Conhecendo o vilão

Todos nós fãs de “La Casa de Papel” desenvolvemos um grande amor por alguns personagens, e um grande ódio por outros. Nessa última temporada, o mais odiado de todos, sem dúvida, foi o implacável Gandía. O vilão que apareceu sorrateiro na parte 3 e roubou a cena na parte 4 da série cumpriu sua função e nos deixou curiosos para saber um pouco mais sobre a carreira dele. O responsável por tantas emoções controversas é José Manuel Poga, ator espanhol de 40 anos.

Para começar, vamos exaltar o lado bom. Nos bastidores, a relação dele com Nairóbi, ou melhor, com a Alba Flores, é só amor. O perfil oficial de “La Casa de Papel” teve até que divulgar algumas imagens para conter um pouco os ânimos de quem já queria sair metralhando o ator por causa das maldades de seu personagem.

A Netflix fez questão de ressaltar que a relação entre o vilão seus companheiros nos bastidores é ótima.

Gandía é tão ruim com os personagens que mais amamos na parte 4 de “La Casa de Papel” que nem dá tempo de reparar em outras coisas. Mas muita gente que teve curiosidade e foi investigar um pouco mais a fundo sobre o ator se surpreendeu com a beleza dele em outros papéis da carreira.

O visual com barba rendeu elogios do público.

Antes de virar Gandía e ganhar o reconhecimento mundial com “La Casa de Papel”, o ator se destacou por seus papéis em “La Luz Con El Tiempo Dentro” (2015), “El Niño” (2014) e “Mel de Laranjas” (2012). Infelizmente, nenhum deles está disponível no Brasil. Mas eis aqui uma listinha de outras séries e filmes com José Manuel Poga e que você pode encontrar na Netflix:

  • “Fugitiva” (série com uma temporada);
  • Toro (filme com 1h46 de duração;
  • “A Trincheira Infinita” (filme com 2h27 de duração).

Uma notícia triste para aqueles que adoram ficar acompanhando os atores enquanto a série não volta, é que o intérprete de Gandía ainda não tem perfil nas redes sociais. Mas, para compensar, tem um monte de conta de fã surgindo para abastecer a curiosidade dos seguidores da série espanhola. Quem sabe ele não resolve criar uma conta oficial em meio ao isolamento social não é? 🤔

Fonte: Portal Uol

Explicando o fenômeno

Se você já assistiu a quarta temporada de “La Casa de Papel” não pode deixar de ver o documentário sobre a série lançado pela Netflix. A produção explica as razões que levaram a produção a se tornar um fenômeno de audiência em todo o planeta.

Inicialmente, a série seria transmitida apenas na Espanha através do canal Antena 03 e contaria com somente uma temporada, mas depois que a Netflix adquiriu os direitos da produção e a disponibilizou em seu catálogo, a história mudou completamente.

No documentário, atores, diretores e produtores contam como aconteceu essa mudança radical na série e também em suas vidas pessoais, além de narrarem desafios enfrentados nas gravações e na produção dos roteiros. O filme mostra também como a série transcendeu os limites do entretenimento pra se tornar um símbolo da resistência pelo mundo inteiro.

Pra você que é fã da série, e curte saber boas histórias de bastidores, o documentário é imperdível!

Chocante

(Alerta de spoleires). A quarta parte de “La casa de papel” deixou a todos nós, fãs da série, em estado de choque, pois, perdemos nossa personagem mais querida. Nairóbi sobrevive ao tiro levado na parte 03, mas acaba não resistindo às crueldades do terrível Gandía. Aliás, o chefe de segurança do banco da Espanha é o grande vilão dessa temporada, roubando a cena e nos deixando tensos, em vários momentos, pela sua frieza e maldade natas. Gandía consegue ser mais odiável que a inspetora Alicia Sierra. Na parte 04 conhecemos um lado mais humano da terrível grávida, torturadora de garotos. Outro personagem marcante, que realmente parece não ter nenhuma qualidade a se admirar é o intragável Arturito, que mostra uma face ainda mais deplorável durante esse novo roubo.

José Manuel Poga interpreta Gandía, o grande vilão dessa temporada.

Ao contrário de Arturito, que só piora a cada episódio, a personagem interpretada por Úrsula Corberó, dá um grande salto. Se na terceira temporada, vimos uma Tóquio inconsequente, que é capaz de tomar um porre por causa de dor de cotovelo em pleno assalto, nessa quarta parte ela se mostra muito mais consciente e com uma frieza e inteligência que a tornam vitais para o grupo.

Outros personagens que merecem destaque são Antoñanzas (infiltrado dentro da polícia) e Júlia (Manila, infiltrada entre os reféns), que desempenham papéis importantes no desenrolar da trama. A surpreendente história de Manila é explicada em detalhes, assim também como a relação de Palermo e Berlim. Por falar no personagem falecido, um dos episódios retrata o casamento dele com a amada Tatiana, o que nos faz pensar que ela ainda deve ganhar algum destaque nas próximas temporadas, afinal, sua presença não deve ter aparecido na série por acaso não é?

E já pensando na continuação, como os roteiristas vão trabalhar daqui pra frente sem a personagem mais carismática de todas, a Nairóbi? Será que eles deram um tiro no pé? O que vocês acham? Essas e outras perguntas vão ficar para a quinta temporada, que devido à crise do coronavírus, deve demorar bastante ainda pra sair…

O final dessa parte 04 não ajuda muito os fãs a conterem a ansiedade, porque assim como na parte 03, termina muito aberto, numa estratégia para atiçar nossa curiosidade. Uma coisa é certa: os produtores terão que usar ainda mais a criatividade pra suprir a falta que a Nairóbi vai fazer…

Mate a saudade se divertindo e se emocionado com grandes momentos da personagem de Alba Flores na série.

Argentina e Uruguai cortam despesas políticas para financiar sistema de saúde

Enquanto a pandemia avança e  o número de contagiados e de vítimas fatais cresce, alguns governos da América do Sul estão adotando medidas de ajuste e realocação orçamentária para enfrentar as necessidades financeiras de seus sistemas de saúde. O Uruguai reduzirá em 20% o salário de altos funcionários e aposentadorias mais privilegiadas. Na Argentina,  o presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Massa, anunciou que vai transferir fundos destinados ao funcionamento da Casa e os chamados “recursos especiais reservados” dos deputados ao Ministério da Saúde e a organismos que estão atuando no combate ao coronavírus.

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, empossado em 1 de março, comunicou a criação do chamado “Fundo Coronavírus”, com recursos de salários de servidores e pessoas com cargos políticos.

— Não vamos reduzir o salário de funcionários públicos e políticos para economizar, e sim para gastar. Isso é solidariedade pura para as pessoas. Precisamos gastar — declarou Lacalle Pou. Seu salário também será reduzido em 20% para contribuir com o novo fundo. — Este é o momento de todos fazermos um esforço — frisou o chefe de Estado uruguaio.

A medida está prevista num projeto de lei que será enviado ao Parlamento do país. A aliança de governo, formada por cinco partidos, tem votos suficientes para aprová-la. De qualquer forma, o respaldo obtido por Lacalle Pou foi expressivo e deve facilitar o rápido tratamento do projeto.

Paralelamente, a Câmara do Uruguai já aprovou a eliminação dos chamados “fundos de imprensa”, em torno de US$ 800 (R$ 4.131) por deputado, previsto para a compra de jornais e revistas no Parlamento. O Uruguai confirmou na semana passada a primeira morte no país por Covid-19.

Na Argentina, país que tem sido elogiado por especialistas pela rapidez em adotar medidas drásticas de combate à pandemia, a Câmara, que está funcionando com reuniões e debates virtuais há mais de duas semanas, redistribuiu despesas.

As medidas de isolamento social adotados na Argentina estão sendo elogiados pelas entidades de saúde. Foto Reprodução Argentina

— Retiramos dos deputados as chamadas “despesas especiais” e usamos os recursos destinados ao funcionamento da Câmara, as despesas logísticas, e tomamos a decisão de que todos esses recursos sejam enviados ao sistema de saúde — explicou ao Jornal “O GLOBO” o presidente da Câmara argentina, muito próximo de seu colega brasileiro, Rodrigo Maia, com quem tem se comunicado nos últimos dias.

Para Massa, “numa emergência não podem existir despesas especiais da política”.

Fonte: Jornal “O Globo”

Artista venezuelano cria painel com 200 mil tampinhas

Algumas pessoas tem o dom de transformar materiais que a maioria vê apenas como lixo em verdadeiras obras de arte. É o caso de Oscar Olivares um artista venezuelano de 23 anos que está usando a arte como forma para trazer beleza e sustentabilidade ao mundo. “Mais do que estudar e usar diferentes técnicas, uso a arte para ser feliz e expressar meus sentimentos e ideias”, explica o jovem artista.

Em parceria com uma organização ambiental local, a OkoSpiri, e com o movimento Arquitectura para el Futuro, Oscar criou um gigantesco mural usando tampinhas de plástico de garrafa e de outros recipientes. Foram necessários 3 meses de trabalho e 200 mil tampinhas.

Oscar criou um impressionante painel com tampinhas de plástico de garrafa e outros recipientes.

O resultado é impressionante: um painel de 45 metros de largura e com uma altura que varia entre 3,5 e 7,25 metros em diferentes pontos. A obra de arte fica na cidade de El Hatillo, na Venezuela.

O processo foi trabalhoso e envolveu a colaboração de diferentes pessoas e empresas locais que doaram materiais e ajudaram com a mão de obra. “Sou muito feliz desenhando e criando. O que mais quero é que as pessoas sintam a mesma felicidade quando olhem para as minhas obras”, conta Oscar.

A alegria e felicidade sem dúvida estão estampadas na composição que mudou este pedaço da cidade – são araras em seu habitat natural, com todas as suas cores e belezas.

Além das araras, o mural traz flores como girassóis, as montanhas do Parque Nacional El Ávila, construções em uma paisagem verde e um céu estrelado, além de outros elementos criados pelo artista.

Um exemplo de como a arte pode transformar as cidades e de como é possível reaproveitar resíduos: ao invés de poluírem o meio ambiente, estas 200 mil tampinhas ajudaram a tornar o ambiente mais bonito para todos.

Fonte: Ciclo Vivo

Superando o medo do inimigo invisível

O coronavírus atingiu um dos cantores latinos mais queridos em todo o mundo: o uruguaio Jorge Drexler, que vive atualmente em Madrid. Mas, felizmente ele está recuperado e já pode fazer uma das suas atividades preferidas: tocar violão. A esposa do artista também testou positivo para a Covid-19 e se recuperou bem.

Em entrevista ao Jornal o Globo, o músico, de 55 anos, conta que a primeira a ser contaminada foi sua esposa, a atriz e cantora espanhola Leonor Watling.  Ela esteve em uma premiação de cinema de onde muita gente saiu doente. Dias depois, foi ele quem começou a sentir-se mal. Evitou ir ao hospital para não sobrecarregar o sistema de saúde, já que o exame clínico é recomendado apenas para os casos mais graves. Ligou para um médico e, ao narrar o que sentia, teve um diagnóstico positivo para o vírus.

Jorge Drexler e sua esposa contraíram a Covid-19.

O corpo todo dói muito, é uma tosse esquisita. Senti a fragilidade humana no meu corpo. O mais estranho foi perder olfato e paladar. Também senti um peso no peito e tive muito medo, um medo que eu não experimentava há muito tempo. Mas essa não deve ser nossa força motriz. O medo é um mau conselheiro, porque parte da população que deveria se cuidar em casa satura as emergências públicas — alerta o compositor, que também é médico (especializado em otorrinolaringologia) e trabalhou durante cinco anos em emergências hospitalares.

A experiência rendeu muitas amizades na área. E é por meio de um chat com esses amigos médicos que ele recebe, diariamente, notícias do front do combate ao coronavírus no Uruguai. No entanto, desde que se curou da doença, tem se dedicado mesmo aos assuntos escolares dos filhos pequenos, de 8 e 11 anos.

Mudança radical na rotina

A proximidade entre pais e filhos é um efeito positivo desse momento. Tem sido lindo. Mas é cansativo. Tem o homeschooling, e sou um pouco impaciente. É um aprendizado — conta ele, enquanto a filha aparece na tela para dar um oi. — É um momento de celebração da vida familiar e me sinto feliz estando em casa. O que é surpreendente porque sou muito social. Normalmente, quase toda noite, estou em botecos ou cozinhando para amigos.

Em seu Instagram o cantor alertou a seus seguidores, especialmente aos da América Latina,  sobre a importância da conscientização de todos nesse momento tão delicado: “Queridos amigos, vocês tem uma oportunidade única de não cometer os mesmos erros que cometemos na Espanha e na Itália. Deem um exemplo ao mundo: Fiquem em casa. Evitemos o pico de contágio massivo. É a única forma de não saturar os sistemas de saúde e permitir que os casos graves se salvem” – escreveu em postagem na rede social.

Antes de adoecer, Jorge havia composto a canção Codo a Codo (Cotovelo com Cotovelo)  que deixa uma mensagem de alento para que possamos superar essa fase tão difícil:  “Já voltarão os abraços os beijos, dados com calma. Caso encontre um amigo, cumprimente-o com a alma.  Sorria, mande um beijo. Desde longe, seja próximo, não se toca o coração somente com a mão”, diz um trecho da canção…

Fonte: Jornal O Globo e Portal Uol

Quédate en casa

Nesses tempos de pandemia a união faz a força para vencer a ameaça letal do coronavírus. Os profissionais de saúde, e todas as profissões dos chamados serviços essenciais, estão trabalhando como verdadeiros heróis tentando impedir que o caos se implemente em um momento tão difícil.

 Quem não se enquadra nesse grupo de trabalhadores indispensáveis está contribuindo de uma outra forma também muito importante: ficando em casa na maior parte do tempo possível. Parece pouco, mas essa atitude pode fazer toda diferença. Países que reduziram ao máximo a circulação de pessoas conseguiram manter o nível de contágio do novo coronavírus bem mais baixo do que outros que resistiram em fazer quarentena a princípio.

Pensando em conscientizar as pessoas pra esse fato, o cantor e compositor Ariel de Cuba lançou a música “Quédate en casa”, (Fique em casa) que rapidamente se tornou um hit entre os confinados em toda América Latina, Espanha e em várias outras  partes do mundo.

Ariel conta que todo o processo de criação ocorreu de maneira bem natural: “Fiz esta canção no primeiro dia de quarentena, as coisas do coração movem massas. No mesmo dia compus, cantei, produzi, masterizei  e fiz o vídeo para ajudar a campanha #Quedateencasa.”

“Foi a maneira que eu encontrei para levar às pessoas uma mensagem positiva e útil. Não importa qual seja sua ideologia, raça ou religião é o momento de todos nos unirmos” – ressalta o artista.

 Além da letra, que tem uma mensagem pra lá de importante, o ritmo da música também é excelente para dançar. Ótima opção pra se exercitar em casa nessa quarentena. 👇

*Fonte Youtube

Jornais unidos contra o coronavírus

A pandemia do novo coronavírus está promovendo imagens que vão durar por muito tempo em nossa memória. Uma delas veio da nossa vizinha Argentina. No dia 19 de março os principais jornais do país tiveram a mesma capa, mostrando a união contra o poderoso inimigo invisível.

A decisão de unificar as capas dos jornais impressos de circulação nacional faz parte da campanha #SomosResponsables, que visa conscientizar a população acerca das medidas de prevenção e combate à pandemia.

Na capa dos jornais, a mensagem: “Paremos o vírus juntos. Vamos viralizar a responsabilidade”. Entre as medidas estimuladas pela campanha está o isolamento social. A iniciativa foi promovida pela Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa).

No dia 23 de março foi a vez da imprensa brasileira aderir à campanha de unificação das capas, com o lema “Juntos vamos derrotar o vírus: Unidos pela informação e pela responsabilidade”. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) publicou nota que explica a iniciativa: “Em uma ação inédita no país, dezenas de jornais brasileiros unificam suas capas hoje na segunda fase da campanha da Associação Nacional de Jornais (ANJ) de apoio ao combate ao coronavírus e à desinformação, que agrava as consequências da doença Covid-19. (…)

“Em situações dramáticas como a que vivemos, informação precisa e contextualizada é um bem ainda mais essencial”, enfatiza o jornalista Marcelo Rech, presidente da ANJ. “A ação demonstra a unidade dos jornais brasileiros em torno de uma causa comum: servir a população com jornalismo de qualidade para, com a responsabilidade que o momento exige, enfrentarmos e vencermos a pandemia”, completa.

Fonte: Uol Notícias e Jornal Correio do Povo

Economia da América Latina é uma das mais afetadas pela epidemia do coronavírus

Toda cautela é pouca na hora de tentar antecipar o inegável impacto econômico do coronavírus: grande parte do que está ocorrendo hoje só será plenamente visível e quantificável no decorrer das semanas ou meses. Os sinais, entretanto, chegam em peso e falam por si só: há algo de grave acontecendo no sempre frágil jogo de equilíbrio em que se move a economia.

A Bolsa de Nova York perdeu quase um quinto do seu valor em menos de um mês; a migração da renda variável para a renda fixa – a prova mais evidente do temor que paira sobre o mercado – é evidente; o consumo global de petróleo afunda a um ritmo inclusive maior que na Grande Recessão; a saída de capitais dos emergentes se multiplica; e cada vez mais organismos internacionais reconhecem que ainda não dispõem dos elementos de julgamento suficientes para se aventurarem com uma cifra concreta de impacto.

Pouco a pouco, as certezas do impacto econômico começam a emergir. Entre elas, que ser uma das regiões do mundo com menos casos de contágios não a exime de sofrer o dano financeiro associado a qualquer epidemia: a América Latina não tem de forma alguma garantida a sua imunidade, e foi pega no contrapé, mergulhada num já longo período de baixo crescimento e com pouca margem de ação para reverter a esperada redução da demanda.

As consequências já começaram a ser sentidas em várias frentes: sacudida nas Bolsas, acompanhando os grandes mercados mundiais; moedas indo à lona; redução nas previsões nas previsões de crescimento e uma clara mudança de padrão nas exportações de matérias primas. “A região está perante sua possível segunda década perdida… das últimas três. O coronavírus chega num péssimo momento, de baixo crescimento”, observa Lourdes Casanova, diretora do Instituto de Mercados Emergentes, ligado à Universidade Cornell (EUA).

No aspecto sanitário, a epidemia chegou à América Latina através do Brasil, com um homem que voltou infectado de uma viagem à Itália. Desde então, o vírus avançou em ritmo mais lento que em outras latitudes: o verão austral talvez tenha ajudado, como também a distância geográfica e as poucas conexões aéreas com as zonas mais afetadas.

Primeiro paciente infectado da América Latina chegou ao Brasil depois de uma viagem à Itália.

O número de contágios é oito vezes maior nos EUA e 160 vezes maior na Europa. Mas o dinheiro corre por vias bem distintas: na mente dos economistas, está gravada a fogo a relação direta entre menor atividade global, menor consumo de matérias primas e golpe na linha de flutuação de muitas economias da região. A eterna dependência dos produtos básicos, sem valor agregado, agrava a exposição latino-americana a um choque desta espécie.

As primeiras a sofrerem o golpe foram as divisas regionais, algumas das quais já estavam nos ossos: o real brasileiro e o peso chileno flertavam com seu mínimo histórico bem antes do coronavírus monopolizar tudo. Só o peso mexicano sustentava a cotação.

Mas além dos sempre voláteis mercados financeiros – Bolsas, câmbio, renda fixa –, que já antecipam uma guinada radical no caminho de crescimento global e regional, “há um impacto claro sobre as exportações e, portanto, sobre o crescimento. Ainda não vemos contágio para o setor de serviços, com impacto doméstico, mas o risco está aí, e as autoridades de política econômica deveriam estar observando-o”, afirma Martín Castellano, chefe de análise para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

A estreita relação com a China nas últimas décadas se transforma em uma faca de duplo fio na balança comercial de muitos países latino-americanos. Pouco mais de uma década atrás, quando o bloco ocidental sucumbia à crise financeira, esse gancho permitiu à região se isolar das consequências da queda dos EUA e Europa. Hoje, por outro lado, é motivo de alarme: embora a China vá pouco a pouco voltando à normalidade, “a atividade econômica ficou muito reduzida, com um impacto significativo”, observa por email Otaviano Canudo, ex-diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental e hoje fellow da Brookings Institution. Segundo os cálculos da OCDE, um ponto a menos de crescimento na China implica uma queda em idêntica proporção no crescimento da região. E a migração da volatilidade para os spreads da dívida pública, como recorda Sebastián Neto, chefe de unidade do organismo para a região, também é muito maior.

Três das grandes economias regionais – Brasil, Chile e Peru – têm no gigante asiático o principal destino de seus produtos, e o fantasma de 2015, quando as matérias primas desabaram e as principais economias latino-americanas se ressentiram, está na memória. Se nos primeiros dias os temores se centravam nos minérios de uso industrial – ferro e cobre, sobretudo –, o que situava as nações andinas como maiores prejudicados, o recente desabamento do petróleo por uma combinação de menor demanda (maior baixa trimestral em décadas, superior inclusive à registrada no auge da Grande Recessão) e descoordenação entre a OPEP e a Rússia, pôs o foco sobre Venezuela, Equador, Colômbia, Brasil e México, grandes produtores regionais. Em questão de dias, o México, segunda maior economia latino-americana – e um dos países menos afetados pela epidemia, por sua escassa exposição à China, onde tudo começou –, passou ao olho do furacão financeiro. Primeiro porque o desmoronamento do petróleo representa um duro baque para sua já abaladíssima petroleira estatal Pemex. Segundo porque, à medida que o vírus se globaliza – ou, melhor dizendo, se ocidentaliza –, suas consequências econômicas também o fazem.

Estamos começando a mudar o enfoque, vendo-o não só como um golpe para a economia chinesa, mas como algo que vai muito além”, aponta, pedindo anonimato, o estrategista para a América Latina de uma importante gestora de recursos. “Nos EUA, por exemplo, vão comprar os mesmos carros nestas circunstâncias? Temos dúvidas, e isso afeta o México e também o Brasil, onde dois terços de suas exportações são matérias primas. São “tempos difíceis” para a região, afirma por telefone. “Estamos vendendo com as duas mãos e esperando que os números se estabilizem para comprar com três mãos.” E quando os investidores apertam o botão de pânico, a história diz claramente que a peça latino-americana do dominó global costuma ser uma das primeiras a cair: sua exposição à volatilidade é inclusive maior que a do resto dos emergentes.

Na sopa de letras que os economistas identificam ao lerem as curvas dos gráficos – ou seja: L, uma queda da atividade sem recuperação à vista; V, rápido desabamento, rápida recuperação; U, descida busca, descenso, recuperação demorada –, Neto aposta na última opção. “Não há dúvidas de que haverá efeito sobre o crescimento. O período de recuperação já não será de um trimestre nem um semestre, e sim mais”. O resultado desse coquetel é um quadro cinza, muito mais sombrio que o desenhado no final de 2019 – que, verdade seja dita, era mais prudente que pessimista. O Goldman Sachs foi o último a revisar seu quadro macro para os principais países da região: Brasil e Equador crescerão 0,7 ponto percentual a menos (1,5% em vez de 2,2% no primeiro caso; e de -0,3% a um lúgubre -1% no segundo); Peru, 0,5 a menos (2,8% em lugar de 3,3%); e Colômbia, 0,4 (3% em vez de 3,4%).

Economia de países emergentes como o Brasil é uma das mais afetadas em momentos de crise mundial – Reprodução Internet.

Ao contexto adverso se soma uma menor margem de manobra para políticas contracíclicas que em crises anteriores. A depreciação generalizada das moedas latino-americanas delimita o campo de ação da política monetária – juros mais baixos contribuem para a retomada da atividade, mas também estimulam a saída de recursos. Esse é, justamente, o maior desafio regional neste ponto, segundo Neto: a “limitadíssima capacidade de aplicar estímulos num momento em que é preciso ter muito cuidado com o potencial impacto sobre a saída de capitais”. No plano fiscal, a margem é igualmente curta, com volumes de dívida pública que, como recorda Castellano, do IIF, duplicaram em grande parte da região desde 2009. Naquela época, estes países puderam fazer frente. “Só os países com espaço fiscal ou monetário e com reservas de divisas estrangeiras poderão responder ao choque”, conclui Canudo. Tempos bicudos, sem poções mágicas.

Texto de Ignacio Fariza – Retirado do caderno de Economia – Jornal El País.

La parte 04

Hoje, dia 03 de abril, estreia a quarta parte do maior sucesso da Netflix dos últimos tempos: “La Casa de Papel”. Pra você que está em casa de quarentena, na luta contra a propagação do novo coronavírus, melhor programação não há.

No encerramento da última temporada, o professor declarou guerra ao sistema, após o planejamento do assalto mais arriscado de todos os tempos, ter ido por água a baixo. Todos queremos saber qual o desfecho do bando, especialmente o da querida Nairóbi, que terminou a terceira temporada com a situação mais complicada, correndo risco de morrer.

E pra você que é fã da série, quais são suas apostas? Quem sobrevive e quem deve dar adeus nessa próxima temporada? E será que o plano tão sonhado por Berlim no fim dará certo, apesar de todos os percalços? Muito em breve, para nosso alívio, já teremos essas respostas….

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