A Burocracia

Eduardo Galeano é um dos escritores mais conhecidos e amados em Língua Espanhola. Com um jeito bem peculiar de escrever, o uruguaio conquistou admiradores pelo mundo inteiro. Galeano tinha, como ninguém, a habilidade de fazer críticas à sociedade de uma maneira perspicaz, bastante inteligente e irônica, como nessa crônica, chamada “Burocracia”, publicada em seu “Livro dos Abraços”.

Confira abaixo:

Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha.

No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.

E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.

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