Excelente notícia na luta contra a Covid: uma das vacinas mais eficazes do mundo será fabricada no Brasil e distribuída na América Latina

O mês de Agosto está se aproximando do fim com uma notícia muito boa para a América Latina, na luta contra o novo coronavírus. A farmacêutica norte-americana  Pfizer anunciou nesta quinta-feira (26) um acordo com a brasileira EuroFarma  para a produção local da vacina de mRNA da empresa contra a Covid-19 , a ComiRNAty, que será distribuída exclusivamente na América Latina.

Em nota, a Pfizer afirmou que foi assinada uma carta de intenção com a empresa brasileira, que ficará responsável pelas “atividades de fabricação dentro da cadeia de fornecimento e rede de fabricação de vacinas contra a Covid-19 globais da Pfizer e da BioNTech”.

A previsão é que as atividades de transferência técnica, desenvolvimento no local e instalação de equipamentos comecem imediatamente. A Eurofarma receberá o produto de instalações nos Estados Unidos e a fabricação das doses acabadas terá início em 2022.

A expectativa é que, em plena capacidade operacional, a produção anual no Brasil da vacina da Pfizer excederá 100 milhões de doses. Com o acordo, a Pfizer afirmou que a produção de seu imunizante será feita em quatro continentes, em mais de 20 instalações.

“Nossa nova colaboração com a Eurofarma expande nossa rede global de cadeia de suprimentos, nos ajudando a continuar fornecendo acesso justo e equitativo à nossa vacina. Continuaremos a explorar e buscar oportunidades como esta para ajudar a garantir que as vacinas estejam disponíveis para todos os que precisam”, disse Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer, em nota.

“A parceria de hoje é um passo importante para ampliar o acesso às vacinas na América Latina e além, expandindo nossa rede de fabricação global ”, afirmou Ugur Sahin, CEO e cofundador da BioNTech.

Também em nota, a Eurofarma afirmou que a parceria com a Pfizer e a BioNtech é motivo de “orgulho e esperança” para a empresa.“A assinatura dessa colaboração na produção da vacina contra a Covid-19 representa mais um marco em nossa trajetória. Estamos disponibilizando nossos melhores recursos em capacidade industrial, tecnologia e qualidade para este projeto, para que possamos cumprir o contrato com excelência e contribuir com o abastecimento do mercado latino-americano”, disse Maurízio Billi, presidente da farmacêutica.

As empresas também disseram que o objetivo é fornecer 2 bilhões de doses para países de baixa e média renda em 2021 e 2022 – 1 bilhão a cada ano –, seja por meio de acordos direto com governos, pelo acordo com os EUA para fornecer 500 milhões de doses que serão doadas, ou pelo contrato com a Covax Facility para fornecer 40 milhões de doses em 2021.

Aprovação definitiva da FDA

A Food and Drug Administration (FDA, em inglês), agência reguladora dos Estados Unidos equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), concedeu na segunda-feira (23) o registro definitivo para a vacina da Pfizer contra a Covid-19 para pessoas com 16 anos ou mais no país.

Esta é a primeira vacina contra o novo coronavírus  aprovada de forma definitiva pela FDA. A vacina da Pfizer/BioNTech foi autorizada para uso emergencial nos EUA em dezembro de 2020, para pessoas com 16 anos ou mais. Em maio deste ano, a autorização foi estendida a maiores de 12 anos. De mais de 170 milhões de pessoas nos Estados Unidos totalmente vacinadas contra a Covid-19, mais de 92 milhões receberam o imunizante da Pfizer/BioNTech.

Rapidez no processo

Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga definiu a parceria como um terceiro modelo de negócio, o de “indústrias privadas que se juntam para aumentar a produção brasileira”. Ele disse isso para explicar que o governo federal não participou do negócio e vai continuar comprando as doses da Pfizer. Mas, agora, fará isso com a Eurofarma. Isso deve dar rapidez ao processo, já que as doses serão produzidas no país.

Expectativas

A presidente da Pfizer no Brasil, Marta Diez, explicou que estava em contato com a Eurofarma há dois meses e a carta de intenção foi assinada nesta semana. “Mais um grande passo da Pfizer na luta contra a COVID-19”, afirmou. O presidente da empresa na América Latina, Carlos Murillo, também reforçou que a medida vai ajudar no acesso de outros países às vacinas, já que a Eurofarma tem grande capacidade de produção. “Queremos o acesso justo à vacina. A Eurofarma é o orgulho de todos os brasileiros e vai nos ajudar a aumentar o nosso alcance”, completou Murillo.

*Com informações de: CNN Brasil

Rainha da bike colombiana

Não faz nenhum um mês que os Jogos Olímpicos de Tóquio acabaram e já estamos com muita saudade não é mesmo? Tantas histórias incríveis e tantas medalhas maravilhosas que o Brasil conquistou, realmente o evento foi marcante. Uma competição, que particularmente me chamou a atenção foi o BMX, também conhecido como bicicross, que é considerado o caçula do ciclismo. As bicicletas são pequenas, mas os saltos chegam a alturas de tirar o fôlego. 🙀 A origem da modalidade data das décadas de 1960 e 1970, época em que as vertentes mais tradicionais do esporte — estrada e pista — já faziam parte dos Jogos Olímpicos. O BMX surgiu graças à admiração de jovens norte-americanos pelo MotoCross. A vontade de imitar as manobras dos ídolos aliada à falta de equipamento fez com que bicicletas fossem utilizadas em pistas de terra. Nasceu, então, o Bicycle Moto Cross, ou simplesmente BMX.

Bem mais barato e fácil de ser praticado que sua modalidade inspiradora, o BMX cresceu rapidamente, especialmente entre os jovens. Na década de 1970, o esporte viu a criação da primeira federação, nos Estados Unidos. Em 1981, surgiu a Federação Internacional de BMX. Um ano depois, ocorreu o primeiro Campeonato Mundial da categoria, disputado em Dayton, nos Estados Unidos. Todos os campeões foram pilotos norte-americanos. Em 1993, a União Ciclística Internacional (UCI) passou a regular o esporte.

Mariana Pajón é uma das maiores estrelas do esporte colombiano na atualidade – Foto – Google Imagens.

As provas do BMX são disputadas em baterias com 8 atletas cada, até se chegar à final. As bicicletas utilizadas pelos competidores possuem rodas com aro 20”, além de uma marcha e um freio. A largada é dada de uma plataforma de cerca de 10m de altura e os atletas passam por obstáculos montados na pista até cruzar a linha de chegada.

O BMX fez sua primeira aparição olímpica nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, com disputas tanto no masculino quanto no feminino. Em Tóquio 2020 foi a quarta vez que o BMX distribuiu medalhas em uma edição dos Jogos.

Rainha Latina

E uma das medalhistas dessa última edição é uma verdadeira rainha, em seu país natal: a Colômbia e uma fã declarada de um ídolo bem brasileiro. Mariana Pajón  tinha 2 anos quando Ayrton Senna disputou sua última corrida. Bicampeã olímpica e medalhista de prata nos Jogos de Tóquio, ela cresceu ouvindo e lendo histórias sobre o tricampeão mundial de Fórmula 1, que tornou-se seu grande ídolo. Ainda que, em comum com o esporte que ela pratica, o brasileiro tinha apenas a sede de chegar na frente: a colombiana é há uma década a melhor do mundo nas corridas de BMX.

A história de Mariana com a bicicleta começou como a de quase todas as crianças. Aprendeu a pedalar aos 4 anos. Primeiro com as rodinhas de apoio, depois sem. A semelhança com a molecada da sua idade termina aí. Aos 9 anos, ela já era campeã mundial da sua categoria. 🤯 Hoje, aos 29, além de bicampeã olímpica é dona de seis títulos mundiais em competições adultas. “Sou uma sonhadora e dedicada a tudo àquilo que amo”, conta a colombiana, uma das maiores atletas que seu país já teve.

O amor ao BMX  e a dedicação foram colocados à prova em 2018, quando Mariana já estava no topo do mundo e com a parede recheada de medalhas de ouro. Em uma etapa da Copa do Mundo disputada na Holanda, ela teve um acidente com uma adversária e o resultado foi a ruptura de ligamentos do joelho esquerdo, que ficou praticamente sem cartilagem. “Foi a lesão que me tomou mais tempo, foi um ano até voltar a competir. E eu percebi o quanto ainda amo este esporte”, conta.

A atleta teve praticamente que reaprender a andar e enfrentou sessões e mais sessões de fisioterapia. Havia uma dúvida se conseguiria ser tão competitiva quanto antes. Se seria de novo a biker que desaparecia na frente das rivais rumo à linha de chegada. “Pra mim, tudo se resumia a saber que poderia estar na frente de novo, que seria capaz de ganhar as competições”, conta. E assim ela provou. Menos de dois anos depois de retornar às corridas, a rainha do BMX já é número 2 do ranking mundial. 👊 Um verdadeiro fenômeno!

“Quando acordo, tudo o que quero é saber que ao levantar vou ser melhor do que era ontem”, conta Mariana Pajón. “Tenho um coração gigante, sou uma pessoa amorosa, mas quando coloco o capacete, é como entrar numa armadura e ir à guerra. Sou uma guerreira”, diz a colombiana. As glórias já são muitas, mas ela não vai parar tão cedo. Determinada como as imagens que viu de seu ídolo brasileiro, ela só se contenta com o pódio. E o alto dele.

  • Com informações de rededoesporte.gov e redbull.com/br

Condenação histórica na Argentina

Pela primeira vez, um tribunal argentino condenou repressores da ditadura  por crimes sexuais cometidos no maior centro clandestino de detenção que funcionou durante o regime, a Escola de Mecânica da Marinha (ESMA) na sigla em espanhol. Os ex-militares Jorge Tigre Acosta e Alberto González foram condenados a 24 e 20 anos de prisão ao serem declarados culpados de cometer violência sexual  contra três mulheres que foram sequestradas e mantidas na ESMA entre 1977 e 1978.

O Tribunal Oral Federal 5 de Buenos Aires os declarou culpados de estupro agravado por ter sido cometido por duas ou mais pessoas, reiteradamente em pelo menos 10 oportunidades”, abuso desonesto, privação ilegítima da liberdade e suplícios, crimes que foram declarados imprescritíveis por ser de lesa-humanidade.

Acosta, ex-capitão da Marinha argentina, foi chefe de inteligência e do grupo de tarefas da ESMA durante a ditadura. Os juízes Adrián Grunberg, Daniel Obligado e Adriana Pallioti o declararam autor penalmente responsável de abuso desonesto e estupro contra as denunciantes Mabel Zanta, María Rosa Paredes e Silvia Labayrú. González, que também integrava o grupo de tarefas 3.3.2. como oficial de inteligência, foi condenado pelos crimes cometidos contra Labayrú.

O ex-capitão Jorge Eduardo Acosta, conhecido como Tigre, na leitura de uma sentença por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura argentina, em 2017. JAVIER GONZALEZ TOLEDO / AFP

A denúncia foi feita em 2014, mas só chegou a julgamento oral em 2020,  durante a pandemia do coronavírus. Através de audiências privadas realizadas pela plataforma Zoom, as denunciantes relataram os abusos, estupros e violência psicológica a que foram submetidas durante seu sequestro no centro clandestino de detenção localizado em frente a uma das grandes avenidas de Buenos Aires e por onde passaram aproximadamente 5.000 presos.

A violência sexual cometida contra as presas na ESMA já foi revelada em julgamentos anteriores, mas nunca foi julgada como um crime autônomo. Tanto a Promotoria como as denunciantes afirmam que a sentença contribui para  visualizar os crimes cometidos nos centros clandestinos. “Existiram muitas mulheres estupradas como eu na ESMA que por medo e outras razões não denunciaram. A sentença me satisfaz porque talvez permita que outras mulheres pensem que é possível denunciar e se encorajem a fazê-lo”, responde Labayrú da Espanha.

Algumas das sobreviventes “ainda não têm consciência de que foram vítimas de estupros”, segundo a jornalista Miriam Lewin, também sobrevivente da ESMA e uma das primeiras a expor os abusos cometidos contra as mulheres sequestradas pela ditadura em seu livro Putas e guerrilheiras. “A vergonha e a culpa, a condenação social, a vitimização são barreiras para todas as vítimas de estupro, ainda hoje”, declarou Lewin à agência Télam.

“A Justiça não é só a condenação dos responsáveis, e sim também a reparação e a memória, destaca Alejandra Naftal, diretora do museu que funciona no prédio onde era a ESMA, hoje transformado em centro de memória. Em 2019, a instituição expôs alguns dos depoimentos de sobreviventes que foram vítimas de crimes sexuais e prepara uma nova mostra sobre o tema para o ano que vem.

As penas recebidas na sexta-feira por Acosta e González se unificam com as condenações à prisão perpétua que já haviam recebido em julgamentos anteriores por sequestros, torturas e assassinatos. Os dois cumprem suas sentenças na prisão.

E enquanto isso no Brasil, ao invés de punição, vemos uma exaltação de criminosos do período da ditadura militar, vindo, principalmente de quem está no poder e deveria zelar pela democracia, lamentável…. 😦

*Com informações de EL PAÍS BRASIL

Chile começa a aplicar terceira dose para quem tomou a CoronaVac. O Brasil deve seguir o mesmo caminho?

A morte do ícone da TV brasileira, Tarcísio Meira, que havia tomado as duas doses da CoronaVac e mesmo assim evoluiu para um quadro grave da Covid, acendeu o debate para a necessidade de um reforço na imunização no país.

Nosso vizinho andino Chile começou nesta quarta-feira (11) a administrar a terceira dose das vacinas contra a covid-19, num plano de reforço focado inicialmente nos quase dois milhões de cidadãos maiores de 55 anos já vacinados duas vezes com o imunizante chinês  O processo de vacinação em massa contra a covid-19, por lá, começou em fevereiro passado, e nestes seis meses 82,44% da população-alvo completou sua pauta de vacinação, em boa medida com a fórmula do laboratório Sinovac. O Governo chileno tomou a decisão logo depois de detectar que essa vacina continua demonstrando importantes sinais de efetividade contra casos de hospitalização, internação em UTI e morte, mas que sua eficácia para prevenir a doença sintomática caiu de 67% a 58,49%, segundo um estudo divulgado na semana passada pelo Ministério da Saúde, que incluiu milhões de pessoas.

Com este processo de reforço, o Chile se torna o primeiro país da América do Sul a iniciar a terceira etapa da vacinação contra a covid-19  já que o Uruguai, outro país que aprovou a medida, anunciou que irá começar a reforçar a imunização na próxima semana. No resto da América Latina, a República Dominicana iniciou em julho a inoculação com a terceira injeção.

Com 65% da população já completamente vacinada, o Chile é um dos países com a campanha de proteção contra o coronavírus mais adiantada do mundo.

Segundo a subsecretária de Saúde do país, Paula Daza, indivíduos com mais de 55 anos receberão uma terceira dose da AstraZeneca da Universidade de Oxford. Já para aqueles que estão abaixo dessa idade, será oferecida posteriormente a Comirnaty da Pfizer e BioNTech. Por ora, os chilenos que tomaram duas doses da Astrazeneca ou da Pfizer não serão contemplados com o reforço. Mas eles configuram uma minoria: a CoronaVac foi aplicada em 90% dos vacinados do país.

A decisão do governo vem como uma resposta aos estudos e orientações dos cientistas de instituições locais, que observaram uma diminuição da eficácia da vacina da Sinovac com o passar dos meses.

A nação sul-americana também passa por um momento de relativa estabilidade da pandemia, com quedas nos números de casos e mortes por covid-19. Mas a chegada da variante Delta ligou o sinal de alerta das autoridades sanitárias locais e acelerou a discussão e a decisão sobre a necessidade de uma terceira dose.

Por enquanto, ainda não há nenhuma definição sobre o reforço vacinal no Brasil, mas tanto o Ministério da Saúde quanto o Instituto Butantan (responsável por finalizar a produção da CoronaVac no país) admitem que avaliam e consideram essa possibilidade.

Na dúvida, melhor garantir

De acordo com o painel da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, o Chile contabiliza até o momento 1,6 milhões de casos e 35 mil mortes pela covid-19.

O pior período da pandemia por lá ocorreu entre junho e julho de 2020, quando o país alcançou uma média móvel de 240 óbitos por dia. A nação também registrou uma segunda onda entre março e junho de 2021 e ultrapassou a média de 7,3 mil diagnósticos diários da infecção pelo coronavírus.

É curioso notar que, nesse segundo período de maior gravidade, não houve um aumento proporcional na taxa de mortes (embora elas tenham subido), o que reforça a ideia de que as vacinas estão cumprindo na prática o que foi visto nos estudos clínicos: uma proteção contra os casos mais graves, que exigem intubação e podem matar.

Falando na imunização, o Chile é o terceiro lugar no mundo com a campanha mais adiantada (só fica atrás de Emirados Árabes Unidos e Uruguai), em que 65% da população está com as duas doses e 8% com a primeira aplicação. Todos esses dados vêm do Our World In Data, portal que reúne estatísticas e informações sobre a pandemia.

Com um cenário relativamente tranquilo, o governo local decidiu aliviar as políticas restritivas e colocar em marcha o plano de retomada das atividades econômicas e sociais.

Mas dois acontecimentos criaram uma preocupação nas autoridades sanitárias e deram força aos projetos de distribuir a terceira dose. Primeiro, a confirmação da chegada da variante Delta em território chileno, que já foi detectada inclusive em pessoas que não viajaram ao exterior (o que confirma a transmissão comunitária dessa linhagem).

A experiência de outros países, como Israel, Reino Unido e Estados Unidos, mostra que essa nova versão do coronavírus é mais transmissível e está por trás do descontrole nos números de casos confirmados, mesmo nos lugares com a vacinação bem encaminhada.

O segundo fator decisivo foi a divulgação em julho de um estudo da Universidade Católica do Chile e do Instituto Milênio de Imunologia e Imunoterapia com mais de 2 mil voluntários, que observou uma queda na produção de anticorpos e na imunidade celular seis meses após a aplicação das duas doses da CoronaVac.

A boa notícia é que a vacina continua tendo uma eficácia considerável mesmo após esse tempo. Os autores ainda destacam que foram poucos (menos de 3%) os participantes que tiveram covid-19 grave após estarem completamente imunizados.

Mesmo assim, os especialistas recomendaram que o Ministério da Saúde do Chile avaliasse a possibilidade de oferecer uma terceira dose, para garantir que o sistema imunológico continue “antenado” para evitar um ataque bem-sucedido do coronavírus.

A bioquímica e imunologista Marcela Gatica, da Universidade de La Serena, localizada no norte do Chile, chama a atenção para o fato de a pesquisa, que ganhou muito destaque, ainda não ter sido publicada em periódicos científicos, o que dificulta uma avaliação mais aprofundada sobre seus resultados.

Ela também critica a falta de critérios ou explicações para definir os tipos de vacinas que serão aplicadas em cada faixa etária. “De forma geral, uma parte da população recebeu a informação da terceira dose com alegria e tranquilidade. Mas, por outro lado, uma parcela também ficou em dúvida sobre o que isso significa e o que realmente se sabe sobre essa questão”, analisa.

“Também há um sentimento questionando se é certo dar uma terceira dose enquanto outros países não têm vacinas”, completa.

E no Brasil?

Com pouco mais de 52 milhões de doses aplicadas (36% do total), a CoronaVac é a segunda vacina contra a covid-19 mais utilizada no Brasil — ela só fica atrás da Astrazeneca, com 68 milhões de unidades (48%).

A discussão sobre a necessidade de reforço, porém, está menos avançada por aqui. Até o momento, o assunto foi mencionado por cima em discursos e entrevistas de políticos e gestores de saúde. Foi o caso, por exemplo, do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Ele disse recentemente que “tudo indica que precisaremos de uma terceira dose”.

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, seguiu uma linha de raciocínio parecida e declarou que algumas vacinas demandarão esse reforço. Por outro lado, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) declarou que ainda não acredita na necessidade da dose adicional.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, parece concordar. Ao reclamar sobre anúncios adiantados feitos por representantes de Estados e municípios sobre esse tópico, ele reafirmou a urgência de focar e avançar na vacinação com duas doses.

Do ponto de vista oficial,  o Ministério da Saúde vai iniciar um estudo para avaliar a necessidade de reforço para quem tomou a CoronaVac.

“A pesquisa, que será realizada em parceria com a Universidade de Oxford e deve começar em duas semanas, vai verificar a intercambialidade dessa vacina com outros imunizantes disponíveis para a população brasileira”, afirma a assessoria de imprensa do ministério, após um pedido de esclarecimentos feito pela BBC News Brasil.

De acordo com a pesquisadora Sue Ann Clemens, que vai coordenar a investigação direto de Oxford, na Inglaterra, o objetivo é vacinar pessoas que já tenham tomado as duas doses da CoronaVac há pelo menos seis meses.

Os 1,2 mil voluntários serão divididos em quatro grupos: um receberá um reforço da própria CoronaVac, enquanto os outros tomarão os imunizantes da Pfizer, da Astrazeneca ou da Janssen. A partir desses resultados, as autoridades públicas brasileiras poderão decidir até o final do ano se adotam a mesma estratégia do Chile ou não.

O médico Jorge Elias Kalil Filho, professor titular de imunologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, revela que esse assunto também está sendo debatido pelo comitê técnico que assessora o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, do qual ele faz parte.

É possível que esse grupo faça novas orientações e recomendações sobre a questão ao longo das próximas semanas. A reportagem da BBC News Brasil também procurou o Instituto Butantan, responsável por finalizar a produção da CoronaVac a partir da importação dos insumos da China.

“Já temos estudos iniciados no Brasil e em outros países que preveem a necessidade de uma dose de reforço anual contra a covid-19, assim como acontece hoje em relação à influenza (gripe). Essa hipótese vem sendo amplamente discutida, especialmente diante do avanço da variante Delta”, responderam os representantes da entidade, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa.

“Vale ressaltar que o avanço da Delta [no país] está sendo acompanhado por meio da Rede de Alertas das Variantes do Sars-CoV-2 [o coronavírus responsável pela pandemia atual], coordenada pelo Butantan e, por enquanto, não foi considerado representativo do ponto de vista populacional”, completam.

O momento certo entre a precipitação e o atraso

O resumo da ópera, portanto, é que o Brasil avalia a possibilidade de um reforço na vacinação contra a covid-19 no futuro, mas ainda estamos longe de qualquer definição sobre esse tópico. Do ponto de vista científico, esse compasso de espera até faz sentido: não temos evidências suficientes e um consenso entre os especialistas de que a dose adicional será realmente necessária.

A imunologista Ana Karolina Marinho, do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), entende que é importante que especialistas e gestores discutam esse assunto e se planejem para o futuro.

“Nós não sabemos ainda quanto tempo dura a imunidade pela vacina ou pela infecção natural. Temos estudos mostrando que ela se mantém por pelo menos seis ou até oito meses, mas ainda precisamos de dados mais sólidos”, contextualiza.

Já Kalil acredita que é necessário começar a aplicar uma terceira dose agora nos grupos vulneráveis, como indivíduos com mais de 80 anos, aqueles que fizeram ou que têm algum problema no sistema imunológico. “Muito provavelmente essa população se beneficiaria dessa estratégia, especialmente se aqueles que tomaram a CoronaVac lá atrás receberem agora uma dose da Pfizer ou da AstraZeneca”, diz.

“Nós temos que fazer projeções das hospitalizações e mortes por covid-19 daqui para frente e pensar em proteger aqueles que mais precisam”, completa o professor, que aponta a chegada de uma boa quantidade de lotes de imunizantes ao Brasil ao longo dos próximos meses, segundo o planejamento do Ministério da Saúde, como um caminho para suprir essa possível demanda extra.

Enquanto não temos uma definição, é importante que, do ponto de vista individual, todo mundo continue fazendo a sua parte e vá ao posto de saúde nas datas estipuladas. Todas as vacinas contra a covid-19 usadas no PNI foram aprovadas pela Anvisa e têm a segurança e a eficácia comprovadas em estudos rigorosos.

E, claro, mesmo com qualquer definição sobre o reforço, todas as pessoas (incluindo os vacinados) precisam continuar se cuidando e respeitando as orientações de distanciamento físico, uso de máscaras, preferência por lugares bem arejados e higiene das mãos.

*Com informações de El País e BBC Brasil

Professora e mapuche: Conheça a chilena eleita para presidir o organismo que vai elaborar a nova constituição do país

Em uma decisão carregada de simbolismo e refletindo o espírito da Convenção Constitucional do Chile, que teve início no dia 04 de julho, Elisa Loncón foi eleita a presidente do órgão que deve redigir a nova constituição do país.

A indígena, de 58 anos, presidirá o órgão que criará a nova Carta Magna, que deve substituir a atual, herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Loncón é professora, linguista e ativista mapuche — maior etnia indígena do Chile. Ela foi eleita por maioria absoluta (96 dos 155 votos) no segundo turno da sessão de abertura da Convenção.

“Agradeço o apoio das diferentes coalizões que deram sua confiança e depositaram seus sonhos no chamado feito pela nação mapuche para que votassem em uma pessoa mapuche, uma mulher, para mudar a história deste país”, declarou Loncón no primeiro domingo do mês, ao aceitar o posto com o punho cerrado acima da cabeça.

“Você pode dialogar com a gente, não tenha medo, porque também está instalada uma política do medo. Há muito preconceito sobre uma candidata indígena e mapuche. Então, esse é um chamado para nos libertarmos dos nossos preconceitos e interagir em condições iguais”, disse Loncón em uma entrevista recente ao periódico chileno “La Tercera”.

Sua eleição é uma mudança drástica para grupos que não estão reconhecidos na atual Constituição. “Esta convenção vai transformar o país e torná-lo plurinacional e intercultural”, declarou a professora.

A eleição de Loncón é também uma amostra da maioria dos progressistas entre os 155 parlamentares que compõem a assembleia. Com uma direita enfraquecida, com apenas 38 das 155 cadeiras, e a ascensão de candidatos independentes — em sua maioria progressistas —, a convenção terá a missão de colocar no caminho um país duramente afetado por uma crise social e institucional.

Loncón ocupa umas das 17 cadeiras reservadas para povos indígenas, sete das quais estão ocupadas por representantes do povo mapuche, duas pelo povo aimará e um para representantes de cada um dos outros povos: kawésqar, rapanui, yagán, quechua, atacameño, diaguita, colla e chango.

Elisa Loncón é professora e militante mapuche – Imagem Divulgação

Nascida em Traiguén, na região de La Araucanía, no sul do Chile, um reduto mapuche, Loncón viveu a sua infância na comunidade Lefweluan. Recentemente, ela contou ao jornal espanhol El País que para ir à escola “tinha que viajar por oito quilômetros de sua casa na comunidade mapuche”, percurso que costumava fazer a pé. A maior parte da família dela ainda vive naquela comunidade.

Loncón se formou como professora de inglês na Universidade La Frontera, em La Araucanía, e fez pós-graduação no Instituto de Estudos Sociais de Haia e na Universidade de Regina, no Canadá. Ela também possui doutorado em Humanidades pela Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e um doutorado em literatura na Pontifícia Universidade Católica do Chile.

Eleição simbólica

A eleição de Loncón é simbólica porque um dos principais debates para a redação da nova Carta Magna é o reconhecimento dos povos indígenas. A definição dos direitos para as comunidades indígenas e o debate sobre um Estado plurinacional são temas fundamentais.

Entre as demandas das comunidades indígenas está a criação de um Estado que aceite a autonomia e os direitos desses povos. Além disso, pedem garantias em termos territoriais e de reconhecimento de sua cultura e língua, entre outros pontos.

“Esse é um grande problema que vai custar caro, que precisará de muitas reparações históricas. E obviamente é complicado porque toca em direitos de propriedade. Mas é fundamental. Os modelos da Nova Zelândia e do Canadá são os mais interessantes (sobre o tema)”, propôs o doutor em Ciência Política Juan Pablo Luna, professor da Universidade Católica do Chile, em recente entrevista à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC).

Chile e Uruguai estão entre os poucos países latino-americanos que carecem de reconhecimento explícito dos povos indígenas em suas constituições. Do outro lado estão a Bolívia e o Equador, duas nações que não só reconhecem esses povos, mas também optaram por consagrar o caráter plurinacional de suas constituições.

Elisa com a bandeira Mapuche – GETTY IMAGES

Luna afirmou que a inclusão de direitos garantidos e reconhecidos na Constituição para as comunidades indígenas não representa apenas um forte efeito simbólico.

O doutor em Ciência Política apontou que vários países da América Latina que incorporaram esses direitos, como Brasil e a Colômbia, passaram a ter a Justiça como aliada dos povos indígenas para o reconhecimento de seus direitos constitucionais — como questões territoriais, acesso à saúde, entre outros direitos.

O prazo para que uma proposta de Constituição no Chile fique pronta é, no máximo, um ano desde o início oficial dos trabalhos, no domingo. Em 2022, um plebiscito, com voto obrigatório, definirá pela aprovação ou rejeição da proposta.

A atual Constituição chilena, herdada da ditadura Pinochet, é repudiada por muitos setores do país por seu modelo neoliberal no qual foram privatizados serviços básicos como água, educação e previdência.

Muita sorte ao povo chileno nesses novos tempos que surgem! ✊ 🌹 🇨🇱

Fonte: BBC Brasil

Negro amor

Ao navegar, sem muitas pretensões pelo mar aleatório do Youtube vejo um dueto que me chama instantaneamente a atenção: a diva da MPB brasileira Gal Costa e o ganhador do Oscar, Jorge Drexler. Nesse clipe, os dois fazem uma nova versão de “Negro Amor”, cada um de sua casa, devido a esse momento ainda pandêmico.

♪ Em 1977, ao gravar o então inédito folk Negro amor, Gal Costa uniu os traços modernistas das obras de Caetano Veloso e Bob Dylan em registro agudo, pautado pela intensidade. Uma das melhores faixas de Caras & bocas, álbum de ambiência roqueira lançado pela cantora naquele ano de 1977, Negro amor é versão em português It’s all over now, baby blue, música da inicial fase folk do cancioneiro de Dylan.

Gravada em janeiro de 1965 e lançada em março daquele ano no quinto álbum de estúdio do cantor e compositor norte-americano, Bring it all back homeIt’s all over now, baby blue flagra o bardo contestador ainda em ambiência acústica, mas já à beira da transição da obra para o universo eletrificado do rock.

Na versão brasileira intitulada Negro amor, escrita por Caetano Veloso com Péricles Cavalcanti em português que mantém a alta carga poética da letra original de Dylan, a música incorpora referências brasileiras, aludindo à química da música de Jorge Ben Jor ao anunciar que “os alquimistas estão no corredor”.

Decorridos 43 anos do emblemático registro original de Negro amor, Gal (ar)risca “outra vida, outra luz, outra cor” para a versão brasileira do folk de Dylan em gravação feita com a voz e o violão de Jorge Drexler, cantor, compositor e músico uruguaio residente em Madrid, na Espanha.

A gravação faz parte do álbum “Nenhuma Dor” em que, sob a direção artística de Marcus Preto, Gal comemora seus 75 anos de vida revisitando músicas do próprio repertório ao lado de elenco masculino que, além de Drexler e Rubel, inclui António Zambujo, Criolo, Rodrigo Amarante (em Avarandado), Seu Jorge (em Juventude transviada), Silva, Tim Bernardes, Zé Ibarra (em Meu bem, meu mal) e Zeca Veloso (em Nenhuma dor).

Em tese, qualquer nova abordagem de Negro amor por Gal é arriscada pela improbabilidade da cantora reeditar o tom visceral da gravação original de 1977. Surpreendendo, a artista dribla bem o risco. A voz de Gal soa com viço  – e se harmoniza com o fluente canto em português de Drexler.

A disposição dos violinos, violas e violoncelos – produzem uma espécie de fricção que potencializa o significado dos versos cantados de forma alternada por Gal e Drexler em gravação que culmina com o verso em espanhol “Y no queda más nada, negro amor”.

*Com informações do Portal G1

Uruguai colhe bons frutos da campanha de vacinação contra a covid

As internações em terapia intensiva e mortes por covid-19 foram reduzidas em mais de 90% na população geral do Uruguai que tomou as duas doses das vacinas CoronaVac e Pfizer, mostrou relatório divulgado pelo governo em junho.

O país, com 3,5 milhões de habitantes, tem conduzido uma bem-sucedida campanha de vacinação, que o coloca junto com o Chile na vanguarda na América do Sul. Segundo dados do Ministério da Saúde Pública, quase 52% da população receberam uma dose da vacina contra a covid-19 e 29% foram imunizados com as duas doses até o dia 1º de junho. Os resultados do relatório incluem as pessoas vacinadas com ambas as doses, depois de mais de 14 dias após a aplicação da última.

Sobre a vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, o estudo mostrou que “em todos os subgrupos analisados o percentual de eficácia para reduzir casos incidentes supera os 61%; a redução de entrada nas unidades de terapia intensiva (UTIs) é acima de 92%, e a de redução de mortes pela doença passa de 95%”. Os subgrupos para a CoronaVac correspondem às populações entre 18 e 49 anos de idade, e entre 50 e 69 anos.

Vacinas reduzem mortes e internações na UTI em mais de 90% no Uruguai – Imagem – Correio Braziliense

Em relação à vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, o documento acrescenta que “o índice de eficácia para reduzir casos incidentes supera os 78%, em reduzir admissões na UTI passa de 94% e de evitar mortes supera os 94%”. O imunizante da Pflzer foi destinado a pessoas com 80 anos ou mais, e aos profissionais de saúde.

#VacinaSim 💉

Fonte: Agência Brasil – EBC

Entenda o contexto histórico e social envolvido na polêmica frase do presidente argentino Alberto Fernández

Um dos assuntos que ganhou a mídia e as conversas pela América Latina, na última semana, foi a polêmica envolvendo o presidente da Argentina. A declaração de Alberto Fernández, de que, os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos (…) que vinham da Europa” expôs a resiliência de um mito sobre a formação do povo argentino que remonta ao século 19, e foi condenada por setores da sociedade local empenhados em reconhecer as suas raízes indígenas e africanas.

Fernández fez o raciocínio na última quarta-feira (09), durante um encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Buenos Aires. A fala imediatamente provocou reação dentro e fora da Argentina. Mais tarde, ele escreveu no Twitter que se orgulhava da “diversidade” do país, que não quis ofender ninguém e pediu desculpas “a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado”.

Frase do presidente repercutiu mal na Argentina e também internacionalmente – Reprodução Internet

Composição étnica da Argentina

Assim como em outros países latino-americanos, a população da Argentina tem três raízes fundamentais: os povos originários que já ocupavam o território há milhares de anos, os europeus que invadiram o continente e os escravos africanos levados para lá à força. Nos séculos 16 a 19, estimativas apontam que mais de 200 mil escravos africanos chegaram a Buenos Aires e a Montevidéu, capital do Uruguai. Um censo realizado em 1778 apontou que cerca de um terço da população da Argentina era formado por afrodescendentes e africanos.

O maior fluxo migratório para o país ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões de europeus, principalmente da Espanha e da Itália, mudaram-se para a Argentina. Junto a isso, iniciou-se um esforço deliberado do Estado para reduzir a presença dos negros e povos originários nos registros oficiais.

Em 2010, pela primeira vez desde o final do século 19, o censo da Argentina perguntou se as pessoas eram afrodescendentes, mas muitos ativistas consideram que faltou o governo promover, antes, um processo de sensibilização para que essa parcela da população se reconhecesse como tal.

Naquele ano, apenas 0,4% da população local se declarou afrodescendente. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em 2008 a partir da coleta de material genético, no entanto, estimou que 9% dos argentinos têm origem africana, e que 31% descendem dos povos originários.

Origens da autoimagem europeia

Gisele Kleidermacher, professora da Universidade de Buenos Aires e especialista em sociologia das migrações, afirma à DW Brasil que a declaração de Fernández causou espanto por ele ser o presidente do país, mas coincide com o que pensam muitos argentinos.

Esse imaginário começou a ser construído por um grupo de políticos e intelectuais no século 19, que assumiram a condução do país após a independência da Espanha e se dedicaram à construção da nação argentina. Faziam parte desse grupo o escritor e ativista Esteban Echeverría (1805-1851) e o intelectual e sétimo presidente da Argentina Domingo Sarmiento (1811-1888).

“Eles começaram com a ideia de povoar o país com pessoas que viessem de outras partes da Europa, e não somente da Espanha e da Itália, mas principalmente da Inglaterra, da Alemanha, e da França, porque consideravam que esses países estavam mais desenvolvidos, e que isso não tinha a ver apenas com sua economia, mas também com seu perfil populacional”, afirma Kleidermacher.

Nessa época, estavam em voga conceitos do racismo científico, segundo o qual haveria raças superiores e inferiores entre os homens – tese hoje rechaçada pela ciência.

“Eles consideravam que as populações presentes na América Latina e na Argentina, majoritariamente de povos originários e afrodescendentes trazidos ao país pela escravidão, não teriam um perfil populacional que servisse para criar uma nação desenvolvida”, diz a professora da Universidade de Buenos Aires.

Mercedes Sosa, uma das mais famosas artistas argentinas de todos os tempos, tem origem indígena – Reprodução Internet.

Processo intencional de invisibilização

A partir dessa concepção, houve um esforço do Estado para esconder as raízes ligadas aos povos originários e aos escravos. “No nosso país [Argentina], tratou-se de apagar esses componentes por meio de diversos mecanismos. Em alguns casos, com um genocídio direto no qual tentou-se exterminar parte da população originária [como na Campanha do Deserto]. Em outros casos, com a segregação residencial, os separando em áreas desfavorecidas e menos visíveis, ou com uma invisibilização censitária”, diz Kleidermacher.

Essa estratégia se somava à narrativa de que a Argentina “descendia dos barcos” que chegaram da Europa. Navios esses que aportaram principalmente em Buenos Aires, que não é representativa do perfil populacional das outras áreas do país.

O antropólogo Norberto Pablo Cirio, diretor da Cátedra Livre de Estudos Afro-argentinos e Afro-americanos da Universidade Nacional de La Plata, afirma que quatro instituições foram essenciais para implementar essa estratégia: o censo, os museus, o mapa e a escola.

“Desde a segunda metade do século 19, o Estado prega uma memória exclusiva, de matriz europeia, uma história parcial do surgimento da Argentina que nega que sua riqueza material e cultural se deve a genocídios contra os povos originários, à apropriação de suas terras e ao benefício de 350 anos do comércio de escravos”, diz.

Ele menciona que a população afrodescendente deixou de ser mencionada em textos de história e exposições em museus, de ser considerada nos censos e de ser indicada no mapa do país. “A escola foi, e é, parte vital na reprodução geracional dessa memória branca”, afirma. “Diferentemente do resto da América Latina, este país tem sérios problemas mentais para se assumir americano, isso é, mestiço.”

Mudanças à vista?

A forte reação da mídia argentina e de outros países à fala de Fernández é um sinal de mudanças em setores da sociedade que buscam reconhecer a diversidade étnica do país e reagir a tentativas de esconder os segmentos de origem não europeia, diz Kleidermacher.

Isso está relacionado a uma narrativa mundial “multiculturalista”, mas também a movimentos locais na Argentina, como os indígenas que se identificam como “marrones”, que apontam as fontes de sua discriminação e reivindicam a sua história. “Mas são processos lentos. A narrativa sobre a nação argentina branca e europeia tem dois séculos, e os processos para romper com isso também são lentos”, afirma…

  • Com informações do Portal G1

Chile e Uruguai anunciam vacinação de jovens a partir de 12 anos contra covid-19

As autoridades sanitárias do Chile e do Uruguai aprovaram nesta semana a administração da vacina contra Covid-19 produzida pela Pfizer e BioNTech em menores de idade a partir de 12 anos. A imunização de adolescentes nos países sul-americanos começará depois dos Estados Unidos, Canadá e da União Europeia (UE) também terem aprovado a vacina do laboratório americano para a faixa etária.

A informação sobre a aprovação no Chile foi divulgada pelo Instituto de Saúde Pública (ISP) na segunda-feira 31. Já o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, anunciou a notícia nesta terça-feira 1º.

Em entrevista à emissora Canal 10, Lacalle Pou confessou estar preocupado com a pandemia no Uruguai e disse que até o final desta semana a programação será aberta para que jovens a partir de 12 anos possam ser vacinados. O chefe de governo insistiu que ele está confiante nas medidas implementadas por seu governo e no processo de vacinação.

A este respeito, ele confirmou que o Uruguai acaba de assinar “uma reserva de mais de 500.000 doses da vacina CoronaVac” para aumentar sua distribuição. O governo uruguaio vem cogitando administrar uma terceira dose para reforçar a eficácia dos imunizantes que estão sendo inoculadas no país, os de Pfizer e AstraZeneca e a CoronaVac.

No Chile, a vacinação de adolescentes entre 12 e 16 anos deve começar nas próximas semanas. A faixa etária se juntará às 7,9 milhões de pessoas que já receberam o calendário completo de vacinação no país, que tem 19 milhões de habitantes.

Uruguai e Chile anunciam vacinação para público entre 12 e 18 anos – Imagens: Reprodução Internet

Até hoje, o Chile recebeu quase 22 milhões de vacinas, sendo 17 milhões delas a CoronaVac. Também há 3,6 milhões de doses do imunizante da Pfizer, 693,6 mil da AstraZeneca e 300 mil da CanSino.

Além dos países sul-americanos, a vacina da Pfizer também foi aprovada em adolescentes nos Estados Unidos, no Canadá e na União Europeia. O laboratório americano solicitou no último dia 20 a aprovação da vacina em jovens a partir de 12 anos e forneceu estudos favoráveis de agências como a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA).

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) liberou na última sexta-feira a aplicação da vacina da Pfizer e da BioNTech, com tecnologia RNA mensageiro, para jovens de 12 a 15 anos de idade.

Inevitável pensar, nesse momento, que o Brasil poderia estar nesse mesmo ritmo de vacinação, não é mesmo? 😓

Fonte: Revista Veja

América Latina ultrapassa um milhão de mortes pela Covid-19

O número de mortos por Covid-19 na América Latina e no Caribe ultrapassou a marca de 1 milhão, no último domingo dia 23, em meio ao agravamento da pandemia na região, de acordo com levantamento da Universidade Johns Hopkins.

Das montanhas da Bolívia a São Paulo, a pandemia inundou os sistemas de saúde subfinanciados depois de se espalhar rapidamente por países onde muitas pessoas sobrevivem com dificuldades e não conseguem permanecer em isolamento social. No Peru, uma das nações mais atingidas na região, pacientes de Covid-19 morreram em corredores de hospitais lotados da capital Lima. Em Manaus, capital do Amazonas, moradores morreram por falta de oxigênio no início do ano.

Com casos caindo na Europa, Ásia e América do Norte, e estáveis na África, a América do Sul é a única região em que novas infecções estão crescendo rapidamente em uma base per capita, de acordo com a publicação Our World in Data. Atualmente, porém, é a Índia que está lutando contra um dos piores surtos do mundo. Na média em maio, 31% das mortes por Covid-19 no mundo ocorreram na América Latina e no Caribe — onde vivem apenas 8,4% da população global.

Médicos e epidemiologistas dizem que a pandemia de coronavírus pegou governos despreparados de surpresa no ano passado e seu impacto foi agravado por líderes que minimizaram sua gravidade e não conseguiram garantir o fornecimento de vacinas em tempo hábil. Os oito países que registraram maior número de mortes por Covid-19 per capita na semana passada foram todos na América Latina.

“Em vez de nos prepararmos para a pandemia, minimizamos a doença, dizendo que o calor tropical desativaria o vírus”, disse o dr. Francisco Moreno Sanchez, chefe do programa Covid-19 em um dos principais hospitais do México e crítico do plano de vacinação do governo.

Na média em maio, 31% das mortes por Covid-19 no mundo ocorreram na América Latina e no Caribe – onde vivem apenas 8,4% da população global. GETTY – IMAGES.

Com o número de mortos aumentando constantemente, os cemitérios de vários países foram forçados a expandir fileiras e mais fileiras de novas sepulturas. Em uma ruptura com a cultura tradicional predominantemente católica da região, os mortos costumam ser enterrados com poucos ou nenhum parente para se despedir.

Brasil

Com mais 450 mil mortes, o Brasil, que se tornou um epicentro do coronavírus, foi o país com mais mortos na região e o segundo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Na América Latina, nosso país é seguido em número de óbitos por México e Colômbia, e juntos representam cerca de 74% de todas as mortes na América Latina.

Em termos globais, o Brasil é o terceiro país mais afetado em casos confirmados de Covid-19, atrás da Índia e dos Estados Unidos.

O governo do presidente Jair Bolsonaro, que demostrou ceticismo em relação às vacinas em vários momentos, e é um crítico do isolamento social, está sendo investigado por uma CPI a respeito de sua condução da pandemia.

A média diária de mortos na América do Sul diminuiu em maio para 3.872, dos 4.558 em abril, de acordo com uma análise da Reuters. Mas os casos estão aumentando novamente e as mortes são um indicador lento, geralmente aumentando semanas depois de um surto de novas infecções.

A vacinação na América do Sul está atrás de grande parte do mundo. Na América do Sul, apenas 15% das pessoas receberam pelo menos uma dose, em comparação com 28% na Europa e 34% na América do Norte. Apenas Ásia e África estão abaixo, com 5% e 1%, respectivamente, de acordo com Our World in Data até 19 de maio.

Fonte: CNN Brasil

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