Professora e mapuche: Conheça a chilena eleita para presidir o organismo que vai elaborar a nova constituição do país

Em uma decisão carregada de simbolismo e refletindo o espírito da Convenção Constitucional do Chile, que teve início no dia 04 de julho, Elisa Loncón foi eleita a presidente do órgão que deve redigir a nova constituição do país.

A indígena, de 58 anos, presidirá o órgão que criará a nova Carta Magna, que deve substituir a atual, herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Loncón é professora, linguista e ativista mapuche — maior etnia indígena do Chile. Ela foi eleita por maioria absoluta (96 dos 155 votos) no segundo turno da sessão de abertura da Convenção.

“Agradeço o apoio das diferentes coalizões que deram sua confiança e depositaram seus sonhos no chamado feito pela nação mapuche para que votassem em uma pessoa mapuche, uma mulher, para mudar a história deste país”, declarou Loncón no primeiro domingo do mês, ao aceitar o posto com o punho cerrado acima da cabeça.

“Você pode dialogar com a gente, não tenha medo, porque também está instalada uma política do medo. Há muito preconceito sobre uma candidata indígena e mapuche. Então, esse é um chamado para nos libertarmos dos nossos preconceitos e interagir em condições iguais”, disse Loncón em uma entrevista recente ao periódico chileno “La Tercera”.

Sua eleição é uma mudança drástica para grupos que não estão reconhecidos na atual Constituição. “Esta convenção vai transformar o país e torná-lo plurinacional e intercultural”, declarou a professora.

A eleição de Loncón é também uma amostra da maioria dos progressistas entre os 155 parlamentares que compõem a assembleia. Com uma direita enfraquecida, com apenas 38 das 155 cadeiras, e a ascensão de candidatos independentes — em sua maioria progressistas —, a convenção terá a missão de colocar no caminho um país duramente afetado por uma crise social e institucional.

Loncón ocupa umas das 17 cadeiras reservadas para povos indígenas, sete das quais estão ocupadas por representantes do povo mapuche, duas pelo povo aimará e um para representantes de cada um dos outros povos: kawésqar, rapanui, yagán, quechua, atacameño, diaguita, colla e chango.

Elisa Loncón é professora e militante mapuche – Imagem Divulgação

Nascida em Traiguén, na região de La Araucanía, no sul do Chile, um reduto mapuche, Loncón viveu a sua infância na comunidade Lefweluan. Recentemente, ela contou ao jornal espanhol El País que para ir à escola “tinha que viajar por oito quilômetros de sua casa na comunidade mapuche”, percurso que costumava fazer a pé. A maior parte da família dela ainda vive naquela comunidade.

Loncón se formou como professora de inglês na Universidade La Frontera, em La Araucanía, e fez pós-graduação no Instituto de Estudos Sociais de Haia e na Universidade de Regina, no Canadá. Ela também possui doutorado em Humanidades pela Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e um doutorado em literatura na Pontifícia Universidade Católica do Chile.

Eleição simbólica

A eleição de Loncón é simbólica porque um dos principais debates para a redação da nova Carta Magna é o reconhecimento dos povos indígenas. A definição dos direitos para as comunidades indígenas e o debate sobre um Estado plurinacional são temas fundamentais.

Entre as demandas das comunidades indígenas está a criação de um Estado que aceite a autonomia e os direitos desses povos. Além disso, pedem garantias em termos territoriais e de reconhecimento de sua cultura e língua, entre outros pontos.

“Esse é um grande problema que vai custar caro, que precisará de muitas reparações históricas. E obviamente é complicado porque toca em direitos de propriedade. Mas é fundamental. Os modelos da Nova Zelândia e do Canadá são os mais interessantes (sobre o tema)”, propôs o doutor em Ciência Política Juan Pablo Luna, professor da Universidade Católica do Chile, em recente entrevista à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC).

Chile e Uruguai estão entre os poucos países latino-americanos que carecem de reconhecimento explícito dos povos indígenas em suas constituições. Do outro lado estão a Bolívia e o Equador, duas nações que não só reconhecem esses povos, mas também optaram por consagrar o caráter plurinacional de suas constituições.

Elisa com a bandeira Mapuche – GETTY IMAGES

Luna afirmou que a inclusão de direitos garantidos e reconhecidos na Constituição para as comunidades indígenas não representa apenas um forte efeito simbólico.

O doutor em Ciência Política apontou que vários países da América Latina que incorporaram esses direitos, como Brasil e a Colômbia, passaram a ter a Justiça como aliada dos povos indígenas para o reconhecimento de seus direitos constitucionais — como questões territoriais, acesso à saúde, entre outros direitos.

O prazo para que uma proposta de Constituição no Chile fique pronta é, no máximo, um ano desde o início oficial dos trabalhos, no domingo. Em 2022, um plebiscito, com voto obrigatório, definirá pela aprovação ou rejeição da proposta.

A atual Constituição chilena, herdada da ditadura Pinochet, é repudiada por muitos setores do país por seu modelo neoliberal no qual foram privatizados serviços básicos como água, educação e previdência.

Muita sorte ao povo chileno nesses novos tempos que surgem! ✊ 🌹 🇨🇱

Fonte: BBC Brasil

Negro amor

Ao navegar, sem muitas pretensões pelo mar aleatório do Youtube vejo um dueto que me chama instantaneamente a atenção: a diva da MPB brasileira Gal Costa e o ganhador do Oscar, Jorge Drexler. Nesse clipe, os dois fazem uma nova versão de “Negro Amor”, cada um de sua casa, devido a esse momento ainda pandêmico.

♪ Em 1977, ao gravar o então inédito folk Negro amor, Gal Costa uniu os traços modernistas das obras de Caetano Veloso e Bob Dylan em registro agudo, pautado pela intensidade. Uma das melhores faixas de Caras & bocas, álbum de ambiência roqueira lançado pela cantora naquele ano de 1977, Negro amor é versão em português It’s all over now, baby blue, música da inicial fase folk do cancioneiro de Dylan.

Gravada em janeiro de 1965 e lançada em março daquele ano no quinto álbum de estúdio do cantor e compositor norte-americano, Bring it all back homeIt’s all over now, baby blue flagra o bardo contestador ainda em ambiência acústica, mas já à beira da transição da obra para o universo eletrificado do rock.

Na versão brasileira intitulada Negro amor, escrita por Caetano Veloso com Péricles Cavalcanti em português que mantém a alta carga poética da letra original de Dylan, a música incorpora referências brasileiras, aludindo à química da música de Jorge Ben Jor ao anunciar que “os alquimistas estão no corredor”.

Decorridos 43 anos do emblemático registro original de Negro amor, Gal (ar)risca “outra vida, outra luz, outra cor” para a versão brasileira do folk de Dylan em gravação feita com a voz e o violão de Jorge Drexler, cantor, compositor e músico uruguaio residente em Madrid, na Espanha.

A gravação faz parte do álbum “Nenhuma Dor” em que, sob a direção artística de Marcus Preto, Gal comemora seus 75 anos de vida revisitando músicas do próprio repertório ao lado de elenco masculino que, além de Drexler e Rubel, inclui António Zambujo, Criolo, Rodrigo Amarante (em Avarandado), Seu Jorge (em Juventude transviada), Silva, Tim Bernardes, Zé Ibarra (em Meu bem, meu mal) e Zeca Veloso (em Nenhuma dor).

Em tese, qualquer nova abordagem de Negro amor por Gal é arriscada pela improbabilidade da cantora reeditar o tom visceral da gravação original de 1977. Surpreendendo, a artista dribla bem o risco. A voz de Gal soa com viço  – e se harmoniza com o fluente canto em português de Drexler.

A disposição dos violinos, violas e violoncelos – produzem uma espécie de fricção que potencializa o significado dos versos cantados de forma alternada por Gal e Drexler em gravação que culmina com o verso em espanhol “Y no queda más nada, negro amor”.

*Com informações do Portal G1

Uruguai colhe bons frutos da campanha de vacinação contra a covid

As internações em terapia intensiva e mortes por covid-19 foram reduzidas em mais de 90% na população geral do Uruguai que tomou as duas doses das vacinas CoronaVac e Pfizer, mostrou relatório divulgado pelo governo em junho.

O país, com 3,5 milhões de habitantes, tem conduzido uma bem-sucedida campanha de vacinação, que o coloca junto com o Chile na vanguarda na América do Sul. Segundo dados do Ministério da Saúde Pública, quase 52% da população receberam uma dose da vacina contra a covid-19 e 29% foram imunizados com as duas doses até o dia 1º de junho. Os resultados do relatório incluem as pessoas vacinadas com ambas as doses, depois de mais de 14 dias após a aplicação da última.

Sobre a vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, o estudo mostrou que “em todos os subgrupos analisados o percentual de eficácia para reduzir casos incidentes supera os 61%; a redução de entrada nas unidades de terapia intensiva (UTIs) é acima de 92%, e a de redução de mortes pela doença passa de 95%”. Os subgrupos para a CoronaVac correspondem às populações entre 18 e 49 anos de idade, e entre 50 e 69 anos.

Vacinas reduzem mortes e internações na UTI em mais de 90% no Uruguai – Imagem – Correio Braziliense

Em relação à vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, o documento acrescenta que “o índice de eficácia para reduzir casos incidentes supera os 78%, em reduzir admissões na UTI passa de 94% e de evitar mortes supera os 94%”. O imunizante da Pflzer foi destinado a pessoas com 80 anos ou mais, e aos profissionais de saúde.

#VacinaSim 💉

Fonte: Agência Brasil – EBC

Entenda o contexto histórico e social envolvido na polêmica frase do presidente argentino Alberto Fernández

Um dos assuntos que ganhou a mídia e as conversas pela América Latina, na última semana, foi a polêmica envolvendo o presidente da Argentina. A declaração de Alberto Fernández, de que, os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos (…) que vinham da Europa” expôs a resiliência de um mito sobre a formação do povo argentino que remonta ao século 19, e foi condenada por setores da sociedade local empenhados em reconhecer as suas raízes indígenas e africanas.

Fernández fez o raciocínio na última quarta-feira (09), durante um encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Buenos Aires. A fala imediatamente provocou reação dentro e fora da Argentina. Mais tarde, ele escreveu no Twitter que se orgulhava da “diversidade” do país, que não quis ofender ninguém e pediu desculpas “a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado”.

Frase do presidente repercutiu mal na Argentina e também internacionalmente – Reprodução Internet

Composição étnica da Argentina

Assim como em outros países latino-americanos, a população da Argentina tem três raízes fundamentais: os povos originários que já ocupavam o território há milhares de anos, os europeus que invadiram o continente e os escravos africanos levados para lá à força. Nos séculos 16 a 19, estimativas apontam que mais de 200 mil escravos africanos chegaram a Buenos Aires e a Montevidéu, capital do Uruguai. Um censo realizado em 1778 apontou que cerca de um terço da população da Argentina era formado por afrodescendentes e africanos.

O maior fluxo migratório para o país ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões de europeus, principalmente da Espanha e da Itália, mudaram-se para a Argentina. Junto a isso, iniciou-se um esforço deliberado do Estado para reduzir a presença dos negros e povos originários nos registros oficiais.

Em 2010, pela primeira vez desde o final do século 19, o censo da Argentina perguntou se as pessoas eram afrodescendentes, mas muitos ativistas consideram que faltou o governo promover, antes, um processo de sensibilização para que essa parcela da população se reconhecesse como tal.

Naquele ano, apenas 0,4% da população local se declarou afrodescendente. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em 2008 a partir da coleta de material genético, no entanto, estimou que 9% dos argentinos têm origem africana, e que 31% descendem dos povos originários.

Origens da autoimagem europeia

Gisele Kleidermacher, professora da Universidade de Buenos Aires e especialista em sociologia das migrações, afirma à DW Brasil que a declaração de Fernández causou espanto por ele ser o presidente do país, mas coincide com o que pensam muitos argentinos.

Esse imaginário começou a ser construído por um grupo de políticos e intelectuais no século 19, que assumiram a condução do país após a independência da Espanha e se dedicaram à construção da nação argentina. Faziam parte desse grupo o escritor e ativista Esteban Echeverría (1805-1851) e o intelectual e sétimo presidente da Argentina Domingo Sarmiento (1811-1888).

“Eles começaram com a ideia de povoar o país com pessoas que viessem de outras partes da Europa, e não somente da Espanha e da Itália, mas principalmente da Inglaterra, da Alemanha, e da França, porque consideravam que esses países estavam mais desenvolvidos, e que isso não tinha a ver apenas com sua economia, mas também com seu perfil populacional”, afirma Kleidermacher.

Nessa época, estavam em voga conceitos do racismo científico, segundo o qual haveria raças superiores e inferiores entre os homens – tese hoje rechaçada pela ciência.

“Eles consideravam que as populações presentes na América Latina e na Argentina, majoritariamente de povos originários e afrodescendentes trazidos ao país pela escravidão, não teriam um perfil populacional que servisse para criar uma nação desenvolvida”, diz a professora da Universidade de Buenos Aires.

Mercedes Sosa, uma das mais famosas artistas argentinas de todos os tempos, tem origem indígena – Reprodução Internet.

Processo intencional de invisibilização

A partir dessa concepção, houve um esforço do Estado para esconder as raízes ligadas aos povos originários e aos escravos. “No nosso país [Argentina], tratou-se de apagar esses componentes por meio de diversos mecanismos. Em alguns casos, com um genocídio direto no qual tentou-se exterminar parte da população originária [como na Campanha do Deserto]. Em outros casos, com a segregação residencial, os separando em áreas desfavorecidas e menos visíveis, ou com uma invisibilização censitária”, diz Kleidermacher.

Essa estratégia se somava à narrativa de que a Argentina “descendia dos barcos” que chegaram da Europa. Navios esses que aportaram principalmente em Buenos Aires, que não é representativa do perfil populacional das outras áreas do país.

O antropólogo Norberto Pablo Cirio, diretor da Cátedra Livre de Estudos Afro-argentinos e Afro-americanos da Universidade Nacional de La Plata, afirma que quatro instituições foram essenciais para implementar essa estratégia: o censo, os museus, o mapa e a escola.

“Desde a segunda metade do século 19, o Estado prega uma memória exclusiva, de matriz europeia, uma história parcial do surgimento da Argentina que nega que sua riqueza material e cultural se deve a genocídios contra os povos originários, à apropriação de suas terras e ao benefício de 350 anos do comércio de escravos”, diz.

Ele menciona que a população afrodescendente deixou de ser mencionada em textos de história e exposições em museus, de ser considerada nos censos e de ser indicada no mapa do país. “A escola foi, e é, parte vital na reprodução geracional dessa memória branca”, afirma. “Diferentemente do resto da América Latina, este país tem sérios problemas mentais para se assumir americano, isso é, mestiço.”

Mudanças à vista?

A forte reação da mídia argentina e de outros países à fala de Fernández é um sinal de mudanças em setores da sociedade que buscam reconhecer a diversidade étnica do país e reagir a tentativas de esconder os segmentos de origem não europeia, diz Kleidermacher.

Isso está relacionado a uma narrativa mundial “multiculturalista”, mas também a movimentos locais na Argentina, como os indígenas que se identificam como “marrones”, que apontam as fontes de sua discriminação e reivindicam a sua história. “Mas são processos lentos. A narrativa sobre a nação argentina branca e europeia tem dois séculos, e os processos para romper com isso também são lentos”, afirma…

  • Com informações do Portal G1

Chile e Uruguai anunciam vacinação de jovens a partir de 12 anos contra covid-19

As autoridades sanitárias do Chile e do Uruguai aprovaram nesta semana a administração da vacina contra Covid-19 produzida pela Pfizer e BioNTech em menores de idade a partir de 12 anos. A imunização de adolescentes nos países sul-americanos começará depois dos Estados Unidos, Canadá e da União Europeia (UE) também terem aprovado a vacina do laboratório americano para a faixa etária.

A informação sobre a aprovação no Chile foi divulgada pelo Instituto de Saúde Pública (ISP) na segunda-feira 31. Já o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, anunciou a notícia nesta terça-feira 1º.

Em entrevista à emissora Canal 10, Lacalle Pou confessou estar preocupado com a pandemia no Uruguai e disse que até o final desta semana a programação será aberta para que jovens a partir de 12 anos possam ser vacinados. O chefe de governo insistiu que ele está confiante nas medidas implementadas por seu governo e no processo de vacinação.

A este respeito, ele confirmou que o Uruguai acaba de assinar “uma reserva de mais de 500.000 doses da vacina CoronaVac” para aumentar sua distribuição. O governo uruguaio vem cogitando administrar uma terceira dose para reforçar a eficácia dos imunizantes que estão sendo inoculadas no país, os de Pfizer e AstraZeneca e a CoronaVac.

No Chile, a vacinação de adolescentes entre 12 e 16 anos deve começar nas próximas semanas. A faixa etária se juntará às 7,9 milhões de pessoas que já receberam o calendário completo de vacinação no país, que tem 19 milhões de habitantes.

Uruguai e Chile anunciam vacinação para público entre 12 e 18 anos – Imagens: Reprodução Internet

Até hoje, o Chile recebeu quase 22 milhões de vacinas, sendo 17 milhões delas a CoronaVac. Também há 3,6 milhões de doses do imunizante da Pfizer, 693,6 mil da AstraZeneca e 300 mil da CanSino.

Além dos países sul-americanos, a vacina da Pfizer também foi aprovada em adolescentes nos Estados Unidos, no Canadá e na União Europeia. O laboratório americano solicitou no último dia 20 a aprovação da vacina em jovens a partir de 12 anos e forneceu estudos favoráveis de agências como a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA).

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) liberou na última sexta-feira a aplicação da vacina da Pfizer e da BioNTech, com tecnologia RNA mensageiro, para jovens de 12 a 15 anos de idade.

Inevitável pensar, nesse momento, que o Brasil poderia estar nesse mesmo ritmo de vacinação, não é mesmo? 😓

Fonte: Revista Veja

América Latina ultrapassa um milhão de mortes pela Covid-19

O número de mortos por Covid-19 na América Latina e no Caribe ultrapassou a marca de 1 milhão, no último domingo dia 23, em meio ao agravamento da pandemia na região, de acordo com levantamento da Universidade Johns Hopkins.

Das montanhas da Bolívia a São Paulo, a pandemia inundou os sistemas de saúde subfinanciados depois de se espalhar rapidamente por países onde muitas pessoas sobrevivem com dificuldades e não conseguem permanecer em isolamento social. No Peru, uma das nações mais atingidas na região, pacientes de Covid-19 morreram em corredores de hospitais lotados da capital Lima. Em Manaus, capital do Amazonas, moradores morreram por falta de oxigênio no início do ano.

Com casos caindo na Europa, Ásia e América do Norte, e estáveis na África, a América do Sul é a única região em que novas infecções estão crescendo rapidamente em uma base per capita, de acordo com a publicação Our World in Data. Atualmente, porém, é a Índia que está lutando contra um dos piores surtos do mundo. Na média em maio, 31% das mortes por Covid-19 no mundo ocorreram na América Latina e no Caribe — onde vivem apenas 8,4% da população global.

Médicos e epidemiologistas dizem que a pandemia de coronavírus pegou governos despreparados de surpresa no ano passado e seu impacto foi agravado por líderes que minimizaram sua gravidade e não conseguiram garantir o fornecimento de vacinas em tempo hábil. Os oito países que registraram maior número de mortes por Covid-19 per capita na semana passada foram todos na América Latina.

“Em vez de nos prepararmos para a pandemia, minimizamos a doença, dizendo que o calor tropical desativaria o vírus”, disse o dr. Francisco Moreno Sanchez, chefe do programa Covid-19 em um dos principais hospitais do México e crítico do plano de vacinação do governo.

Na média em maio, 31% das mortes por Covid-19 no mundo ocorreram na América Latina e no Caribe – onde vivem apenas 8,4% da população global. GETTY – IMAGES.

Com o número de mortos aumentando constantemente, os cemitérios de vários países foram forçados a expandir fileiras e mais fileiras de novas sepulturas. Em uma ruptura com a cultura tradicional predominantemente católica da região, os mortos costumam ser enterrados com poucos ou nenhum parente para se despedir.

Brasil

Com mais 450 mil mortes, o Brasil, que se tornou um epicentro do coronavírus, foi o país com mais mortos na região e o segundo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Na América Latina, nosso país é seguido em número de óbitos por México e Colômbia, e juntos representam cerca de 74% de todas as mortes na América Latina.

Em termos globais, o Brasil é o terceiro país mais afetado em casos confirmados de Covid-19, atrás da Índia e dos Estados Unidos.

O governo do presidente Jair Bolsonaro, que demostrou ceticismo em relação às vacinas em vários momentos, e é um crítico do isolamento social, está sendo investigado por uma CPI a respeito de sua condução da pandemia.

A média diária de mortos na América do Sul diminuiu em maio para 3.872, dos 4.558 em abril, de acordo com uma análise da Reuters. Mas os casos estão aumentando novamente e as mortes são um indicador lento, geralmente aumentando semanas depois de um surto de novas infecções.

A vacinação na América do Sul está atrás de grande parte do mundo. Na América do Sul, apenas 15% das pessoas receberam pelo menos uma dose, em comparação com 28% na Europa e 34% na América do Norte. Apenas Ásia e África estão abaixo, com 5% e 1%, respectivamente, de acordo com Our World in Data até 19 de maio.

Fonte: CNN Brasil

Conheça a mexicana que conquistou o universo

A mexicana Andrea Meza, de 26 anos, foi eleita a Miss Universo 2021 perto da meia-noite da última segunda-feira (17), em um evento no Seminole Hard Rock Hotel & Casino Hollywood, na Flórida, Estados Unidos. 

Nascida em Chihuahua, no México, ela é modelo, engenheira de software e embaixadora oficial do turismo de sua cidade natal. Esbanjando 1,82 m e cabelos castanhos, a jovem também já foi coroada Miss Mundo, em 2017 e era apontada como uma das favoritas ao título.

Em sua descrição no site oficial do concurso, Andrea que tem a luta pelos direitos femininos como sua principal pauta, diz sentir orgulho da formação acadêmica. “Por ser uma mulher que se formou em uma área de estudo dominada por homens”.

Já o seu perfil do Instagram conta com um destaque chamado “Ni Una Más” (Nem uma a mais, em português), onde mostra seu ativismo marcando participação em protestos e palestras com abordagem para a violência de gênero.

Andrea é defensora dos direitos das mulheres.

Questionada pela jurada Brook Lee, vencedora do concurso em 1977, sobre o que já teria feito para lidar com a pandemia do Coronavírus, caso estivesse no comando do governo do país, ela ressaltou a importância do lockdown.

“Eu acredito que não existe uma forma perfeita de lidar com uma situação tão difícil quanto a Covid-19, mas acredito que eu teria iniciado o lockdown antes mesmo da situação se espalhar tanto. Nós perdemos tantas vidas e devemos cuidar das pessoas. Eu teria cuidado delas desde o início”, pontuou.

Miss Vegana

Andrea também é adepta ao veganismo, nada de origem animal entra em seu cardápio.  Inclusive ela adora compartilhar com fãs e seguidores receitinhas com verduras, frutas e legumes. Tudo bem coloridão! E no meio da agenda corrida, ainda sobra tempo para o crossfit. 

Beleza e consciência aliadas em uma só miss. 🌹

Fonte: Portal Terra – Diversão

Para além da fronteira oficial

Você já reparou que muitas cidades norte-americanas tem o nome em espanhol? Los Angeles, Las Vegas, Santa Monica, San Diego, El Paso, são alguns exemplos. Mas se os Estados Unidos foram colonizados pela Inglaterra e tem o inglês como idioma oficial, por que isso acontece? A resposta tem a ver com uma questão histórica: grande parte do território que hoje integra o país, pertencia, ao vizinho do Sul, o México. Click no vídeo abaixo, preparado pela BBC Brasil, e saiba como sucederam os acontecimentos que mudaram a história dos 02 países, no século 19, e deixaram reflexos até nos dias atuais.

Vacinação reacende a esperança na Espanha

A  vacinação  libertou as residências geriátricas do jugo da covid-19 na Espanha. Com mais de 90% das pessoas em residências (idosos na maioria) imunizadas contra o coronavírus, o número de óbitos, desta faixa etária, despencou no país.

Segundo o último relatório do Instituto de Idosos e Serviços Sociais (Imserso), ligado ao Ministério dos Direitos Sociais, entre 29 de março e 4 de abril só foram registrados 45 contágios e dois mortos. É uma queda de 99,7% no número de mortos — e de 98% nas infecções — em relação à última semana de janeiro, quando a terceira onda chegava a seu auge e a vacinação ainda não havia surtido efeito. Desde então, a diminuição da onda e os efeitos da imunização maciça nas residências provocaram o desabamento dos casos e mortes, deixando as casas de repouso quase livres de covid-19: em 12 comunidades autônomas não houve contágios em Abril.

As residências geriátricas eram o local perfeito para um vírus que cresce nos espaços fechados e é mais grave nos idosos. A crise sanitária encontrou esses locais desprotegidos e o coronavírus entrou sem resistências. Pelo menos 19.012 idosos residentes com covid-19 morreram em 2020, primeiro ano da pandemia.

Mas esse número pode ser maior, já que, durante a primeira onda, o acesso a testes diagnósticos foi restrito e muitos idosos com sintomas compatíveis não foram diagnosticados. De fato, o relatório do Imserso reúne mais 10.492 idosos mortos nas residências com um quadro clínico compatível com a covid, mesmo que a doença não tenha sido confirmada. “A primeira onda foi terrível. O vírus encontrou aí um caldo de cultura para intensificar sua transmissão e destroçou as residências”, lembra Daniel López-Acunã, ex-diretor de Emergências da Organização Mundial da Saúde  (OMS).

As residências se blindaram durante boa parte de 2020, mas não conseguiram se livrar do vírus. Somente as vacinas, que começaram a chegar a conta-gotas desde 27 de dezembro e foram priorizadas a trabalhadores e idosos de residências, mudaram a realidade desses locais. Os trabalhadores e os residentes tomaram a vacina da Pfizer, de duas doses (a segunda 21 dias após a primeira). Um mês após a primeira injeção, já estavam protegidos.

O relatório do Imserso constata os efeitos da vacinação. Durante o mês de janeiro, quando as injeções nas residências aceleraram, ainda havia contágios e mortes em alta: quase 11% dos centros tinham casos na terceira semana de janeiro – 8%, na quarta – e foram contabilizados entre 18 e 24 desse mês 718 mortes. Na semana seguinte se chegou ao pico de mortes semanais de 2021, com 771. Mas a partir de fevereiro, entretanto, as novas infecções e as mortes caíram radicalmente. “Nesta curva é preciso levar em consideração como a evolução da terceira onda influenciou [no final de janeiro chegava em seu auge] e a vacinação. Os idosos se vacinaram em janeiro e precisavam de duas semanas para ter proteção suficiente. Na quarta semana, a proteção é completa, mas a partir da segunda já é de 80%”, diz Salvador Peiró, epidemiologista da Fundação para o Fomento da Pesquisa Sanitária e Biomédica da Comunidade Valenciana.

O avanço da vacinação na Espanha trouxe resultados muito positivos na luta contra a covid-19. Imagem: Reprodução Internet

No início de Abril, somente a Andaluzia e a Catalunha reportaram mortos, um em cada comunidade, mas o relatório do Imserso esclarece que os dados andaluzes correspondem a casos notificados, ou seja, que a morte pode ter acontecido em semanas anteriores. De qualquer modo, o matiz não modifica a tendência de queda a cada semana, com algum aumento pontual: na semana anterior, de 22 a 28 de março, 24 residentes faleceram com covid; de 15 a 21, se registraram 17; de 8 a 14, foram 22; entre 1 e 7 de março, 33.

Com os contágios acontece a mesma coisa: as residências registram desde meados de março por volta de 45 contágios por semana, números bem distantes dos mais de 4.000 semanais que chegaram a ser contabilizados em janeiro. “Ficamos contentes em confirmar as esperanças colocadas nas vacinas. Tínhamos certeza que iriam cortar os contágios e foi o que aconteceu. Agora estamos muito mais tranquilos, mas não podemos relaxar. Estamos recuperando as atividades nas residências e as visitas, mas com prudência”, diz Jesús Cubero, do sindicato patronal Aeste.

Após meses confinadas, as residências começaram a abrir, aceitam visitas e os idosos podem sair. Mas as medidas de segurança são mantidas, como as máscaras e também os equipamentos de proteção individual entre os funcionários. Estão mais tranquilos, mas atentos: “Sofremos muito e dá medo de falar que tudo vai bem, mas a verdade é que o efeito da vacina foi excepcional”, diz Cinta Pascual, presidenta do sindicato patronal Ceaps. Em uma das residências foi realizada uma festa na sexta-feira dia 09 de Abril, para comemorar o 25º aniversário do local: “Ousamos colocar alegria no corpo. Com medidas, em quatro refeitórios diferentes, com máscaras e distância, mas fizemos chocolate com churros, bebemos vermute e houve apresentações musicais. Precisamos nos atrever a abrir. É uma terapia que todos nós precisamos”, afirma.

Fonte: El País Brasil

Conservadorismo rouba cena no Peru

A partir de 28 de julho, o Peru terá um presidente populista e conservador, independentemente de quem ganhe o  segundo turno da eleição presidencial, marcado para junho. Os dois candidatos, a direitista Keiko Fujimori e o professor  Pedro Castillo, estão em lados opostos no espectro ideológico, mas coincidem no rechaço à igualdade de gênero, ao casamento homossexual e a legalização do aborto. E as ideias conservadoras não terão espaço apenas no Executivo: Pela primeira vez, haverá no Congresso uma bancada da ultradireita católica.

Apuradas 95% das urnas, o professor e sindicalista rural Castillo soma 19% dos votos, enquanto a filha do ex-autocrata Alberto Fujimori, ela própria acusada de lavagem de dinheiro ficou com 13%, 26 pontos a menos do que sua votação na eleição de 2016. O número de votos em branco chegou a 12%, e a abstenção foi de 28%, apesar de o voto no Peru ser obrigatório.

Castillo adota posições de esquerda radical, defendendo um Estado forte, o fim dos monopólios privados e a erradicação da “exploração trabalhista”, mas ao mesmo tempo é profundamente intransigente aos avanços sociais. Ele surgiu no cenário nacional em 2017, durante uma greve de professores de dois meses que pedia melhores salários e condições profissionais. Desde então, manifestou-se repetidamente contra o enfoque da igualdade de gênero no currículo escolar e contra o casamento igualitário. Também afirmou durante a campanha que se opõe a legislar sobre o aborto ou a eutanásia.

Keiko Fujimori, que tenta pela terceira vez a presidência, também se opõe ao casamento igualitário e se declara defensora da família, para explicar que não pretende promover nem reconhecer os direitos da população LGBTI nem o aborto em caso de estupro. Ela prometeu “pulso firme” contra a delinquência e o indulto do seu pai, que cumpre pena de 25 anos de prisão por crimes de corrupção, roubo e homicídio cometidos durante seu Governo (1990-2000), em um contexto de graves violações aos direitos humanos. Entretanto, há um mês um promotor peruano pediu 30 anos da prisão para a própria candidata e a dissolução do seu partido depois de uma investigação iniciada em 2018 por lavagem de dinheiro e por supostamente receber doações milionárias da empreiteira brasileira Odebrecht e de um grupo financeiro peruano para suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016.

À espera do segundo turno, o cenário político peruano, abalado desde 2016 pela instabilidade institucional, parece se deteriorar ainda mais. O Peru teve quatro presidentes neste período, e muitos congressistas usam seus cargos para bloquear possíveis investigações e julgamentos dos líderes partidários, a maioria por casos de corrupção.

O advogado e professor Juan de la Puente explica: “O Congresso eleito é muito mais conservador que o que tivemos nos últimos anos, e fragmentado. Essa correlação é interessante porque é muito provável que os setores conservadores obtenham uma maioria parlamentar para dar sustentabilidade a um Governo de Fujimori ou para realizar uma oposição dura ao Governo de Castillo”.

Segundo turno no Peru será disputado, em junho, por dois candidatos com visões conservadoras

Segundo as projeções da imprensa de Lima, baseadas numa apuração rápida da empresa Ipsos Peru e no escrutínio parcial do Gabinete Nacional de Processos Eleitorais, a formação Peru Livre, que lançou a candidatura de Castillo, teria a maior bancada no Congresso, entre 32 e 35 deputados, seguida pelo Força Popular, de Fujimori, com 24. O Parlamento no Peru é unicameral e tem 130 membros.

O terceiro partido com maior representação seria o Ação Popular, do candidato presidencial Yohny Lescano ―uma formação política sem doutrina única, fraturada em duas desde as eleições de 2016. Esta divisão se agravou em novembro passado, quando um setor propiciou a derrubada do Governo de Martín Vizcarra investigado por subornos que teria recebido na época em que era governador departamental, segundo promotores que o investigaram. O grupo político encabeçado pelo candidato presidencial César Acuña, também com vários de seus militantes sentenciados ou investigados por crimes comuns e corrupção, deve eleger 14 deputados.

O Congresso terá também um grupo fundamentalista radical, o Renovação Popular, do empresário ultradireitista Rafael López Aliaga, membro da organização conservadora católica Opus Dei. Com 13 assentos, é a primeira vez que alcança uma representação própria como partido religioso e radical. López Aliaga rejeita taxativamente o aborto, mesmo em caso de estupro, e propõe que meninas que engravidem devido a agressões sexuais sejam acolhidas em seus hotéis cinco-estrelas antes de parir.

O primeiro reflexo da guinada conservadora no Peru talvez se veja na eleição do defensor do Povo e do Tribunal Constitucional, opina o analista De la Puente. Fernando Tuesta, ex-diretor da Organização de Processos Eleitorais, projeta que 11 grupos políticos terão representação no novo Congresso. Apesar da chegada de mais conservadores e do nulo interesse na pauta social e na política ambiental por parte dos partidos com maior representação, o jornalista e cientista político Enrique Patriau estima que não será um Congresso pior que o atual. “Mas sim: o Peru se recusa a deixar de olhar para o abismo”, sentencia.

Fonte: El País Brasil

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