportunidades” na equipe. “Cometi o erro de “andar com pessoas que eu não deveria e de sair à noite”, disse, na ocasião.

Os pais dele se separaram e o rapaz entrou numa fase rebelde, o que afetou seu desempenho em campo. O clube chegou a dar um ultimato a ele.

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Amor da vida

No entanto, o que realmente fez com que Suárez mudasse de vida foi uma garota dois anos mais nova que ele. Eles eram muitos jovens,  o craque tinha 15 anos, mas a paixão dos dois foi avassaladora e inspiradora.

Suárez deixou de ser um jovem que pensava apenas em se divertir e que não gostava de treinar. “Mudei quase tudo quando comecei a namorar”, disse à ESPN. “A conheci na idade perfeita. Era um adolescente, mas a encontrei num momento em que precisava porque não apenas me mostrou o caminho como me ajudou a saber quem era amigo e quem não era”.

Mas a felicidade não durou muito, porque, depois de um tempo, a família Balbi decidiu deixar o Uruguai e se mudar para Barcelona em busca de melhores oportunidades.

“No dia em que nos despedimos, eu tinha 16 e ela estava prestes a completar 14. Foi um “adeus, prazer ter te conhecido” e não um “nos vemos em breve”, por causa da nossa situação econômica.

Longe da namorada, o jogador teve uma recaída em termos de indisciplina.

Com a ajuda da internet, mantiveram o namoro à distância. Sofia pedia para ele seguir focado no sonho de ser um jogador profissional, mas o atacante deixou o esporte em segundo plano e voltou aos velhos hábitos.

Foi quando o treinador juvenil do Nacional, Ricardo “Mormullo” Perdomo, disse: “Ou  você dá um jeito na vida, ou vai embora”.

O jovem se deu conta que, na verdade, o futebol poderia ser o que o levaria até Sofia. Suárez se reinventou como jogador e se impôs uma meta: jogar no Barcelona.

Wilson Piris diz que, naquela época, poucos apostavam em Suárez. “Eu suspeitava que ele podia triunfar e ter um futuro porque ele dizia que iria jogar no Barcelona… Eu sempre falava o mesmo: que negócio é esse de jogar no Barcelona se é reserva na sétima equipe do Nacional? Não vai conseguir”. Mas Suárez nunca deixou de acreditar.

Ele voltou a brilhar e, de vez em quando, conseguia ajuda para visitar a namorada na Espanha.

Luis estava saindo com Sofia e até hoje me culpa por ter feito ele se preparar para a pré-temporada. Nós cortamos as férias dele (na Espanha) e não o escalamos como titular”, disse Mario Rebollo, que em 2004 era treinador assistente do Nacional.

A primeira lembrança que Lasarte tem de Suárez é de um jovem que foi para o treino depois de aterrissar de um voo que chegava de Barcelona.

“Para mim, o comportamento dele se destacou. Veio direto do aeroporto… me surpreendeu muito. Tinha muita vontade e estava emocionado com a temporada que ia começar”, afirma Lasarte, que via no atacante um “diamante bruto”. Para o treinador, Suárez não se deixava intimidar e tomava decisões, apesar de muito jovem.

“Ele ficaria zangado consigo mesmo se não marcasse, mesmo que estivesse ganhando”.

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Por acidente a Europa

Em 2006, um “erro” aproximou Suárez de Sofia.

“Eu estava de férias no início de junho e recebi um telefonema do diretor (do clube). Vamos comprar o jogador mais caro que jamais compramos”, conta Ron Jans, antigo treinador do clube holandês Groningen.

“Foi um erro porque tinham ido ao Uruguai ver um outro jogador. Assistiram a uma partida, viram Suárez e disseram: Queremos ele!… Foi uma compra impulsiva. Mas foi uma das melhores decisões que o time tomou”.

Suárez tinha outros motivos, que iam além da carreira como jogador, para ir morar na Europa.

“Fez o impossível. Sofia vivia em Barcelona. Não era uma relação qualquer e ele fez o necessário para estar perto dela”, diz Rebollo.

Uma vez no continente europeu, Suárez trabalhou muito duro para melhorar e trocar de time.

Em 2007, assinou com o Ajax. Quatro anos depois foi para o Liverpool, na Inglaterra. E, por fim, chegou ao Barcelona em 2014.

Sofia e Suárez se casaram em março de 2009 em Amsterdã e celebraram a união com outro casamento este ano, em Montevidéu.  Eles têm dois filhos: Delfina, de 7 anos, e Benjamín, de 4.

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Inspiradora a história deles né? Pra a gente acreditar que ainda existe amor de verdade… ❤

Fonte: Site BBC  News Brasil

De Cavani para Cavani

Você já escreveu uma carta pra si mesmo? Muita gente faz isso, especialmente para ler anos depois.  Eu ainda não fiz essa experiência, mas imagino que deve ser bem interessante, porque com o passar do tempo as mudanças são inevitáveis e imagino que a pessoa deve ter sensações que variam de nostalgia,  frustração, alegria, ou vários desses sentimentos  misturados. O craque Cavani do Uruguai teve essa experiência, mas ao contrário:  Com 31 anos escreveu uma carta para ele mesmo aos 09.  O  texto, publicado no The Players´Tribune, é emocionante, confiram abaixo:

“Caro Edinson de 9 anos,

Eu escrevo isso para o garoto que no bairro todo mundo chama de ‘Pelado’.

Quando você era bebê, não tinha muito cabelo. Cresceu pouco a pouco. Uma merda! Não havia nada que você pudesse fazer a respeito. Então, graças à criatividade de sua família, você sempre foi o ‘Pelado’.

Bem, fico feliz em dizer que nos próximos 20 anos o futebol vai mudar sua vida de muitas maneiras. Algumas muito boas, outras nem tanto. O futebol vai ajudar você a se livrar daquele apelido. Existe um cara chamado Gabriel Batistuta. Você ainda não sabe, porque o único programa que você tem a paciência de assistir na TV é Tom & Jerry. Seu irmão mais velho, Nando, será o primeiro a ser inspirado por Batistuta. Ele vai começar a se recusar a ir ao cabeleireiro. E usar o condicionador da sua mãe. E pouco a pouco, ele começará a se parecer com o magnífico Batigol. Quando ele está correndo em um campo de futebol, com seu cabelo comprido puxado para trás e segurado por um elástico, será a coisa mais cool que você já viu.

Chegará a hora em que você dirá à sua mãe: “Sem mais cortes de cabelo”.

Você vive a sua vida lá fora, com uma bola nos pés. Do jeito sul-americano. Você não sabe fazer diferente. E também, o que há para fazer dentro? Nada divertido, nada interessante. Não há PlayStation. Não há TV grande. Você não tem nem chuveiro quente. Não há aquecimento também. No inverno, seu sistema de aquecimento é feito por quatro cobertores. Quando você precisa tomar um banho, você tem uma garrafa térmica com água que você aquece na cozinha com querosene. É muito importante entender como combinar água fria e quente. De pé na banheira, você aprende a ser um alquimista.

Cavani
Cavani criança – Imagem Reprodução Internet

E, no entanto, isso será um luxo para você. Ou você não se lembra da sua primeira casa? Aquela que não tinha banheiro. Aquela casa onde toda vez que você tinha que se aliviar, você não tinha escolha senão sair e ir para a pequena cabana!

Você pode me deixar te contar um segredo? Quando me lembro dessa imagem agora, não me sinto mal. Por alguma razão, isso me enche de energia. Isso me dá coragem. É uma linda lembrança.

Não se preocupe com o que você tem na casa. Você tem que continuar vivendo sua vida ao sol, Pelado.

Além disso, qual é a razão para ter cartazes de futebol presos na parede? A cada dois ou três anos, quando você muda de emprego ou sua família não pode pagar o aluguel, você tem que se mudar para outro lugar. Mas você sabe o que é melhor? Que em cada casa nova, não importa onde esteja localizada, você sempre tem um pequeno campo do lado de fora. E também há uma bola. Não há locatário no mundo que possa tirar isso de você.

O que mais importa em sua vida neste momento, se bem me lembro, é o Gol do Sorvete.

O Gol do Sorvete é algo mágico. Eu preciso falar com alguém do PSG sobre o Gol do Sorvete. É genial. É pura motivação. A ideia era para os organizadores do campeonato juvenil de Salto. Como você motiva um bando de guris de 6 anos?

Colocando a regra de que o garoto que faz o último gol do jogo toma um sorvete.

O resultado poderia ser 8-1, mas isso não importa. É uma corrida contra o tempo. Marque o último gol do jogo. E a sensação ao ouvir o técnico que tocou o apito para marcar o final, quando você fez o Gol do Sorvete… incrível! Uma imensa alegria. Será chocolate? Você vai pegar um desses do Mickey Mouse? Seja o que for, ao longo desse dia, você é o rei.

Claro que você não é um garoto da capital, Pelado. Os meninos de Montevidéu vivem em um mundo diferente. Um mundo que você nem conhece. Um mundo de chuteiras Adidas, viagens de carro e grama verde. Em Salto, tudo é diferente. Por alguma razão, todo mundo quer jogar descalço. Algumas crianças começam os jogos com chuteiras, mas depois, no intervalo, todas as chuteiras estão empilhadas de um lado e todo mundo corre descalço. Se eu fechar meus olhos agora, ainda posso sentir a lama nas solas dos meus pés. Ainda sinto meu coração batendo, correndo atrás da bola, sonhando com sorvete.

Você carregará esses sentimentos com você por toda a sua vida, porque você é sul-americano. Você é do Uruguai. Você é de Salto. Você vive o futebol de uma maneira diferente.

A bênção e a maldição para os uruguaios é que nunca podemos relaxar. É a história do nosso futebol, é a história do nosso país. Quando colocamos o azul da celeste, sentimos o orgulho da nossa história. Temos de seguir adiante. E você vai.

Quais são seus sonhos, Pelado? Eu nem me lembro deles exatamente. O tempo os transformou em memórias difusas.

O seu sonho é jogar em Montevidéu, como Nando? Você vai conseguir, e quando fizer isso, vai sentir que está jogando na Liga dos Campeões.

O seu sonho é jogar na Europa? Você vai fazer isso e ganhará dinheiro suficiente para mudar a vida de sua família.

O seu sonho é jogar pelo Uruguai? Você fará isso e terá experiências que o farão chorar de alegria e também de tristeza.

O seu sonho é jogar uma Copa do Mundo? (Eu não vou estragar a surpresa, vou dizer que 2010 será El Loco).

Seu sonho é ter muito dinheiro, dirigir bons carros e dormir em hotéis elegantes? Bem, Pelado, você terá todas essas coisas. Mas eu tenho que te dizer uma coisa. Elas não necessariamente farão você feliz.

O que você tem agora, com 9 anos de idade, é algo de que eu sinto muita falta agora. Você não tem um banho quente. Você não tem um dólar no seu bolso. Você nem tem um bom cabelo. Mas você tem outra coisa. Algo que não tem preço. Você tem sua liberdade.

Quando criança, você vive sua vida com uma intensidade e uma paixão que são impossíveis quando adulto. Tentamos nos apegar a esse sentimento quando crescemos, mas ele começa a desaparecer. Ele escorrega pelas nossas mãos. Existem muitas responsabilidades. Muita pressão. Muita vida a ser vivida interiormente.

Você sabe como é a vida agora, aos 31 anos de idade? 

Você vai de um hotel para um ônibus e de lá para um campo de treinamento. Depois do campo de treinamento para um ônibus e um avião. Do avião você vai para outro ônibus. Do ônibus você vai para um estádio.

Em muitos aspectos, você está vivendo um sonho. Mas em muitos outros, você também é prisioneiro desse sonho. Você não pode sair e sentir o sol. Você não pode tirar as chuteiras e jogar descalço. As coisas vão acontecer de modo a tornar sua vida muito complicada. É inevitável.

Quando você é criança, você tem a sensação de que a pessoa mais bem-sucedida é aquela que tem mais coisas. Quando você cresce, percebe que a pessoa mais bem-sucedida é aquela que tem a sabedoria de viver a vida.

Quando você conseguir isso no futebol profissional, você terá tudo com que pode sonhar. E para isso você terá que ser extremamente grato. Mas tenho que ser honesto com você, Pelado. Existe apenas um lugar onde você pode ter essa liberdade total. E dura 90 minutos, se você tiver sorte.

Quando você coloca suas chuteiras, não importa se você está jogando na terra em Salto, na grama verde de Nápoles ou na frente de milhões de pessoas em uma Copa do Mundo…Eu quero lembrá-lo das palavras do seu pai.

O que ele sempre te diz, toda vez que você vai jogar?

Eu sei que você sabe disso.

Ele diz: “No momento em que você cruza a linha de cal e entra no campo, é apenas futebol. Nada que acontece fora dessa linha irá ajudá-lo com o que se passa dentro de você. Nada mais existe”.

Se você ouvir essas palavras e realmente acreditar no espírito delas, então, mesmo que a pressão seja imensa, mesmo que você esteja jogando em frente de milhões de pessoas… você sairá do campo e sentirá que está jogando descalço.

Você vai sentir a lama presa nas solas dos seus pés.

Você vai sentir o seu coração batendo e vai correr atrás da bola, como se fosse o maior troféu do mundo. Como se você tivesse jogando pelo sorvete…

Sinceramente,

Edi.

 

 

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