Marielle Presente na Argentina

O assassinato da vereadora e ativista Marielle Franco completou um ano no último dia 14 de março. O crime, que ceifou precocemente a vida de Marielle,  e de seu motorista Anderson chocou o Brasil e o mundo inteiro. Marielle era uma mulher que havia conquistado seu espaço na política fugindo a todos os padrões: era negra, favelada, bissexual e não tinha nenhum parente no cenário político. As lutas que ela tratava incomodaram aos que sempre estiveram no poder, por isso, quiseram calar a sua voz. O que eles não esperavam, porém, que ao invés de silenciar, deram ainda mais força a essa guerreira:  Hoje seu nome é ecoado por todos os que sonham por um Brasil mais justo e mais humano.

marielle

O clamor por justiça e o reconhecimento da luta de Marielle ultrapassaram fronteiras  e se fizeram fortes na nossa vizinha Argentina.  Na semana em que se completou  um ano da morte da vereadora carioca, grupos de direitos humanos argentinos e brasileiros realizaram uma série de homenagens em Buenos Aires.

No dia 14, data de seu assassinato, a cidade amanheceu com placas de rua com o nome de Marielle Franco em vários locais públicos. “Escolhemos os mais significativos para brasileiros, como a frente da embaixada e alguns ícones da capital, como a avenida 9 de Julio e o Congresso”, conta Renata Benítez, do coletivo Passarinho.

Além das placas, foi lido um manifesto no Obelisco. “Desde a morte dela, estamos conversando com os grupos de direitos humanos locais sobre as bandeiras que ela representa, porque nossa intenção é que sua luta continue, por meio do ativismo”, diz Benítez.

Ao  Jornal Clarín , ativistas de direitos humanos atuantes na Argentina explicaram que as placas simbólicas foram espalhadas pelas principais ruas e avenidas da cidade em uma “intervenção artística de expressão política” fazendo parte dos vários atos para lembrar o legado da vereadora.

Além dos locais já citados, uma das estações do metrô de Buenos Aires foi batizada “temporariamente” com o nome da ativista assassinada. Uma vereadora da cidade de Buenos Aires já entrou com um pedido para que a estação Rio de Janeiro do metrô passe a chamar-se, definitivamente, “estação Rio de Janeiro – Marielle Franco”. O projeto irá a votação pelo parlamento local ainda neste semestre.

metrô-Buenos-Aires
Estação de metrô na capital argentina – Buenos Aires – Reprodução Internet

No sábado dia 16 foi inaugurado em San José, no município de Lomas de Zamora, na Província de Buenos Aires, um anfiteatro com o nome “Mujeres Latinoamericanas Marielle Franco“, o local fica numa praça pública.

Algumas das principais e mais populares entidades de direitos humanos do país se uniram à causa, além de sindicatos, jornalistas e personalidades destacadas pela luta por direitos, entre elas Anistia Internacional, Madres de Plaza de Mayo e Abuelas de Mayo, entidades conhecidas internacionalmente pela luta contra a impunidade dos atos da ditadura argentina (1976-1983).

Marielle segue e seguirá presente!

Fontes: Jornal El Clarín, Blog do Esmael e Folha de Pernambuco.

Um anjo chamado Justina

Há pessoas que nascem para iluminar e deixar um legado para o mundo. A garotinha argentina Justina Lo Cane com certeza é um desses seres especiais. Mesmo tendo partido muito cedo, aos 12 anos, a jovem marcará a vida de seu país pra sempre, graças ao seu exemplo de luta e solidariedade. Com um ano e meio ela foi diagnosticada com miocardiopatia dilatada, uma doença grave que pode levar ao óbito. Depois do diagnóstico, medicamentos conseguiram estabilizar o coração de Justina, e ela foi crescendo e levando uma vida normal. Mas, no ano passado, o estado do coração se agravou e ela precisaria passar por uma cirurgia.

Desde então Justina começou a angustiante espera para encontrar um coração compatível, mas infelizmente veio a falecer no dia 22 de novembro de 2017. Ainda viva, quando soube que estava na lista de espera dos transplantes na Argentina, ela fez um pedido: “Papai, ajudemos a todos que nós pudermos”. Seus pais e ela resolveram então criar a campanha “Multiplicate por Siete” que viralizou  na internet com a hastag “LaCampañadeJustina”. A intenção por trás do nome era transmitir a ideia de que se uma pessoa é doadora está multiplicando sua vida por sete.

Justina 04
História de Justina comoveu Argentina e alterou legislação sobre doação de órgãos no país – Imagem – Reprodução Internet

A campanha foi crescendo nas redes sociais e conseguiu aumentar o número de doadores pelo país. Os pais de Justina resolveram então transformar a dor pela perda da filha em luta e propuseram sugestões para que a Lei de Doação de órgãos fosse alterada. A principal mudança é esta: Todo cidadão argentino passa a ser doador, a menos que manifeste o desejo de não doar.  As sugestões viraram projeto de lei, e a chamada “Lei Justina” foi aprovada por unanimidade no Congresso argentino, seguindo agora para a aprovação do presidente Maurício Macri.

Emocionante a história não é? Bem que podia servir de inspiração para a lei brasileira. Atualmente no Brasil existem mais de 33 mil pessoas na espera por um transplante. Segundo a legislação brasileira  é preciso que o doador deixe registrado a vontade de doar e a família autorize depois para que o procedimento seja realizado. Dessa forma, muitas vidas deixam de ser multiplicadas, muitas vezes, pela burocracia…. 😦

 

Fonte: Portal G1 e Jornal La Nación – Argentina

 

Inveja Hermana

“Inveja Branca” é uma expressão popular que significa inveja do  “bem”. Acontece quando desejamos algo alheio sem que isso, no entanto, prejudique  a ninguém. Ou seja, não queremos que o outro deixe de ser ou ter alguma coisa, apenas desejamos  ter aquilo também. Nesses últimos dias experimentei essa sensação da “inveja branca”, ou melhor dizendo, foi uma “inveja hermana”. Já me explico Rs.

Nessa semana houve vários protestos na Argentina por causa da votação da Reforma da Previdência por lá. Entre os principais pontos da reforma proposta pelo governo de Mauricio Macri estão a alteração na fórmula de ajuste que passaria a ser determinada por um composto de 70% da taxa de inflação e 30% da variação no salário médio dos trabalhadores estáveis.

Outro ponto determina que mulheres com 60 anos de idade e homens com 65 anos e, em ambos os casos, um mínimo de 30 anos de contribuições, podem optar por prolongar a vida ativa até 70 anos.

Mas, uma vez que o trabalhador complete 70 anos e atenda aos requisitos necessários para acessar o Benefício Único Universal (PBU), o empregador pode intimá-lo a iniciar os procedimentos relevantes. A partir desse momento, o empregador deve manter a relação de trabalho até que o trabalhador obtenha o benefício e por um período máximo de um ano.

Críticos afirmam que a reforma reduzirá os pagamentos de pensões, bem como a ajuda para algumas famílias pobres. Quase 50% dos aposentados na Argentina recebem o benefício mínimo, cerca de 400 dólares ao mês. Os demais recebem entre 50% e 60% do que ganhavam quando eram ativos.

Os defensores da reforma argentina afirmam que a intenção das mudanças é garantir, durante os próximos anos, uma fórmula que defenda  os aposentados contra a inflação. Esse discurso, porém, não está colando muito por lá.   E ao contrário do que acontece aqui no Brasil, a população de nossa vizinha não está aceitando passivamente a aprovação dessa reforma, que pode prejudicar especialmente os mais pobres.

Nesta segunda-feira (18), enquanto os deputados tentavam aprovar o projeto, foram registrados panelaços e protestos que terminaram em confronto, em Buenos Aires.

À tarde, a polícia disparou balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos de água e foi alvo de pedradas. Segundo o jornal “Clarín”, o confronto, que teve início por volta das 13h30, durou mais de duas horas. A Guarda Nacional foi acionada. Foi decretada também uma greve geral nos transportes, como forma de demostrar a insatisfação popular.

Manifestante
Manifestantes protestam em Buenos Aires contra aprovação da Reforma da Previdência na Argentina  (Foto: Victor R. Caivano/AP Photo)

Apesar da violência nunca ser algo positivo, foi impossível não sentir uma ponta de inveja da mobilização dos nossos vizinhos, e uma certa vergonha também por nós brasileiros sermos tão pacatos. Alguns dos cartazes dos protestos na capital portenha continham os seguintes dizeres: “Aqui não é o Brasil” – numa referência à facilidade com que o governo daqui tem em aprovar reformas nocivas para a grande maioria da população brasileira, como a Trabalhista e a agora a da Previdência que ficou  pra ser votada no próximo mês de fevereiro. É realmente lamentável que lutemos tão pouco contra a perda de direitos e nos limitemos apenas (quando muito) a protestar nas redes sociais. Isso é tudo que governos sem escrúpulos, como o de Temer querem.

Mesmo com os esforços da população, a Reforma Previdenciária na Argentina acabou sendo aprovada no Congresso, nesta terça-feira (19) por  128 votos a favor, 116 contra e duas abstenções, após 17 horas de sessão. Mas diferentemente do que acontece por aqui temos a certeza  de que lá a população não vai aceitar perder direitos de forma calada, e essa decisão poderá ser revista, pelo menos em alguns pontos, daqui pra frente, de maneira que não prejudique tanto os mais carentes. Já pelos lados de cá, não dá pra ter muita esperança de um 2018 melhor, já que pelo visto, aceitaremos todas as imposições, e ainda transformaremos tudo num grande carnaval, ou num grande circo se você preferir…

Fontes:  G1 e Estadão.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑