Pepe, uma vida suprema

Há pessoas que nos lembram com sua postura que o mundo também se transforma com pequenos gestos. Em um momento de profunda crise e dúvidas em relação às lideranças latino-americanas, o popular ex-presidente José Mujica, ou Pepe Mujica, como é carinhosamente chamado, caminha na contramão. É um raro político que não depreciou essa prática.

Com seu voto de simplicidade, com seu desapego aos bens materiais e uma vida dedicada ao bem comum, tornou-se um símbolo, incômodo, não só para adversários, mas principalmente para seus aliados, de como a política deveria ser exercida.

É um desafio enorme documentar alguém tão coerente em suas escolhas. Como retratar um dos mais simpáticos e apaixonantes líderes políticos da história contemporânea, sem incorrer no risco de mitificá-lo? É curioso que este desafio foi encarado não por um latino-americano, mas por um sérvio, Emir Kusturica.

Kusturica, 65 anos, é um dos mais celebrados diretores de sua geração, autor de obras importantes como ‘Quando Papai Saiu Em Viagem De Negócios’(1985), ‘Vida Cigana’(1988) e ‘Underground – Mentiras De Guerra’(1995). Em paralelo aos seus filmes dedica-se também à carreira de músico, com sua banda The No Smoling Orchestra. Sua trajetória é repleta de prêmios e menções em festivais importantes, como Cannes, Berlim e Veneza, onde ‘El Pepe uma vida suprema’ foi exibido.

Retratar ídolos latino-americanos não é uma novidade para esse diretor. Antes, ele realizou uma cinebiografia de ninguém menos que Diego Maradona, o controverso craque, que alguns incautos consideram melhor que Pelé. ‘Maradona by Kusturica’ (2008) é um documentário divertido e afetivo, que nos aproxima do maior ídolo do futebol argentino, revelando suas fraquezas, sua visão de mundo, seu talento incontestável e a idolatria em torno de sua figura _ há até mesmo uma ‘Igreja Maradoniana’, formada por pessoas do mundo todo para celebrá-lo com a um Deus.

Assim como fez no seu filme sobre Maradona, em ‘El Pepe uma vida suprema’ (exibido na Netflix), Kusturica investe na intimidade de seu personagem para revelar seus segredos. A estratégia, aparentemente simples, é construir o documentário como um dia na vida de um homem singular. No entanto não é um dia qualquer.

É seu último momento na Presidência do Uruguai. Antes de chegar ao posto máximo, Pepe foi líder do grupo guerrilheiro Tupamaros, lutou contra a ditadura e, após ser atingido por seis tiros, passou treze anos preso, doze deles isolado do contato com outras pessoas (esse período é retratado no filme ficcional ‘A noite de doze anos’, obra premiadíssima de Álvaro Brechner, em exibição na Netflix).

Pois eis que em seu último dia na Presidência, Kusturica o encontra a cultivar a horta na modesta chácara em que vive, nos arredores de Montevidéu, a conversar com amigos e a tomar seu mate. É bonito ver a relação de cumplicidade com sua companheira de vida Lucía Topolansky, também líder política e ex-guerrilheira, que ficou conhecida no imaginário popular na ditadura por lutar ao lado de sua irmã gêmea. Um casal feliz de idosos, que vivem uma vida austera, mas rica de significados.

Nesse dia especial, Pepe conversa com Kusturica, com a esposa e com amigos e relembra sua trajetória: revela as dores da prisão, a importância do isolamento para sua reflexão sobre a sociedade, a decisão, em comum acordo com a companheira, de não ter filhos para dedicarem-se à política, e um sincero arrependimento por essa escolha.

Mujica e sua esposa Lucía Topolansky.

Pepe cultiva a terra com seu corpo frágil, enquanto ensina algumas crianças a plantar. O trabalho na terra é, no filme, uma metáfora sobre sua vida, mas também é concreto, material. Pepe até hoje se dedica ao cultivo de flores, atividade que exerceu por toda vida, em paralelo a suas atividades na guerrilha, no parlamento e na Presidência.

Quando saiu da prisão, ele levava consigo uma flor que plantara em um penico, fazendo companhia para seu solitário confinamento. Kusturica extrai ao máximo esse simbolismo de um homem que, para além da política, tem um ofício, que é ao mesmo tempo sua sobrevivência e sua essência. E que em seu cotidiano construiu uma micropolítica em sintonia com a macropolítica que propunha.

Não é pouco. Não se trata de uma escolha de ocasião, mas de 85 anos de percurso. Nada mais longe desse personagem do que a ostentação e o consumismo. Ao olhá-lo, não podemos deixar de perguntar: não deveria ser este o comportamento de todo líder popular?

Não deveríamos pensar a política a partir do seu exemplo? Pepe não é arrivista, não faz parte da elite uruguaia, e nem aspira fazer. Há alguém mais distante do que se tornou a esquerda hegemônica na América do Sul?

Por trás da simplicidade, há os pequenos símbolos e gestos de alguém que aprendeu que a maior qualidade das pessoas é a coerência. Em um mundo de obscuridade, Pepe é o oposto. Tudo nele é límpido, inclusive sua vocação política.

Os tempos seguiram, o governo de seu sucessor chegou ao fim com graves acusações de corrupção, a direita voltou ao poder. Mas a imagem de Pepe cultivando suas flores e dirigindo seu inesquecível carro velho resiste.

O momento síntese do filme talvez seja a simbólica viagem de Pepe em seu fusca azul, modelo 1982, dos arredores de Montevidéu até o palácio de governo, onde passará a faixa presidencial. As pessoas estão nas ruas, gritam seu nome. Ele responde singelamente, apertando os olhos puxados, sorrindo. Cumpre o rito de passagem com despojamento, e depois volta para casa.

À noite, em uma roda de amigos, conversa e toma um mate, como se fechasse mais uma jornada. Aquele pequeno senhor de bigode despertou a esperança no povo uruguaio e estabeleceu uma forma de fazer política. Podemos concordar ou não com suas convicções, mas ninguém põe em dúvida a sua integridade, a maior herança que Pepe deixou para o futuro.

É um dos raros políticos que são famosos por sua sinceridade, com a qual não poupou nem seus pares (são famosas frases como “essa velha é pior que o caolho”, referindo-se, respectivamente, a Cristina Kirchner e ao falecido ex-presidente Néstor Kirchner, que era estrábico).

A viagem de fusca fecha mais um ciclo, um simbólico adeus aos tempos sombrios da ditadura uruguaia, que nós, seus vizinhos, não fomos capazes de realizar. Acompanhado do diretor Emir Kusturica, Pepe nos mostra, em sua incômoda e cativante simplicidade, que a despedida da Presidência foi apenas mais um dia na vida de alguém que lutou toda a vida.

É uma daquelas raras pessoas que o dramatugo alemão Bertold Brecht classificou como “imprescindíveis”…

Fonte: Revista Época – Coluna Thiago B. Mendonça

Gabo: A criação de Gabriel García Márquez

Se você ainda não leu nenhuma obra de Gabriel García Márquez, já vai colocando algum livro desse mestre na sua lista de livros a serem lidos antes de morrer. Gabo, como era chamado pelos mais íntimos, é um daqueles autores indispensáveis. Ele tinha a incrível habilidade de contar histórias, já conhecidas pelo público, de uma maneira totalmente espetacular. No documentário sobre sua vida, disponibilizado pela Netflix, entendemos melhor como o colombiano conseguiu elevar a literatura em língua espanhola a um outro patamar, através de seu realismo mágico.

No filme conhecemos a história de Gabo, desde a sua infância, na pequena cidade de Aracataca, na costa do Caribe colombiano. Aliás, o Caribe vai fazer parte de sua personalidade e também de sua obra durante toda vida, assim também como a criação por parte dos avós vai marcar profundamente sua existência.

O dom de escrever é algo natural para Márquez desde muito jovem, tanto que ele ganha a vida como jornalista, antes de si firmar como um grande escritor. O jornalismo é uma paixão que dura até a velhice de Gabo. O documentário mostra também como suas obras refletem a dor de uma Colômbia marcada por uma enorme violência, desde sua juventude e nos últimos tempos, especialmente relacionada aos conflitos do narcotráfico.

Gabo: a criação de Gabriel García Márquez traz depoimentos de familiares, amigos, colegas e admiradores do célebre autor de “Cem anos de solidão”. Um desses fãs é ninguém menos que o ex-presidente americano Bill Clinton, que se mostra um grande conhecedor da obra do colombiano.

Além dos depoimentos, o filme traz também entrevistas com o próprio autor, onde podemos ver características que sempre o marcaram: a doçura e a afetividade.

Se você também é fã de Gabo, não deixe de assistir ao filme, que é também uma linda homenagem… ❤

Adentrando “O Poço”

Se você ainda não assistiu, provavelmente, já ouviu falar de “O Poço”, filme lançado pela Netflix no início do ano e que se tornou um sucesso no mundo inteiro. Muitos explicam o êxito da produção ao fato dela ter sido lançada no momento de isolamento social, provocado pela pandemia do novo coronavírus. Desde o início da quarentena, temos visto cenas da vida real que nos fazem refletir sobre o que acontece no filme, afinal, qual o sentido das pessoas estocarem alimentos e produtos como papel higiênico? A única resposta está no egoísmo humano, característica largamente explorada na película.

Em O Poço, (El Hoyo) Goreng (Ivan Massagué), personagem principal da história, acorda numa cela cinza e escura, acompanhado de um senhor de idade. No meio da sala, um buraco enorme, retangular, por onde você pode enxergar tanto a cela de cima como a de baixo. Eles estão no 48º andar dessa prisão vertical.

Trimagasi (Zorion Eguileor) é o nome do companheiro de Goreng e é ele que explica para o protagonista como funciona a dinâmica do lugar. Ao soar a sirene, uma vez ao dia, uma plataforma enorme desce do andar de cima e se encaixa no buraco do chão. Nela, restos de comida, pratos sujos, copos quebrados, alimentos pisoteados. Trimagasi come com gosto o que está à sua frente, com Goreng observando assustado e enojado. 

Não é preciso ser bom em matemática para logo entender que aquela comida é o que restou do andar 47º, que comeu o que sobrou do andar 46º e por aí vai. Mas são quantos andares? Todos conseguem comer? Ninguém se importa com a higiene? São essas as perguntas que passam pela cabeça de Goreng e, consequentemente, pela nossa.

A escolha dos andares para os prisioneiros é aleatória e dura por um mês inteiro. Você pode passar um desses meses no 6º andar e receber alimentos quase intocados. Ou também pode estar no 159º e receber apenas pratos vazios durante o mês inteiro. E para nossa agonia é apenas no final do filme que descobrimos quantos andares a prisão realmente possui.

O filme espanhol dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia utiliza o roteiro da prisão para escancarar o egoísmo humano dentro de uma óbvia divisão de classes. Se quem está no topo economizasse comida, sobraria para a cela seguinte e assim todos conseguiriam comer, pelo menos um pouco. Mas as pessoas que estão nos andares de cinema abusam do privilégio ao se fartar de comida sem pensar no próximo, naquele que vai se alimentar dos seus restos.

Ao analisar o filme como obra cinematográfica, “O Poço” é um longa metragem que entretém ao nos deixar curiosos, fascinados e, ao mesmo tempo, angustiados mediante àquela realidade. É um daqueles filmes que nos dá tapas na cara ao mostrar, mesmo que numa situação absurda, como a nossa humanidade está se esvaindo. É pesado, é sangrento e mostra o pior (e até o melhor) que pode ser extraído de nós numa situação extrema.

Trimagasi, interpretado por Zorion Eguileor, é um dos destaques do filme, óbvio… Rs

O roteiro faz uma crítica ao sistema capitalista e ao socialismo ao mesmo tempo. É inevitável não lembrar do grau de desigualdade social que o sistema capitalista produz ao assistir a película; mas por outro lado, quando o personagem principal Goreng tenta estabelecer uma espécie de socialismo dentro da prisão, pra que ninguém mais passasse fome ali, ele acaba tendo que partir pra violência pra tentar alcançar seu objetivo. Nesse momento, Goreng percebe que o conceito de solidariedade espontânea, defendido por uma de suas companheiras de cela, que havia trabalhado na administração da prisão, não passa de uma grande ilusão.

Além das inúmeras reflexões sobre a sociedade que o filme produz, a obra é cheia de referências bíblicas e também à maior obra da Literatura Espanhola de todos os tempos: “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes. Apesar da temática do filme ser bem pesada, existem uns momentos de ironia, que chegam até a mesmo a nos descontrair, dando um toque de humor pra aliviar a tensão. Esses momentos surgem através do velhinho Trimagasi e sua maneira “óbvia” de interpretar os acontecimentos. Todos esses ingredientes nos fazem refletir durante toda a película e constamos que ” O Poço” será uma obra sempre atual, pois, infelizmente o egoísmo é uma característica permanente na espécie humana.

Assista ao vídeo abaixo para entender melhor como o filme dialoga magistralmente com o clássico de Cervantes. E lembre-se: mais importante que o final em si é a mensagem que o filme deseja transmitir….

Fonte: Site Jovem Pan

Conhecendo o vilão

Todos nós fãs de “La Casa de Papel” desenvolvemos um grande amor por alguns personagens, e um grande ódio por outros. Nessa última temporada, o mais odiado de todos, sem dúvida, foi o implacável Gandía. O vilão que apareceu sorrateiro na parte 3 e roubou a cena na parte 4 da série cumpriu sua função e nos deixou curiosos para saber um pouco mais sobre a carreira dele. O responsável por tantas emoções controversas é José Manuel Poga, ator espanhol de 40 anos.

Para começar, vamos exaltar o lado bom. Nos bastidores, a relação dele com Nairóbi, ou melhor, com a Alba Flores, é só amor. O perfil oficial de “La Casa de Papel” teve até que divulgar algumas imagens para conter um pouco os ânimos de quem já queria sair metralhando o ator por causa das maldades de seu personagem.

A Netflix fez questão de ressaltar que a relação entre o vilão seus companheiros nos bastidores é ótima.

Gandía é tão ruim com os personagens que mais amamos na parte 4 de “La Casa de Papel” que nem dá tempo de reparar em outras coisas. Mas muita gente que teve curiosidade e foi investigar um pouco mais a fundo sobre o ator se surpreendeu com a beleza dele em outros papéis da carreira.

O visual com barba rendeu elogios do público.

Antes de virar Gandía e ganhar o reconhecimento mundial com “La Casa de Papel”, o ator se destacou por seus papéis em “La Luz Con El Tiempo Dentro” (2015), “El Niño” (2014) e “Mel de Laranjas” (2012). Infelizmente, nenhum deles está disponível no Brasil. Mas eis aqui uma listinha de outras séries e filmes com José Manuel Poga e que você pode encontrar na Netflix:

  • “Fugitiva” (série com uma temporada);
  • Toro (filme com 1h46 de duração;
  • “A Trincheira Infinita” (filme com 2h27 de duração).

Uma notícia triste para aqueles que adoram ficar acompanhando os atores enquanto a série não volta, é que o intérprete de Gandía ainda não tem perfil nas redes sociais. Mas, para compensar, tem um monte de conta de fã surgindo para abastecer a curiosidade dos seguidores da série espanhola. Quem sabe ele não resolve criar uma conta oficial em meio ao isolamento social não é? 🤔

Fonte: Portal Uol

Explicando o fenômeno

Se você já assistiu a quarta temporada de “La Casa de Papel” não pode deixar de ver o documentário sobre a série lançado pela Netflix. A produção explica as razões que levaram a produção a se tornar um fenômeno de audiência em todo o planeta.

Inicialmente, a série seria transmitida apenas na Espanha através do canal Antena 03 e contaria com somente uma temporada, mas depois que a Netflix adquiriu os direitos da produção e a disponibilizou em seu catálogo, a história mudou completamente.

No documentário, atores, diretores e produtores contam como aconteceu essa mudança radical na série e também em suas vidas pessoais, além de narrarem desafios enfrentados nas gravações e na produção dos roteiros. O filme mostra também como a série transcendeu os limites do entretenimento pra se tornar um símbolo da resistência pelo mundo inteiro.

Pra você que é fã da série, e curte saber boas histórias de bastidores, o documentário é imperdível!

Chocante

(Alerta de spoleires). A quarta parte de “La casa de papel” deixou a todos nós, fãs da série, em estado de choque, pois, perdemos nossa personagem mais querida. Nairóbi sobrevive ao tiro levado na parte 03, mas acaba não resistindo às crueldades do terrível Gandía. Aliás, o chefe de segurança do banco da Espanha é o grande vilão dessa temporada, roubando a cena e nos deixando tensos, em vários momentos, pela sua frieza e maldade natas. Gandía consegue ser mais odiável que a inspetora Alicia Sierra. Na parte 04 conhecemos um lado mais humano da terrível grávida, torturadora de garotos. Outro personagem marcante, que realmente parece não ter nenhuma qualidade a se admirar é o intragável Arturito, que mostra uma face ainda mais deplorável durante esse novo roubo.

José Manuel Poga interpreta Gandía, o grande vilão dessa temporada.

Ao contrário de Arturito, que só piora a cada episódio, a personagem interpretada por Úrsula Corberó, dá um grande salto. Se na terceira temporada, vimos uma Tóquio inconsequente, que é capaz de tomar um porre por causa de dor de cotovelo em pleno assalto, nessa quarta parte ela se mostra muito mais consciente e com uma frieza e inteligência que a tornam vitais para o grupo.

Outros personagens que merecem destaque são Antoñanzas (infiltrado dentro da polícia) e Júlia (Manila, infiltrada entre os reféns), que desempenham papéis importantes no desenrolar da trama. A surpreendente história de Manila é explicada em detalhes, assim também como a relação de Palermo e Berlim. Por falar no personagem falecido, um dos episódios retrata o casamento dele com a amada Tatiana, o que nos faz pensar que ela ainda deve ganhar algum destaque nas próximas temporadas, afinal, sua presença não deve ter aparecido na série por acaso não é?

E já pensando na continuação, como os roteiristas vão trabalhar daqui pra frente sem a personagem mais carismática de todas, a Nairóbi? Será que eles deram um tiro no pé? O que vocês acham? Essas e outras perguntas vão ficar para a quinta temporada, que devido à crise do coronavírus, deve demorar bastante ainda pra sair…

O final dessa parte 04 não ajuda muito os fãs a conterem a ansiedade, porque assim como na parte 03, termina muito aberto, numa estratégia para atiçar nossa curiosidade. Uma coisa é certa: os produtores terão que usar ainda mais a criatividade pra suprir a falta que a Nairóbi vai fazer…

Mate a saudade se divertindo e se emocionado com grandes momentos da personagem de Alba Flores na série.

La parte 04

Hoje, dia 03 de abril, estreia a quarta parte do maior sucesso da Netflix dos últimos tempos: “La Casa de Papel”. Pra você que está em casa de quarentena, na luta contra a propagação do novo coronavírus, melhor programação não há.

No encerramento da última temporada, o professor declarou guerra ao sistema, após o planejamento do assalto mais arriscado de todos os tempos, ter ido por água a baixo. Todos queremos saber qual o desfecho do bando, especialmente o da querida Nairóbi, que terminou a terceira temporada com a situação mais complicada, correndo risco de morrer.

E pra você que é fã da série, quais são suas apostas? Quem sobrevive e quem deve dar adeus nessa próxima temporada? E será que o plano tão sonhado por Berlim no fim dará certo, apesar de todos os percalços? Muito em breve, para nosso alívio, já teremos essas respostas….

O Sol do México

Você que é fã de música e de uma boa história não pode deixar de assistir “Luis Miguel La Serie”.  A produção da Netflix conta a história de um dos principais astros latinos de todos os tempos. A série autorizada por Luis Miguel e baseada no livro Luis mi rey, la apasionante vida de Luis Miguel (Luis, meu rei, a apaixonante vida de Luis Miguel), do jornalista e escritor espanhol Javier León Herrera, mostra detalhadamente a trajetória do cantor, que se tornou famoso ainda criança.

Luis Miguel e Diego
Luis Miguel e Diego Boneta que o interpreta na série – Reprodução Internet

A trama prende nossa atenção desde o primeiro episódio mostrando como o  protagonista tem que fazer inúmeros sacrifícios pessoais para alcançar o êxito profissional. Diego Boneta, que dá vida a Luis Miguel, além de ser muito parecido com o próprio, também é cantor, o que dá ainda mais realismo à história.

A biografia do Sol do México é realmente cinematográfica: muitos amores, tribulações,  mistérios, excesso de dinheiro e fama, além é claro de muito talento.  Se você ainda não conhece essa badalada história, não perca mais tempo e já vá se preparando para se emocionar bastante…

Fonte:  Portal G1

O que nossos assaltantes preferidos sabem sobre o Brasil?

Nessa sexta dia 19 finalmente chega ao fim nossa espera pela tão aguardada estreia da terceira parte de “La Casa de Papel”. A série, que é o maior sucesso em língua não inglesa, veiculado pela Netflix,  teve um êxito estrondoso também em nosso país.

Prova disso é o engajamento  nas redes sociais: A publicação de marca mais comentada do Facebook em 2018 veio do Brasil envolvendo  “La Casa de Papel”. Segundo números da empresa de análise de mídias sociais Socialbakers, a publicação foi feita na página brasileira da Netflix  e teve mais de 287 mil comentários.

O estudo incluiu as 100 maiores marcas ativas no Facebook e analisou interações feitas entre o dia 1º de janeiro e 18 de novembro de 2018. Entraram no monitoramento: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e o sudeste asiático.

Por aqui o sucesso dessa eletrizante história fez com que os artistas que dão vida aos enigmáticos personagens  se tornassem figuras conhecidas e idolatradas entre os fãs brasileiros. Mas será que eles conhecem muito sobre o Brasil? Vamos descobrir nesse link abaixo o que alguns deles sabem sobre as terras tupiniquins:

https://tv.uol/17wqc

Fontes:  Uol Entretenimento e Revista Exame

Roma

Dizem que os melhores filmes são aqueles que nos fazem refletir por dias e dias depois depois que o assistimos. Esse, sem dúvida, é o caso de Roma do diretor mexicano Alfonso Cuarón. A produção fez história tornando- se  a primeira obra mexicana a ganhar a estatueta de “melhor filme estrangeiro” no Oscar. Cuarón já havia levado o troféu antes na categoria “melhor diretor” pelo trabalho em Gravidade de 2014.

Mas antes mesmo de levar esses dois importantes trofeús, Roma já havia feito história meses antes se tornando a primeira obra em espanhol a ser indicada ao prêmio de ‘melhor filme’.   Foi  também a primeira produção de um serviço de streaming a ser indicado para a maior festa do cinema mundial, além de ter sido a primeira vez  que uma indígena mexicana foi indicada na categoria de melhor atriz.  Outro fato inédito foi a indicação para o prêmio de “melhor diretor” e “melhor roteirista” para a mesma pessoa, no caso Cuarón.

A obra realmente mereceu toda essa atenção e reconhecimento. O diretor conseguiu, através da história de Cleo, uma empregada doméstica indígena que trabalha para uma família branca, abordar pontos obscuros da sociedade mexicana: como o machismo, a miséria, desigualdade e injustiças sociais e raciais de seu país. Incrível pensar como a história de alguém que era tratado particularmente  como um ser invisível para a maioria das pessoas que a cercavam, pode ser uma fonte tão rica de reflexão e de compreensão do funcionamento de uma sociedade.

Grande parte da força do filme vem da interpretação de Yalitzia Aparicio, que dá vida à Cleo. Ela nasceu no interior de Oaxaca, no sul do México, onde até pouco tempo atrás dava aulas para crianças da pré-escola. Seu papel em Roma,  impressionantemente foi seu primeiro trabalho como atriz — e foi excepcional, diga-se de passagem.

Gravado em preto e branco, Roma traz imagens completamente diferentes do que estamos acostumados hoje em dia. A atenção de Cuarón para os detalhes do figurino e dos cenários e as longas cenas em plano-sequência garantem imagens lindas e emocionantes. Um ótimo exemplo — sem detalhes para não estragar a surpresa — é uma cena inteira que se passa no mar e consegue acelerar o coração do espectador. Não à toa, a Netflix também exibiu o longa em salas de cinema, pois uma obra de arte dessas também merece ser assistida nas telonas.

Por que “Roma”?

O título do filme é o nome do bairro onde a trama se desenrola, Colonia Roma, uma zona em que a classe alta mexicana se estabeleceu na primeira década do século 20 e onde existem até hoje suntuosas mansões e palacetes de inspiração europeia. Desde o terremoto de 1985, a região passou por várias transformações arquitetônicas e demográficas, ainda que atualmente continue a ser um bairro de classe média e uma das zonas residenciais mais emblemáticas da cidade. Mas o motivo pelo qual o filme se passa ali tem a ver com a intenção do diretor de recriar sua infância: Cuarón cresceu em uma casa na rua Tepeji, em Roma, que aparece em uma das cenas do longa.

O luxuoso bairro serve também como um símbolo para contrastar com as diferenças sociais de outros ambientes pelos quais passam os personagens, em especial Cleo, a protagonista. Diferentemente de seus patrões, ela e outra amiga, que também trabalha como empregada doméstica na mesma casa, dormem em um quarto minúsculo, enquanto os namorados de ambas vivem em um bairro muito pobre e distante dali.

Homenagem

Cuarón dedica o filme a “Libo”, que é como ele e sua família chamam Liboria Rodríguez, uma mulher de origem indígena que começou a trabalhar com eles quando o diretor tinha só 9 meses e cuja história de vida serve de base para a história. Rodríguez, que veio da aldeia de Tepelmeme no Estado de Oaxaca, cuidou desde então das crianças da família de Cuarón, como muitas empregadas domésticas que tiveram um papel central na vida dos filhos de muitas famílias da América Latina.

Aviões

Em vez de usar estúdios de filmagens, Cuarón decidiu rodar seu longa em uma casa em Roma, que foi reconfigurada meticulosamente para que se parecesse com o local onde cresceu. Roma fica próximo de um dos corredores aéreos pelo qual passam centenas de aviões que cruzam diariamente os céus da Cidade do México para aterrissar em seu aeroporto internacional, por isso, são uma presença constante no céu do bairro… e de quase toda a cidade.

Por isso, os aviões não estão apenas na abertura e no encerremento do longa, mas seu som permeia todo o desenrolar da trama. Mas isso é apenas uma parte da explicação. Há também um fato autobiográfico: Cuarón era fascinado por aviões e sonhava em ser piloto quando era pequeno (o ator que interpreta o diretor quando criança conta isso a sua babá). Além disso, há uma conotação simbólica. Cuarón contou que as aeronaves cruzando o céu do México transmitem a ideia de que as situações que os personagens atravessavam são transitórias e que há um universo que vai além de seus contextos pessoais.

Cuarón
Com “Roma”  Alfonso Cuarón levou a estatueta de melhor diretor pela segunda vez.

Metalinguagem

As idas ao cinema não são apenas uma válvula de escape de Cleo para suas tarefas domésticas, mas também para as crianças de que ela cuida. Roma utiliza um recurso narrativo conhecido como “metarrelato”, ou “cinema dentro do cinema”, em que produções cinematográficas anteriores são homenageadas pelo autor – inclusive, algumas próprias. Em uma das cenas, as crianças vão com a babá ver Sem Rumo no Espaço (1969), um dos filmes favoritos do diretor quando criança e que lhe serviu de inspiração para Gravidade.

Há uma cena de parto similar à que ocorre no filme de Cuarón Filhos da Esperança (2006), e, como em E Sua Mãe Também (2001), dirigido por ele, a mãe conta aos filhos em um bar ao ar livre próximo da praia que seu pai os abandonou. Nos créditos de Roma, aparece o mantra “Shantih Shantih Shantih” (Paz, paz, paz), que também aparece em Filhos da Esperança.

Massacre

Um dos elementos que a crítica mais tem aclamado é a cuidadosa recriação de época, não apenas pelos cenários, vestuários e programas de televisão, mas pela forma tangencial com que apresenta contextos sociais do México nos anos 1970. Uma das cenas mais dramáticas mostra a matança de estudantes conhecida como o massacre de Corpus Christi ou “Halconazo“, que ocorreu em 10 de junho de 1971 e que ainda é hoje um dos eventos mais tristes da história do país. O incidente começou como um protesto estudantil pela libertação de presos políticos e por mais investimentos em educação, e terminou como um banho de sangue quando o governo enviou soldados treinados pela CIA, de um grupo paramilitar financiado pelo Estado e conhecido como Los Halcones, para reprimi-los.

De acordo com versões de alguns sobreviventes, a princípio, os paramilitares usaram bastões e varas de bambu empregados na arte marcial japonesa kendo, como o usado por um dos personagens do filme em seu treinamento, mas, depois, foram usadas armas de fogo. O fato do namorado de Cleo praticar o kendo em um local distante no Estado do México e se referir aos treinamentos também deixa em aberto uma possível referência aos grupos paramilitares. O massacre de Corpus Christi deixou 120 estudantes mortos, de acordo com registros oficiais, mas acredita-se que o número de vítimas possa ter sido ainda maior. O acontecimento é retratado de forma hiper-realista no filme em uma das suas cenas mais comoventes, na qual novamente as desigualdades sociais marcam o desenrolar da trama.

Pra quem curte uma obra intimista, realista e puramente “humana” Roma é realmente indispensável!

Segue abaixo um vídeo com uma  ótima crítica pra deixar você com ainda mais vontade de conferir essa obra prima de Cuarón:

Fontes: Sites BBC Brasil e Guia da Semana

 

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