Marielle presente!

Em cada mês de março o Brasil e o mundo voltam os olhos para o Rio de Janeiro, onde Marielle e seu motorista Anderson foram brutalmente assassinados. Seus algozes tentaram silencia-la, mas sua voz segue ecoando em todo o planeta cada vez que uma menina ou mulher decide exercer seu direito à fala.

Todos os anos, desde a sua partida, a vereadora recebe inúmeras homenagens, além de pedidos de justiça. No último dia 14, quando o crime completou 03 anos, ainda sem elucidação, Marielle recebeu um importante tributo, em uma das principais cidades latinas, Buenos Aires. A estação “Rio de Janeiro” do metrô da capital Argentina inaugurou uma placa em homenagem à vereadora brasileira.

Placa em homenagem à parlamentar brasileira, na capital Argentina – Divulgação

A placa será permanente e foi homologada pelo governo por iniciativa da deputada Maria Bielli, do Frente de Todos (partido do presidente Alberto Fernández). Marielle terá um espaço permanente na estação, que deve incluir um código QR onde os visitantes poderão conhecer um pouco mais da história da vereadora brasileira.

Homenagem no Brasil

No mesmo dia, autoridades e parentes de Marielle  também inauguraram uma placa em homenagem à vereadora em frente à Câmara Municipal, no Centro do Rio de Janeiro. A placa é idêntica à utilizada na identificação de vias e praças da capital fluminense.

Na placa, há as seguintes frases: “Mulher negra, favelada, LGBT e defensora dos direitos humanos. Brutalmente assassinada em 14 de março de 2018 por lutar por uma sociedade mais justa”.

Fonte: G1

Chile lidera ranking de vacinação na América Latina

Na primeira semana da campanha de vacinação em massa contra covid-19 em idosos, o Chile já havia ultrapassado o marco de um milhão de pessoas imunizadas. A meta do governo chileno é vacinar toda a população que faz parte do grupo de risco — incluindo pacientes crônicos e profissionais de saúde — ainda no primeiro trimestre de 2021, de modo a imunizar 15 milhões dos 19 milhões de habitantes do país até julho.

Em meados de 2020, o governo chileno enfrentou fortes questionamentos em relação à gestão da pandemia, à medida que o país registrava grandes taxas de infecção por covid-19. Mas agora está sendo aplaudido por seu plano de vacinação. A campanha é gratuita e voluntária. De acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde do país, 2.375.725 pessoas foram imunizadas no Chile contra a covid-19 até o final do mês passado.

Até o dia 19 de fevereiro, o país havia administrado 15,03 doses da vacina para cada 100 habitantes — segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Número muito superior às 3,07 doses no Brasil, 1,48 na Argentina e 1,22 no México. O desempenho até agora coloca o país como líder latino-americano e 7º no ranking mundial de taxa de vacinação contra a doença, liderado por Israel (82,40).

Mas como o Chile alcançou esse resultado?

De acordo com Luis F. López-Calva, diretor regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da América Latina e Caribe, para que uma campanha de vacinação seja bem-sucedida, três fatores importantes devem ser levados em consideração: primeiramente, dispor de recursos financeiros para adquirir as vacinas; segundo, ter uma boa estratégia para distribuir as doses e, finalmente, ter capacidade institucional e estrutura governamental para implementá-la.

“Essas três características foram bem atendidas no caso do Chile”, afirmou López-Calva à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Compra antecipada de vacinas e diversificação

O Chile agiu rapidamente e logo assinou acordos com diferentes desenvolvedores de vacinas contra covid-19. Até agora, o país já garantiu mais de 35 milhões de doses de vacinas, das quais 10 milhões são da empresa americana Pfizer-BioNTech, outras 10 milhões da chinesa Sinovac e o restante da AstraZeneca, da Johnson & Johnson e do consórcio Covax, iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir o acesso universal à vacina.

Além disso, está em meio a negociações para comprar doses da vacina russa Sputnik V, que em breve poderá garantir as duas doses necessárias da vacina para toda a população.

O país também foi o primeiro da América do Sul a iniciar a vacinação contra o covid-19.

As autoridades começaram a imunizar os profissionais de saúde da linha de frente em 24 de dezembro com as doses fornecidas pela Pfizer/BioNTech, às quais se somaram as do laboratório chinês Sinovac na campanha de vacinação em massa que começou no dia 03 de fevereiro.

Para isso, é preciso levar em conta que o Chile dispõe de recursos para obter a vacina. Membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), possui um dos maiores PIB per capita da região, embora também deva ser levado em consideração que apresenta uma taxa de desigualdade superior à média da OCDE. Segundo López-Calva, “a compra das vacinas foi prevista com bastante tempo, houve um bom planejamento”.

“E a ideia era priorizar: primeiro os profissionais de saúde, depois os idosos — para os quais o Chile adquiriu um número significativo de doses da Pfizer — e depois ter vacinas de outras empresas farmacêuticas para o resto da população”.

Nesse sentido, López-Calva acredita que foi importante apostar na diversificação na hora da compra, diferentemente de alguns países de alta renda, por exemplo, que apostam apenas nas vacinas ocidentais.

“A diversificação de desenvolvedores tem sido muito importante porque o mercado está muito distorcido e a oferta muito limitada. Alguns países optaram por um ou outro e só recentemente estão tentando diversificar”, afirmou o diretor regional do PNUD.

Colaboração científico-clínica

Para Alexis Kalergis, acadêmico da Universidad Católica de Chile e diretor do Instituto Millennium de Imunologia e Imunoterapia, a colaboração científico-clínica foi fundamental para alcançar alguns dos acordos.

“Foi estabelecido um acordo de colaboração acadêmica-científica entre a Universidade Católica e a Sinovac, que visa o desenvolvimento recíproco e colaborativo de vacinas contra a SARS-CoV-2, por meio de estudos científicos e clínicos”, explica Kalergis à BBC News Mundo.

“Este acordo deu origem a algo muito importante, que foi a possibilidade de acesso prioritário e preferencial a um fornecimento de doses para uso no Chile, uma vez aprovado pelos respectivos órgãos reguladores”.

“Este direito obtido pela Universidade Católica foi transferido 100% para o Estado do Chile por meio de um convênio entre a Universidade Católica e o Ministério da Saúde. O que permitiu ao nosso país poder garantir um fornecimento antecipado e prioritário de doses para os próximos meses”, acrescenta.

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Capacidade institucional e coordenação

O Chile também possui uma sólida rede de atendimento primária, por meio da qual já são realizadas outras campanhas anuais de vacinação, afirma a jornalista Paula Molina. Segundo ela, tanto essa rede robusta quanto a experiência em campanhas de vacinação têm facilitado a logística. E em relação a isso, o Chile tem uma vantagem.

“Temos uma população pequena e ela está muito concentrada na região metropolitana (Santiago)”, diz Molina. Além da capacidade institucional em termos de centros de saúde, López-Calva também destaca a utilização de recursos materiais e humanos existentes para acelerar o ritmo da vacinação.

Assim, estádios, centros educacionais e esportivos foram transformados em postos de vacinação, e todo profissional de saúde capacitado — como dentistas e parteiras — foi chamado para realizar a vacinação. “É uma estratégia que tem funcionado bem e acho que outros países podem aprender com ela”, avalia o diretor regional do PNUD. Nesse sentido, a colaboração entre os diferentes níveis de governo tem sido fundamental.

“Tem havido uma coordenação do governo central mas com muita intervenção dos governos regionais, dos governos locais, viabilizando espaços ao ar livre, ginásios, estádios, para poder haver mais postos de vacinação.” Segundo López-Calva, em estruturas mais descentralizadas, onde os governos locais têm mais autonomia, como no Brasil ou no México, esse tipo de estratégia e planejamento leva mais tempo.

Contra o ‘turismo das vacinas’.

As autoridades chilenas retificaram o plano inicial de vacinação divulgado pelo Ministério da Saúde e anunciaram na semana passada que não vão vacinar estrangeiros não residentes no país contra a covid-19, com o objetivo de evitar o chamado “turismo das vacinas”.

“Os estrangeiros que estão no país com visto de turista (…), ou aqueles que se encontram de forma irregular, não terão direito de se vacinar no Chile”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Andrés Allamand.

Para ter acesso à imunização, é necessário ter nacionalidade chilena, permanência ou residência no país, ou, na ausência disso, uma solicitação de visto em andamento, esclareceu o chanceler.

“O que se tenta evitar é o turismo da vacina, não se trata de não vacinar estrangeiros, mas de não vacinar pessoas com visto de turista”, diz López-Calva a respeito do anúncio chileno.

Pelo novo decreto, todos os migrantes em situação irregular também são excluídos da campanha de vacinação, o que deixa sem vacina os milhares de estrangeiros que entraram no país nas últimas semanas pela fronteira ao norte com a Bolívia — e que estão em quarentena preventiva.

Fonte: BBC News

Espirulina, o superalimento perdido da América pré-colombiana que o México tenta resgatar

Na Cidade do México, a espirulina tem aparecido em quase todos os cardápios. Desde os habituais smoothies (bebidas refrescantes a base de frutas) até em pratos mais tradicionais, como tortilhas e tlayudas (base de tortilha crocante com feijão frito e outras coberturas).

Mas não pense que este é um símbolo da invasão “hipster” da globalização dos alimentos saudáveis: na verdade, séculos antes de serem consideradas um “superalimento”, essas cianobactérias de cores vibrantes (ou algas verde-azuladas) — que crescem sobretudo em lagos alcalinos quentes, lagoas e rios nas zonas tropicais e subtropicais — eram um alimento básico na era pré-colombiana.

Os mexicas — ou astecas, como ficaram conhecidos posteriormente — colhiam a substância rica em proteínas da superfície do Lago Texcoco, um extenso corpo de água no centro do México que acabou sendo drenado em grande parte pelos espanhóis para abrir caminho para a construção da Cidade do México. As águas do lago tinham o equilíbrio perfeito entre salinidade e alcalinidade para o florescimento da espirulina.

Os mexicas a chamavam de tecuitlatl, palavra nahuatl que pode ser traduzida como “excremento de rocha”, embora tivessem decididamente um apreço maior por ela do que o nome sugere.

“As tradições orais dizem que os mensageiros e corredores mexicas na antiga Tenochtitlan comiam espirulina seca com milho, tortilhas, feijão ou pimenta como combustível para viagens de longa distância”, afirma Denise Vallejo, chefe que dirige o restaurante vegano Alchemy Organica, em Los Angeles, nos EUA.

Mesmo sem a ciência moderna, os mexicas puderam reconhecer a densidade de nutrientes que fez da espirulina um dos alimentos preferidos da atualidade. Ela tem cerca de 60%-70% de proteína e aminoácidos essenciais, além de muitas vitaminas e minerais, sobretudo ferro, manganês e vitaminas B, de acordo com a Encyclopedia of Dietary Supplements.

Na verdade, é tão saudável e relativamente fácil de cultivar que especialistas acreditam que pode ser uma potencial fonte de alimento para as futuras colônias de Marte. É claro que, para os conquistadores espanhóis que chegaram no século 16, parecia estranho.

No México, a espirulina aparece sob diferentes formas nos cardápios — de smoothies a pratos tradicionais – Antons Jevterevs/ALAMY

Bernal Díaz del Castillo escreveu em suas memórias de 1568 sobre “uma espécie de pão feito de um tipo de lama ou limo coletado da superfície do lago e comido dessa forma, e que tem um sabor semelhante ao nosso queijo”.

E o frade franciscano Bernardino de Sahagún incluiu ilustrações da colheita de espirulina em seu estudo etnográfico do século 16, o Florentine Codex.

“Depois da invasão espanhola, a maior parte de seu consumo diminuiu com a drenagem dos lagos do Vale do México”, diz Vallejo. “E muitos dos espanhóis não gostavam de suas propriedades ‘viscosas’ ou ‘pegajosas’. O conhecimento de seu consumo se perdeu por muito tempo.”

O mundo ocidental redescobriu o ingrediente nutritivo na década de 1940, quando um ficologista francês (cientista que estuda algas) notou que o povo Kanembu ao longo do Lago Chade, que banha Níger, Camarões, Nigéria e Chade, estavam colhendo espirulina e transformando-a em bolos que secavam ao sol chamados dihé.

Mas ela não fez seu grande retorno ao México até um feliz acidente na década de 1960, quando os proprietários da Sosa Texcoco — que produzia carbonato de sódio e cloreto de cálcio em uma grande lagoa em forma de caracol no que restou do Lago Texcoco — notaram uma substância de coloração verde arruinando o trabalho deles. Eles procuraram pesquisadores franceses, que concluíram que era o mesmo organismo que vinha alimentando os Kanembu por gerações.

Em vez de tentar erradicar as cianobactérias, a Sosa Texcoco reconheceu seu valor, incentivou seu cultivo e abriu a primeira empresa comercial de espirulina do mundo, a Spirulina Mexicana. Embora a Spirulina Mexicana já tenha fechado, uma microfazenda nos arredores de San Miguel de Allende, chamada Spirulina Viva, dá continuidade à antiga tradição.

Desde 2010, a americana Katie Kohlstedt e seu marido, Francisco Portillo, nascido em San Luis Potosí, cultivam espirulina fresca — que provavelmente tem um gosto muito semelhante à que os mexicas colhiam séculos atrás.

“Estamos muito orgulhosos de cultivá-la aqui”, diz ela. “Não precisávamos inventar algo novo ou trazer algo de outro lugar.” Embora muitas pessoas possam estar familiarizadas com a espirulina na forma de pó desidratado, a Spirulina Viva vende a substância verde crua e congelada, o que confere a ela um sabor muito mais delicado. “A espirulina fresca deve ser cremosa como um requeijão”, afirma Kohlstedt. “Se você fechar os olhos, pode achar que está comendo algo entre abacate e espinafre.”

Ela adverte que se você acha que a espirulina tem sabor de peixe, é provável que esteja comprando um produto de qualidade inferior — ou inclusive algum que use espinhas de peixe moídas para fornecer o fósforo que a espirulina precisa para crescer. Kohlstedt e Portillo organizam workshops de cultivo de espirulina e já receberam futuros agricultores de lugares distantes, como Austrália e Argentina.

O Lago Texcoco foi drenado em grande parte pelos espanhóis para construir a Cidade do México- Chico Sanchez / ALAMY

“É jardinagem combinada com química”, diz Kohlstedt sobre o processo. Mas, para muitos consumidores, o produto final ainda permanece sendo um mistério.

“Se eu ler mais um artigo que diz que a espirulina é cultivada no oceano ou [que mostra] a foto de uma alga marinha, vou gritar”, afirma ela, rindo.

Kohlstedt recomenda comer espirulina da forma mais simples possível, misturada em uma sopa quente de missô ou caldos, batida em um smoothie, passada no pão ou com guacamole e suco de limão, uma vez que a vitamina C mostrou ajudar na absorção de ferro. “Você vai se sentir como se tivesse acabado de comer o almoço de Popeye”, afirma.

Na Cidade do México, os chefes estão ficando cada vez mais criativos ao usar o ingrediente.

Você pode encontrar espirulina na tlayuda coberta com abacate e escamoles (larvas de formiga) no restaurante Balcón del Zócalo; ou iluminando uma tortilla na Cintli Tortilleria; adicionando um toque verdejante às tigelas de smoothie e cheesecakes no Vegamo; e até mesmo em coquetéis no Xaman Bar, de inspiração pré-colombiana.

Lá, o barman chefe, Kenneth Rodrigez, incorporou a espirulina em uma série de drinques, incluindo um coquetel à base de gim com limão mexicano e licor de aspargos.

“Eu uso quando alguém não gosta de clara de ovo ou [em drinques para] pessoas veganas, porque a espirulina tem proteína e podemos obter texturas interessantes”, diz Rodriguez, “sem falar na cor incrível e nos componentes nutricionais que ela fornece”. Ele acrescenta que o ingrediente “pode ainda ​​ser usado para realçar outros sabores, pois tem muitos minerais, como uma alternativa ao sal”.

Do outro lado da fronteira nas comunidades mexicanas-americanas, o uso da espirulina significou estabelecer uma conexão direta com o passado pré-colombiano.

No criativo restaurante mexicano Mixtli de San Antonio, por exemplo, os chefes Rico Torres e Diego Galicia apresentaram a espirulina em um menu especial inspirado na invasão espanhola. Eles participaram de um jantar colaborativo no Dia dos Mortos no James Beard House de Nova York, onde uma das entradas era um iogurte de espirulina defumado com ovas de truta e rabanetes.

No Alchemy Organica, Vallejo incorpora espirulina em pó à água fresca (bebida sem álcool tradicional mexicana) de abacaxi com sementes de limão e chia.

E ela usa inclusive como “um corante alimentar natural e reforço nutricional, junto com cactos e espinafre em pó” para preparar uma massa verde vibrante (feita com milho que foi nixtamalizado ou tratado com uma solução alcalina), que ela transforma em tortilhas e tamales coloridos.”Também uso para intensificar o sabor de alguns dos meus pratos inspirados em frutos do mar, já que oferece um sabor muito parecido com o das algas”, explica.

Os chefes abusam da criatividade ao usar a espirulina em pratos e drinques- Marsbars – GETTY IMAGES

E quando um de seus cozinheiros começou a vender espirulina fresca no mercado de agricultores, Vallejo passou simplesmente a colocar colheradas em suas bebidas. “Dá a energia que você espera de uma xícara de café!”, afirma.

De certa forma, esses chefs estão explorando algo muito mais profundo do que simplesmente o sabor ou a nutrição. Vallejo, que estuda curandeirismo (medicina popular), disse que a espirulina costuma ser vista como um desintoxicante para preparar rituais, feitiços e “cerimônias visionárias”.

Kohlstedt também ouviu falar sobre as conexões místicas do ingrediente:

“Alguém me disse que a razão de ser chamada ‘espirulina’ tem a ver com sua forma espiral, mas também com nosso DNA e como há algo realmente básico e espiritual sobre como nos relacionamos com as plantas [e as cianobactérias]. “

“Muitos dos ‘superalimentos’ desfrutados hoje têm uma rica história na Mesoamérica: chia, amaranto, cacau, abacate, cacto”, observa Vallejo.

“Acho que o atual movimento descolonizador nos Xicanx (mexicanos nos EUA), na América Central e em outras comunidades de língua espanhola está nos ajudando a redescobrir e lembrar nossos hábitos alimentares ancestrais. Devemos recuperar nossos alimentos e nossa sabedoria vegetal. Quanto mais os comemos, mais despertamos esse DNA e essa história.”

Fonte: BBC News Brasil

Conheça a soberana, vacina cubana contra a covid-19

Alguns dos equipamentos do Instituto Finlay de Vacinas, em Havana, podem ser considerados desatualizados em outras partes do mundo. Mas o que ocorre por trás de suas paredes pintadas de branco é ciência de ponta. Ali, os pesquisadores trabalham em longos turnos naquela que é considerada a maior oportunidade para Cuba combater a pandemia: a Soberana 2, a vacina contra a covid-19 produzida na ilha. A Soberana 2 é uma vacina conjugada. Isso significa que ela traz um antígeno (substância que suscita a resposta imune do organismo) junto com uma molécula transportadora para reforçar a sua estabilidade e eficácia. Dentro de semanas, o imunizante começará a ser testado em dezenas de milhares de voluntários.

Os resultados dos primeiros ensaios clínicos foram “encorajadores” e “muito importantes”, afirma o diretor do instituto, Vicente Vérez Bencomo. Segundo a agência Efe, a vacina está na fase de estudos 2B, que avaliará, entre outros pontos, a capacidade da vacina em gerar resposta imunológica e sua segurança. Depois disso, ainda restaria a fase 3 de estudos.

O governo espera dar a vacina a todos os cubanos até o final do ano. “Nosso plano é, obviamente, primeiro imunizar nossa população”, explicou Bencomo em uma entrevista coletiva. “Quando passarmos para a produção comercial da Soberana 2, planejamos ter cerca de 100 milhões de doses ao longo de 2021, e vamos dedicar parte importante delas à imunização total do país”, completa.

Sem influência americana

A meta citada por Bencomo é ambiciosa, mas realista: Cuba tem mais de 30 anos de experiência em biotecnologia e imunologia. No final da década de 1980, cientistas cubanos produziram a primeira vacina contra a meningite B e o então líder do país, Fidel Castro, abriu o Instituto Finlay com o objetivo de encontrar maneiras de contornar o embargo americano que perdura por décadas.

Se as patentes das empresas farmacológicas dos Estados Unidos não estiverem disponíveis para Cuba, o país seria capaz de encontrar suas próprias soluções nesse campo, argumentou o representante do Instituto Finlay. No entanto, fazer 100 milhões de doses de vacina sem alguma forma de assistência internacional vai muito além da capacidade fabril da ilha.

Ainda assim, mesmo se o governo de Joe Biden amenizar as medidas restritivas reforçadas durante a administração de Donald Trump, os Estados Unidos não terão um papel importante no desenvolvimento da Soberana 2.”Nossos principais contatos são com a Europa e o Canadá. Nós também temos contribuintes da Itália e da França”, explica Bencomo.”Esperamos que no futuro seja possível avançar para a próxima etapa da cooperação com os Estados Unidos”, disse ele.

Instituições internacionais, como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), esperam que Cuba se torne o primeiro país latino-americano a produzir do zero sua própria vacina.

“Estamos muito otimistas”, disse o médico José Moya, representante da Opas em Cuba.”Fomos informados na fase piloto e nos testes experimentais da Soberana 2 e sabemos que o país vem investigando a viabilidade de várias vacinas desde agosto do ano passado”.

José Moya, da Opas, compartilha do otimismo dos cientistas cubanos

Saúde sob pressão

As apostas de Cuba são altas. Em primeiro lugar, isso acontece porque os números de casos e mortes por covid-19 estão piorando a cada semana por lá. As infecções confirmadas aumentaram recentemente para mais de mil por dia, pela primeira vez desde o início da pandemia. Até o dia 16 de fevereiro, o país registrava 269 mortes, segundo a Universidade Johns Hopkins e a OMS.

Embora essas estatísticas pareçam minúsculas em comparação com aquelas observadas em México, Brasil e Estados Unidos (os três países com o maior número absoluto em mortes por covid-19 no mundo), elas são sérias o suficiente para colocar pressão extra no sistema de saúde cubano. Em meados do ano passado, Cuba conteve em grande parte seu surto por meio da combinação de uma agressiva campanha de informação pública e o fechamento de seus aeroportos.

Durante várias semanas entre julho e agosto, a ilha registrou taxas mínimas de transmissão e poucas mortes. Mas os casos gradualmente aumentaram, para grande frustração dos cubanos.

Moya, da Opas, diz que a situação não está fora de controle e é similar à que ocorre em outros países.”Chegou um momento em todos os lugares em que era necessário começar a reabrir. E foi o que aconteceu aqui, enquanto se tentava avançar progressivamente para o chamado ‘novo normal’.”

Problemas do amanhã

Cuba está experimentando sua pior perspectiva econômica desde o fim da Guerra Fria. Logo, existe também um importante incentivo econômico para uma vacina bem-sucedida. Os bloqueios e lockdowns necessários para conter o coronavírus foram muito dolorosos para uma ilha que depende tanto do turismo.

Isso fez a economia cubana despencar 11% no ano passado. Atualmente, longas filas se formam todos os dias do lado de fora de lojas de alimentos e supermercados, enquanto as pessoas aguardam sua vez de adquirir produtos básicos.

O governo escolheu este momento para implementar uma série de reformas, desde a unificação da moeda até algum tipo de liberalização das licenças de trabalho autônomo. Embora essas medidas possam eventualmente fortalecer a economia conturbada de Cuba, elas resultam numa tormenta de curto prazo para muitas famílias, especialmente aquelas sem parentes que enviam recursos financeiros do exterior.

Os cubanos são muito resistentes e engenhosos — eles tiveram que desenvolver essas características para enfrentar o duplo desafio imposto pelas sanções americanas e pelo controle autoritário do Estado. Mas muitos estão exaustos com os meses implacáveis ​​de restrições e as dificuldades econômicas opressivas.

Um fio de esperança?

Com as crianças ainda fora da escola, as empresas falindo e um toque de recolher na capital Havana, as pessoas anseiam por notícias encorajadoras sobre a vacinação. Uma vacina viável permitiria à ilha reabrir mais cedo e sem o medo de novas ondas. A Soberana 2 também permitiria uma nova fonte de receita ao ser exportada para toda a região.Tudo isso coloca uma urgência real no trabalho dos cientistas: eles precisam aliviar a crise sanitária e econômica da ilha com muita rapidez.

Fonte: BBC News Brasil

Alguém tem que morrer

Se você quer compreender um pouco sobre como era a sociedade espanhola no período da ditadura franquista, não deixe de assistir a minissérie: “Alguém tem que morrer””, disponibilizada na Netflix. Ambientada nos anos 50, a trama apresenta a poderosa família Falcón, composta por Amparo (Carmen Maura), a matriarca da família, seu filho Gregorio (Ernesto Alterio), a esposa Mina (Cecilia Suárez) e pelo seu neto Gabino (Alejandro Speitzer). A reputação da família é posta à prova quando Gabino retorna do México acompanhado de um amigo bailarino, Lázaro (Isaac Hernández).

A série não perde tempo em estabelecer sua trama, a relação entre os personagens enquanto planta mistérios e intrigas suficientes para instigar o espectador a criar teorias sobre os segredos escondidos. Ao longo de seus três episódios, de aproximadamente 45 minutos, todo drama se desenrola. Quando a amizade de Gabino e Lázaro começa a ser questionada, o ponto central da história começa a se mostrar: O preconceito arraigado em uma sociedade extremamente conservadora e moralista. A família Falcón, que se destaca na alta sociedade, principalmente por seu favorecimento pelo governo e liderança conservadora da matriarca, não pode aceitar conviver com um filho homossexual.

Em uma época que a homossexualidade era tratada como pecado, doença e até mesmo crime, os “desviados” eram detidos e sofriam um “tratamento” a base de violência, sendo torturados em alguns casos até a morte. Alguém tem que morrer prova que certas coisas não mudam com o tempo. Infelizmente, muito do que é retratado na minissérie ainda, é visto nos tempos de hoje. Em um período que a religião era imposta através da cultura do medo, e a violência era exercida em nome da Igreja e do patriotismo. O conservadorismo e o poder militar ditavam as regras. Fica claro o discurso de “pátria limpa”, utilizando a religião para justificar o ódio, a violência e o preconceito no sentido amplo da palavra.

Através de seus temas, o enredo evidencia todos os problemas de uma sociedade conservadora e de um regime ditador. As tramas são movidas pela repressão e a violência. Algumas cenas são desconfortáveis e se tornam ainda mais dolorosas sabendo que ainda hoje acontece muito daquilo que é apresentado. A série chega a provocar uma certa revolta, ao refletirmos sobre como a imposição de padrões e regras comportamentais, podem causar inúmeros sofrimentos… Vale a pena conferir!

Fonte: mixdeseries.com.br

Saiba como será a primeira cidade-floresta inteligente do México

Comissionada pelo Grupo Karim´s e projetada por Stefano Boeri Architetti, a primeira cidade-floresta inteligente do México terá como foco a inovação e a qualidade ambiental. A cidade busca um equilíbrio entre áreas verdes e construídas e é completamente auto-suficiente em alimento e energia.

Smart Forest City – Cancun é a primeira cidade-floresta do novo milênio, com capacidade para 130.000 habitantes. A cidade será construída em um terreno de 557 hectares, com 400 hectares reservados para espaços verdes. As mais de 400 espécies vegetais usadas no projeto foram escolhidas pela botânica e arquiteta paisagista Laura Gatti, e vão compor um arranjo de mais de 7,5 milhões de plantas espalhadas por toda a cidade. Com uma proporção de 2,3 árvores por habitante, a cidade-floresta “absorverá 116 mil toneladas de dióxido de carbono por ano”. Parques públicos, jardins privados, coberturas vegetais e fachadas verdes ajudarão a estabelecer um equilíbrio com a área construída.

Visando a economia circular, a cidade é cercada por painéis solares e campos agrícolas, tornando-a completamente auto-suficiente em alimento e energia. A água é coletada na entrada da cidade, próxima à torre de dessalinização, e é distribuída “por um sistema de canais navegáveis que conectam a zona urbana aos campos agrícolas”. Dentro da cidade, as pessoas circulam com veículos elétricos e semi-automatizados, deixando seus carros nos limites da cidade. 

Por fim, a cidade conta com “um centro de pesquisa avançada que pode receber universidades, organizações internacionais e empresas que lidam com questões de sustentabilidade”. Esse centro receberá pesquisadores e estudantes de todo o mundo.

Fonte: archdaily.com.br

Entendendo a saída

Logo no início do ano, o Brasil foi surpreendido com uma notícia impactante: a saída da Ford do país, após 100 de atividades no território nacional. A retirada da empresa representa a perda de inúmeros empregos diretos e indiretos e é um grande baque para alguns municípios brasileiros. Muito se tem especulado sobre os motivos desse anúncio. O governo federal insinuou que a Ford queria uma maior “regalia” fiscal, mas será que isso explica tudo mesmo?

Na verdade, a empresa já dava sinais, há um tempo, de que não desejava permanecer no Brasil. Falta de anúncios de investimentos por aqui, fechamento da fábrica em São Bernardo do Campo (SP)  e a queda na venda de veículos nos últimos anos (mesmo com a alta das vendas do setor como um todo) eram alguns dos sinais.

Poderia ser algo global. Afinal, o setor automotivo não anda bem das pernas nos últimos anos e a companhia já havia anunciado a paralisação da produção de diversos carros de passeio ao redor do mundo, incluindo nos Estados Unidos. Mas a Argentina parecia diferente para a Ford. Mesmo com o país vizinho atravessando uma crise tão ruim, a montadora americana anunciou o investimento de R$ 3 bilhões por lá no mês passado. Cerca de 70% desse valor será investido na fábrica de General Pacheco, em Buenos Aires.

Foco em carros grandes

Na Argentina, a Ford investe em carros grandes, como picapes e SUVs. A Ranger vendida aqui no Brasil, por exemplo, vem de lá. O Brasil, historicamente, concentrou a produção dos carros de passeio, graças ao seu mercado interno robusto. Porém, os carros populares, aparentemente, não eram mais tão lucrativos para a Ford.

“Nosso dedicado time da América do Sul fez progressos significativos na transformação das nossas operações, incluindo a descontinuidade de produtos não lucrativos e a saída do segmento de caminhões”, disse Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, em nota.

“Esses esforços melhoraram os resultados nos últimos quatro trimestres, entretanto a continuidade do ambiente econômico desfavorável e a pressão adicional causada pela pandemia deixaram claro que era necessário muito mais para criar um futuro sustentável e lucrativo”, completou.

A montadora americana anunciou um investimento de R$ 3 bilhões de reais em suas fábricas na Argentina

Então, já que a Argentina era um país com expertise para a fabricação desses modelos de maior valor agregado, foi mais fácil ficar por lá. A questão, agora, não é tanto escala para a Ford, como disse a montadora em nota. O foco da empresa é a “oferta de veículos conectados de alto valor agregado e qualidade”. Há mais de uma década esse é o perfil da produção argentina. 

Custos fixos mais baixos

Segundo o consultor da ADK Paulo Garbossa, especializado no setor, o Brasil deveria ter focado em picapes e SUVs, que são os queridinhos dos consumidores há algum tempo, e, também, em resolver a bagunça tributária. De repente, assim, a Ford teria ficado por aqui. Mas o fato de os custos fixos no país vizinho serem mais baixos, como os gastos com a mão de obra, também pode ter pesado na decisão. 

Um estudo da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra que um carro no Brasil paga entre 48,2% e 54,8% de taxa, levando todos os impostos como ICMS, ISS, PIS e Cofins (e o efeito cascata embutido nele).

“Entendemos que a decisão está alinhada a uma estratégia de negócios da montadora. Mas, o ambiente de negócios é um dos fatores que pesam no momento de decisão sobre onde permanecer e onde fechar”, disse Carlos Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

Perda de espaço no mercado nacional

Mas a montadora americana também não pode falar que a crise brasileira e a pandemia foram os únicos responsáveis pelo momento ruim dela no país. A empresa, nos últimos anos, vinha perdendo espaço tanto em volume quanto em participação de mercado. Em 2015, a Ford era a quarta maior montadora no Brasil, com uma fatia de 10,24% do mercado. No ano passado, foi a quinta, com 7,14% de participação. Em 2019, havia sido pior ainda: ocupou a sétima posição.

Apesar da retomada do setor automotivo a partir de 2017, a empresa não conseguiu subir na mesma velocidade. Em 2019, a Ford viu suas vendas caírem mais de 10% em comparação com os resultados do ano anterior. Nesse ano, as vendas de veículos subiram quase 9%, segundo a Fenabrave. A sul-coreana Hyundai abocanhou a quarta posição no mercado nacional.

Um sinal de que havia algo estranho no ar também pode ser visto no calendário de lançamentos da empresa, apresentado em dezembro. Em entrevista coletiva, Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, confirmou o lançamento de quatro novos modelos para a região, todos produzidos fora do país: o utilitário Transit, uma nova versão da picape Ranger, a edição limitada do esportivo Mustang, o Mach 1, e o novo SUV global da marca, o Bronco. Nenhum sinal dos outros veículos.

Em 2019, para completar, a empresa havia anunciado o fechamento de sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP), onde montava caminhões e o Fiesta, que foi um dos seus modelos de maior sucesso no Brasil. 

Carros importados agora

Mas se engana quem pensa que não verá mais carros da Ford no Brasil. Só que agora serão carros mais robustos e, claro, importados. O Brasil e a Argentina assinaram, em 2019, um acordo comercial que prevê o livre comércio de bens automotivos até julho de 2029. Os acordos anteriores entre Brasil e Argentina para o setor automotivo vinham sendo renovados periodicamente. 

Outras empresas podem ir embora?

Outras empresas podem seguir esse caminho da Ford? Para Antonio Jorge Martins, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não. O caso da Ford, segundo ele, é muito específico.

“A estratégia da Ford é focar em sua produção de carros com tecnologia mais sofisticada. Outras fábricas e montadoras têm foco outros nichos”, diz Martins. “E em níveis de produção, há plena capacidade da indústria brasileira de ocupar esse espaço vazio pela Ford.”

A General Motors, provavelmente, vai querer um pedaço dessa fatia que a Ford vai deixar pra trás. Na semana passada, ela anunciou que irá retomar em 2021 o planejamento que previa investir R$ 10 bilhões em suas fábricas no país pelos próximos cinco anos, destinados à inovação e também à produção de modelos ainda inéditos no Brasil.

Fonte: CNN Brasil

Resistiré

A música tem um poder terapêutico e funciona, muitas vezes, como um calmante, para espantar os males da vida. Em época de pandemia, preservar a saúde mental tem sido um grande desafio e nos países hispânicos uma canção antiga, lá do final dos anos 80 voltou às paradas para animar as pessoas a enfrentarem os horrores provocados pelo novo coronavírus. “Resistiré” é o nome da canção que revigorou os ânimos desde a Espanha até vários países latino-americanos.

“Cuando me amenace la locura / cuando en mi moneda salga cruz / cuando el diablo pase factura / si alguna vez me faltas tu” este é um pedacinho da canção do dupla Duo Dinámico. Para acompanhar a melodia por inteiro e também fortalecer os ânimos, click no link abaixo e confira uma das versões da obra:

Fonte: elmundo.es

A “cidade perdida” na América Central descoberta por pesquisadores de animais que se imaginava estarem extintos

A selva de Mosquitia, que se estende do leste de Honduras ao extremo norte da Nicarágua, é uma das maiores florestas tropicais da América Central e — até recentemente — um dos lugares menos explorados do planeta.

Em 2013, arqueólogos descobriram as ruínas de uma antiga “cidade perdida” escondida em suas profundezas, a partir do uso da tecnologia de mapeamento a laser LIDAR (da sigla em inglês Light Detection and Ranging, ou seja, detecção e medição com luz).

Desde então, pesquisadores têm estudado esta floresta densa, não apenas à procura de mais vestígios da antiga cidade mesoamericana, mas em busca de vida selvagem em seu território intocado.

E o que descobriram recentemente foi melhor do que podiam imaginar: um rico ecossistema com centenas de espécies da fauna e da flora — algumas das quais acreditava-se estarem extintas.

Em 2017, uma equipe de biólogos — liderada pelo Programa de Avaliação Rápida da Conservação Internacional em parceria com o governo de Honduras — passou duas semanas na selva de Mosquitia.

A expedição era para pesquisar e catalogar as diversas espécies raras e ameaçadas de extinção que encontraram na bacia do Rio Plátano, que corre pela floresta.

Entre as descobertas feitas pela equipe, estão 22 espécies de plantas e animais nunca antes registradas em Honduras — e duas espécies da fauna que se pensava estarem extintas no país: o morcego Phylloderma stenops e a cobra Rhinobothryum bovallii, além do besouro-tigre, que tinha sido visto apenas na Nicarágua e era considerado extinto.

Acreditava-se que a cobra Rhinobothryum bovallii estava extinta em Honduras desde 1965

“O fato de termos encontrado o besouro-tigre na ‘cidade perdida’ sugere que este lugar é realmente ‘saudável'”, diz Trond Larsen, líder da expedição.

No total, os pesquisadores documentaram centenas de espécies de plantas, borboletas e mariposas, aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos — destaque para uma grande presença de felinos, como onças, pumas, jaguatiricas, jaguarundis e gatos-maracajá — vivendo na floresta tropical.

“Alguns mamíferos grandes tendem a fugir assim que ouvem ou sentem o cheiro de gente perto. Mas os macacos-aranha-de-Geoffroy, espécie ameaçada de extinção, não eram nada tímidos”, recorda Larsen.

“Havia grupos enormes deles nas árvores, balançando os galhos para a gente, curiosos em tentar descobrir o que estava acontecendo, por que todas aquelas pessoas estavam trabalhando ao redor deles.”

Macaco-aranha-de-Geoffroy também deu o ar da graça na floresta

Larsen lembra ainda o encontro que teve com um puma quando caminhava sozinho à noite pela floresta.

“Eu me virei e vi aqueles olhos grandes e brilhantes se movendo lentamente na minha direção, ele estava meio agachado e movia a cabeça para frente e para trás olhando para mim.”

“Nós meio que olhamos para baixo, e então o puma se virou e desapareceu em meio à mata. Estava escuro como breu, e eu não fazia ideia de onde ele estava. Foi quando comecei a ficar um pouco nervoso”, revela.

A equipe de pesquisadores passou duas semanas na mata catalogando as espécies

A principal explicação para tamanha diversidade é que a área permaneceu praticamente intocada pelo homem por séculos, depois que os ancestrais das comunidades indígenas que hoje vivem na região abandonaram inexplicavelmente a antiga cidade que um dia existiu ali.

“Podia haver atividades não muito longe de onde estávamos trabalhando, mas nas imediações de onde estávamos, era praticamente intocado pelo homem”, afirma o pesquisador.

Difícil acesso

A floresta de 350 mil hectares é coberta sobretudo por árvores densas de 25m a 35m de altura, com algumas chegando a atingir 50m — e, por isso, o acesso não é fácil.

Os pesquisadores tiveram que ser transportados de helicóptero até lá.

“A única forma de acesso aos locais que visitamos era de helicóptero, porque era longe de qualquer estrada ou qualquer tipo de acesso”, explica. Em solo, a folhagem da mata era tão densa que precisaram abrir caminho com facões. E, por questão de segurança, Larsen conta que a equipe foi escoltada o tempo todo por soldados armados.

Ruínas da ‘cidade perdida’ descoberta por arqueólogos na floresta

A área também compreende a Reserva da Biosfera do Rio Plátano, a maior área protegida de Honduras — e Patrimônio Mundial da Unesco.

Além de abrigar toda essa vida selvagem, a selva de Mosquitia é essencial para o processo de captura dos gases causadores do efeito estufa da atmosfera.

No entanto, a região tem sido ameaçada pelo tráfico de animais e pelo desmatamento — 90% dos danos à floresta tropical são causados ​​pela pecuária ilegal, que também é fortemente impulsionada pelo tráfico de drogas na área.

Em um esforço para preservar a região, a floresta tropical agora está sendo parcialmente vigiada e patrulhada por militares hondurenhos.

Em 2018, o governo lançou um programa para proteger tanto a floresta quanto as ruínas da cidade antiga, que permaneceram intocadas e sem ser saqueadas por gerações — algo incomum para qualquer sítio arqueológico na América Central.

Fonte: BBC Brasil

Um pedacinho dos Andes na Venezuela

A Cordilheira dos Andes é uma das cadeias montanhosas mais famosa do mundo. Quando pensamos nela, geralmente lembramos de países mais frios como Argentina e Chile, mas ela começa bem mais ao Norte: na nossa vizinha Venezuela. O país possui três estados andinos: Mérida, Táchira e Trujillo. Esses locais oferecem ao viajante sua hospitalidade e suas paisagens; as montanhas e seus páramos, as lagoas, os vales, os povoados e suas igrejas. Em cada recanto há algo para ser observado e desfrutado!

Outra característica dos andes venezuelanos são as lagoas, restos de antigos glaciais que oferecem aos olhos uma visão única e, também, interessantes passeios. Algumas, como a lagoa de Mucubají, têm fácil acesso por localizarem-se perto das rodovias. O acesso a outras requer longas caminhadas…

Mérida

A cidade de Mérida é um dos pontos mais importantes e bonitos dos Andes Venezuelanos. É uma excelente dica para quem deseja conhecer esse pedaço tão especial da nossa América Latina. A cidade é um lugar muito interessante por sua Catedral, por sua Praça Bolívar, sua Praça de touros, sua vida estudantil, seus parques e sua rica gastronomia.

Uma das maiores atrações turísticas de Mérida é, sem dúvida alguma, o teleférico  que vai da cidade até o Pico do Espelho, a uma altitude de mais de 4600m. Este teleférico é o mais longo e o mais alto da América do Sul!

Nesse vídeo do canal Tierra de Gracia, você poderá ver alguns dos principais pontos turísticos de Mérida, e ficar assim como eu, doido pra conhecer essa cidade tão espetacular ☃️

Não esqueça de ativar as legendas automáticas para não perder nenhum detalhe 😉

Fonte: venezuelatuya.com

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