Palácio Maia de mais de mil anos é descoberto no México

A civilização Maia é uma das mais fascinantes de todos os tempos. E todas as descobertas sobre esse povo tão fantástico despertam a atenção de pessoas no mundo inteiro. O mais novo achado foi um palácio que os cientistas acreditam remontar ao auge da civilização – há cerca de 1000 anos.

Os resquícios da construção — de seis metros de altura, 55 m de comprimento e 15 metros de largura — foram encontrados durante uma escavação no sítio arqueológico de Kulubá, no estado de Yucatán, no sul do país. Acredita-se que a estrutura tenha sido usada em dois períodos da história maia desde 600 d.C.

A civilização, uma das mais proeminentes culturas americanas pré-colombianas, prosperou antes da chegada dos espanhóis à região.

Acredita-se que o palácio teria sido usado durante dois períodos da História – Reuters

Eles dominavam a arquitetura e a matemática, conheciam a astronomia e tinham um sistema de escrita tão eficiente quanto os que existiam, no mesmo período, na Europa.

O povo maia deixou marcas que denotam o seu alto grau de desenvolvimento. Mas, quando os europeus chegaram ao continente americano, pouco havia restado. O motivo pelo qual a sociedade desapareceu permanece um mistério até hoje.

Em sua época, os maias dominavam grandes extensões de terras, que correspondem hoje ao sul do México, Guatemala, Belize e Honduras.

Há receio de que o sítio arqueológico esteja demasiadamente exposto ao sol e ao vento – Reuters.

O palácio foi possivelmente usado em dois períodos da história Maia, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH): o Clássico (600-900 d.C.) e o Pós-Clássico(850-1050 d.C.).

Além do antigo palácio, os arqueólogos estão estudando quatro estruturas encontradas na praça central de Kulubá: um altar, ruínas de duas construções residenciais e uma estrutura redonda que aparentemente era um forno.

“Este trabalho é só começo, mal começamos a escavar uma das estruturas mais volumosas do sítio arqueológico”, afirmou o arqueólogo Alfredo Barrera à agência de notícias Reuters.

Há receio, no entanto, de que a intensa exposição ao sol e ao vento possam danificar o sítio arqueológico, localizado nos arredores dos badalados resorts caribenhos de Cancún.

Por isso, ambientalistas estão considerando reflorestar partes de Kulubá.

Fonte: BBC Brasil

Tecnologia de última de geração revela detalhes das linhas de Náscar

O território do Peru é repleto de tesouros arqueológicos de antigas civilizações, como a inca. Machu Picchu, por exemplo, é um dos lugares mais incríveis do mundo e também um dos mais visitados. Mas o país guarda vários outros destinos do mesmo tipo, cheios de história e mistério.Você já ouviu falar das fascinantes linhas de Náscar?

Elas são enormes figuras gravadas na superfície do deserto de Náscar (ou Nasca), tecnicamente chamados de geóglifos.  Os desenhos são variados e formam imagens que, em sua maioria, se assemelham a animais, como um colibri, uma aranha, um macaco, um condor entre outros. Com um traçado único, cada forma tem entre 50 e 300 metros de comprimento e ocupam uma área total de 350 km².

Os desenhos mais antigos revelam imagens mais complexas.

Ainda há algumas divergências sobre o real motivo da antiga civilização da região ter feito esses incríveis desenhos há quase dois mil anos atrás. Muitos afirmam que o lugar tenha significado religioso. Outros dizem que tinha a função de um calendário astronômico relacionado às colheitas. Até hoje não se sabe como esses traçados foram feitos. Há ainda um desenho muito curioso, que muitos afirmam parecer um astronauta. Uma coisa é certa: as Linhas de Náscar são cercadas de mistério. Quase todas são uma espécie de mensagem da Terra para o cosmos, traços — como caligrafias desconhecidas — criados no passado para a eternidade.

Algumas estão em perfeito estado, enquanto outras foram parcialmente apagadas pelos ventos, pela erosão e pela passagem do tempo. Mas, agora, um grupo de especialistas japoneses encontrou, por meio de tecnologia de última geração, uma série de geóglifos desconhecidos até então.

São mais de 140 formas que vão desde as já conhecidas, como macacos e cobras, até outras que surpreendem os cientistas, como a de uma figura humanoide com um bastão, cujo significado começará a ser estudado.

Segundo informou o comunicado da Universidade de Yamagata, que apoiou o estudo, acredita-se que os geóglifos encontrados foram criados entre os anos de 100 a.C. e 300 d.C., sendo que a maioria está em estado precário.

As figuras menores medem cerca de 05 metros. Universidade de Yagamata.

Como fizeram o estudo

A equipe de especialistas japoneses, liderada pelo arqueólogo Masato Sakai, partiu da análise de imagens de satélite de alta resolução tiradas do deserto, para depois realizar estudos de campo, entre 2016 e 2018, até identificar as novas linhas.

Com os dados obtidos e o processamento das imagens, realizaram projeções das figuras e descobriram 142 novas linhas, representando peixes, lhamas, macacos e aves.

A partir daí, com os dados coletados, utilizaram técnicas de inteligência artificial (IA) para reconstruir algumas das formas, que não podiam ser definidas por métodos convencionais. Foi assim que a iniciativa chegou à identificação de um geoglifo surpreendente: uma figura humana com um bastão.

“O estudo explorou a viabilidade do potencial da inteligência artificial para descobrir novas linhas e introduziu a capacidade de processamento de grandes volumes de dados por meio de IA, incluindo fotos aéreas de alta resolução em alta velocidade”, detalha o comunicado sobre a pesquisa.

A inteligência artificial permitiu identificar figuras parcialmente corroídas pela erosão.

O que os cientistas encontraram?

As figuras encontradas variam tanto em sua complexidade quanto em sua idade e tamanho. A maior entre elas mede mais de 100 metros de ponta a ponta — um pouco maior do que a Estátua da Liberdade — e a menor, apenas cinco metros, praticamente o mesmo tamanho da estátua de Davi, de Michelangelo.

Para facilitar a identificação, os especialistas japoneses separaram dois grupos:

Grupo A

  • São desenhos lineares e que tendem a ser maiores, medindo mais de 50 metros cada um.
  • Acredita-se que foram feitos mais recentemente, e sua origem varia entre os anos 100 e 300 d.C.

    Grupo B

  • Tendem a ser estruturas mais complexas e de tamanho menor, com menos de 50 metros.
  • Acredita-se que tenham sido produzidas por volta do ano de 100 a.C., ou em períodos anteriores.

    De acordo com os cientistas, cada grupo tinha propósitos diferentes. O primeiro seria utilizado para rituais e o segundo, como pontos de referência para viajantes.

    Descoberta

    Localizadas a cerca de 400 quilômetros de Lima, as Linhas de Náscar permaneceram desconhecidas por séculos. O início das atividades de aviação permitiram o descobrimento dessas formas enigmáticas, que só são visíveis de grandes alturas.

    Segundo os pesquisadores, todas as figuras foram criadas com a remoção de rochas negras que cobriam o terreno, expondo a areia embaixo”, explicou a equipe japonesa. As condições áridas do terreno permitiram sua conservação ao longo de séculos.

    Com tais figuras, a antiga sociedade de nazca, que existiu há cerca de 2.300 anos, “transformou um extenso território estéril em uma paisagem cultural com alta conotação simbólica, ritual e social”, segundo o Ministério da Cultura do Peru.

    As linhas foram descobertas em 1927 e, segundo Paul Kosok, um pesquisador americano que se dedicou ao seu estudo, eram “o maior livro astronômico do mundo”, que marcava os solstícios de inverno e de verão.

    Entretanto, até hoje não se sabe qual era de fato a sua finalidade. Em 1993, os geóglifos passaram a integrar uma reserva arqueológica e a ser parte do Patrimônio Cultural da Nação do Peru.

    Um ano depois, foram classificados como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “São o grupo de geóglifos mais notável do mundo e são incomparáveis em extensão, magnitude, quantidade, tamanho e diversidade em relação a qualquer outro trabalho similar no mundo”, afirmou a Unesco.

    “Constituem um feito artístico singular e magnífico da cultura andina”, adiciona a instituição.

O significado de muitos desenhos segue, até hoje, desconhecido.

Fonte: BBC Brasil e Site Qual Viagem

Saiba como é celebrado o Natal na Espanha

A Espanha é um dos países mais católicos do mundo, sendo assim, a celebração do Natal é muito importante para os espanhóis. Eles tem tradições diferentes das brasileiras, que me pareceram bem interessantes, pois, no Brasil, acredito que a data se tornou exageradamente comercial e menos espiritual, principalmente pela influência norte-americana.

Confira no vídeo elaborado pelo Canal “Vamos Hablar Espanhol” como é celebrado o Natal pela Espanha:

Un saludo y ¡Feliz Navidad! 🎅

Mexicanos criam “couro vegano” à base de cactos

Um tecido livre de crueldade animal, livre de produtos químicos tóxicos e parcialmente biodegradável. Dois jovens mexicanos estão desafiando a moda exploratória atual e mostrando que esta indústria pode sim ser mais sustentável. E o melhor, a inovação de Adrián López Velarde e Marte Cázarez veio justamente de algo muito presente no imaginário do país: o cacto.

Tudo começa pelo cultivo da espécie Opuntia ficus-indica na cidade de Zacatecas, capital do estado de mesmo nome. “É uma família de cactos que não precisa de irrigação, possui espinhos muito pequenos e é resistente ao frio, o que nos permite garantir uma produção contínua de matéria-prima ao longo do ano”, afirma Adrián López em entrevista exclusiva ao site CicloVivo.

É López quem explica como funciona o processo de fabricação da pele orgânica. “Cortamos as pencas maduras, sem matar a planta, para serem limpas e esmagadas. Posteriormente, são secas ao sol por três dias consecutivos. O processo seguinte é refinar a trituração até atingirmos um nível adequado de pulverização. Então, para esse pó, uma proteína presente no cacto é extraída por meio de um método de congelamento. Finalmente, é feita uma mistura (que patenteamos) entre esse extrato e o pó de cacto, entre outros aditivos naturais que nos permitem fazer a ligação molecular entre a química sintética e orgânica, preservando o desempenho, a estética e a qualidade do material a ser fabricado”.

A mistura obtida em todo esse processo pode ser agregada ao algodão ou poliéster reciclado e até uma mescla destas substâncias -, isso varia de acordo com as necessidades do cliente em “aumentar o conteúdo sustentável do produto final”. Inclusive, os pigmentos também podem ser de origem vegetal.

Mercado

A dupla tem a intenção de expandir os negócios para se tornarem grandes fornecedores, suprindo a indústria da moda, de móveis, artigos de couro em geral e até a indústria automotiva.

Atualmente, a companhia, batizada de Adriano de Marti, possui dois hectares de cultivo, mas com capacidade de expansão de até 40 hectares. O potencial de produção hoje é de 500 mil metros lineares por mês de pele vegetal.

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A dupla deseja expandir cada vez mais o produto no mercado.

Encontro em Taiwan

Adrián López e Marte Cázarez nasceram no mesmo dia, no mesmo mês e no mesmo ano. Mas, foi só em Taiwan, em 2011, que suas histórias se cruzaram. O primeiro é natural de Aguascalientes e estudou Política e Economia Global na Universidade Tamkang, em Taiwan, enquanto o segundo é de Culiacán, formou-se em Negócios Internacionais no Tecnológico de Monterrey e foi até a ilha asiática aprender chinês.

De volta ao México, ambos com experiência de trabalhar na indústria da moda e de móveis, resolveram se unir para desenvolver um material sustentável que atendesse às necessidades dessas indústrias.

Após dois anos de investigação, vários testes, entre falhas e erros, finalmente, no último mês de julho, as primeiras execuções bem-sucedidas do material foram obtidas. Nasceu a marca Desserto, fabricante da pele de cacto orgânica, livre de ftalatos e livre de PVC.

O produto é super resistente e tem durabilidade mínima de 10 anos. Ainda pode ser personalizado de acordo com o gosto e as necessidades de cada cliente em espessura, cores, texturas, suportes, resistência ao rasgo e à tração, flexibilidade, entre outras exigências do mercado.

Urgência por mudanças

De acordo com o relatório da organização dinamarquesa Global Fashion Agenda, a indústria da moda ocupa o 5º lugar como a indústria mais poluente do mundo. Além disso, sua produção está interligada com várias outras por meio do consumo agrícola, pecuário, energético e de transporte. Ou seja, o impacto nos recursos naturais é praticamente imensurável. “Com as atuais trajetórias de produção e consumo, essas pressões se intensificarão em 2030, a ponto de ameaçar o crescimento da própria indústria.

Desfile de moda
A indústria da moda ocupa o 5º lugar como mais poluente do mundo.

A pele vegana mexicana foi lançada oficialmente na exposição Lineapelle, em Milão, em outubro deste ano. “A recepção do nosso material tem sido bastante positiva em todo o mundo. Confirmamos que as indústrias têm um interesse genuíno em contribuir para o cuidado ambiental. Atualmente, estamos trabalhando em projetos importantes na indústria da moda, calçados, automotivo e até aeronáutica”, revela López.

bolsa vegana
Bolsas de couro vegano

O sonho da dupla é que grandes designers e as melhores marcas automotivas e de vestuário, do México e do mundo, substituam a pele animal e sintética pelo “couro vegano” de cacto. Eles querem voar alto. E nesse momento em que o mundo clama por mudanças de real impacto, inserir a sustentabilidade em todo os processos não é um adendo opcional, mas sim imprescindível, para um futuro climático possível.

Fonte: Site CicloVivo

Salário de políticos será reduzido pela metade no Chile

O Chile vive há mais de 40 dias a maior onda de protestos desde à redemocratização. Apesar das tristes cenas de violência, a população chilena tem muitas razões pra comemorar, afinal, várias reivindicações estão sendo atendidas. Uma delas foi anunciada no último dia 27: A Câmara dos Deputados  aprovou por unanimidade o projeto de lei que reduz temporariamente em 50% os rendimentos de parlamentares e de outras autoridades, como o presidente, ministros e governadores.

A iniciativa, motivada pelas manifestações, segue para o Senado. O projeto foi apresentado há seis anos pelos deputados Gabriel Boric e Giorgio Jackson. A nova legislação deixa de fora, por enquanto, salários de prefeitos, integrantes do Judiciário e funcionários do Ministério Público.

Câmara dos deputados
Câmara dos deputados chilena localizada na cide litorânea de Valparaíso. 

De acordo com o a imprensa chilena, a medida tem caráter temporário e deixa de fora benefícios extras dos parlamentares, como verba de gabinete e outras benesses. Há cerca de um mês, o presidente Sebastián Piñera deu sinal verde para o projeto, como parte das medidas para enfrentar a crise social no país.

Agora, o total dos rendimentos parlamentares, somando salários e benefícios, não poderá ultrapassar 20 salários mínimos. Por lei, um deputado recebe cerca de 6 milhões de pesos chilenos líquidos (R$ 31,2 mil) por mês. Se aprovado o projeto, esse valor cairá à metade (R$ 15,6 mil).

Imagina se a moda pega no Brasil? 🤔 Provavelmente muita gente ia deixar de concorrer nas próximas eleições não é? 😄

Fonte: Revista Exame
 

A hora e a vez dos perdedores

Qual cidadão comum, trabalhador,  honesto, pagador de impostos,  que nunca se sentiu fazendo papel de bobo em algum momento da vida? Pra quem nasceu em países marcados pela corrupção e desigualdade social como o Brasil então,  essa sensação é bem frequente. O novo filme de Ricardo DarínA Odisséia dos Tontos” (La Odisea de los Giles) faz uma homenagem a essas pessoas que são, sem dúvida, maioria no mundo.  

A produção é uma adaptação do livro de Eduardo Sacheri (La Noche da la Usina) que venceu o prêmio Alfaguara em 2016.  Dirigido por Sebastián Borensztein, o filme é um terno e divertido retrato dos perdedores que se vingam das injustiças cometidas por um bando de desalmados. A película tem um sabor especial para Darín, já que é a primeira vez que ele contracena com o filho Chino nas telonas.

O enredo do filme se passa no ano de 2001, época em que a Argentina passou pela maior crise econômica de sua história. O governo local havia implementado o corralito, medida que impedia que as pessoas que tivessem dinheiro em bancos pudessem sacar suas economias. Algo semelhante ao que ocorreu no Brasil, anos antes, no governo Collor.

Imaginem só o desespero que deve ter tomado conta da população que de um dia pro outro foi privada de utilizar recursos que eram próprios por direito.  O corralito, como é fácil de presumir, chegou a causar até mesmo mortes.   Um dos casos mais emblemáticos no país foi o do jornalista esportivo Horacio García Blanco, morto, aos 65 anos, seis meses após o ex-presidente Fernando de la Rúa impor as restrições.

García Blanco, que sofria de diabete e pressão alta, entrou na Justiça para tentar liberar suas poupanças e usar o dinheiro para viajar à Espanha. Com cidadania argentina e espanhola, pretendia fazer um transplante de rim em Madri, onde a operação era mais difundida.

“Havia uma exceção no corralito que permitia que idosos e doentes sacassem suas economias”, conta a advogada e amiga do jornalista, Mónica Alicia Damuri. A Justiça, porém, liberou apenas 10% do dinheiro que García Blanco tinha, volume insuficiente para bancar a viagem. Mónica recorreu, mas ele morreu de insuficiência renal antes de uma nova decisão. “O corralito era inconstitucional. Violava o direito à propriedade”, destaca, indignada, a advogada.

Conhecido nacionalmente por comentar, na rádio, lutas de boxe e partidas de futebol, o jornalista morou o último ano de sua vida na casa de Mónica. Era o marido da advogada que buscava García Blanco diariamente das sessões de hemodiálise. “Quem conheceu Horacio de perto viu como o corralito foi prejudicial”, diz a advogada.

corralito
O congelamento dos saques nos bancos (corralito) levou milhares de argentinos a protestarem.

Para homenagear a todos os que sofreram com essa medida devastadora e também para não deixar que ela caia no esquecimento Ricardo e Chino Darín, além de atuarem, também produziram La Odiseia de Los Giles. Na Argentina chamam de gil àquelas pessoas trabalhadoras, boas, iludidas e um tanto ingênuas. Ricardo e seu filho não têm dúvidas: “Nós também somos um pouco giles. A maioria dos cidadãos do mundo é assim, porque sempre confiamos”, explicam os dois atores argentinos quase em dueto.

O filme nos faz relembrar a história de milhares desses cidadãos “trouxas” que  se viram enganados e esmagados pelo corralito.  Ricardo e Chino lideram um elenco poderoso em que se destaca a presença de Luis Brandoni. O longa se tornou o último grande sucesso de bilheteria da Argentina, que o escolheu para representá-la no Oscar. Esta fábula sustentada na realidade, que narra a vingança de um grupo de pessoas diante da fraude que sofreram, estreou no Brasil no dia 31 de outubro.

Em um encontro com o Jornal El País durante o Festival de Cinema de San Sebastian, onde A Odisseia dos Tontos foi apresentado na Seleção Oficial, Ricardo e Chino Darín estavam felizes, muito além da celebração de seu primeiro duelo interpretativo na tela. Também como produtores, estão diante de um projeto sonhado por muitos anos, no qual compartilham o trabalho com alguns dos melhores atores argentinos, orgulhosos de dar voz e vida a tantos cidadãos que foram afetados pelo corralito, um dos episódios mais traumáticos vividos pela Argentina em anos recentes.

“Somos tão domesticados, tão acostumados a obedecer e seguir a corrente de uma sociedade de consumo que às vezes esquecemos quais são os nossos direitos. Nunca se deve baixar a guarda na defesa dos direitos. Os abutres sempre estão à espreita para se aproveitar de pessoas crédulas, ingênuas e decentes. Essas pessoas que trabalham e que movimentam o mundo”, diz Ricardo.

“Não sei se desfrutei tanto quanto agora quando o vejo”, confessa Chino Darín sobre o trabalho com o pai. “Fiquei um pouco abalado pelo papel de produtor e pelo que significava trabalhar com meu pai. Comecei com um nível de tensão e responsabilidade de que me livrei depois”.

O que é verdade é que para mim foi um grande privilégio”, acrescenta, ante o olhar brilhante de Ricardo, que intervém: “Em uma cena compartilhada, se dois não querem, um não pode. É assim simples. O ator depende muito do que o outro nos deixa, do que nos entrega, da generosidade. É assim que a energia circula. Quando fomos capazes de nos liberar dessa enorme responsabilidade que tínhamos como produtores e focar no trabalho como atores, a sensação que tenho é que nos ajudamos muito.”

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Pai e filho contracenaram juntos pela primeira vez na “Odisseia dos Tontos”.

 “A Odisseia dos Tontos” te faz mergulhar na lama para depois te resgatar. Não evita a dor, mas te faz lembrar dela. Há no filme a intenção de dessacralizar, lutar pela memória, de voltar a recordar uma situação tão trágica como a crise econômica. “Estava na hora de os mocinhos vencerem alguma vez”, proclama Chino. “O melhor é como os espectadores pegaram essa história para si.

Acho que o fator preponderante em tudo isso é que tem a ver com uma certa reparação emocional para todos aqueles que sofreram aquele desastre ou os que o viveram de maneira colateral. Tem algo de bálsamo”, diz Ricardo Darín. “Foi uma época que, apesar da amargura e do sentimento de injustiça permanente, fez disparar a imaginação de milhares de cidadãos diante da impotência”, acrescenta Chino.

Pai e filho falam, se interrompem, dialogam, olham um para o outro. “É preciso falar da dor, trazê-la para fora. Na Espanha, vocês sabem disso bem com o tema da memória histórica. Fazer uma catarse coletiva. Só assim é possível enfrentar o futuro. Nós argentinos sabemos bem. Fazemos a grande ginástica para passar por crises, sobreviver a elas e voltar a renascer.”

Se você ainda não viu, não deixe de prestigiar a esses corajosos “giles” nos cinemas, afinal a vingança é um prato que se como frio não é mesmo? 😎

Fontes: El País Brasil e Portal Terra

 

Bolsonaro boliviano? Saiba quem é a nova figura que surge em meio à crise no país vizinho

Figuras polêmicas, que misturam política com religião, infelizmente não são exclusividade do Brasil. Na recente crise que atinge a Bolívia um novo personagem desses surgiu no cenário tumultuado do país. Se trata de Luis Fernando Camacho, chamado também de Bolsonaro boliviano.

Pouco conhecido há seis meses, Camacho se transformou em um dos líderes da direita que pressionou Evo Morales até a renúncia. Por outro lado, o político, que sempre fala “em nome de Deus”, tem sido chamado de fascista, fundamentalista e preconceituoso. Seis meses atrás, esse líder da oposição de 40 anos, não era muito popular, mas hoje ele é um dos principais protagonistas da mobilização que forçou a renúncia de Evo Morales.

Nas eleições, que tiveram denúncias de fraudes a favor de Evo, Camacho não se candidatou. No entanto, ele conseguiu entrar no antigo Palácio do Governo, em La Paz, e depositou uma Bíblia em cima da bandeira boliviana alguns minutos antes do anúncio da renúncia do presidente.

Evo
Evo Morales, que estava na presidência desde 2006, renunciou após ser pressionado pelas Forças Armadas. Imagem Reprodução Internet.

Gestos como esse e suas constantes menções ao “poder de Deus” não passaram despercebidos no país, e, em meio a uma enorme crise política, Camacho já foi chamado de “Bolsonaro boliviano”, em referência ao presidente do Brasil e seus discursos de cunho religioso. Camacho é um político que diz não fazer política. Conservador e ao mesmo tempo carismático, ele é proveniente das elites empresariais. Toda vez que se dirige às multidões que o apoiam, ele faz uma “oração ao Todo-Poderoso”.

“O presidente”

Camacho atua como presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, uma entidade que, na cidade mais populosa da Bolívia, Santa Cruz de la Sierra, é chamada de “governo moral”. Nos últimos anos, a cidade se transformou em uma espécie de quartel-general da oposição a Evo. Durante as últimas três semanas de protestos em todo o país, o líder da oposição foi apresentado em Santa Cruz como “o presidente”.

Filho de empresários, o esforço de Camacho para obter reconhecimento nas instituições de Santa Cruz foi rápido, assim como sua irrupção no cenário nacional. Em sua última aparição na cidade, em um dos vários conselhos organizados contra Evo Morales, Camacho entrou em cena acompanhado de uma imagem da Virgem Maria e com uma cruz como pano de fundo.

Os comitês cívicos da Bolívia reúnem diferentes setores das principais cidades do país, incluindo empresas, sindicatos e comunidades. Essa oposição centralizada em Santa Cruz foi uma constante dor de cabeça para Morales em seus 13 anos, nove meses e 18 dias de mandato.

O mais radical

Quando as eleições na Bolívia começaram a ser questionadas por múltiplos setores da sociedade, o ex-presidente e candidato Carlos Mesa era considerado o principal nome do meio político para mobilizar a oposição a Evo. A princípio, todos os grupos bolivianos de oposição e detratores de Evo se alinharam com a reclamação de Mesa sobre possíveis fraudes nas eleições.

Na noite do pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a transmissão da contagem dos votos com 83% das urnas apuradas, quando o resultado indicava segundo turno entre Morales e Mesa. No dia seguinte, o sistema de contagem de votos, chamado Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP), foi subitamente reativado com 95% das urnas apuradas, indicando uma vitória apertada de Morales já no primeiro turno.

As suspeitas suscitadas pela interrupção da divulgação da contagem dos votos e a súbita guinada na tendência do resultado levaram a oposição a denunciar uma “fraude escandalosa”. Até as missões de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia pediram um segundo turno das eleições presidenciais.

Enquanto parte da oposição pedia um segundo turno, Camacho aumentou a aposta. O líder civil passou a reivindicar a renúncia de Evo. Muitos nomes da oposição, incluindo apoiadores de Mesa, criticaram o “radicalismo” de Camacho, acreditando que seria impossível pressionar Evo até uma renúncia.

Uma cruz em La Paz

Após o ultimato e a elaboração inédita de uma carta de demissão “para Evo Morales assinar”, Camacho anunciou que chegaria a La Paz para entregar o documento ao governo. Quase três dias de suspense cercaram a tentativa do líder da oposição até que ele finalmente pousou na capital.

Milhares de pessoas o receberam no aeroporto na quarta-feira e, um dia depois, ele foi a estrela de cenas raramente vistas na história da Bolívia. Camponeses, produtores indígenas e produtores de coca receberam Camacho e o aplaudiram de forma entusiasmada. Santa Cruz de La Sierra historicamente desempenhou um papel de contrapeso político contra o povo de La Paz, cidade mais ligada a Evo. Esse antagonismo causou atritos regionais que marcaram a agenda do país em mais de uma ocasião.

Dessa vez, e apesar de seu discurso conservador, Camacho abraçou mulheres e aceitou um colar feito com folhas de coca. Por outro lado, o apelido que ele recebeu de grupos de apoio, “Macho Camacho”, acabou sendo repudiado por organizações sociais e coletivos feministas, que o chamam de misógino e ultradireitista.

Camacho Biblia
Camacho tem um discurso com forte teor religioso. Imagem  Reprodução Internet.

Bolsonaro boliviano

“Como outros representantes da nova direita regional, como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, Camacho usa um discurso com forte teor religioso”, diz a jornalista Mariela Franzosi. Em uma análise sobre Camacho, ela afirma que o líder usa “um discurso que, embora tente associar à paz e unidade do povo boliviano, acaba sendo repleto de racismo, ódio de classe e provocações”.

Julio Cordova, sociólogo boliviano especializado em movimentos evangélicos, disse que Camacho “legitima sua posição autoritária com o discurso religioso no estilo Bolsonaro”. O pesquisador argumenta que o líder civil é “uma expressão da direita protofascista boliviana”.

Em seu momento de vitória, minutos após a renúncia de Morales, ele voltou a mostrar um crucifixo nas mãos. Camacho diz que não será candidato à Presidência e que, quando terminar sua liderança no âmbito civil, ele retornará aos seus negócios particulares. Mas, neste momento na Bolívia, é difícil esconder que um novo líder popular de direita surgiu às margens da esquerda que governou o país por 13 anos…

Fonte: Portal UOL

Jogadores da seleção chilena cancelam partida em apoio aos protestos por maior justiça social no país

Os jogadores da seleção chilena de futebol mostraram estar atentos e solidários perantes às reivindicações e protestos que sacodem o país há semanas. Apesar de serem atletas de alto nível e por essa razão não terem dificuldades financeiras, os ídolos de La Roja demostraram ter uma grande empatia em relação às camadas menos favorecidas do país.  Eles decidiram não entrar em campo no amistoso contra o Peru, marcado para a próxima terça-feira. Na tarde desta quarta, a Federação de Futebol Chilena anunciou que a partida não ocorreria por escolha dos atletas, e que o técnico Reinaldo Rueda já havia liberado os convocados para seus respectivos clubes.

“Os jogadores convocados para a seleção principal do Chile decidiram não disputar o amistoso internacional contra o Peru, programado para a próxima terça (19) em Lima. A decisão foi tomada pelo grupo após uma reunião realizada nesta manhã no Complexo Juan Pinto Durán. O técnico Reinaldo Rueda liberou imediatamente todos os jogadores, que já estão à disposição de seus clubes. A Federação Chilena já comunicou a situação à Federação Peruana”, diz a nota.

Um dos principais nomes da equipe, o volante Arturo Vidal manifestou-se sobre a decisão do grupo em sua conta no Instagram.

Vidal
Arturo Vidal, um dos ídolos da equipe, comunicou a decisão de não jogar o amistoso em uma rede social. Imagem Reprodução Internet.

“Como equipe, nós tomamos a decisão de não jogar o amistoso marcado com o Peru, em atenção ao momento social que vive nosso país. Somos jogadores de futebol, mas, antes de tudo, pessoas e cidadãos. Sabemos que representamos um país inteiro e, hoje, o Chile tem outras prioridades, muito mais importantes do que o jogo da próxima terça”, explicou o jogador, atualmente no Barcelona.

O volante ressaltou que os jogadores apoiam os protestos, sem ações violentas tanto de manifestantes quanto do Estado. Acrescentou também que o grupo considera, ainda, que a batalha mais importante que os chilenos enfrentam neste momento é a de viver em um país mais justo para todos.

“Temos uma partida mais importante que é a da igualdade, a de mudar muitas coisas para que todos os chilenos vivam em um país mais justo”, avaliou.

Apoio dos jogadores aos protestos

Em outubro, outros ídolos do futebol chileno já haviam manifestado apoio aos protestos que ocorrem no país, iniciados a partir do anúncio de um aumento na tarifa do metrô. Entre eles, estão o goleiro Claudio Bravo, o capitão da seleção, Gary Medel, os atacantes Alexis Sánchez e Pinilla, o meia Jorge Valdivia ex- Palmeiras  e a goleira Christiane Endler, finalista do prêmio de Melhor do Mundo da Fifa na posição em 2019.

Uma das principais pautas dos protestos  é a crítica ao aumento da desigualdade social. Nos últimos anos, o Chile era visto como um modelo da aplicação de políticas neoliberais  na América do Sul, tendo adotado como uma das principais medidas as privatizações.

“Eles venderam à iniciativa privada nossa água, eletricidade, gás, educação, saúde, aposentadoria, remédios, estradas, florestas, o Salar de Atacama, as geleiras, o transporte. Algo mais? Não é muito? Não queremos um Chile de alguns poucos, queremos um Chile de todos. Chega”, escreveu Bravo no Twitter.

Nesta terça-feira, o volante Charles Aranguiz já havia pedido o cancelamento do amistoso em entrevista à imprensa local. “O ambiente está difícil. Minha opinião é que não deveria ter jogo, para respeitar o que está acontecendo no país”, disse.

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A onda de protestos no país abarca pessoas de todas classes sociais. Imagem Reprodução Twitter

Confira a carta publicada por Vidal na íntegra:

“Para toda a opinião pública, especialmente os torcedores:

Como equipe, nós tomamos a decisão de não jogar o amistoso marcado com o Peru, em atenção ao momento social que vive nosso país. Somos jogadores de futebol, mas, antes de tudo, pessoas e cidadãos. Sabemos que representamos um país inteiro e, hoje, o Chile tem outras prioridades, muito mais importantes do que o jogo da próxima terça. Temos uma partida mais importante que é a da igualdade, a de mudar muitas coisas para que todos os chilenos vivam em um país mais justo.

Apoiamos as manifestações, mas sem violência e sem feridos, tanto do lado dos manifestantes como das forças policiais. O Chile precisa de paz, mas também que não sejam esquecidas as demandas que originaram esse movimento.”

Fonte: Jornal Extra

Violência, um agente sempre protagonista na Bolívia

Temos acompanhando atentos os últimos acontecimentos políticos na nossa vizinha Bolívia. A renúncia do presidente Evo Morales, após ser pressionado por militares, depois das acusações de fraude nas últimas eleições, desencadeou uma onda de violência por todo o país.

Infelizmente esse clima hostil não é novidade por lá, pelo contrário, já há séculos que a violência faz parte do cenário político nesta nação. Conheça um pouco desse lado triste da história boliviana e saiba como atos selvagens marcaram o passado e o presente no país.

Fonte: BBC News Brasil

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