Pequena cidade na Argentina é totalmente isolada após churrasco “fatal”

Em 19 de março, o presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou em sua residência oficial em Buenos Aires que no final do dia a Argentina se tornaria um dos primeiros países da região a entrar em quarentena obrigatória.

No entanto, a centenas de quilômetros de distância, em uma pequena cidade da Patagônia, um grupo de vizinhos decidiu que o decreto presidencial não iria atrapalhar seus planos de desfrutar de um churrasco de domingo.

Não era apenas um churrasco: era também uma festa de aniversário; então, depois de comer, o grupo de familiares e amigos seguiu comemorando.

Comeram churrasco e compartilharam cerveja e vinho da mesma garrafa”, disse o prefeito da Loncopué, no oeste da Argentina, onde o evento foi realizado.

A violação das regras acabou provando-se mortal. Alguns dias depois, o aniversariante, um homem de 64 anos, morreu. As autoridades de saúde confirmaram seu diagnóstico positivo por covid-19.

Outro homem de 68 anos, que nem participou das celebrações, morreu após ter sido infectado por um dos filhos do aniversariante.

E pelo menos 29 moradores de Loncopué testaram positivo para o vírus, um deles uma mulher de 61 anos que teve que ser hospitalizada em um hospital próximo.

O tamanho do surto levou as autoridades regionais a declarar o isolamento total desta cidade de cerca de 6.000 habitantes, bloqueando as vias de acesso. Todas as lojas também foram fechadas.

O promotor que ordenou o isolamento disse que tomou a decisão “para a proteção da saúde pública de todos os cidadãos da cidade, locais próximos e da província em geral”.

O presidente Alberto Fernández foi um dos primeiros líderes nacionais a decretar o isolamento social na América Latina.

Lição

Por sua parte, o prefeito de Loncopué, Walter Fonseca, alertou que “às vezes, quando a quarentena não é realizada adequadamente, essas coisas acontecem”.

“Tem que ser uma lição para pessoas de outros locais entenderem que isso (isolamento social) não é uma piada”, disse ele ao canal de notícias A24.

“Quarentena significa quarentena: você tem que ficar em casa, não pode receber visitas nem nada do tipo.”

“Lamentamos profundamente o que aconteceu conosco, a perda de nossos vizinhos”, disse ele.

Paciente zero

Os pesquisadores ainda não foram capazes de determinar quem foi o “paciente zero” que levou o coronavírus para Loncopué.

Provavelmente, acreditam eles, um vizinho contraiu o vírus durante uma visita a uma cidade vizinha, onde outras infecções foram registradas.

Eles estão convencidos de que o fatídico churrasco teria sido uma das principais fontes de propagação. Vários dos participantes estão entre os casos que deram positivo para a covid-19.

Mas os primeiros que morreram como resultado desse contágio nem participaram da celebração.

O filho da vítima, Claudio, disse que seu pai provavelmente contraiu o vírus de um vizinho, um jovem gasista, que o ajudou a limpar seu aquecedor.

O jovem era um dos filhos do aniversariante, o homem de 64 anos que acabaria morrendo um dia depois do pai de Claudio.

A partir desses dados, as autoridades concluíram que o provável foco inicial de contágio havia sido o churrasco em 22 de março.

Eles imediatamente rastrearam e isolaram os outros participantes daquele evento, vários dos quais foram diagnosticados positivo para a covid-19 (embora muitos sem sintomas).

Falta de consciência

Apesar do drama que está gerando, o coronavírus não conseguiu dividir esta cidade, principalmente dedicada à pecuária, mineração e comércio.

Um símbolo disso foram as palavras de Cláudio, que apesar de ter perdido o pai, garantiu que não guarda rancor contra as pessoas que participaram do churrasco.

“O que aconteceu foi resultado da falta de consciência, mas não havia intenção maliciosa”, disse ele ao canal de notícias da TN.

Ele também enfatizou que seu pai, que estava em uma cadeira de rodas, tinha um relacionamento “muito agradável” com seu vizinho gasista e que ele e sua família eram muito gratos ao jovem por todas as vezes que ele o ajudara.

As duas famílias até falaram ao telefone e lhe ofereceram suas condolências pelas perdas.

Autoridades fecharam os acessos a Loncopué para tentar conter a disseminação do vírus.

Muito longe

O Ministério Público informou que abriu uma investigação para determinar as responsabilidades criminais dos moradores que participaram do churrasco.

No entanto, a imprensa local garante que eles não foram os únicos que violaram a quarentena obrigatória em Loncopué.

Nas últimas semanas também houve outros eventos, como churrascos e casamentos, dizem eles.

Daniel, outro filho do aniversariante que morreu, admitiu no jornal “La Nación” que uma certa “mentalidade de cidade pequena” estava jogando contra eles.

“Foi algo que havia acontecido muito longe dali”, disse ele. “Pensamos que (o vírus) nunca chegaria aqui.”

“Agora o temos entre nós, na cidade”, lamentou…

Fonte: BBC Brasil

Buenos Aires adota operação de choque para evitar propagação do coronavírus em favelas

Uma tropa de cerca de 300 pessoas, vestidas com macacões, máscaras e óculos de acrílicos, entra nas ruas de terra para conter o novo coronavírus nas casas simples do bairro José Luis Cabezas, na província de Buenos Aires. O lugar é cercado por policiais. Os soldados, com apoio de sanitaristas e voluntários, controlam as entradas e saídas do local. Cada morador abre os braços em cruz e é borrifado para que seja eliminado o vírus das suas roupas. Dentro do bairro, eles têm as mãos higienizadas, por algum integrante da tropa, com um spray de álcool em gel.

Cinquenta casas, muitas de chapa, com cerca de 250 moradores, próximas à linha férrea, foram bloqueadas. Os moradores devem ficar isolados durante, pelo menos, 15 dias. Aqueles com qualquer um dos sintomas da covid-19, que pelos tamanhos de suas casas não possam realizar o isolamento, são levados para um hotel, universidade ou hospital de campanha preparados para recebê-los. Aqueles que testam positivo para a doença causada pelo novo coronavírus são encaminhados para tratamento hospitalar, contaram à BBC News Brasil assessores da Secretaria de Saúde da província de Buenos Aires.

“Os moradores que estão isolados recebem alimentos, atenção psicológica, e contam com apoio para o que precisem”, disseram. A bateria de iniciativas, anunciou o governador da província, Axel Kicillof, inclui assistência social para que sejam evitados registros de violência de gênero durante o confinamento.

Os demais moradores, do bairro de cerca de 1.200 habitantes, são parados nos controles policiais e sanitários cada vez que precisam entrar e sair do local. A localidade de José Luis Cabezas, a cerca de uma hora do centro de Buenos Aires, é a segunda da província de Buenos Aires, que é a maior da Argentina, a ser alvo da operação de choque contra o coronavírus.

Vila blindada

No dia 24 de maio, outra tropa de médicos, infectologistas e voluntários, vestidos de macacões e tocas brancas e óculos de acrílicos, isolou a Villa Azul, na mesma província. O lugar com cerca de 5.000 habitantes também foi cercado por policiais. La Villa (na Argentina, sinônimo de comunidade carente, de favela) foi blindada depois que o mapa de coronavírus mostrou a curva ascendente de casos e que “sete de cada dez pessoas testadas tinham tido resultado positivo para a doença”, de acordo com informação oficial.

Como o bairro José Luis Cabezas, que está próximo de grandes conglomerados habitacionais, como Villa Catella, com 15 mil habitantes, a Villa Azul está a poucos metros de uma Villa muito maior, chamada de Villa Itatí, que também tem pelo menos 15 mil habitantes, segundo os últimos dados oficiais disponíveis. Foi temendo que o vírus alcançasse os lugares com maior densidade demográfica que os governos locais decidiram cercá-los com o que foi batizado de “cordão sanitário”.

Assim que Villa Azul, com casas de alvenaria grudadas umas nas outras e ruelas sem asfalto, com áreas com esgoto a céu aberto, foi bloqueada, alguns moradores disseram à imprensa local que se sentiam eles mesmos bloqueados, já que não podem sair à rua do próprio bairro. Entre os moradores, como ocorre em outras villas de Buenos Aires, muitos são, além de argentinos, imigrantes paraguaios, peruanos, bolivianos e chilenos que chegaram ao país ao longo das últimas décadas.

Doze dias depois do início da operação, uma moradora disse ao canal de televisão Telefe, de Buenos Aires, que estava preocupada. “Muitos de nós aqui temos trabalhos (considerados essenciais e autorizados a serem realizados pessoalmente). E agora estamos com medo de perder o trabalho. São muitos dias isolados”, disse a moradora que se identificou como Valeria. Para o governo, são reclamações isoladas, já que a maioria entendeu a importância da estratégia de evitar mortes pela doença no local. “Eu apoio o isolamento porque se o vírus se expandir aqui, aí sim será pior”, disse a moradora Gloria Teresa Guevara à imprensa local. O Coronavírus já fez vítimas fatais na comunidade: Dois moradores de Villa Azul, que já tinham problemas de saúde, faleceram no hospital, acometidos pela Covid-19.

A estratégia de apartar uma comunidade inteira é a mesma aplicada nos asilos com casos de coronavírus, disseram assessores do vice-ministro da Saúde, o médico e sanitarista Nicolas Kreplak, que esteve na operação inicial de choque contra o vírus no local. “Temos que reduzir a circulação do vírus, não podemos relaxar”, disse Kreplak. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, usou uma metáfora para justificar a medida. “É como apagar um foco de incêndio. Um foco que temos que evitar que se esparrame”, disse.

Depredador

O infectologista Pedro Cahn, que integra o comitê de especialistas que assessoram o presidente Alberto Fernández, reconheceu que existe um “conflito de direitos”, quando um lugar é isolado, mas que existe algo “muito maior” em jogo neste momento. A decisão do isolamento da Villa Azul foi tomada em consonância entre prefeitos, o governador da província de Buenos Aires e Fernández.

“Esse direito (de ir e vir) poderá ser recuperado em 15 ou 20 dias, quando a situação ali estiver controlada. Mas enquanto isso, estaremos fazendo algo muito maior, que é salvar vidas”, disse Cahn à emissora de televisão TN, de Buenos Aires.

Profissionais de saúde visitam residências em comunidades carentes para prevenir e diagnosticar casos de coronavírus na Argentina

Para os infectologistas que assessoram Fernández, o vírus está sendo “depredador” entre os excluídos nas Américas, como afirmou Luis Camera, que também faz parte do comitê especial de combate ao coronavírus. “O vírus foi um depredador dos afro-americanos, em vários lugares dos Estados Unidos, atingiu brutalmente Guayquil, no Equador, e Manaus, no Brasil. Na Argentina, felizmente, a mortalidade é baixa. Mas já sabemos que ele ataca aos mais pobres na América Latina”, disse Camera. Segundo estudiosos argentinos, no caso específico das comunidades carentes do país, os baixos índices de mortes estariam ligados a idade dos seus habitantes, onde muitos são jovens. Para Camera, o isolamento é uma das poucas ferramentas disponíveis contra a virulência do coronavírus.

Mas a iniciativa de blindagem gerou críticas de setores opositores. “É uma medida que estigmatiza”, disse o ex-ministro da Saúde do governo Macri, Adolfo Rubinstein. Setores ligados ao ex-governo de Mauricio Macri, anterior e opositor do atual de Fernández, como o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, têm atuado, porém, em sintonia com as medidas do governo central e da província de Buenos Aires, da mesma linha política do atual presidente argentino.

Um dos líderes do movimento político e social Barrios de Pie, que trabalha no Ministério do Desenvolvimento Social, Daniel Menéndez, disse que a Villa Azul tinha virado “um gueto”. Em meio às críticas, o governador Kicillof disse que nenhum lugar estava livre de ser blindado. “Essa medida não é exclusiva dos bairros populares. Elas também podem incluir condomínios ou edifícios. O principal é colocar um freio no vírus”, disse.

Condições difíceis

A província de Buenos Aires tem cerca de 1,7 mil comunidades carentes reunidas, principalmente, no que é definido como “conurbano bonaerense”, que reúne a periferia urbana da cidade de Buenos Aires e parte do território provincial. Nos mapas epidemiológicos, elas representam menos de 20% do total de casos de coronavírus, mas viraram o foco das medidas dos governos pelas condições difíceis em que muitos vivem, sendo impossível o cumprimento do distanciamento social ou até da higienização necessária por falta de água corrente e potável.

Com cerca de 16 milhões de habitantes, a província, que também reúne condomínios de classes média e alta, além de fábricas e produção agrícola, representa em torno de um terço da população de 44 milhões de habitantes do país.

Fonte: BBC Brasil

A Burocracia

Eduardo Galeano é um dos escritores mais conhecidos e amados em Língua Espanhola. Com um jeito bem peculiar de escrever, o uruguaio conquistou admiradores pelo mundo inteiro. Galeano tinha, como ninguém, a habilidade de fazer críticas à sociedade de uma maneira perspicaz, bastante inteligente e irônica, como nessa crônica, chamada “Burocracia”, publicada em seu “Livro dos Abraços”.

Confira abaixo:

Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha.

No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.

E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.

Parecidos, mas nem tanto

O espanhol é um idioma bem parecido ao português, essas semelhanças podem ajudar, mas também podem atrapalhar e gerar confusão, dependendo da situação.

Confira, no divertido vídeo abaixo, como existem palavras que, em espanhol se parecem a vocábulos do português e inclusive se escrevem da mesma forma que alguns termos da nossa língua materna, mas que possuem significados totalmente diferentes. 😉

Apache

Ser um jogador profissional de futebol é o sonho de milhares de crianças pelo mundo inteiro. Em países em desenvolvimento como Brasil e Argentina, o esporte pode ser o único caminho de ascensão social para meninos e meninas.

A série “Apache” da Netflix conta a história de um garoto que conseguiu vencer na vida superando inúmeros obstáculos. Se trata de Carlos Tévez, também conhecido como Carlitos, que se tornou ídolo no Brasil ao vestir a camisa do Corinthians. O nome da série faz referência ao bairro onde Carlitos cresceu, El Fuerte Apache, na região conhecida como Cidadela em Buenos Aires.

O local é marcado pela violência ligada ao narcotráfico na cidade. E foi exatamente em meio a tiroteios que Carlos começou a chamar a atenção pela habilidade com a pelota. Em sua inocência de criança, corria um enorme risco pra bater uma bolinha diariamente com seus colegas e fazer o que mais gostava desde sempre: jogar futebol.

A série, que em muitos momentos é narrada pelo próprio Tévez, mostra como as coisas podem ser complicadas pra quem vive em um ambiente tão hostil.

Carlitos luta pela sobrevivência desde quando era um bebê, quando teve 50 porcento do corpo queimado, após sofrer um acidente doméstico.

As batalhas do menino são constantes durante toda a vida: não chegou a conhecer o pai, que morreu antes dele nascer, e não foi criado pela mãe, que não tinha boas condições psicológicas.

O que fez a diferença na vida de Carlitos foi o apoio dos tios, que cuidaram dele como a um filho, e conseguiram proporcionar a ele uma estrutura pra chegar ao Boca e depois à seleção e ao mundo. Pena, que como a série mostra, nem todos meninos do Fuerte Apache tem a mesma sorte de Tévez…

Por que todos que aparecem são sempre brancos?

Desde o final do mês de maio, o mundo vem debatendo um tema que já deveria ter saído de pauta há muito tempo: o racismo.

Depois do assassinato covarde de George Floyd, por um policial branco, os Estados Unidos pararam pra acompanhar manifestações que pedem justiça para Floyd e para todos os negros daqui pra frente.

A luta pra combater esse tipo de tratamento injusto, já dura muito tempo. Lá nos anos 70, Muhammad Ali, a lenda do boxe e um dos maiores atletas de todos os tempos, reivindicava uma sociedade mais igualitária para os afro-americanos.

Veja nessa divertida entrevista, divulgada pelo serviço em espanhol da BBC, como desde criança, Ali já questionava como a sociedade não dava voz aos negros. O assunto é sério, mas nada melhor que o humor para criticar nossas mazelas, não é mesmo? ✊

Fonte: BBC Mundo

Adentrando “O Poço”

Se você ainda não assistiu, provavelmente, já ouviu falar de “O Poço”, filme lançado pela Netflix no início do ano e que se tornou um sucesso no mundo inteiro. Muitos explicam o êxito da produção ao fato dela ter sido lançada no momento de isolamento social, provocado pela pandemia do novo coronavírus. Desde o início da quarentena, temos visto cenas da vida real que nos fazem refletir sobre o que acontece no filme, afinal, qual o sentido das pessoas estocarem alimentos e produtos como papel higiênico? A única resposta está no egoísmo humano, característica largamente explorada na película.

Em O Poço, (El Hoyo) Goreng (Ivan Massagué), personagem principal da história, acorda numa cela cinza e escura, acompanhado de um senhor de idade. No meio da sala, um buraco enorme, retangular, por onde você pode enxergar tanto a cela de cima como a de baixo. Eles estão no 48º andar dessa prisão vertical.

Trimagasi (Zorion Eguileor) é o nome do companheiro de Goreng e é ele que explica para o protagonista como funciona a dinâmica do lugar. Ao soar a sirene, uma vez ao dia, uma plataforma enorme desce do andar de cima e se encaixa no buraco do chão. Nela, restos de comida, pratos sujos, copos quebrados, alimentos pisoteados. Trimagasi come com gosto o que está à sua frente, com Goreng observando assustado e enojado. 

Não é preciso ser bom em matemática para logo entender que aquela comida é o que restou do andar 47º, que comeu o que sobrou do andar 46º e por aí vai. Mas são quantos andares? Todos conseguem comer? Ninguém se importa com a higiene? São essas as perguntas que passam pela cabeça de Goreng e, consequentemente, pela nossa.

A escolha dos andares para os prisioneiros é aleatória e dura por um mês inteiro. Você pode passar um desses meses no 6º andar e receber alimentos quase intocados. Ou também pode estar no 159º e receber apenas pratos vazios durante o mês inteiro. E para nossa agonia é apenas no final do filme que descobrimos quantos andares a prisão realmente possui.

O filme espanhol dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia utiliza o roteiro da prisão para escancarar o egoísmo humano dentro de uma óbvia divisão de classes. Se quem está no topo economizasse comida, sobraria para a cela seguinte e assim todos conseguiriam comer, pelo menos um pouco. Mas as pessoas que estão nos andares de cinema abusam do privilégio ao se fartar de comida sem pensar no próximo, naquele que vai se alimentar dos seus restos.

Ao analisar o filme como obra cinematográfica, “O Poço” é um longa metragem que entretém ao nos deixar curiosos, fascinados e, ao mesmo tempo, angustiados mediante àquela realidade. É um daqueles filmes que nos dá tapas na cara ao mostrar, mesmo que numa situação absurda, como a nossa humanidade está se esvaindo. É pesado, é sangrento e mostra o pior (e até o melhor) que pode ser extraído de nós numa situação extrema.

Trimagasi, interpretado por Zorion Eguileor, é um dos destaques do filme, óbvio… Rs

O roteiro faz uma crítica ao sistema capitalista e ao socialismo ao mesmo tempo. É inevitável não lembrar do grau de desigualdade social que o sistema capitalista produz ao assistir a película; mas por outro lado, quando o personagem principal Goreng tenta estabelecer uma espécie de socialismo dentro da prisão, pra que ninguém mais passasse fome ali, ele acaba tendo que partir pra violência pra tentar alcançar seu objetivo. Nesse momento, Goreng percebe que o conceito de solidariedade espontânea, defendido por uma de suas companheiras de cela, que havia trabalhado na administração da prisão, não passa de uma grande ilusão.

Além das inúmeras reflexões sobre a sociedade que o filme produz, a obra é cheia de referências bíblicas e também à maior obra da Literatura Espanhola de todos os tempos: “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes. Apesar da temática do filme ser bem pesada, existem uns momentos de ironia, que chegam até a mesmo a nos descontrair, dando um toque de humor pra aliviar a tensão. Esses momentos surgem através do velhinho Trimagasi e sua maneira “óbvia” de interpretar os acontecimentos. Todos esses ingredientes nos fazem refletir durante toda a película e constamos que ” O Poço” será uma obra sempre atual, pois, infelizmente o egoísmo é uma característica permanente na espécie humana.

Assista ao vídeo abaixo para entender melhor como o filme dialoga magistralmente com o clássico de Cervantes. E lembre-se: mais importante que o final em si é a mensagem que o filme deseja transmitir….

Fonte: Site Jovem Pan

Nostalgia

Na próxima sexta-feira o Brasil, celebra o dia dos namorados. E para celebrar essa data tão especial para os enamorados, o blog traz hoje um poema bem romântico do escritor uruguaio Mario Benedetti.

Nostalgia

¿De qué se nutre la nostalgia?

Uno evoca dulzuras

cielos atormentados

tormentas celestiales

escándalos sin ruido

paciencias estiradas

árboles en el viento

opobrios prescindibles

bellezas del mercado

cánticos y alborotos

lloviznas como pena

escopetas de sueño

perdones bien ganados

pero con esos mínimos

no se arma la nostalgia

son meros simulacros

la válida, la única

nostalgia es de tu piel.

Por que Tóquio foi a escolhida?

Grande parte do sucesso de La Casa de Papel passa por Tóquio, personagem interpretada por Úrsula Corberó, tanto por sua personalidade, quanto por seu papel de narradora da história.

A bem-sucedida série espanhola da Netflix começou com a seguinte declaração em 2 de maio de 2017: “Meu nome é Tóquio, mas quando essa história começou, eu não me chamava assim”.

Esse foi o pontapé inicial de um fenômeno de massa que já está em sua quarta temporada e com milhões de seguidores em todo o planeta, mas esse começo não foi o que seu autor havia contemplado desde o início. Além do mais, para chegar lá, houve um longo e intenso debate.

O protagonismo de Tóquio fez com que os fãs criassem várias teorias em relação ao destino da personagem: uma delas é que no final da série somente Tóquio estará viva, por isso, ela teria sido escolhida para narrar a trama. Mas, o espanhol Álex Pina, cérebro de La Casa de Papel, revelou que inicialmente o papel de narrador da história era contemplado por outros personagens. Tóquio estava longe de ser a primeira escolha.

“O que muitas pessoas não sabem é que a narração do narrador, que é Tóquio, nem sempre foi assim. De fato, nas primeiras versões do roteiro que tínhamos, o narrador era  o professor (Álvaro Morte )”, disse Piña em uma transmissão de vídeo no Instagram do produtor da Vancouver Media.

Afinal, por que o professor não virou narrador?

“Era meio egocêntrico falar sobre um plano, sobre seu plano maravilhoso, sobre um plano perfeito, quando ele falava. Ele parecia perder parte da métrica do professor. Queríamos que ele fosse um pouco perdedor, um pouco nerd, um pouco sociopata, social e o fato de ter o plano na primeira pessoa era contraditório com sua própria personalidade”, explicou Piña.

Inicialmente, o narrador da série seria o professor.

Depois de descartar o líder da gangue como narrador, houve outra aposta antes de chegar a Tóquio. Piña e sua equipe testaram a opção de Moscou, pai de Denver, por ter um estilo casual e próximo, mas essa ideia também não prosperou.

O intenso debate acabou dando razões irrefutáveis para decidir “Tóquio” como narrador. “Sentimos que a série tinha que ser contrabalançada, em termos femininos, e escolhemos um visual feminino para contar todo o assalto porque queríamos que o assalto fosse muito emocional, em termos sentimentais. E um assalto é geralmente algo muito frio, muito masculino, por isso escolhemos a voz de Tóquio”, disse Álex Pina.

Fonte: Jornal “O Metro”.

Conhecendo o vilão

Todos nós fãs de “La Casa de Papel” desenvolvemos um grande amor por alguns personagens, e um grande ódio por outros. Nessa última temporada, o mais odiado de todos, sem dúvida, foi o implacável Gandía. O vilão que apareceu sorrateiro na parte 3 e roubou a cena na parte 4 da série cumpriu sua função e nos deixou curiosos para saber um pouco mais sobre a carreira dele. O responsável por tantas emoções controversas é José Manuel Poga, ator espanhol de 40 anos.

Para começar, vamos exaltar o lado bom. Nos bastidores, a relação dele com Nairóbi, ou melhor, com a Alba Flores, é só amor. O perfil oficial de “La Casa de Papel” teve até que divulgar algumas imagens para conter um pouco os ânimos de quem já queria sair metralhando o ator por causa das maldades de seu personagem.

A Netflix fez questão de ressaltar que a relação entre o vilão seus companheiros nos bastidores é ótima.

Gandía é tão ruim com os personagens que mais amamos na parte 4 de “La Casa de Papel” que nem dá tempo de reparar em outras coisas. Mas muita gente que teve curiosidade e foi investigar um pouco mais a fundo sobre o ator se surpreendeu com a beleza dele em outros papéis da carreira.

O visual com barba rendeu elogios do público.

Antes de virar Gandía e ganhar o reconhecimento mundial com “La Casa de Papel”, o ator se destacou por seus papéis em “La Luz Con El Tiempo Dentro” (2015), “El Niño” (2014) e “Mel de Laranjas” (2012). Infelizmente, nenhum deles está disponível no Brasil. Mas eis aqui uma listinha de outras séries e filmes com José Manuel Poga e que você pode encontrar na Netflix:

  • “Fugitiva” (série com uma temporada);
  • Toro (filme com 1h46 de duração;
  • “A Trincheira Infinita” (filme com 2h27 de duração).

Uma notícia triste para aqueles que adoram ficar acompanhando os atores enquanto a série não volta, é que o intérprete de Gandía ainda não tem perfil nas redes sociais. Mas, para compensar, tem um monte de conta de fã surgindo para abastecer a curiosidade dos seguidores da série espanhola. Quem sabe ele não resolve criar uma conta oficial em meio ao isolamento social não é? 🤔

Fonte: Portal Uol

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